Como é belo o mundo livre! – por Bruno Guigue

 

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Pródigo em boas palavras, o Ocidente pretende ser a personificação dos valores universais. Este modelo de democracia, este campeão de “direitos humanos” apela sempre às suas supostas virtudes em apoio das suas pretensões hegemónicas. É como se uma boa fada se atarefasse a fazer coincidir a sua moral com os seus interesses, revestindo as suas ambições com as roupagens da justiça e do direito. É assim que o “mundo livre” bombardeia países estrangeiros com fins “democráticos”, mas de preferência países ricos em petróleo, gás ou recursos minerais. Combinando a fé com a rapacidade capitalista, age como se pudesse converter o seu poder económico em privilégio moral.

O resto do mundo não é fácil de enganar, mas não importa. O “mundo livre” tem sempre razão, porque está do lado do Bem, e não arrisca ser contraditado, enquanto for o mais forte – pelo menos é o aquilo em que acredita tão firmemente como ferro. A barbaridade congénita que atribui aos outros é o inverso do seu autoproclamado monopólio da civilização. Aureolado do sacrossanto “direito de ingerência”, este casamento bem-sucedido de saco de areia à maneira dos GI e do saco de arroz à maneira Kouchner [NR] , o Ocidente tornado vassalo por Washington imagina sem dúvida que salva o mundo, submetendo-o à implacável razia exigida pelos abutres da finança e as multinacionais do armamento.

Este objectivo de domínio, sabemos, não começou ontem. Inscreve-se no longo período histórico caro a Fernand Braudel, da constituição de uma “economia-mundo”. Objectivo de longo alcance do mundo ocidental pela sua vantagem tecnológica, e iniciado desde a “Renascença” para a conquista de todo o planeta. Pacientemente, apropriou-se do mundo dos outros, moldou-o à sua imagem, obrigou-o a obedecer-lhe ou a imita-lo, eliminando de passagem todos os que julgou não assimiláveis. Sem que este estratagema de enganos viesse perturbar as suas certezas, o Ocidente pensa-se como uma metáfora do mundo. Ele era apenas uma parte, mas quer ser o todo, da mesma forma que hoje países que não representam mais que 10% da população mundial, se assumem como a “comunidade internacional”.

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A conquista colonial ilustra ao longo dos três últimos séculos esta propensão do Ocidente para estender sua influência para além das suas fronteiras, alegando levar os benefícios da “civilização”. Este projecto de dominação global foi posto em xeque pela revolta generalizada dos povos colonizados no século XX, mas conheceu uma segunda hipótese com a excrescência norte-americana. A “América”, este extremo Ocidente descoberto por um Cristóvão Colombo em busca do Extremo Oriente, herdou do velho continente, a sua ambição conquistadora e a sua ganância comercial. Convertendo a sua ausência de passado em promessa de futuro, estes “EUA” surgidos do nada na atmosfera do puritanismo anglo-saxónico têm ampliado essa ambição tudo unificando em seu proveito. Ao preço do genocídio dos nativos americanos, a “América” tornou-se assim a nova metáfora do mundo.

Não é certo que o mundo tenha ganho com a troca. Os impérios coloniais sucumbiram ao seu arcaísmo insuportável, enquanto a hegemonia americana é exercida, através dos múltiplos canais da modernidade tecnológica, do Google aos drones de combate. De repente, parece ao mesmo tempo mais dúctil e mais tenaz. O que lhe dá flexibilidade também lhe fornece persistência. Entre o capacete branco do administrador colonial europeu e o visor digital da cibernética militar dos EUA, ocorreu uma revolução que substituiu uma dominação abrupta, liquidada por uma descolonização sangrenta, por um negócio hegemónico multiforme. Herdeiros dos três “M” do colonialismo clássico, as ONG feitas nos EUA substituíram os “missionários” cristãos, os “mercadores” tornaram-se multinacionais e os “militares” são agora revestidos de alta tecnologia.

Fortes da boa consciência tacanha dos “nascidos de novo” do Middle West, o império americano projecta hoje no mundo o seu maniqueísmo devastador. De olhos abertos sonha com uma partilha final entre os bons e os maus, pilar inabalável de um etnocentrismo sem complexos. O direito está forçosamente do seu lado, uma vez que incorpora os valores fundamentais da “democracia liberal”, “direitos humanos” e “economia de mercado”. É claramente uma ideologia bruta, máscara fraudulenta dos interesses mais sórdidos, mas devo admitir que é eficaz. Se assim não fosse, haveria poucas pessoas no mundo a acreditar que os EUA ganharam a Segunda Guerra Mundial, que o capitalismo é um bom sistema, que Cuba é um Gulag tropical, que Assad é pior do que Hitler e que a Coreia do Norte ameaça do mundo.

Desta presumida intimidade com o Bem os acólitos do Império Norte-Americano deduzem logicamente um direito preventivo de caça ao Mal em todas as latitudes. Nenhum escrúpulo deverá inibir o seu frenesim salvador, a civilização no singular de que acredita ser a encarnação leva a prerrogativa expressa de reduzir a barbárie por todos os meios. É assim que o imperialismo contemporâneo funciona como uma espécie de tribunal universal, que distribui recompensas e inflige punições a quem bem lhe parece. Neste tribunal altamente “moral” a CIA ocupa lugar de juiz de instrução, o Pentágono o de braço secular e o Presidente dos Estados Unidos de juiz supremo, espécie de “deus ex machina” duma justiça divina que fustiga com raios os supostos do “eixo do mal”‘ e outros que causam problemas ao bom funcionamento do “Império do Bem” nas sua traseiras.

Manifestamente esta tendência para se considerarem a personificação da Moral situa-se do lado das estruturas, porque a sucessão conjuntural – e agitada – dos inquilinos da “Casa Branca” – nada muda. Em Washington, a cruzada contra os bárbaros serve invariavelmente de máscara à cupidez sem limites do complexo militar-industrial e ao objectivo secular do Estado profundo de Harry Truman a Donald Trump passando por Barack Obama. Da Coreia à Síria, passando pelo Vietname, Indonésia, Angola, Moçambique, El Salvador, Nicarágua, Chile, África do Sul, Sérvia, Afeganistão, Sudão, Somália, Iraque e Líbia, a morte é administrada directamente ou através ou de “servidores” para todos aqueles que se opõem ao reinado da “justiça universal”.

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Para executar o seu trabalho sujo, a “América” benfeitora tem sabido usar mão-de-obra local. Franco, Hitler e Mussolini (até 1939), Chiang Kai-Kak, Somoza, Syngman Rhee, Ngo Dinh Diem, Salazar, Batista, Mobutu, Marcos, Trujillo, Pik Botha, Duvalier, Suharto, Papadopoulos, Castelo Branco, Videla, Pinochet, Stroessner, Xá Reza Pahlevi, Zia Ul Haqq, Bin Laden, Uribe, rei Salmane, Netanyahu, os nazis ucranianos e os “terroristas moderados” do Médio Oriente têm fornecido uma ajuda valiosa.

Líder incontestado do maravilhoso “mundo livre”, a “América” pretende encarnar a civilização no momento em que ameaça populações inteiras com armas atómicas, napalm ou mísseis de cruzeiro, em vez de infligir a morte lenta pelo agente laranja, urânio enriquecido ou embargo sobre medicamentos. E não tem falta de zeladores, jurando que presta serviços insubstituíveis à humanidade, enquanto obviamente a derrota deste Império criminoso seria uma excelente notícia.

12/Agosto/2017

[NR] Bernard Kouchner: político francês, fundador dos Médicos Sem Fronteira.

[*] Analista político, francês, ver Wikipedia .

O original encontra-se em www.legrandsoir.info/qu-il-est-beau-le-monde-libre.html . Tradução de DVC.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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Mais um Artigo de Jornal a Chorar pelos Homossexuais na Rússia

Tanta concentração de artigos exclusivamente na Rússia a propósito do problema dos homossexuais faz pensar que só na Rússia os homossexuais têm problemas. Ninguém se lembra do que se passa na maioria dos países de África Oriental, nos países islâmicos e em alguns outros?! Na Rússia os homossexuais enfrentam apenas a proibição de manifestações públicas e provavelmente de discriminação moral, embora não haja reclamações sobre isso (menos numa república islâmica da Federação Russa de cujo nome não me recordo). Mas na Rússia a homossexualidade não é punida pela lei geral. Em muitos dos outros países, as práticas homossexuais, privadas porque neles nem passa pela cabeça manifestações púbicas, são punidas severamente através de condenações, desde penas de prisão até à condenação à morte. Mas devem países nossos amigos.

Quanto a certas bocas sobre a homofobia dos comunistas tenho aqui uma surpresa. Durante o governo de Estaline a homossexualidade voltou a ser criminalizada, ainda que nada conste na Constituição de 1936, depois de ter sido descriminalizada pelo governo de Lenine. Mas não é que nos Estados Unidos (EUA), para só falar no seu querido país, o mais desenvolvido e liberal do capitalismo, as leis contra a homossexualidade foram revogadas Estado a Estado entre 1970 e 2003? E esta hem!  

Mapa das leis de sodomia nos EUA, considerando a data em que foram revogadas.

  Leis revogadas antes de 1970.

  Leis revogadas entre os anos de 1970-1979.

  Leis revogadas entre os anos de 1980-1989.

  Leis revogadas entre os anos de 1990-1999.

  Leis revogadas entre os anos de 2000-2002.

“O governador do estado do Mississipi, que fica no sul dos Estados Unidos, assinou nesta terça-feira uma lei que permite aos proprietários de estabelecimentos comerciais e aos funcionários públicos recusar atendimento a casais homossexuais com base em suas crenças religiosas, o que desencadeou críticas por parte da comunidade LGBT”.

Homossexuais e Rússia (ou a Chechénia)

Os mesmos que se indignam com a suposta perseguição (bem provável, por se tratar de uma república islâmica, mas a duvidar de certas informações devido à propaganda anti-russa) aos homossexuais na República da Chechénia, pertencente à Federação Russa, e com os insultos à homossexualidade, empregam epítetos bem piores contra os comunistas (escumalha da Humanidade, genocidas, antidemocratas, desprezando os mais elementares direitos humanos, como o direito à vida, à propriedade e à liberdade, de expressão, de estilo de vida e de criação de partidos políticos) e chegaram mesmo a sugerir em comentários anteriores a proibição de actividades comunistas (já há vários países capitalistas avançados onde elas foram banidas ou onde os partidos comunistas não podem exercer actividade e ir a votos). 

É evidente que a formação social capitalista avançada chegou a um ponto em que tolera tudo, além de comercializar tudo – no seu liberalismo confiante, mercantil, oportunista e, reconheça-se, crente em todas as liberdades menos naquelas que comprometam o capital -, exceptuando, pois, a discussão da propriedade. Pode mesmo participar-se na discussão dos orçamentos e projectos locais, ser-se activista em associações cívicas de âmbito ecológico, minoritário, caritativo, cultural, ter-se sindicatos que lutem pela melhorias das condições de trabalho e de vida. Pode, com certeza, votar-se no partido que julgamos representar-nos bem. E alguma coisa sempre muda para melhor. No entanto, quem decide finalmente nos assuntos fundamentais, a respeito das relações de propriedade, do orçamento, do ensino, da política externa, da paz e da guerra, do planeamento do território, da questão da identidade e da autonomia nacionais, continuam a ser os agentes políticos do grande capital nacional e internacional. Por isso, mantêm-se, como leis da Natureza, a extrema riqueza e a extrema pobreza, o mais das vezes disfarçada, a desigualdade de meios entre as nações, a opressão laboral, a exaustão do planeta, a desordem territorial, a destruição do património edificado e do natural, a repressão a vários níveis e em diversos domínios da existência da expressão da individualidade, a guerra que tudo leva menos a perspectiva de novos negócios e da instauração de regimes que perpetuem, numa luta geo-estratégica interminável, o poder dos mais fortes a nível global e local. Vivemos, pois, num mundo livre – livre para os poderosos. Mas é por causa deste relativo avanço civilizacional – atribuível tanto às necessidades de liberalismo político e moral para o desenvolvimento industrial e para a concorrência e o crescimento económicos quanto às lutas democrático-liberais burguesas e às lutas proletárias anticapitalistas, libertário-democráticas noutro sentido – que a ideologia dominante das nações integradoras da formação social capitalista desenvolvida está convencida e convence da superioridade moral do sistema que defende face ao atraso simultaneamente económico, democrático e moral dos outros países. As guerras perpetradas pelos Estados altamente civilizados contra os Estados bárbaros são assim legitimadas, tal como é justificado o combate dos higienistas contra as pragas.

Toda esta conversa se resume a isto: propriedade privada dos meios de produção ou socialização dos meios de produção. Para a maioria, a existência de donos dos meios de produção é sinónimo de civilização e é um facto natural; para uns poucos resultou de um “roubo”, ainda que legal quando o Estado surgiu e em parte se confundiu, nas pessoas  ou nos interesses, com aqueles que se apropriaram dos campos, do gado, das oficinas, das minas, etc.. A questão central é: a exploração do homem pelo homem é um facto da Natureza ou não? Todos os outros tópicos (muito importantes sem dúvida mas manipulados) só servem a grande parte dos comentadores de serviço para distrair o pagode. Por fim, toda a política se reduziria, semelhante a contos infantis maniqueístas, à luta entre os bons dos democratas e tolerantes e os maus dos tiranos e preconceituosos.

Se compreendermos que os direitos humanos formais se prendem essencialmente com a propriedade e com a liberdade de expressão, além do básico direito à vida, e que a expressão é sobretudo a da liberdade dos grandes detentores da propriedade (tem que se estar bem caladinho no emprego e seguir as linhas ideológicas gerais no ensino), ficamos a saber que é precisamente na propriedade (dos meios de produção) que está o ponto. Propriedade ou não propriedade – eis a questão.

Alugar o corpo, do próprio ou até de outrem (fazendo negócio com o sexo alheio)? Não há problema. É tudo relativo e o ser humano tem preço.

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Notícias ao Minuto (10-02-2017):

“Comete crime de lenocínio “quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição”, sendo “punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”, de acordo com o Código Penal.

O tipo legal do crime de lenocínio visa a proteção da liberdade e da autodeterminação sexual da(o) prostituta(o), inserido na parte dos crimes contra a liberdade sexual.

“Não se pode presumir, de forma categórica e inilidível, que quem fomente, favoreça ou facilite a prostituição, ao fazê-lo, pura e simplesmente, põe em risco a liberdade sexual de quem se prostitui”, sustenta o TRP, num dos argumentos apresentados.

Os juízes desembargadores João Pedro Nunes Maldonado e Francisco Mota Ribeiro votaram a favor da inconstitucionalidade do crime de lenocínio, enquanto o juiz desembargador António Gama apresentou voto de vencido, pelo que a decisão não foi unânime.

O acórdão da Relação do Porto faz menção a uma decisão do Tribunal Constitucional, proferida em dezembro de 2016, que considera constitucional o crime de lenocínio. Na ocasião, três juízes votaram neste sentido, contra dois, sendo que um dos votos contra esta decisão pertenceu ao presidente do Tribunal Constitucional, Costa Andrade.

A Relação do Porto discorda do Tribunal Constitucional e dos seus fundamentos.

“(…) Assentam em estudos de natureza acientífica, ligados à área dos conhecimentos sociais e empíricos, carecendo de demonstração metódica, organizada e racionalmente interpretada a associação da prostituição a situações de carências sociais elevadas e que qualquer comportamento de fomento favorecimento ou facilitação da prostituição comporta uma exploração da necessidade económica ou social do agente que se prostitui”, frisa o TRP.

Ou seja, além da imoralidade, os juízes mostram ignorância e atribuem-na aos outros.

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Apocalipse: RTP ou Apocalipse Estaline – António Santos

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odiario.org

Recentemente, explodiu nas televisões americanas um novo tipo de «documentário» a que chamam docufiction. Ficção apresentada como se abordasse uma realidade factual. É o caso da série da RTP dedicada a Stáline. Uma fraude documental com um objectivo ideológico preciso, no ano em que se celebra o centenário da Revolução de Outubro. A RTP, paga por todos nós, dá tempo de antena a propaganda que os nazis não desdenhariam.

Acabo de assistir a «O Demónio», o primeiro episódio da mini-série «Apocalipse: Estaline». Durante uma hora, Isabelle Clarke dedica o seu «documentário» a convencer-nos de que Estaline foi o que o título diz: um demónio. Veja-se: «Lénine e um punhado de homens lançaram a Rússia no caos. (…) Como os cavaleiros do Apocalipse, os bolcheviques semeiam morte e destruição para se manterem no poder. Continuarão durante 20 anos, até os alemães chegarem às portas de Moscovo». Estaline surge como um «louco», «sexualmente insaciável» e com uma «mentalidade próxima dos tiranos do Médio Oriente» [sic] que só Hitler pode parar. Num frenesim anacrónico, o espectador é levado de «facto» em «facto» sem direito a perguntas nem a explicações. Para trás e para a frente, dos anos quarenta para o final do século XIX, de 10 milhões de mortos na guerra civil russa para 5 milhões de mortos no «holodomor: a fome organizada por Estaline», o puzzle está feito para ser impossível de montar. Ao narrador basta descrever o que, a julgar pelas imagens de arquivo, é aparentemente indesmentível: «os camponeses ucranianos, vítimas das fomes estalinistas abençoam os invasores alemães. Mais tarde serão enforcados pelos estalinistas. A conjugação das imagens de arquivo colorizadas é tão brutal e convincente que somos tentados a concordar com as palavras do narrador: «Estaline declarou guerra ao seu próprio povo». São os «factos alternativos» de Trump aplicados à História.

Só há dois problemas. Primeiro: Isabelle Clarke, a autora, admite que «Apocalipse: Estaline» não é História nem tem pretensões de querer sê-lo. Vou repetir, a autora admite que aquilo que fez não tem nada a ver com História. Podia terminar aqui. Mas, em segundo lugar, será que a RTP, canal público pago por todos nós para cumprir a missão de educar e informar, sabia que estava a comprar ficção em vez de História?

Claramente a História, enquanto ciência social, passe a inelutável normatividade a que estamos presos, é incompatível com a calúnia e a propaganda ou, numa palavra, a demonização. «Apocalipse: Estaline – O Demónio» não disfarça a demonização, disfarça a ficção.

Então, o que é «Apocalipse, Estaline»? Recentemente, explodiu nas televisões americanas um novo tipo de «documentário» a que chamam docufiction. Exemplos recentes são «Sereias: o cadáver encontrado» ou «Megalodon, o tubarão monstro vive». Em ambos, o documentário da Discovery Channel dá a palavra a cientistas, investigadores, professores e biólogos que explicam a descoberta científica de sereias, no primeiro caso e de um tubarão jurássico, no segundo. Durante uma hora, o espectador assiste a filmagens convincentes dos míticos criptídos e ouve especialistas, identificados como tal, debater as possíveis explicações para as descobertas serôdias. No final, em letra de efeitos secundários de bula de medicamento, admite-se, para quem ainda estiver a ver, que era tudo a fingir: os especialistas eram actores, as imagens eram fabricadas. «Apocalipse, Estaline» faz algo parecido: no final ficamos a saber a que «historiadores» foi beber inspiração: a romancista Svetlana Alexievitch, uma versão actualizada de Alexander Soljenitsyne; Robert Service, o mais proselitista e criticado dos historiadores-pop contemporâneos ou Pierre Rigoulot, um ex-trotskista transformado em neocon apoiante de Bush e fã confesso da guerra do Iraque. Trata-se contudo de menções honrosas e agradecimentos. Mas de onde vêm as citações? Onde foi buscar os números? Quais são as fontes? Raquel Varela coraria de vergonha alheia.

Não se trata de admirar ou condenar Estaline, trata-se de não sermos tomados por parvos. «Apocalipse: Estaline» não é ficção nem História: é uma falsificação estupidificante e tóxica para o público. Como os novos «documentários» sobre sereias e tubarões jurássicos, que confundem ciência com ficção, a RTP acabou de confundir História com propaganda nazi.

Este texto encontra-se em:

http://manifesto74.blogspot.pt/2017/01/apocalipse-rtp.html#more

Convido-os a comparar este documentário com estudos sérios como, por exemplo, de Dominico Losurdo, Estaline Uma Lenda Negra ou de Jean Elenstein, História da União Soviética.

Freedom and de-alienated labour (Philosophers for Change) by Jeff Noonan

 

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While there is still absolute deprivation of basic needs, this crime is not caused by lack of productive capacity, but inequality in the appropriation of natural resources and social wealth.

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via Freedom and de-alienated labour — Philosophers for Change

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Barrigas de Aluguer – É tudo uma Questão de Valores

É tudo uma questão de valores: se uma mulher pode alugar o seu corpo para ganhar dinheiro com sexo, por que não poderá alugar o seu corpo para a gestação de uma criança por dinheiro? Bem sei que a prostituição costuma ser proibida e moralmente reprovada. Mas se podemos comprar um cão, por que não podemos comprar uma mulher? É tudo uma questão de valores e o culturalismo, uma versão do liberalismo, já nos ensinou que é tudo relativo. Parece que Kant, afinal, não está de acordo… 

“Dez famosos que adotaram a barriga de aluguel para ter filhos

Veja fotos de artistas que aumentaram a família através da técnica

Por Isadora Barros

 

 

 

Seja por infertilidade, escolha pessoal ou até mesmo como opção para os casais homossexuais, a barriga de aluguel é uma prática adotada por muitos famosos para realizar o sonho de ter filhos. Recentemente, o famoso apresentador do The Tonight Show no GNT, Jimmy Fallon, mostrou em seu programa fotos da filha que nasceu por meio da barriga de aluguel. O apresentador e a esposa também são pais de mais uma menina, que foi gerada pelo mesmo procedimento.

 

 

Atrizes como Sarah Jessica Parker, Nicole Kidman e Elizabeth Banks também optaram pela prática após tentativas frustradas de engravidar.No caso de Nicole e Sarah, ambas já eram mães pela maneira convencional, mas enfrentaram problemas de fertilidade quando decidiram ter mais filhos.

 

 

 

Sarah Jessica Parker e Ricky Martin: ambos utilizaram a barriga de aluguel para ter filhos (Foto: The Grosby Group/ Getty Images)Sarah Jessica Parker e Ricky Martin: ambos utilizaram a barriga de aluguel para ter filhos (Foto: The Grosby Group/ Getty Images)

 

A barriga de aluguel também possibilita que o homem tenha o poder de decidir a hora de ser pai. Antes mesmo de assumir a homossexualidade, Ricky Martin teve gêmeos por meio de uma mãe de aluguel, e o mesmo procedimento ajudou o casal Elton John e David Furnish a realizar o sonho da paternidade. O cantor britânico aproximou-se tanto da mãe de aluguel ao ter seu primeiro filho que a escolheu novamente para gerar o segundo”.