O Espírito Santo Nada Tem a Ver com o Ricardo do BES

Diário do Alentejo
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Piadas Filosóficas

1ª Piada, ou de que é feito tudo isto?
Secretária: Dr., O senhor Invisível pede para ser recebido.
Doutor: Diga-lhe que não posso vê-lo.

2ª Piada, ou o sentido da vida.

 

João, um informático gestor de um portal de informação, chegou à conclusão de que factos e factos não dão resposta alguma ao sentido da sua vida.
Partiu para a Índia para consultar um guru, o homem mais sábio do país e, quiçá, do planeta.
Passaram-se meses e meses e a sua mãe não teve notícias dele. Preocupada, resolveu ir procurá-lo.
Quando chegou à Índia, perguntou pelo homem mais sábio do país. Foi-lhe indicada a morada de um guru.
Este, quando lhe concedeu a audiência, declarou-lhe que a autorizaria a ver o filho com a condição de lhe dizer apenas quatro palavras.
Quando, por fim, foi levada à sua presença, disse-lhe:
– João, volta para casa!

3ª Piada, ou o mistério de Hegel.

 

A senhora Gudofina caminhava pela rua com dois netos.
Uma amiga parou para perguntar a idade das crianças.
– O médico tem cinco e o advogado tem sete – respondeu ela.

A Consagração do Gracejo Como Política e o Fim da Tolerância de Ponto

 

    • Esta notícia já tem barbas, de dois anos mas o facto encerra uma lição que não se pode esquecer. Por isso, vou republicá-la. 
    • Acabei de ouvir na televisão pública que o governo decidiu não dar este ano tolerância de ponto à Função Pública nos feriados do Natal e do Ano-Novo, que calham… ao Domingo. Mas não era precisa tanta propaganda, nem tanto ódio ao Pai Natal, por causa dos supostos quarenta e sete dos cento e sessenta mil milhões do PIB, apesar de sabermos do baixo nível cultural e intelectual da população, que nem fazer contas sabe. É que, de um lado, a Função Pública está encerrada… ao Sábado. Neste caso seria como chover no molhado. Sejamos honestos: às Segundas, seria como uma compensação pelo absurdo dos feriados serem aos Domingos. Porque se a Função Pública é dispendiosa, então gastará menos se folgar uns dias a mais.
    • Claro que já deram tolerância de ponto há uns anos atrás dia 26 de Dezembro e 2 de Janeiro, mas estou apenas fazer pouco das pessoas (é o que merecem) que reagem por reflexo condicionado a tudo o que seja médicos, professores, funcionários de repartições, polícias, etc., do público, e que por isso se mostraram logo agradados por não haver tolerância a 24 e a 31 sem darem pelo facto de que esses dias são sábados. E sem darem pelo facto de que, com medidas assim, não se irão apenas feriados como também dias de férias, reformas em tempo útil, o emprego pouco precário, o nosso dinheiro destinado à saúde, à educação e à produção nacional para pagar as dívidas aos Fundos de Investimento estrangeiros, com o que não haverá feriados que cheguem para as liquidar. Tolos: é por isso que engolem as patranhas dos senhores do mundo. 
    • Continuem assim e depois vejam se podem pagar médicos e cirurgias do privado, professores de colégios, jardineiros, empregados do lixo, polícias privados, etc. Manter-nos vivos indo ao médico tornar-se-á muito mais caro do que fazer-nos um funeral.
    • Li algures que o povo é curto de neurónios… A maior parte tem um e funciona como as luzes de natal. 
  •  
  • Fiquem também com esta primeira estrofe do poema de Bertold Brecht, Canção da Insuficiência da Aspiração Humana, traduzido por Paulo Quintela: 
O homem vive da cabeça
E a cabeça é de repolho.
Ora tenta lá: da tua cabeça
Vive, quando muito um piolho.
Pois pra esta vida
Não é espertalhão bastante
Nem nota que a sabida
É mentira de farsante.

O Reino dos Doutores – Cheira Sempre a Relvas

 

 
 
Tenho um primo que prezo muito pela sua competência e entusiasmo em tudo o que faz (espero por isso que não se ofenda) e que, tendo apenas o 9º ano, desenhou e construiu a sua própria vivenda além de algumas outras, como o fizeram muitos, aliás. Por isso, com este percurso profissional e  ele vai a uma Universidade pedir duas licenciaturas honoris causa, uma em engenharia civil e outra em arquitectura. Está a ponderar pedir também um canudo em arquitectura paisagística porque fez um pequeno jardim em frente à sua casa. Pensando bem, sendo ele produtor de vinhos, vai pedir uma licenciatura em agronomia.
E não digam que isto tem a ver com as Novas Oportunidades. Que novas oportunidades ele quer? Com este percurso nem precisa do ministro para se tornar um doutor. Afinal, há tantos licenciados que, de bem, só sabem escrever “doutor”!

Provérbios Impopulares

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1. Os esquizofrénicos vivem a realidade como se fosse um filme e as pessoas normais vivem os filmes como se fossem a realidade.

2. Os ciborgues, que nos hão-de substituir, têm sentimentos metálicos e ideias de xénon.

3. Nada fazer dá muito que fazer.

4. Para seres benemérito deves começar por arrecadar para ti explorando o trabalho dos demais.

5. O misantropo é aquele que ama os outros e se odeia a si mesmo.

6. O homofóbico tem um lado feminino.

7. Quem tem cão não sabe ladrar.

8. A inteligência emociona-se com a sua frieza.

9. Os pós-humanos procuram inventar um homem-máquina com uma memória prodigiosa e um esquecimento ainda melhor.

10. Somos livres de escolhermos as melhores prisões.

11. Já não ouço o trânsito automóvel e o silêncio do campo faz-me ouvir insuportavelmente a mim próprio.

12. Adoro o cheiro a gasolina. Quem me dera que fosse marca de um perfume.

13. O capitalismo espera que sejamos livres de o criticar: das nossas críticas faz lucrativas mercadorias.

14. A liberdade é tudo o que não gostaria de ser, pois é tão confortável que pensem e decidam por mim.

15. O homem resolve problemas concentrando-se de tal maneira neles que a sua solução cria por isso mesmo outros problemas.

16. O que seria dos pobres se não existissem ricos?

17. A arte despe e denuncia, e os ricos compram-na para ligar bem com o cenário que cobre os seus crimes económicos e ecológicos.

18. Quem me dera não ter desejos: viveria na paz dos anjos.

19. As redes sociais da Net são boas porque fazer amizades cansa.

20. Os rubis são as pedras preciosas mais honestas.

21. Precisamos do lixo para dar emprego aos varredores.

22. O pedocentrismo é uma forma de criar as crianças à medida dos adultos que se detestam a si mesmos.

23. Faz o maior mal que não seja possível que te façam a ti.

24. O comunismo não é um estado, é um movimento.

25. Lenine escreveu: “Aprender, aprender, aprender sempre”. Mas o quê?

26. Uma democracia estável é uma ditadura referendada de quatro em quatro anos.

27. Há qualquer coisa nas ideias dominantes que pode substituir o pensamento.

28. Uma sociedade que odeia os professores precisa de ir à escola.

29. Não é verdade que a prostituta aluga o corpo enquanto vai ao cabeleireiro.

30. As drogas leves são responsáveis por o homem poder voar.

31. Quando as máquinas produzirem tudo, produzirão também o homem.

32. A forma mais racional de sociedade é a liberdade de cada um poder vender a sua força de trabalho pelo preço que os detentores das forças produtivas estão dispostos a dar.

33. Ser verdadeiramente livre é poder vender-se como escravo.

34. O homem sábio é aquele que sabe o que não é bom saber.

35. Ensina apenas o que os teus alunos querem aprender e serás amado por eles.

36. Diz mal de tudo em grande estilo entre gente apropriada sem adiantares projectos possíveis se queres que te vendam por bom preço.

37. Chamam utopia aos lugares que iluminam os homens e realidade à cegueira humana.

38. Nas ditaduras proíbem-se as perguntas. Nas democracias escondem-se as perguntas.

39. O que é preciso fazeres para teres uma estátua em vida e seres ignorado após a morte é deixares-te morrer vivo e acreditares que ressuscitas depois de morto.

Os Sentidos Nunca nos Enganam

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Segundo o filósofo crítico Kant, que valoriza a faculdade de sentir contra a opinião dos racionalistas clássicos, os sentidos nunca se enganam. O que nos engana é a interpretação que o nosso entendimento, afectado pelas paixões, faz do que percepcionamos.
Não pensava o mesmo o materialista das Luzes Helvétius que, em L’Esprit, escreveu, a propósito da reacção de uma amada que o apaixonado surpreendeu nos braços de um outro homem: «Ah!, pérfido, gritou ela. Compreendo: tu já não me amas; crês mais no que vês do naquilo que te digo.»
Tudo o que nos empenha profundamente nos cega. Duvida portanto de tudo aquilo pelo que pões as mãos no fogo. Mas, ao mesmo tempo, não traias as tuas mais íntimas paixões. As mais belas acções são aquelas pelas quais não pedimos, nem a nós próprios, razões.