Mértola – Vila Histórica Magnífica Rodeada de uma Paisagem Rude Estonteante

Mértola. Simples mas bela, como outras povoações portuguesas. A relação com o rio é de cortar a respiração. Carregada de História fundamental. Só não entendo por que chamam de mesquita à Igreja junto ao castelo. É que grande parte das igrejas de Portugal foram, à semelhança desta, construídas sobre uma mesquita, depois desta ter sido edificada sobre um templo romano, sempre por esta ordem. Notam-se nela algumas influências arquitectónicas nos elementos decorativos – mas as influências são inevitáveis e normais na circulação e substituição de culturas.
De resto, à parte dos arruamentos típicos do Sul da Europa, que não são propriamente uma reprodução do Norte de África, poucos vestígios, além de utensílios retirados à terra, há da ocupação árabe. O que se destaca é a Ordem de Santiago, cuja sede foi lá, responsável máxima pela expulsão militar dos árabes, administração, economia e arte de grande parte do Sul de Portugal.
Apesar de tudo, desta mistura de publicidade com propaganda ideológica (de autopunição), Cláudio Torres e os seus colegas, junto com a Câmara Municipal, fizeram um trabalho excelente, valorizando a localidade com museus temáticos e recuperação de edifícios históricos – dinamizando a economia local. A paisagem envolvente é estonteante de beleza rude, quase selvagem – cada vez mais rara na Europa, e no resto do mundo. Nos arredores o olhar ora se eleva para as serras, ora, mais longe, se perde no infinito de uma planície coberta de tons suaves. Há lagos, ou albufeiras largas, de um azul vivo a banhar os ocres do solo, a contrastar docemente com o verde seco das oliveiras e a namorar com o azul claro do céu. A gastronomia é opípara – embora não faça jus a uma região de caça – e o pão alentejano foi o melhor que já comi.
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A Ironia Inadvertida de Buzz Feed Sobre os Encantos de Portugal

 

34 raisons de ne jamais mettre les pieds au Portugal

Fuyez pauvres fous!
posté le 4 août, 2015 à 6:04 p.m
 
Uma ironia engraçada a do Buzz Feed. É verdade, Portugal possui recantos de encantar. Mas também tem coisas muito feias. Mesmo ao lado de ângulos belos, pode haver um casario caótico e de mau gosto. Os arrabaldes de Lisboa são desastrosos , feios, desorganizados, degradados. Há vivendas de mau gosto por todo o lado. Auto-estradas inúteis, a somar a outras necessárias, esventram as serras. O Centro e Norte de Portugal estão convertidos numa monocultura de eucalipos, árvore exógena que destruiu a floresta nacional, com os seus castanheiros, carvalhos, pinheiros, etc. É significativo que no ponto continental mais alto do país esteja um centro comercial. As indústrias de turismo internacionais descobriram uma nova galinha de ovos de ouro. A sorte é que os turistas não têm grande cultura. E os autóctones, que não são nada simpáticos entre si, esmeram-se por tratar bem dos ‘camones’, vá-se lá saber porquê.

Portugal Tem Técnicos Mas Não Tem Gente Culta: Um Projecto-de-Lei Para o Desordenamento do Território


Mais um avanço para o desordenamento do território. Se o país é também a sua urbanização, este país é um nojo. Só tenho pena de não ser mais novo para emigrar. Há muitos interesses instalados. Também muito pessoal técnico, com bastantes conhecimentos de engenharia para se fazer o que se quiser independentemente do valor do que se quer fazer. O que falta em Portugal é gente culta, isto é, que saiba o que dignifica, realiza e desenvolve o ser humano e a sociedade.


público “online” de hoje:

“A nova lei de bases dos solos e do ordenamento introduziu várias novidades, que agora estão a ser regulamentadas. Deixa de existir a figura dos terrenos “urbanizáveis”, que muitos planos directores municipais (PDM) previram em exagero, de modo a garantir hipotéticas expansões urbanas. Agora, as propriedades são apenas rústicas (rurais) ou urbanas.
Mas os PDM terão maior flexibilidade, podendo ser revistos por planos de urbanização e de pormenor. Qualquer nova operação urbanística terá, no entanto, de provar que é necessária e economicamente viável.

Outra novidade é o fim do licenciamento prévio para construções, reconstruções e obras de reabilitação, caso todas as normas urbanísticas estejam já definidas nos planos municipais. A fiscalização do cumprimento de tais normas será feita durante e depois da obra, e não antes como acontece agora. Ao construtor, basta apresentar o projecto junto da autarquia e em oito dias, se não houver oposição, pode começar a obra”.


Graffitis no Porto ou a Decadência do Gosto e da Estética Urbana


Lê-se em o público.pt de hoje, escrito por um ignorante de serviço, tão grosseiro como o presidente Rui Moreira, que nem tem capacidade para ter vergonha de não saber apresentar à cidade obras com o gosto que já teve a burguesia de antigamente (pois não é o garoto que esborratou aquilo que deveria ser preso mas o próprio Rui Moreira): “Camões já o escrevera. Mudam-se os tempos…. E os graffiters que trabalham no Porto podem dormir descansados, que nenhuma brigada da autarquia lhes vai apagar o trabalho. O executivo de Rui Moreira elevou o graffiti ao estatuto de Arte Urbana que outras cidades em Portugal, e no mundo, já lhe atribuíram, e está activamente a procurar espaços na cidade para serem alvo da intervenção destes artistas. Alguns dos melhores estão por estes dias no edifício Axa, nos Aliados, a pintar seis pisos para uma exposição indolor  organizada pela empresa municipal Porto Lazer, que é já um sinal dos novos tempos”.

Chamar a isto de arte… Um miúdo do básico faria melhor. E lá se estragou uma cabina que vale pela forma vestida de uma cor que a salientava. Já agora, também poderiam pintar a Torre dos Clérigos: dariam cor àquele vulto sombrio. E aqui em Lisboa poderiam pintar o Mosteiro dos Jerónimos: tão branco que ele é! Não é por nada mas prefiro a declaração inocente de pureza da brancura de uma modesta casa alentejana. 
E não me importo que me chamem careta, antiquado, preconceituoso. Há coisas que os borradores nunca compreenderão. Por exemplo, a leveza, a harmonia, a proporção, o respeito pela forma, pelo espaço, pela superfície, pela linha, a beleza da simplicidade.

União Soviética (URSS, USSR) – Arquitectura da Era Comunista – Para Acabar com a Mentira do Mau Gosto dos Comunistas

Entre o ecletismo Neogótico-Neoclássico Heróico-Popular-Estatal-Centralistra e um Modernismo Arrojado mas Por Vezes Demasiado Político-Simbólico

Arquitectura da Jugoslávia Comunista -Para Acabar com a Mentira do Mau Gosto dos Comunistas