EUA: Contradição entre o Grande Capital Norte-Americano e o Capitalismo Norte-Americano, ou o porquê da Eleição da Administração Trump – Uma contradição peculiar e novíssima – por José Valenzuela Feijóo

 7feba-wrw04nnt

Comecemos por uma pergunta: pode emergir uma contradição entre as grandes corporações transnacionais estado-unidenses e o capitalismo norte-americano?

O próprio enunciado poderia parecer absurdo: se se fala do capitalismo de tal ou qual país, será possível pensar que surja uma contradição entre este e suas empresas capitalistas? Acaso não se estará a falar do mesmo? Será que se pode falar de capitalismo nacional como algo distinto ou separado das empresas capitalistas que nele radicam? O tema merece alguma discussão mínima. Podemos abordá-lo em termos: i) da dinâmica e modos que assume o investimento no estrangeiro; ii) das origens sectoriais e regionais dos lucros.

O investimento no estrangeiro 

O investimento no estrangeiro, ou exportação de capital, constitui uma característica antiga das grandes potências capitalistas. E quando o sistema avança para a sua fase monopolista, tal característica acentua-se:   “o que caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava plenamente a livre competição, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, e a exportação de capital “. [1]

Neste momento, podem-se distinguir diversas etapas. Num primeiro momento, a direcção das exportações de capital vai do centro para a periferia e concentra-se na produção e exportação de matérias-primas. Estas tornam-se baratas e ajudam a baixar a composição do valor do capital e, por esta via, elevar a taxa de lucro. Além disso, o grosso da indústria continuava localizado no pólo desenvolvido.

Num segundo momento, pelo menos na América Latina, emerge algum desenvolvimento industrial impulsionado pelo Estado e capitalistas nacionais. O que muito contrariava os teóricos neoclássicos, os que continuavam a defender a “racionalidade” da tradicional divisão internacional do trabalho. Em termos quase “curiosos”, em pouco tempo chegou ali o capital transnacional, apoderando-se dos segmentos mais estratégicos. Junto a esse movimento há outro que se deve sublinhar: o investimento estrangeiro também se move entre os países do centro: vai dos Estados Unidos para a Europa e vice-versa, do Japão para a Europa, etc. Neste caso, não são os baixos salários o factor que os impulsiona e sim a dimensão dos mercados para bens industriais. Os lucros que este movimento gera favorecem mais os Estados Unidos: na Europa, por exemplo, expande-se o american way of life e a cultura gringa tende a impor-se. Esta fase coincide com outra: a do padrão de acumulação com regulação keynesiana que imperou nos EUA e Europa desde fins dos anos quarenta até, aproximadamente, meados ou fins dos setenta. Também se deve destacar: nesta fase observa-se um crescimento muito forte das grandes companhias transnacionais.

Desde fins dos anos setenta até agora, o que impera é o padrão neoliberal. Se pensarmos nos EUA, verificamos: a) piora drasticamente a distribuição do rendimento: sob a taxa de mais-valia; b) cai o coeficiente de investimento e reduz-se significativamente o ritmo de crescimento do PIB; c) geram-se problemas do lado do emprego produtivo; d) o mercado interno torna-se pouco atraente; e) emerge um défice crónico na Balança de Pagamentos, o qual é financiado através do expediente de emitir dólares que os estrangeiros adquirem e utilizam como meio de reserva.

No plano que mais nos interessa cristaliza-se um fenómeno chave: torna-se possível uma minuciosa fragmentação dos processos produtivos. Portanto, esta fragmentação possível dá lugar a que diversas partes do processo produtivo se possam localizar em muito diversos pontos do globo terráqueo. O que passa a depender dos níveis do salário, das políticas tributárias e cambiais e das possíveis infraestruturas (portos, caminhos, energia eléctrica, etc) que possam oferecer os diversos países e regiões. Tudo isso recorda não pouco as condições que se verificavam durante o modelo primário-exportador em vigor na América Latina durante o século XIX (últimos dois terços) e no primeiro terço do século XX.

Nas condições actuais, o investimento que se efectua fora, em países como por exemplo o México, provoca um alto ritmo de crescimento das exportações mexicana e, por sua vez, gera efeitos de arrastamento que são praticamente nulos. As exportações crescem a bom ritmo (as importações ainda mais), mas o PIB permanece quase estagnado em termos per capita. Ou seja, os efeitos de arrastamento destes investimentos sobre a economia nacional interna do país recipiente são quase nulos. Mas aqui interessa-nos o impacto na economia interna dos Estados Unidos.

No caso estado-unidense destaca-se o forte crescimento do investimento que suas grandes empresas aplicam no estrangeiro. Ao mesmo tempo, o debilitamento do investimento que se aplica no território estado-unidense: investe-se muito fora e muito pouco dentro do país. Em 1982 o investimento directo dos EUA acumulado no estrangeiro chegava a 207,8 mil milhões. Em 2016 chegou a 5332,2 mil milhões. Multiplicou-se 25,7 vezes, crescendo a uma taxa média anual de 10%. Entre 1982 e 1990 cresce a 9,5%. Entre 1990 e 2007 a 12,1% e entre 2007 e 2016 (período que abrange a grande crise de 2007-2009) cresce a 6,6%. A expansão é alta, com crescimento a ritmos anuais muito elevados. Também se observa que no período 2007-2016 a expansão reduz-se bastante, quase à metade do período anterior. Neste, pode-se supor que, devido à crise, os “factores de atracção” se enfraquecem fortemente. O que certamente está ligado à recessão que afecta não só os EUA como também a Europa e o Japão. Os dados básicos mostram-se no Quadro I.

Quadro I: EUA, Investimento directo no estrangeiro 

Ano Valor acumulado   (US$ mil milhões) Índice
1982 207.8 100
1990 430,5 207
2000 1 316,2 633
2007 2 994,0 1 441
2016 5 332,2 2 566

Fonte: D.T. Jennings y S. Stutzman, “Direct Investment Position for 2016”, em Survey of Current Business, July 2017.
Valores a custos históricos.

O aumento do investimento no estrangeiro pode ser melhor avaliado se o compararmos com o comportamento do investimento no país. Isto é mostrado no quadro seguinte.

Quadro II: Investimento nacional e no estrangeiro (índices) 

Rubrica 2000 2014 Taxa média anual de crescimento
Investimento fixo não residencial 100,0 130,4 1,9 %
Investimento directo no estrangeiro 100,0 373,0 9,9 %

Fonte: Para investimento fora ver fonte do quadro I.
Para Investimento Fixo não residencial, NBER, “Economic Report of the President, 2016”.
A série é a preços constantes.

A evidência é contundente. Cresce muitíssimo mais o investimento no estrangeiro do que no país. De facto, o investimento interno mostra sinais claros de estancamento.

Convém especificar e notar os factos mais decisivos.

Primeiro: cresce muito o investimento das CMN dos EUA no estrangeiro. E enfraquece-se no território nacional.

Segundo: no exterior, gera-se uma rede ou cadeia de produção que impressiona pela sua fragmentação e extensão geográfica. Produzem-se diversas partes do produto final em regiões muito diversas, em cada uma das quais é acrescentado certo montante de valor agregado.

Terceiro: numa alta percentagem, o produto final acaba por ser vendido aos próprios Estados Unidos.

Quarto: no fim deste círculo, os Estados Unidos começa a transformar-se num grande comprador (importador) de produtos finais e, ao mesmo tempo, vai perdendo sua capacidade de produção industrial – com a consequente e forte perda de ocupações industriais. Em alguns estudos estima-se que entre 2001 e 2011 a perda de empregos nos EUA provocada pelo seu défice com a China chegou aos 2,7 milhões. [2] Um cálculo recente abrange os anos 2001 a 2015 e estima a perda de empregos em 3,4 milhões. [3] Quanto ao NAFTA [North American Free Trade Agreement], nos seus primeiros 20 anos de funcionamento a perda em relação ao México e Canadá é estimada em 850 mil empregos. [4]

Quinto: como contrapartida, emerge um forte défice na balança comercial dos EUA. Com isto, o problema vital da realização do excedente agrava-se ainda mais.

Para concluir esta enumeração, recordemos uma expressão clássica: “o que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos”. Alguns criticavam-na pois a classe operária gringa tinha pouco a ver com tais benefícios. Pelo menos, beneficiava-se numa proporção bastante menor. Mas agora, a situação parece estar a mudar num sentido bastante mais radical: o que é bom para as grandes corporações multinacionais estado-unidenses já deixou de ser bom para o capitalismo dos EUA. 


[1] Lenin, “El imperialismo, fase superior del capitalismo”, en Obras Escogidas, Tomo I, pág.741. Edit. Progreso, Moscú, 1978.
[2] Ver R. E. Scott, “The China toll: growing U.S. trade deficit with China cost more than 2.7 million jobs between 2001 and 2011, with job losses in every state”; Economic Policy Institute; Briefing Paper, n° 345.
[3] R. E. Scott, “Renegotiation NAFTA is putting lipstick on a pig”; en Economic Policy Institute, 21 de Agosto, 2017 (página electrónica).
[4] R. E. Scott, ibídem.

[*] Economista, chileno, professor universitário no México. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Anúncios

Macron – O Fim da Soberania e da Identidade da França – Thierry Meyssan

Prononçant un discours fondateur devant les plus hauts diplomates français, le président Macron a révélé sa conception du monde et la manière dont il entend utiliser les outils dont il dispose. Selon lui, il n’y a plus de souveraineté populaire, ni en France, ni en Europe, donc pas de démocraties nationales ou supra-nationale. Il n’y a plus non plus d’Intérêt collectif, de République, mais un catalogue hétéroclite de choses et d’idées composant des biens communs. Décrivant leur nouveau travail aux ambassadeurs, il les a informés qu’ils ne devraient plus défendre les valeurs de leur pays, mais trouver des opportunités d’agir au nom du Léviathan européen. Entrant dans le détail de certains conflits, il a décrit un programme de colonisation économique du Levant et de l’Afrique.

 | DAMAS (SYRIE) | 5 SEPTEMBRE 2017 

Participant à la traditionnelle semaine des ambassadeurs, le président Macron a prononcé son premier discours général de politique étrangère depuis son arrivée au palais de l’Élysée [1]. Toutes les citations entre guillemets de cet article en sont extraites. Le président n’a pas dressé de paysage des relations internationales actuelles, ni expliqué le rôle qu’il conçoit pour la France dans le monde, mais la manière dont il entend utiliser cet outil.

Selon lui, la France n’a pas été capable de s’adapter aux changements du monde depuis 1989, la chute du Mur de Berlin, la dissolution de l’Union soviétique et le triomphe de la globalisation états-unienne. Pour reconstruire le pays, il serait absurde de vouloir revenir à l’ancien concept de souveraineté nationale. Au contraire, il faut avancer en s’emparant des leviers disponibles. C’est pourquoi, aujourd’hui : « Notre souveraineté, c’est l’Europe ».

Certes, l’Union européenne est un monstre, « un Léviathan » [2]. Elle n’a pas de légitimité populaire, mais devient légitime lorsqu’elle protège ses ressortissants. Dans son format actuel, elle est dominée par le couple franco-allemand. Lui, Emmanuel Macron, et la chancelière Angela Merkel peuvent donc, ensemble, la gouverner. Ainsi a-t-il pu se rendre en Pologne, en sa qualité de président français, et, avec l’accord de sa partenaire allemande qui ne pouvait se permettre d’agresser la Pologne au regard de l’Histoire, y parler en tant que représentant implicite de l’Union, y insulter le Premier ministre, lui rappeler qu’elle n’est pas souveraine et la faire rentrer dans le rang européen.

D’ores et déjà, avec la chancelière, il a décidé d’agir dans quatre domaines :
- la protection des travailleurs ;
- la réforme du droit d’asile et la coopération européenne en matière migratoire ;
- la définition d’une politique commerciale et d’instruments de contrôle des investissements stratégiques ;
- le développement de l’Europe de la Défense.

Ces objectifs déterminent évidemment les politiques nationales de chacun des États membres, y compris la France. Par exemple, les ordonnances que son gouvernement vient de prendre sur la réforme du Code du Travail posent les limites minimales de la protection des travailleurs conformément aux instructions arrêtées depuis longtemps déjà par les fonctionnaires de Bruxelles. La coopération européenne en matière migratoire fixera les seuils d’hospitalité permettant de faire fonctionner l’industrie allemande [3], tandis que la réforme du droit d’asile fixera la capacité d’accueil de la France au sein de l’espace Schengen. L’Europe de la Défense permettra d’unir les armées de l’Union et de les intégrer collectivement aux ambitions de l’Otan.

Pour faire avancer plus rapidement l’Union européenne, la France et l’Allemagne organiseront des coopérations renforcées sur différents thèmes, en choisissant leurs partenaires à la carte. On conservera alors le principe de décision à l’unanimité, mais uniquement entre États présélectionnés comme étant déjà d’accord entre eux.

La cohésion de cet ensemble sera maintenue autour de quatre valeurs communes :
- « la démocratie élective et représentative,
- le respect de la personne humaine,
- la tolérance religieuse et la liberté d’expression,
- et la croyance au progrès ».
« La démocratie élective et représentative » ne s’appliquera qu’au niveau local (communautés de communes et régions administratives, les communes et les départements étant appelés à disparaître) puisqu’il n’y a plus de souveraineté nationale.
« Le respect de la personne humaine, la tolérance religieuse et la liberté » devront être compris au sens de la Convention de sauvegarde des droits de l’Homme et des libertés fondamentales, et non plus à celui de la Déclaration de 1789 pourtant placée en préambule de la Constitution.
« La croyance au progrès » permettra de mobiliser les ressortissants européens dans une période où chacun voit des pays aisés, au Moyen-Orient élargi, soudain rasés de la carte et renvoyés à l’âge de pierre.

La méthode Macron

La France devra utiliser l’outil européen pour s’adapter au « monde multipolaire et instable ». Étant entendu qu’il n’est pas question de rétablir l’alliance franco-russe que le président Sadi Carnot et l’empereur Alexandre III conclurent car l’Union européenne est le volet civil de l’Alliance militaire atlantique, il ne sert à rien de fonder la diplomatie française sur l’Histoire ou des valeurs.

Il convient au contraire de jouer le rôle de « contrepoids » afin de maintenir « les liens avec les grandes puissances dont les intérêts stratégiques divergent ». Comprenez bien, le président ne parle pas des intérêts qui divergent entre d’un côté les États-Unis et de l’autre la Russie et la Chine, mais de maintenir les liens que ces deux grandes puissances doivent entretenir avec les États-Unis.

« Pour cela il nous faut (…) nous inscrire dans la tradition des alliances existantes et, de manière opportuniste, construire des alliances de circonstances qui nous permettent d’être plus efficaces ». Le rôle des diplomates n’est donc plus de défendre à long terme les valeurs de la France, mais de flairer à court terme les opportunités, les bons coups à faire.

« La stabilité du monde »

Ce cadre de travail européen et cette méthode étant posés, la fonction de la diplomatie française sera à la fois d’assurer la sécurité des Français en participant à « la stabilité du monde », et de gagner de l’influence en défendant « les biens communs universels ».

Puisque depuis la chute du Mur de Berlin et la fin de la souveraineté nationale, il n’y a plus d’ennemi conventionnel, la France n’a plus besoin d’armée pour défendre son territoire. Par contre, elle doit faire face à un ennemi non-conventionnel, le « terrorisme islamiste », qui exige d’elle à la fois une police omniprésente et une armée de projection capable d’intervenir dans les foyers de terrorisme à l’étranger : la Syrie et l’Irak d’un côté, la Libye et le Sahel de l’autre. C’est évidemment ce changement d’objectif, et non pas une question budgétaire, qui a conduit le président Macron à limoger le chef d’état-major des armées. Il reste à réformer la police.

La France continuera à protéger ses ressortissants musulmans tout en maintenant dans son discours un lien entre l’idéologie politique islamiste et la religion musulmane. Elle pourra de la sorte continuer à surveiller la pratique du culte musulman, l’encadrer, et de facto influer ses fidèles.

La lutte contre le terrorisme, c’est aussi l’asséchement de son financement, que la France poursuit au travers de nombreuses institutions internationales ; étant entendu que, du fait « des crises régionales et des divisions, des divisions en Afrique, et des divisions du monde musulman », certains États participent secrètement à ce financement. Or, premièrement le terrorisme n’étant pas des hommes mais une méthode de combat, et secondement les actions terroristes étant considérablement mieux financées depuis que l’on prétend l’interdire, il est évident que ce dispositif a été mis en place par Washington non pas contre les Frères musulmans, mais contre l’Iran. Bien que cela n’ait apparemment aucun rapport avec le financement du terrorisme, le président Macron aborde alors la question de l’antagonisme saoudo-iranien, pour prendre le parti de l’Arabie saoudite et condamner l’Iran.

Depuis les attaques de Daesh contre « nos intérêts, nos vies, notre peuple », la paix en Irak et en Syrie constitue « une priorité vitale pour la France ». D’où le changement de méthode en cours depuis le mois de mai : certes, Paris « avait [été] mis à l’écart » des négociations d’Astana, mais il fait aujourd’hui « avancer concrètement la situation » en discutant, un à un, avec les participants des réunions Astana. Il les a convaincus d’adopter l’objectif fixé de longue date par le président Obama : l’interdiction des armes chimiques et l’accès humanitaire aux zones de conflits. Enfin, la France a créé un « groupe international de contact » qui se réunira à l’occasion de l’Assemblée générale de l’Onu autour de Jean-Yves Le Drian. Le retour de la Syrie à l’état de Droit « devra s’accompagner de la justice pour les crimes commis, notamment par les dirigeants de ce pays ».

Le président Macron opère ainsi un retour en arrière par rapport à ses déclarations précédentes. il ne s’agit plus comme il l’avait laissé entendre lors d’une interview au JDD, d’accepter la République arabe syrienne et de l’épauler contre Daesh, mais au contraire de poursuivre le double jeu antérieur : utiliser le prétexte humanitaire pour continuer à approvisionner les jihadistes en armes contre Damas. L’annonce du jugement des dirigeants syriens équivaut à celle de la défaite de la République arabe syrienne, puisque jamais, absolument jamais, un État n’a jugé pour crime de guerre des généraux victorieux. Le président Macron ne précise pas quel tribunal devra juger ces dirigeants, mais sa formulation renvoie au plan du directeur des Affaires politiques de l’Onu, Jeffrey Feltman, qui prévoyait dès 2012 (c’est-à-dire avant la guerre généralisée) la « condamnation » de 120 dirigeants syriens ; un plan qui avait été rédigé sous la direction d’un fonctionnaire de Madame Merkel, Volker Perthes [4].

Concernant la Libye et le Sahel, le président Macron a rappelé son initiative de La-Celle-Saint-Cloud, au cours de laquelle il a rapproché le « Premier ministre libyen » Fayez Sarraj et le « chef de l’armée nationale libyenne » Khalifa Haftar ; sommet où il avait assuré les deux hommes du soutien de l’Union européenne à la conditions qu’ils passent par pertes et profits la mystérieuse disparition de 100 milliards de dollars du Trésor national libyen [5].

La première conséquence du renversement de la Jamahiriya arabe libyenne fut la déstabilisation du Mali, pays dont elle subventionnait très largement l’économie [6]. Il s’est alors divisé en deux : d’un côté les sédentaires bantous, de l’autre les nomades touaregs. L’intervention militaire française a prit acte de ces faits et a stoppé leurs conséquences immédiates sur les civils. Le G5-Sahel a été créé par la France pour stopper les conséquences de la guerre contre la Libye et prévenir l’affrontement entre noirs et arabes que seul Mouamar Kadhafi était parvenu à contenir. L’alliance pour le développement du Sahel vise, quant à elle, à remplacer —avec de bien plus faibles moyens— le programme d’aide au développement que la Libye avait développé dans cette région. L’ensemble de ces mesures assurera la stabilité de cette partie de l’Afrique jusqu’à ce que, dans une dizaine d’années, le Pentagone mette en œuvre son plan d’extension du chaos au continent noir [7].

Le président Macron évoque la déclaration commune qu’il vient de faire adopter par des partenaires d’Afrique et d’Europe instituant des bureaux d’immigration européens sur le continent africain. Il s’agit de trier au départ les migrants qui seront acceptés par l’Union et d’en finir avec les parcours de l’exode. « Les routes de la nécessité doivent devenir des chemins de la liberté » ; une formule qui résume la pensée présidentielle : l’Afrique, c’est la nécessité, l’Europe, c’est la liberté.

Pour Emmanuel Macron, « rétablir la sécurité » en Afrique passe par les trois D : « Défense, Développement et Diplomatie », c’est-à-dire la présence de l’armée de projection française, les investissements français et l’administration française ; le programme classique de la colonisation économique.

La défense des biens communs

Loin de négliger l’atout que représentent la francophonie et le tourisme, le président Macron y a consacré de longs développements. À ce sujet, il a impulsé l’idée de profiter du système juridique français pour étendre l’influence du pays. Ce faisant, il reprend à son compte la « doctrine Korbel », selon laquelle la manière dont un traité est rédigé étend l’influence du pays qui en a conçu les concepts ; doctrine appliquée par sa fille, Madeleine Albright, puis par sa fille adoptive, Condoleezza Rice, pour transcrire en droit anglo-saxon les traités internationaux.

Le premier bien commun, c’est la planète.

Ce discours a été prononcé durant la « semaine des ambassadeurs » au cours de laquelle le président est venu expliquer à son personnel que, désormais la fonction première de son administration était la diplomatie économique. Lorsqu’il était ministre des Affaires étrangères, Laurent Fabius avait eu l’idée de mobiliser le réseau diplomatique français pour développer les exportations. Il avait pour cela créé Business France, un établissement public à la tête duquel il avait placé Muriel Pénicaud. Celle-ci utilisa l’argent public qui lui était confié pour lancer la campagne électorale d’Emmanuel Macron à l’étranger, ce qui lui vaut des démêlés actuels avec la Justice. Elle est aujourd’hui ministre du Travail et a rédigé les ordonnances fixant la « protection des travailleurs ». Laurent Fabius quant à lui, est devenu président du Conseil constitutionnel. C’est à ce titre —et en violation du rôle que lui attribue la Constitution— qu’il a rédigé un Pacte pour l’environnement que le président Macron présentera aux Nations Unies.

Le deuxième bien commun, c’est la paix.

À travers « l’Europe de la Défense », le président Macron entend « donner un nouveau souffle » à l’Otan. L’Alliance vise en effet à la promotion de « la paix » comme on le voit en Afghanistan, en Irak, en Libye, en Syrie et en Ukraine.

Le troisième bien commun, ce sont la Justice et les libertés

Le président Macron, qui avait préalablement évoqué les valeurs communes de l’Union européenne que sont « le respect de la personne humaine, la tolérance religieuse et la liberté d’expression », assure désormais que « la place des femmes, les libertés de la presse, le respect des droits civils et politiques » sont des valeurs universelles. Il n’a malheureusement pas précisé la distinction qu’il opère entre celles qui sont européennes et celles qui sont universelles. Bien qu’il se pique de philosophie depuis sa rencontre avec Paul Ricoeur, il semble ne pas avoir réfléchi à la philosophie politique et confond dans son discours le Droit humanitaire avec les Droits de l’homme, et à ce propos leur signification anglo-saxonne (protection de l’individu face aux abus de l’État) et leur signification française (responsabilités des hommes, des citoyens et de la Nation).

Le quatrième bien commun, c’est la culture.

Le président Macron avait déclaré durant sa campagne électorale qu’il n’y a pas de culture française, mais de la culture en France. Identiquement, il ne conçoit pas la culture en général comme un développement de l’esprit, mais comme un ensemble de biens marchands. C’est pourquoi, il poursuivra l’œuvre de son prédécesseur pour la protection des biens culturels, et pas des gens, sur les théâtres de guerre.

Conclusion

Il faudra beaucoup de temps pour tirer toutes leçons de la vision du monde du président Macron.

Le point le plus important reste que, selon lui, le temps de la souveraineté populaire est passé aussi bien pour les Français que pour les Européens en général. L’idéal démocratique peut se poursuivre au niveau local, mais est vide de sens au niveau national.

Secondairement, sa conception du Bien commun (res publica), auquel tous les régimes politiques —qu’ils soient monarchique, impérial ou républicain— furent attachés, semble également d’un autre temps. Dans leur optique, il s’agissait de servir —ou de prétendre servir— un intérêt collectif. Certes, Emmanuel Macron évoque la Justice et les libertés, mais c’est pour immédiatement placer ces nobles idéaux au même niveau que des objets, comme la Terre et les produits culturels marchands, et un déshonneur, la vassalité à l’Otan. Il semble donc que la République aussi soit morte.

À l’issue de cet exposé, l’auditoire a chaleureusement applaudi. Ni la presse nationale, ni les leaders d’opposition n’ont émis d’objection.

Leo Strauss e Thomas P. M. Barnett: Teoria do Caos e Nova Estratégia de Domínio do Mundo pelos EUA – Thierry Meyssan

321941

O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo Thierry Meyssan Enquanto todos os peritos concordam em considerar que os acontecimentos na Venezuela seguem o mesmo modelo que os da Síria, alguns contestaram o artigo de Thierry Meyssan sublinhando o ponto da sua interpretação de divergências atribuída aos Presidentes Maduro e Assad. O nosso autor responde-lhes. Não se trata aqui de uma querela de especialistas, mas, sim de um debate de fundo sobre a viragem histórica a que assistimos depois do 11-de-Setembro de 2001 e que condiciona a vida particular de todos. REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 22 DE AGOSTO DE 2017 Este artigo dá sequência a : – “Divergências no seio do campo anti-imperialista”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2017. Na primeira parte deste artigo, eu sublinhava que actualmente o Presidente Bachar al-Assad é a única personalidade que se adaptou à nova «grande estratégia norte-americana»; todas as outras continuam a pensar como se os conflitos em curso prosseguissem os que conhecemos desde o fim da Segunda Guerra mundial. Elas persistem em interpretar os eventos como tentativas dos Estados Unidos se apoderarem dos recursos naturais, por si próprios, organizando para isso derrubes de governos. Como irei desenvolver, penso que elas se enganam e que o seu erro é suscetível de precipitar a humanidade no inferno. O pensamento estratégico dos EU No últimos 70 anos, a obsessão dos estrategas norte-americanos não terá sido a defender o seu povo, mas a de manter a sua superioridade militar sobre o resto do mundo. Durante a década que vai da dissolução da URSS aos atentados do 11 de Setembro de 2001, eles procuraram maneiras de intimidar aqueles que lhes resistiam. Harlan K. Ullman desenvolveu a ideia de aterrorizar as populações assestando-lhes uma formidável pancada na cabeça (Shock and Awe, o choque e o estupor) [1]. Num conceito ideal, foi a utilização da bomba atómica contra os Japoneses, na prática, o bombardeamento de Bagdade por uma chuva de misseis de cruzeiro. Os Straussianos (quer dizer os discípulos do filósofo Leo Strauss) sonhavam realizar e vencer várias guerras ao mesmo tempo (Full-spectrum dominance, a dominação em todos os azimutes). Que foram, pois, as guerras do Afeganistão e do Iraque, conduzidas sob um comando único [2]. O Almirante Arthur K. Cebrowski preconizava a reorganização dos exércitos de maneira a tratar e partilhar uma pletora de dados simultaneamente. Assim, robôs poderiam um dia indicar instantaneamente as melhores tácticas [3]. Como vamos ver, as profundas reformas que ele iniciou não tardaram a produzir frutos venenosos. O pensamento neo-imperialista dos EU Estas ideias e estas fantasias levaram, primeiro, o Presidente Bush e a Marinha (Navy) a organizar o mais vasto sistema internacional de rapto e tortura, que fez 80. 000 vítimas. Depois, o Presidente Obama pôs em acção um sistema de assassínio, principalmente por drones mas também por comandos, que opera em 80 países e dispõe de um orçamento anual de 14 mil milhões(bilhões-br) de dólares [4]. A partir do 11-de-Setembro, o assistente do Almirante Cebrowski, Thomas P. M. Barnett, deu inúmeras conferências no Pentágono e nas academias militares para anunciar qual seria o novo mapa do mundo segundo o Pentágono [5]. Este projecto tornou-se possível graças às reformas estruturais dos exércitos dos EU; reformas das quais resulta esta nova visão do mundo. Isso parecia tão delirante que os observadores estrangeiros consideraram-na, precipitadamente, como mais uma retórica para suscitar o medo dos povos a dominar. Barnett afirmava que para manter a sua hegemonia sobre o mundo, os Estados Unidos deviam «participar no fogo», quer dizer dividi-lo em duas partes. De um lado, Estados “estáveis” (os membros do G8 e seus aliados), do outro o resto do mundo, considerado como um simples reservatório de recursos naturais. Ao contrário dos seus predecessores, ele não considerava mais o acesso a estes recursos como vital para Washington, antes significava que eles só seriam acessíveis aos Estados “estáveis” desde que passando pelos serviços dos Exércitos norte-americanos. Por conseguinte, convinha destruir sistematicamente todas as estruturas de estado nesse reservatório de recursos, de tal modo que alguém jamais se pudesse opor, um dia, à vontade de Washington, nem tratar directamente com Estados “estáveis”. Aquando do seu discurso sobre o estado da União, em Janeiro de 1980, o Presidente Carter enunciou a sua doutrina : Washington considerava o aprovisionamento da sua economia em petróleo do Golfo como uma questão de segurança nacional [6]. No seguimento, o Pentágono dotou-se de um CentCom para controlar esta região. Mas, actualmente, Washington retira menos petróleo do Iraque e da Líbia do que aquele que lá explorava antes destas guerras ; e borrifa-se quanto a isso ! Destruir as estruturas de Estado é atirar para o caos, um conceito copiado de Leo Strauss, mas ao qual Barnett dá um novo sentido. Para o filósofo judeu, o povo judeu não podia continuar a confiar nas democracias após o fracasso da República de Weimar e da Shoá. Para ele, a única maneira de se proteger de um novo nazismo é o de instaurar, ele mesmo, a sua própria ditadura mundial —para o Bem, claro—. Seria, então, preciso destruir certos Estados resistentes, atirá-los para o caos e reconstrui-los segundo novas leis [7]. Era isto o que dizia Condoleezza Rice durante os primeiros dias da guerra de 2006 contra o Líbano, quando Israel parecia ainda vencedor : «Não vejo o interesse da diplomacia se for para regressar ao status quo ante entre Israel e o Líbano. Penso que isso seria um erro. O que vemos aqui, de uma certa maneira, é o início, as contrações da nascença de um novo Médio-Oriente e, seja o que for que façamos, devemos estar certos que empurramos no sentido de um novo Médio-Oriente e que não retornamos ao velho». Pelo contrário, para Barnett, não basta empurrar para o caos apenas os povos resistentes, também todos aqueles que não atingiram um certo nível de vida; e, assim que eles estiverem reduzidos ao caos, será preciso mantê-los nele. A influência dos Straussianos entretanto diminuiu no Pentágono desde a morte de Andrew Marshall, o qual tinha teorizado o «pivô para a Ásia» [8]. Uma das grandes rupturas entre o pensamento de Barnett e o dos seus predecessores, é o de que a guerra não deve ser travada contra Estados em particular por motivos políticos, mas, antes contra regiões do mundo porque não estão integradas no sistema económico global. Claro, iremos começar por tal ou tal país, mas, depois promoveremos o contágio até destruir tudo, como se vê no Médio-Oriente Alargado. Hoje em dia, a guerra continua lá com o emprego de meios blindados tanto na Tunísia, como na Líbia, no Egipto (Sinai), na Palestina, no Líbano (Ain al-Hilweh e Ras Baalbeck), na Síria, no Iraque, na Arábia Saudita (Qatif), no Barein, no Iémene, na Turquia (Diyarbakır) e no Afeganistão. É por isso que a estratégia neo-imperialista de Barnett terá forçosamente de se apoiar em elementos da retórica de Bernard Lewis e de Samuel Huntington, a da «Guerra das Civilizações» [9]. Como é impossível justificar a nossa indiferença face à sorte dos povos do reservatório de recursos naturais, poderemos sempre persuadir-nos que as nossas civilizações são incompatíveis. Segundo este mapa, extraído de um Powerpoint de Thomas P. M. Barnett durante uma conferência no Pentágono em 2003, todos os Estados da zona rosada devem ser destruídos. Este projecto nada tem a ver nem com a luta de classes, no plano nacional, nem com a exploração dos recursos naturais. Depois do Médio-Oriente Alargado, os estrategas dos EU preparam-se para reduzir a ruínas o Noroeste da América Latina. A aplicação do neo-imperialismo dos EU É exactamente esta a política que foi implementada desde o 11-de-Setembro. Nenhuma das guerras que foram lançadas terminou ainda. Desde há 16 anos, as condições de vida dos Afegãos são a cada dia que passa mais terríveis e perigosas. A reconstrução do seu Estado, que se anunciava ser planificado (planejado-br) sobre o modelo do da Alemanha e do Japão após a Segunda Guerra Mundial, não ocorreu. A presença de tropas da OTAN não melhorou a vida dos Afegãos, pelo contrário, ela deteriorou-se. Forçoso é constatar que ela é hoje em dia a causa do problema. Apesar dos discursos cor-de-rosa sobre a ajuda internacional, essas tropas apenas lá estão para aprofundar e manter o caos. Sempre que as tropas da OTAN intervieram, jamais os motivos oficiais para a guerra se revelaram verdadeiros, nem contra o Afeganistão (as responsabilidades dos Talibãs nos ataques do 11-de-Setembro), nem no Iraque (o apoio do Presidente Hussein aos terroristas do 11-de-Setembro e a preparação de armas de destruição maciça para atacar os Estados Unidos), nem na Líbia (o bombardeio pelo exército do seu próprio povo) nem na Síria (a ditadura do Presidente Assad e da seita dos Alauítas). Jamais, também, o derrube de um governo acabou com essas guerras. Todas continuam, sem interrupção, quaisquer que sejam os responsáveis no poder. As «Primaveras Árabes», mesmo quando se inspiram numa ideia do MI6, em linha directa vinda da «revolta árabe de 1916» e das façanhas de Lawrence da Arábia, foram inscritas na mesma estratégia dos EUA. A Tunísia tornou-se ingovernável. O Egipto foi, felizmente, tomado em mãos pelo seu exército e tenta agora respirar à tona da água. A Líbia tornou-se um campo de batalha, não desde a resolução do Conselho de Segurança apelando à protecção da sua população, mas depois do assassinato de Muammar Kaddafi e da vitória da OTAN. A Síria é um caso excepcional, uma vez que o Estado nunca passou para as mãos dos Irmãos Muçulmanos e eles não conseguiram instalar o caos no país. Mas, inúmeros grupos jiadistas, originários da Irmandade, controlaram —e controlam ainda— partes do território onde instauraram o caos. Nem o Califado do Daesh, nem Idlib sob a Alcaida, são Estados onde o Islão se possa mostrar, mas zonas de terror sem escolas ou hospitais. É provável que graças ao seu povo, ao seu exército e aos seus aliados russos, libaneses e iranianos, a Síria consiga escapar a este destino traçado para ela por Washington, mas o Médio-Oriente Alargado continuará a arder até que os seus Povos percebam os planos dos seus inimigos. Vemos já que o mesmo processo de destruição começa no Noroeste da América Latina. Os média (mídia-br) ocidentais referem-se, com desdém, a motins na Venezuela, mas a guerra que começa não se limitará a esse país, ela irá estender-se a toda a região, muito embora as condições económicas e políticas dos Estados que a compõem sejam muito diferentes. Os limites do neo-imperialismo dos EU Os estrategas dos EU gostam de comparar o seu poder ao do Império Romano. Mas este trazia segurança e opulência aos povos que conquistava e integrava. Ele construia monumentos e racionalizava as suas sociedades. Ao contrário, o neo-imperialismo norte-americano não pretende trazer seja o que for nem aos povos dos Estados “estáveis”, nem aos do reservatório de recursos naturais. Ele prevê extorquir os primeiros e planeia destruir os laços sociais que mantêm colados os segundos. Acima de tudo, ele não quer exterminar estes últimos antes precisa que eles sofram, para que o caos em que padeçam impeça os Estados “estáveis” de a eles ir buscar os recursos naturais sem a proteção dos exércitos Norte-americanos. Até aqui, o projecto imperialista considerava que «não se faz omeletes sem quebrar os ovos». Ele admitia cometer massacres “colaterais” para estender o seu domínio. De agora em diante, ele planeia massacres generalizados para impor definitivamente a sua autoridade. O neo-imperialismo norte-americano assume que os outros Estados do G8 e seus aliados aceitam deixar os Exércitos dos E.U «proteger» os seus interesses no estrangeiro. Se isso não coloca nenhum problema com a União Europeia, que está castrada há já muito tempo, isso ainda deverá ser debatido com o Reino Unido e será impossível com a Rússia e a China. Lembrando a sua «relação especial» com Washington, Londres já reclamou vir a ser associada ao projecto dos E.U para governar o mundo. Foi este o significado da viagem de Theresa May aos Estados Unidos em Janeiro de 2017, mas ela não recebeu resposta [10]. É, por outro lado, impensável que os exércitos dos E.U garantam a segurança das «Rotas da Seda», tal como hoje o fazem com os seus homólogos britânicos quanto às rotas marítimas e aéreas. Da mesma forma, é impensável fazer dobrar o joelho da Rússia, quando acaba, também, de ser excluída do G8 por causa de seu envolvimento na Síria e na Crimeia. Thierry Meyssan Tradução Alva <:ver_imprimer:> Facebook Twitter Delicious Seenthis Digg RSS [1] Shock and awe: achieving rapid dominance («Choque e Estupor : atingindo uma rápida supremacia»- ndT), Harlan K. Ullman & al., ACT Center for Advanced Concepts and Technology, 1996. [2] Full Spectrum Dominance. U.S. Power in Iraq and Beyond(«Domínio em todos os Azimutes. Poder dos E.U. no Iraque e Além»- ndT), Rahul Mahajan, Seven Stories Press, 2003. [3] Network Centric Warfare : Developing and Leveraging Information Superiority ,(Rede de Guerra Concêntrica : Desenvolvendo e Alavancando Superioridade na Informação»- ndT), David S. Alberts, John J. Garstka & Frederick P. Stein, CCRP, 1999. [4] Predator empire : drone warfare and full spectrum dominance («Império Predador : guerra de drones e domínio em todos os azimutes»- ndT), , Ian G. R. Shaw, University of Minnesota Press, 2016. [5] The Pentagon’s New Map («O Novo Mapa do Pentágono»- ndT), Thomas P. M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004. [6] “State of the Union Address 1980” («Discurso sobre o estado da União de 1980»- ndT), Jimmy Carter, Voltaire Network, 23 January 1980. [7] Alguns especialistas sobre o pensamento político de Leo Strauss interpretam-no de maneira completamente diferente. Quanto a mim, eu não me interesso sobre o que pensava o filósofo mas, antes, sobr o que defendem aqueles que, bem ou mal, se reclamam do seu pensamento no Pentágono. Political Ideas of Leo Strauss, Shadia B. Drury, Palgrave Macmillan, 1988. Leo Strauss and the Politics of American Empire, Anne Norton, Yale University Press, 2005. Leo Strauss and the conservative movement in America : a critical appraisal, Paul Edward Gottfried, Cambridge University Press, 2011. Straussophobia: Defending Leo Strauss and Straussians Against Shadia Drury and Other Accusers, Peter Minowitz, Lexington Books, 2016. [8] The Last Warrior: Andrew Marshall and the Shaping of Modern American Defense Strategy («O Último Guerreiro : A. Marshall e a Concepção da Moderna Estratégia de Defesa Americana»-ndT), Chapter 9, Andrew F. Krepinevich & Barry D. Watts, Basic Books, 2015. [9] « The Clash of Civilizations ? » & « The West Unique, Not Universal », Foreign Affairs, 1993 & 1996 ; The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order («O Choque de Civilizações e o Renovar da Ordem Mundial»-ndT), Samuel Huntington, Simon & Schuster, 1996. [10] “Theresa May addresses US Republican leaders” («Theresa May discursa para os líderes dos Republicanos dos E.U.A«- ndT), Theresa May, Voltaire Network, 27 January 2017.

Como é belo o mundo livre! – por Bruno Guigue

 

timemagazine_poy_cover_750 [*]

Pródigo em boas palavras, o Ocidente pretende ser a personificação dos valores universais. Este modelo de democracia, este campeão de “direitos humanos” apela sempre às suas supostas virtudes em apoio das suas pretensões hegemónicas. É como se uma boa fada se atarefasse a fazer coincidir a sua moral com os seus interesses, revestindo as suas ambições com as roupagens da justiça e do direito. É assim que o “mundo livre” bombardeia países estrangeiros com fins “democráticos”, mas de preferência países ricos em petróleo, gás ou recursos minerais. Combinando a fé com a rapacidade capitalista, age como se pudesse converter o seu poder económico em privilégio moral.

O resto do mundo não é fácil de enganar, mas não importa. O “mundo livre” tem sempre razão, porque está do lado do Bem, e não arrisca ser contraditado, enquanto for o mais forte – pelo menos é o aquilo em que acredita tão firmemente como ferro. A barbaridade congénita que atribui aos outros é o inverso do seu autoproclamado monopólio da civilização. Aureolado do sacrossanto “direito de ingerência”, este casamento bem-sucedido de saco de areia à maneira dos GI e do saco de arroz à maneira Kouchner [NR] , o Ocidente tornado vassalo por Washington imagina sem dúvida que salva o mundo, submetendo-o à implacável razia exigida pelos abutres da finança e as multinacionais do armamento.

Este objectivo de domínio, sabemos, não começou ontem. Inscreve-se no longo período histórico caro a Fernand Braudel, da constituição de uma “economia-mundo”. Objectivo de longo alcance do mundo ocidental pela sua vantagem tecnológica, e iniciado desde a “Renascença” para a conquista de todo o planeta. Pacientemente, apropriou-se do mundo dos outros, moldou-o à sua imagem, obrigou-o a obedecer-lhe ou a imita-lo, eliminando de passagem todos os que julgou não assimiláveis. Sem que este estratagema de enganos viesse perturbar as suas certezas, o Ocidente pensa-se como uma metáfora do mundo. Ele era apenas uma parte, mas quer ser o todo, da mesma forma que hoje países que não representam mais que 10% da população mundial, se assumem como a “comunidade internacional”.

Freedom-House-Nations

A conquista colonial ilustra ao longo dos três últimos séculos esta propensão do Ocidente para estender sua influência para além das suas fronteiras, alegando levar os benefícios da “civilização”. Este projecto de dominação global foi posto em xeque pela revolta generalizada dos povos colonizados no século XX, mas conheceu uma segunda hipótese com a excrescência norte-americana. A “América”, este extremo Ocidente descoberto por um Cristóvão Colombo em busca do Extremo Oriente, herdou do velho continente, a sua ambição conquistadora e a sua ganância comercial. Convertendo a sua ausência de passado em promessa de futuro, estes “EUA” surgidos do nada na atmosfera do puritanismo anglo-saxónico têm ampliado essa ambição tudo unificando em seu proveito. Ao preço do genocídio dos nativos americanos, a “América” tornou-se assim a nova metáfora do mundo.

Não é certo que o mundo tenha ganho com a troca. Os impérios coloniais sucumbiram ao seu arcaísmo insuportável, enquanto a hegemonia americana é exercida, através dos múltiplos canais da modernidade tecnológica, do Google aos drones de combate. De repente, parece ao mesmo tempo mais dúctil e mais tenaz. O que lhe dá flexibilidade também lhe fornece persistência. Entre o capacete branco do administrador colonial europeu e o visor digital da cibernética militar dos EUA, ocorreu uma revolução que substituiu uma dominação abrupta, liquidada por uma descolonização sangrenta, por um negócio hegemónico multiforme. Herdeiros dos três “M” do colonialismo clássico, as ONG feitas nos EUA substituíram os “missionários” cristãos, os “mercadores” tornaram-se multinacionais e os “militares” são agora revestidos de alta tecnologia.

Fortes da boa consciência tacanha dos “nascidos de novo” do Middle West, o império americano projecta hoje no mundo o seu maniqueísmo devastador. De olhos abertos sonha com uma partilha final entre os bons e os maus, pilar inabalável de um etnocentrismo sem complexos. O direito está forçosamente do seu lado, uma vez que incorpora os valores fundamentais da “democracia liberal”, “direitos humanos” e “economia de mercado”. É claramente uma ideologia bruta, máscara fraudulenta dos interesses mais sórdidos, mas devo admitir que é eficaz. Se assim não fosse, haveria poucas pessoas no mundo a acreditar que os EUA ganharam a Segunda Guerra Mundial, que o capitalismo é um bom sistema, que Cuba é um Gulag tropical, que Assad é pior do que Hitler e que a Coreia do Norte ameaça do mundo.

Desta presumida intimidade com o Bem os acólitos do Império Norte-Americano deduzem logicamente um direito preventivo de caça ao Mal em todas as latitudes. Nenhum escrúpulo deverá inibir o seu frenesim salvador, a civilização no singular de que acredita ser a encarnação leva a prerrogativa expressa de reduzir a barbárie por todos os meios. É assim que o imperialismo contemporâneo funciona como uma espécie de tribunal universal, que distribui recompensas e inflige punições a quem bem lhe parece. Neste tribunal altamente “moral” a CIA ocupa lugar de juiz de instrução, o Pentágono o de braço secular e o Presidente dos Estados Unidos de juiz supremo, espécie de “deus ex machina” duma justiça divina que fustiga com raios os supostos do “eixo do mal”‘ e outros que causam problemas ao bom funcionamento do “Império do Bem” nas sua traseiras.

Manifestamente esta tendência para se considerarem a personificação da Moral situa-se do lado das estruturas, porque a sucessão conjuntural – e agitada – dos inquilinos da “Casa Branca” – nada muda. Em Washington, a cruzada contra os bárbaros serve invariavelmente de máscara à cupidez sem limites do complexo militar-industrial e ao objectivo secular do Estado profundo de Harry Truman a Donald Trump passando por Barack Obama. Da Coreia à Síria, passando pelo Vietname, Indonésia, Angola, Moçambique, El Salvador, Nicarágua, Chile, África do Sul, Sérvia, Afeganistão, Sudão, Somália, Iraque e Líbia, a morte é administrada directamente ou através ou de “servidores” para todos aqueles que se opõem ao reinado da “justiça universal”.

2014_World_Map_of_the_Index_of_Economic_Freedom.svg

Para executar o seu trabalho sujo, a “América” benfeitora tem sabido usar mão-de-obra local. Franco, Hitler e Mussolini (até 1939), Chiang Kai-Kak, Somoza, Syngman Rhee, Ngo Dinh Diem, Salazar, Batista, Mobutu, Marcos, Trujillo, Pik Botha, Duvalier, Suharto, Papadopoulos, Castelo Branco, Videla, Pinochet, Stroessner, Xá Reza Pahlevi, Zia Ul Haqq, Bin Laden, Uribe, rei Salmane, Netanyahu, os nazis ucranianos e os “terroristas moderados” do Médio Oriente têm fornecido uma ajuda valiosa.

Líder incontestado do maravilhoso “mundo livre”, a “América” pretende encarnar a civilização no momento em que ameaça populações inteiras com armas atómicas, napalm ou mísseis de cruzeiro, em vez de infligir a morte lenta pelo agente laranja, urânio enriquecido ou embargo sobre medicamentos. E não tem falta de zeladores, jurando que presta serviços insubstituíveis à humanidade, enquanto obviamente a derrota deste Império criminoso seria uma excelente notícia.

12/Agosto/2017

[NR] Bernard Kouchner: político francês, fundador dos Médicos Sem Fronteira.

[*] Analista político, francês, ver Wikipedia .

O original encontra-se em www.legrandsoir.info/qu-il-est-beau-le-monde-libre.html . Tradução de DVC.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Neocolonialismo Agora – Neil Clark

 

 

O império ataca de novo
– Agora com neocolonialismo mais destrutivo e mais desonesto

por Neil Clark [*]

Neste mês há alguns aniversários significativos da luta contra o colonialismo do velho estilo. A questão é que este colonialismo não desapareceu depois de os países em desenvolvimento se terem tornado independentes das grandes potências europeias.

Aquele colonialismo foi substituído por uma nova versão que provou ser mais destrutiva e incomensuravelmente mais desonesta do que a que existia antes. Pelo menos o Império Britânico, que no seu máximo cobria quase um quarto da superfície terrestre do globo, dava-se a conhecer como um Império. Atualmente o mais sombrio Império Global do Capital-Financeiro Monopolista não o faz.

Países inteiros tais como Jugoslávia, Líbia e Iraque são destruídos por não se conformarem com as regras que o império impõe, enquanto os que continuam a desafiar as elites neoconservadoras/neoliberais, como a Venezuela, estão sob permanente assédio.

Adicionando o insulto à injúria esta nova onda de colonização, levada a cabo para beneficiar os mais ricos dos países mais ricos do mundo, é feita em nome da “democracia” e “garantia dos direitos humanos” com o apoio entusiástico de muitos autoproclamados “progressistas”. A hipocrisia do imperialismo atual é realmente de nos deixar sem respiração: critica severamente Maduro como sendo um “ditador”, mas saúda os governantes não eleitos da Arábia Saudita assim como lhes vende mortífero armamento pesado.

Maduro que institui a Assembleia Constituinte em conformidade com a Constituição é um vilão, os sauditas açoitam e prendem ativistas pró-democracia…mas são apenas negócios, como de costume.
John Wight (@JohnWight1) August 3, 2017

Nos anos 40 e 50 do século passado, tudo parecia muito diferente. O colonialismo parecia estar em retirada. Há setenta e cinco anos, em 8 de agosto de 1942, Mahatma Gandhi iniciou o Movimento “Quit India” em Bombaím.

Há setenta anos em 14/15 de agosto de 1947, a Índia e o Paquistão tornaram-se independentes do Reino Unido. Há sessenta anos (31 de agosto de 1957) a Federação Malaia (agora Malásia) tornou-se também independente do Reino Unido.

Estas são datas importantes que certamente precisam ser celebradas, porém, a convicção dos progressistas de que a descolonização representaria uma genuína libertação dos países colonizados provou ser extraordinariamente otimista. A Índia e a Malásia podem ter progredido, mas para outras nações os “Ventos de Mudança” foram apenas ar quente. “Independência” significou somente obter os adornos exteriores da soberania nacional: uma bandeira, ser membro da ONU e uma equipa de futebol. O poder económico continuou residindo noutras partes, nos bancos e salas das administrações nas nações mais ricas.

No seu texto clássico de 1965 , “Neocolonialismo, o último estádio do imperialismo”, o grande Kwame Nkrumah, então Presidente do Gana e firme defensor do Pan-africanismo, explicou como o neocolonialismo tinha substituído o velho estilo colonialista. “No passado, era possível converter um país ao qual um regime neocolonial tinha sido imposto num território colonial – o Egito no século XIX é um exemplo. Este processo já não é atualmente realizável” – escreveu.

Para obter o dinheiro necessário a realizar funções sociais nas metrópoles só podia ser dada uma independência formal às colónias, isto significava que o controlo não fosse também entregue.

Os EUA usaram a sua posição como a nação credora número um depois da 2ª Guerra Mundial para acelerar este processo “formal” de descolonização, mas apenas para que eles se pudessem mover para os países anteriormente dominados pela Grã-Bretanha, França, Holanda. Nkrumah cita o exemplo do Vietname do Sul em que o “velho” poder colonial era a França, mas o poder neocolonial eram os EUA.

De facto, os EUA podem considerar-se os pioneiros do neocolonialismo. Enquanto o “velho estilo” imperial dominava o resto do mundo, os EUA usavam técnicas neocoloniais para assegurarem que os países da América Latina subordinavam as suas economias aos interesses dos grandes negócios dos EUA. A elite financeira e do grande capital dos EUA toma atualmente como alvo o governo de esquerda de Maduro na Venezuela para a “mudança de regime” tal como em 1913 o embaixador no México, Henry Lane Wilson conspirava com o general Huerta contra a orientação esquerda de Madero.

Isto foi um padrão que se repetiu inúmeras vezes nos 100 anos seguintes. As técnicas de Washington aperfeiçoadas na América Latina apoiando golpes de Estado contra governos eleitos democraticamente que queriam ter controlo sobre as suas economias, financiando a oposição a estes governos e eliminando os líderes políticos que lutavam por genuína independência dos seus países. O que vimos evidenciado na Guatemala em 1954, Brasil em 1964, Chile em 1973, foi usado em todo o mundo.

“A promoção da democracia” foi sempre o código para os EUA darem suporte à subversão de governos que não se vergavam o suficiente.
https://t.co/2Dg6lERMYm – Max Blumenthal (@MaxBlumenthal) August 1,2017

A lista de governos derrubados direta ou indiretamente pelos EUA e seus aliados mais chegados, para alcançarem o controlo económico é demasiado longa para incluir num simples texto, mas aqui vão alguns exemplos.

1 – Indonésia 1965/66 

A sangrenta onda de assassínios em massa apoiada pelos EUA e perpetrada pelas forças militares que derrubaram Sukarno, o primeiro Presidente “pós-colonial”, e às suas ideias de independência, sendo substituído pelo ditador pró-ocidental General Suharto .

“A embaixada dos EUA em Jakarta forneceu a Suharto uma “zap-list” com os nomes dos membros dos Partido Comunista da Indonésia e riscou os nomes quando foram mortos ou capturados, escreve John Pilger que analisou o golpe em 2001 no filme “Os novos dominadores do mundo” ( The New Rulers of the World ).

O negócio foi que a Indonésia sob Suharto ofereceria o que Richard Nxon chamou “a maior provisão de recursos naturais, o maior prémio do sudoeste asiático.”

Em novembro de 1967 este maior prémio foi entregue numa memorável conferência de três dias patrocinada pela Time-Life Corporation em Genebra. Chefiada por David Rockefeller, todos os gigantes transnacionais estavam representados: as maiores companhias petrolíferas, General Motors, Imperial Chemical Industries, British American Tobacco, Siemens, US Steel e muitas outras. Na mesa sentavam-se os economistas de Suharto, treinados nos EUA que concordaram com a conquista do seu país, sector a sector, como escreveu Pilger .

O custo em vidas humanas da neocolonial “mudança de regime” foi enorme: entre 500 mil e 3 milhões de pessoas mortas . Em 2016 um painel de juízes internacionais manteve que os EUA (bem como o RU e a Austrália) tinham sido cúmplices do genocídio .

2 – Irão, 1953 

O derrube do nacionalista democraticamente eleito Mohammad Mossadegh e a sua substituição pelo aquiescente Xá foi outra operação conjunta dos EUA/RU. O “crime” de Mossadegh foi querer nacionalizar a indústria petrolífera do seu país e utilizar os rendimentos da mesma para lutar contra a pobreza e as doenças. Portanto os neocolonialistas decidiram que tinha de se ir embora.

Uma campanha de desestabilização – semelhante à que é promovida contra a Venezuela – foi posta em marcha. “Os objetivos da propaganda da CIA e do SIS consistiam em conduzir uma campanha crescentemente intensificada através da imprensa, panfletos e o clero de Teerão, concebida para enfraquecer o governo de Mossadeq de todas as formas possíveis” admitiu Donald N. Wilber, um dos principais elementos do chamado plano TPAJAX.

Em 3013, documentos desclassificados revelaram que: “O golpe militar para derrubar Mossadegh e a seu governo de Frente Nacional foi levado a cabo sob a direção da CIA, como um ato de política externa dos EUA, concebido e aprovado aos mais altos níveis do governo”.

Vale a pena relembrar tudo quando ouvimos políticos dos países neocolonialistas fingirem-se ultrajados com a não provada “interferência Russa” nos seus processos políticos.

Qual é o principal interesse dos EUA na Venezuela? Se a história reservada do Departamento de Estado dos EUA é um guia: petróleo.
https://t.co/xCRNDT1oMFpic.twitter.com/8Z1e0IsKND – WikiLeaks (@wikileaks) August 2, 2017

3. Jugoslavia, 1999/2000 

“Balcanização” é um dos mais importantes instrumentos do neocolonialismo e pode ser encontrado onde quer que este seja praticado”, escreveu Kwame Nkrumah.

O líder socialista da República Federativa da Jugoslávia, Slobodan Milosevic foi demonizado em 1990 pelas elites ocidentais não porque quisesse partir o seu país em pedaços, mas porque queria que se mantivesse unido.

Tendo sobrevivido a 78 dias da campanha da NATO de bombardeamentos “humanitários” contra o seu país, em 1999, Slobo viu a operação de “mudança de regime” para o derrubar intensificar-se. Milhões de dólares choveram ilegalmente no seu país dos EUA para grupos da oposição e ativistas antigovernamentais, tais como a organização Otpor! Milosevic foi destituído por uma “Revolução Bulldozer” em outubro de 2000 e a secretária de Estado Madeline Albright, que quatro anos antes tinha dito que a morte de meio milhão de crianças iraquianas devido às sanções tinha sido um preço que valera a pena pagar, comemorou o feito.

George Kenney, em tempos responsável do Departamento de Estado, revelou a razão pela qual tudo tinha acontecido. “No período pós-Guerra Fria não havia lugar para que um grande país independente focado no socialismo resistisse à globalização” 

Em 2012 o New York Times relatou como importantes membros da Administração dos EUA que tinham participado no desmantelamento da Jugoslávia tinham voltado aos Balcâs como empresários para apresentarem propostas para a privatização de ativos.

Por que é tão difícil para alguns compreenderam em 2017 o que era óbvio em 1982? Solidarity. pic.twitter.com/EuU9aVAnho – Club des Cordeliers (@cordeliers) July 31, 2017

Agora os neocolonialistas neoconservadores agentes das mudanças de regime moveram-se para a República Bolivariana da Venezuela. Como Milosevic e muitos outros antes dele que se puseram no caminho dos “Novos Senhores do Mundo”, o democraticamente eleito Nicolas Maduro é etiquetado como “ditador”.

Tal como no caso de Milosevic, os autoproclamados “progressistas” são a vanguarda da campanha das elites para demonizar a Venezuela e a sua liderança, exigindo que figuras públicas do Ocidente que têm expressado apoio ao Chavismo emitam denúncias.

Todos estes críticos de “esquerda” da Venezuela descartam a interferência dos EUA e descrevem os resultados da guerra económica como “fracasso do governo”. — Crypto Cuttlefish (@cuttlefish_btc) August 5, 2017

Nas violentas críticas ao governo da Venezuela que os media despejam actualmente não há qualquer menção à campanha externa que prossegue sem abrandar com vistas à desestabilização do país e à sabotagem da economia. Nem aos milhões de dólares que os EUA tem despejado nos cofres da oposição e de ativistas antigovernamentais. Imagine-se se o governo Venezuelano estivesse a financiar os que efetuam protestos antigovernamentais nos EUA. Mas quando os neocolonialistas o fazem noutros países, está bem.

Kwame Nkrumah qualificou o neocolonialismo como a pior forma de imperialismo e tinha razão. “Para aqueles que o praticam, significa poder sem responsabilidade e para os que o sofrem significa responsabilidade sem poder.”

E o que aconteceu a Nkrumah? – ouço-vos perguntar. Apenas alguns meses após a publicação deste livro o pai da moderna Gana foi deposto por um golpe de Estado. O “Conselho Nacional de Libertação” que o eliminou rapidamente reestruturou a economia do Gana , sob a supervisão do FMI e do Banco Mundial, em benefício do capital do ocidente.

Durante anos o ocidente negou o envolvimento, mas mais tarde John Stockwell, um agente da CIA na África revelou : “a estação da CIA no Gana desempenhou um papel principal no derrube de Kwame Nkrumah em 1966”.

A Venezuela tem imenso petróleo, um governo socialista e é um forte apoiante da Síria. Nem posso imaginar por que razão os neocons estão tão interessados numa “mudança de regime”… Neil Clark (@NeilClark66) August 4, 2017

Atualmente os neocolonialistas querem que apoiemos a sua cruzada “progressista” por “democracia” e “direitos humanos” na Venezuela tão rica em petróleo. Se Kwame Nkrumah ainda estivesse entre nós, ele estaria a incitar-nos a ver o quadro na sua totalidade.

Ver também:

Fascisme, néolibéralisme, démantèlement des Etats et guerres sans fin: Où est en fait le fascisme? Milos Kovic

L’agression contre les pays voisins, des guerres sans fin, le démantèlement des Etats, des modifications des frontières par la violence ? Est-ce que cela vous rappelle Donald Trump et Nigel Farage ou plutôt leurs opposants politiques, les clans de Clinton et Bush, ou ceux de Tony Blair et de David Cameron ?

Dans les pays occidentaux, de plus en plus souvent, le public entend les mots «fascisme» et «fasciste». Ces mots sont réservés à Donald Trump, Geert Wilders, Marine le Pen et d’autres « populistes de la droite ». En outre, l’utilisation de ces mots forts est justifiée par le fait que ces hommes politiques se réfèrent à des valeurs nationales, parce qu’ils demandent à ce que les immigrations de masse soient arrêtées dans leur pays, et aussi à cause des débordements xénophobes de leurs partisans.

Cependant, le fascisme est un terme dont le sens ne peut être déterminé d’une manière rapide et facile. Après tout, il en va de même pour toutes les idéologies politiques. Il n’y a pas de définition généralement acceptée du libéralisme, du socialisme et du conservatisme. Il est bien connu que le terme «fascisme» cache des mouvements très divers, comme les fascistes italiens, les nazis allemands ou les Ustashas croates. Tout cela, cependant, ne devrait pas nous troubler et nous empêcher de comprendre cet important phénomène historique.

C’est l’expérience historique qui pourrait nous aider dans cette tâche, plus que toute simplification politique ou bien une explication théorique. Il y a une caractéristique clé du fascisme qui est, intentionnellement ou non, trop souvent oubliée dans le tumulte général contre Donald Trump ou Marine le Pen. Néanmoins, on se souvient encore des fascistes pour leurs agressions contre d’autres pays souverains, les guerres sans fin, les démantèlements des Etats et les modifications des frontières par la violence. Louis XIV et Napoléon ont également commis des actes d’agression contre leurs voisins, ils ont mené des guerres continues, ils ont démantelé des pays et modifié des frontières. L’agression d’Hitler, cependant, a été suivie par la destruction massive des populations entières, comme les Juifs, les Tsiganes et les Serbes. On se souvient du fascisme en tant que tel surtout en Europe centrale, orientale et du Sud-Est.

L’agression contre les pays voisins, des guerres sans fin, le démantèlement des Etats, des modifications des frontières par la violence ? Est-ce que cela vous rappelle Donald Trump et Nigel Farage ou plutôt leurs opposants politiques, les clans de Clinton et Bush, ou ceux de Tony Blair et de David Cameron ? Devrions-nous vous rappeler les destructions de la Yougoslavie, de l’Afghanistan, de l’Irak, de la Libye, de la Syrie, de l’encerclement de la Russie, de la Chine, de l’Iran? Trump, au contraire, selon les déclarations publiées, préconise une diplomatie traditionnelle d’intérêts et des négociations entre les Etats souverains, comme celles largement connues depuis la Paix de Westphalie en 1648, ce qui est contraire aux croisades infinies au nom des «valeurs» assidûment menées par leurs adversaires libéraux.

Les destructions massives ethniquement motivées des populations entières? Ces gens ont réussi à ce qui semblait être un idéal inaccessible pour Hitler et Pavelic: ils ont tué et expulsé la population serbe de la Croatie et des parties de la Bosnie-Herzégovine, du Kosovo et de Metohia. Tout cela, bien sûr, a été mené par leurs collaborateurs locaux, comme c’est le cas avec les chrétiens en Irak ou en Syrie. Nous ne devons pas oublier l’hystérie antiserbe dans les médias qui a permis des crimes impunis et massifs contre les Serbes. Cette opération n’est comparable qu’avec ce que l’Europe nazie a fait aux Juifs.

Mark Mazower, professeur à l’Université de Columbia à New York, a déclaré dans son livre L’empire d’Hitler qu’Hitler et les nazis étaient inspirés par l’expérience coloniale des États libéraux, du Royaume-Uni et des États-Unis pour les crimes qu’ils commettaient en Europe de l’Est. Ils ont simplement fait aux Européens ce que les colonisateurs libéraux ont fait en Afrique et en Asie. Hitler admirait la clairvoyance et le manque de pitié des Britanniques en Inde, ainsi que la brutalité raciste américaine contre les Noirs et les Indiens. Il a déclaré ouvertement que les pays slaves, en particulier la Russie, seraient dans l’avenir, l’Inde de l’Europe allemande unie. Pendant la colonisation germanique des territoires slaves en Europe de l’Est, Hitler s’est inspiré de l’expérience des États-Unis. Des enclaves de «personnes racialement et civilement supérieures» dans la mer indienne, se sont progressivement liées, ont fusionné et pillé les terres des indigènes.

Selon Mazower, les tentatives de l’empire libéral visant à forcer les pays colonisés à adopter leur modernisation et leurs modèles culturels ne sont qu’un autre côté du racisme antique indestructible. Hitler, ainsi que Goebbels ont appelé à l’unification de l’Europe autour de l’Allemagne, afin de protéger et de défendre ses valeurs raciales et culturelles. Ce faisant, ils ont ouvertement affirmé que le but principal de l’union de l’Europe était la protection contre la Russie et la marche vers la Russie. La rhétorique de la défense contre l’Union Soviétique a été utile dans le processus d’après-guerre d’unir l’Europe, où, comme le prouve Mazower, les anciens partisans d’Hitler ont assidûment travaillé comme des hauts fonctionnaires. La menace de la Russie a été une partie importante de la campagne des partisans de l’UE lors du référendum Brexit en Grande-Bretagne, ainsi que de la campagne de soutien d’Hillary Clinton lors des élections présidentielles aux États-Unis.

Certaines personnes diront que, après tout, les libéraux de l’OTAN ne conquerront pas le monde au nom de la race, mais au nom des droits de l’homme. Cependant, les bombes ont été lancées sur la Republika Srpska, la Serbie, l’Irak, la Libye et la Syrie, avec le rock & roll américain et britannique, et non avec les marches militaires allemandes. C’est en effet une belle consolation pour des millions de victimes.

Milos Kovic

Source : Le quotidien serbe POLITIKA à Belgrade

Traduction du serbe : Svetlana Maksovic

Trump: Laicidade e Terrorismo no Mundo Islâmico

 

Um vento de laicismo sopra sobre o mundo muçulmano

O discurso de Donald Trump em Riade suscitou uma vaga de tomadas de posição contra o terrorismo e contra o islão político. O mundo árabe expressa a sua sede de laicidade no exacto momento em que esta é deformada na Europa e utilizada contra as religiões. Face a este sopro de liberdade, os Britânicos organizam o campo do islão político à volta do Catar, do Irão, da Turquia e dos Irmãos Muçulmanos.

 | DAMASCO (SÍRIA) | 13 DE JUNHO DE 2017 

-

JPEG - 26.7 kb
Sayyid Qutb (1906-1966), o pensador do islamismo político

Durante a colonização, e toda a Guerra Fria, as potências imperialistas utilizaram as religiões para abafar qualquer contestação ao seu domínio. Assim, a França, que adoptou em 1905 uma importante lei sobre o laicismo das sua instituições, decidiu de imediato não a aplicar nos territórios colonizados.

Sabe-se, hoje em dia, que as “Primaveras Árabes” eram uma iniciativa britânica destinada a colocar os Irmãos Muçulmanos no Poder e, assim, fortalecer a dominação anglo-saxónica sobre o «Médio-Oriente Alargado».

Desde há 16 anos, os Ocidentais acusam precisamente os muçulmanos de não limpar os seus países e tolerar aí os terroristas. No entanto, é agora evidente que estes terroristas são apoiados por esses mesmos Ocidentais com o fim de escravizar os muçulmanos por meio do «islão político». Londres, Washington e Paris só se inquietam com o terrorismo quando ele transborda para lá do «Médio-Oriente Alargado», e eles jamais criticam o «islão político», pelo menos no que toca aos sunitas.

Ao pronunciar o seu discurso em Riade, a 21 de Maio de 2017, o Presidente Trump significava pôr um termo ao terrorismo que consome a região e se estende agora ao Ocidente. As palavras que ele pronunciou tiveram o efeito de um electrochoque. A sua alocução foi interpretada como uma autorização para acabar com este sistema.

Aquilo que pareceu impensável durante os últimos séculos, de repente, cristalizou-se. Aceitando cessar todo e qualquer contacto com os Irmãos Muçulmanos, a Arábia Saudita atirou-se aqueles que prosseguem a colaboração com os Britânicos, e particularmente contra o Catar. Riade deu o sinal de uma tormenta que carrega com ela muitas frustrações. Por espírito de vingança beduíno, as relações diplomáticas foram interrompidas, e um bloqueio económico foi montado contra a população catariana; enquanto nos Emirados foi instituída uma sentença de 15 anos de prisão para todo aquele que mostre a mínima compaixão para com o povo do Catar, enxovalhado.

Um gigantesco deslocamento de forças e de alianças começou. Se esta tendência se mantiver, a região irá organizar-se em torno de uma nova clivagem. A questão da luta contra o imperialismo vai apagar-se para dar lugar à da luta contra o clericalismo.

Os Europeus viveram esta clivagem durante quatrocentos anos, do século XVI ao século XIX, mas não os Norte-Americanos porque o seu país foi fundado pela seita dos Puritanos que fugiam a esta clivagem. A luta contra o cristianismo político foi, antes de mais, um combate contra a pretensão do clero da Igreja Católica de dirigir os seus fiéis até mesmo dentro do quarto de dormir. Ela só terminou quando Paulo VI, o qual largou a tiara papal. Esta tríplice coroa era suposta simbolizar que o Papa estava acima de reis e de imperadores.

Tal como o Cristianismo original que não tinha sacerdotes (estes só apareceram no IIIº século), o Islão original e o Sunismo actual também não. Apenas o Xiismo se estruturou como o Catolicismo e a ortodoxia. De facto, hoje em dia o islão político é incarnado pelos Irmãos Muçulmanos e pelo governo do Xeque Rohani (o título de xeque indica que o Presidente Rohani é membro do clero xiita).

Actualmente uma aliança clerical está em vias de formação com a ajuda do Reino Unido. Poderia ser um bloco incluindo o Irão, o Catar, a Turquia, Idlib no Noroeste da Síria, e Gaza. Este conjunto iria tornar-se o protector dos Irmãos Muçulmanos e, por conseguinte, o defensor da utilização do terrorismo.

Em duas semanas a imprensa árabe, que até aqui considerava favoravelmente os Irmãos Muçulmanos como uma poderosa organização secreta e o jiadismo como uma motivação legítima, de repente virou. Por todo o lado, todos apresentam a sua denúncia contra a pretensão dos Irmãos Muçulmanos a reger a vida das pessoas, e a loucura cruel do jiadismo.

Esta maré de comentários, os séculos de frustrações que elas exprimem, a sua violência, tornam qualquer regresso atrás impossível; o que não significa que a aliança Irão-Catar-Turquia-Hamas chegue até ao fim do percurso. Esta vaga revolucionária ocorre em pleno mês do Ramadão. As reuniões entre amigos, e família, que deveriam ser celebrações consensuais transformam-se, por vezes, em contestação daquilo parecia ser até aí as bases do Islão.

No caso de a clivagem a favor ou contra o clericalismo prosseguir, iremos assistir a uma recomposição geral da paisagem política. Por exemplo, os Guardas da Revolução, que se formaram para lutar contra o imperialismo anglo-saxónico, acumularam ressentimento contra o clero iraniano.

Muitos lembram-se que durante a guerra imposta pelo Iraque, os mulás e aiatolas se desenrascavam para esconder os seus filhos enquanto os Guardiões morriam no campo de batalha. Mas, enfraquecidos durante o primeiro mandato de Rohani, é pouco provável que eles ousem levantar-se contra o poder civil-religioso. Pelo contrário o Hezbolla libanês é dirigido por Sayyed Hassan Nasrallah (aqui o título de Sayyed indica que ele é descendente directo do profeta Maomé), uma personalidade que promove a separação entre a esfera pública e a esfera privada. Muito embora desempenhando uma função religiosa e uma outra política, ele sempre se opôs a misturar as duas, aceitando sempre o princípio platónico de Velayat-e Faqih (quer dizer do governo por um sábio). É, portanto, pouco provável que o Hezbolla vá seguir o governo Rohani.

Enquanto isso, toda a região se agita : na Líbia, os Irmãos Muçulmanos deixaram Trípoli deixando uma milícia libertar(liberar-br) Saif al-Islam Kadhafi e o General Haftar alargar a sua influência. No Egipto, o General-Presidente al-Sissi encomendou aos seus homólogos do Golfo uma lista de terroristas. Na Palestina, a direcção política do Hamas refugiou-se no Irão. Na Síria, os jiadistas pararam de combater contra a República e aguardam ordens. No Iraque, o exército redobra os esforços contra os Irmãos Muçulmanos e a Ordem dos Naqchbandis. Na Arábia Saudita, a Liga Islâmica Mundial excluiu do seu Conselho de administração o pregador vedeta dos Irmãos e o propagandista das Primaveras Árabes, o Xeque Qaradawi. Enquanto a Turquia e o Paquistão iniciaram o envio de dezenas de milhar de soldados em direcção ao Catar; o qual já só consegue alimentar-se com a ajuda do Irão.

Um nova era parece levantar-se sobre a região.

Tradução
Alva