Homossexuais e Rússia (ou a Chechénia)

Os mesmos que se indignam com a suposta perseguição (bem provável, por se tratar de uma república islâmica, mas a duvidar de certas informações devido à propaganda anti-russa) aos homossexuais na República da Chechénia, pertencente à Federação Russa, e com os insultos à homossexualidade, empregam epítetos bem piores contra os comunistas (escumalha da Humanidade, genocidas, antidemocratas, desprezando os mais elementares direitos humanos, como o direito à vida, à propriedade e à liberdade, de expressão, de estilo de vida e de criação de partidos políticos) e chegaram mesmo a sugerir em comentários anteriores a proibição de actividades comunistas (já há vários países capitalistas avançados onde elas foram banidas ou onde os partidos comunistas não podem exercer actividade e ir a votos). 

É evidente que a formação social capitalista avançada chegou a um ponto em que tolera tudo, além de comercializar tudo – no seu liberalismo confiante, mercantil, oportunista e, reconheça-se, crente em todas as liberdades menos naquelas que comprometam o capital -, exceptuando, pois, a discussão da propriedade. Pode mesmo participar-se na discussão dos orçamentos e projectos locais, ser-se activista em associações cívicas de âmbito ecológico, minoritário, caritativo, cultural, ter-se sindicatos que lutem pela melhorias das condições de trabalho e de vida. Pode, com certeza, votar-se no partido que julgamos representar-nos bem. E alguma coisa sempre muda para melhor. No entanto, quem decide finalmente nos assuntos fundamentais, a respeito das relações de propriedade, do orçamento, do ensino, da política externa, da paz e da guerra, do planeamento do território, da questão da identidade e da autonomia nacionais, continuam a ser os agentes políticos do grande capital nacional e internacional. Por isso, mantêm-se, como leis da Natureza, a extrema riqueza e a extrema pobreza, o mais das vezes disfarçada, a desigualdade de meios entre as nações, a opressão laboral, a exaustão do planeta, a desordem territorial, a destruição do património edificado e do natural, a repressão a vários níveis e em diversos domínios da existência da expressão da individualidade, a guerra que tudo leva menos a perspectiva de novos negócios e da instauração de regimes que perpetuem, numa luta geo-estratégica interminável, o poder dos mais fortes a nível global e local. Vivemos, pois, num mundo livre – livre para os poderosos. Mas é por causa deste relativo avanço civilizacional – atribuível tanto às necessidades de liberalismo político e moral para o desenvolvimento industrial e para a concorrência e o crescimento económicos quanto às lutas democrático-liberais burguesas e às lutas proletárias anticapitalistas, libertário-democráticas noutro sentido – que a ideologia dominante das nações integradoras da formação social capitalista desenvolvida está convencida e convence da superioridade moral do sistema que defende face ao atraso simultaneamente económico, democrático e moral dos outros países. As guerras perpetradas pelos Estados altamente civilizados contra os Estados bárbaros são assim legitimadas, tal como é justificado o combate dos higienistas contra as pragas.

Toda esta conversa se resume a isto: propriedade privada dos meios de produção ou socialização dos meios de produção. Para a maioria, a existência de donos dos meios de produção é sinónimo de civilização e é um facto natural; para uns poucos resultou de um “roubo”, ainda que legal quando o Estado surgiu e em parte se confundiu, nas pessoas  ou nos interesses, com aqueles que se apropriaram dos campos, do gado, das oficinas, das minas, etc.. A questão central é: a exploração do homem pelo homem é um facto da Natureza ou não? Todos os outros tópicos (muito importantes sem dúvida mas manipulados) só servem a grande parte dos comentadores de serviço para distrair o pagode. Por fim, toda a política se reduziria, semelhante a contos infantis maniqueístas, à luta entre os bons dos democratas e tolerantes e os maus dos tiranos e preconceituosos.

Se compreendermos que os direitos humanos formais se prendem essencialmente com a propriedade e com a liberdade de expressão, além do básico direito à vida, e que a expressão é sobretudo a da liberdade dos grandes detentores da propriedade (tem que se estar bem caladinho no emprego e seguir as linhas ideológicas gerais no ensino), ficamos a saber que é precisamente na propriedade (dos meios de produção) que está o ponto. Propriedade ou não propriedade – eis a questão.

Alugar o corpo, do próprio ou até de outrem (fazendo negócio com o sexo alheio)? Não há problema. É tudo relativo e o ser humano tem preço.

033-c-wedding-march

Notícias ao Minuto (10-02-2017):

“Comete crime de lenocínio “quem, profissionalmente ou com intenção lucrativa, fomentar, favorecer ou facilitar o exercício por outra pessoa de prostituição”, sendo “punido com pena de prisão de seis meses a cinco anos”, de acordo com o Código Penal.

O tipo legal do crime de lenocínio visa a proteção da liberdade e da autodeterminação sexual da(o) prostituta(o), inserido na parte dos crimes contra a liberdade sexual.

“Não se pode presumir, de forma categórica e inilidível, que quem fomente, favoreça ou facilite a prostituição, ao fazê-lo, pura e simplesmente, põe em risco a liberdade sexual de quem se prostitui”, sustenta o TRP, num dos argumentos apresentados.

Os juízes desembargadores João Pedro Nunes Maldonado e Francisco Mota Ribeiro votaram a favor da inconstitucionalidade do crime de lenocínio, enquanto o juiz desembargador António Gama apresentou voto de vencido, pelo que a decisão não foi unânime.

O acórdão da Relação do Porto faz menção a uma decisão do Tribunal Constitucional, proferida em dezembro de 2016, que considera constitucional o crime de lenocínio. Na ocasião, três juízes votaram neste sentido, contra dois, sendo que um dos votos contra esta decisão pertenceu ao presidente do Tribunal Constitucional, Costa Andrade.

A Relação do Porto discorda do Tribunal Constitucional e dos seus fundamentos.

“(…) Assentam em estudos de natureza acientífica, ligados à área dos conhecimentos sociais e empíricos, carecendo de demonstração metódica, organizada e racionalmente interpretada a associação da prostituição a situações de carências sociais elevadas e que qualquer comportamento de fomento favorecimento ou facilitação da prostituição comporta uma exploração da necessidade económica ou social do agente que se prostitui”, frisa o TRP.

Ou seja, além da imoralidade, os juízes mostram ignorância e atribuem-na aos outros.

tariffario

A Grande Vantagem da Nova Geração de Robôs Sexuais

ialkesqpplzymxa9hz4jnoxxxl4j3hpexhjnof_p3ymrypkwj94qgrtdb3sbc6ky

Uma comentadora no DN sobre uma notícia acerca da nova geração de robôs sexuais, ou a realização do mito, e sonho, de Pigmaleão:
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Um homem robótico não ressona, não perde a erecção, não se peida na cama, não tem mau hálito, não cospe para o chão na rua, não arranja barriga de cerveja, não diz palavrões,está sempre impecável e não envelhece.Quando é que chegam mesmo?”
O que se pode responder a isto?! É que até os afectos reais chateiam.

Hillary admits creation of Mujahedin plague – The Greanville Post — Proletarian Center for Research, Education and Culture

Estudantes em Kabul, Afeganistão (1978), durante o regime socialista apoiado pela URSS.

Source: Hillary admits creation of Mujahedin plague – The Greanville Post

via Hillary admits creation of Mujahedin plague – The Greanville Post — Proletarian Center for Research, Education and Culture

A mitificação e a mistificação do capitalismo por Daniel Vaz de Carvalho

DSC_0214
“A luta para que o céu se tornasse mensurável foi ganha através da dúvida. Mas a luta da dona de casa pelo leite é todos os dias perdida pela credulidade”
Bertholt Brecht, Galileu Galilei

“Quando os pobres sabem que é preciso trabalhar ou morrer de fome, trabalham. Se os jovens sabem que não terão socorro na velhice, eles economizam”
William Nassau, economista e político inglês, 1790-1864.
1 – “Os anos de ouro”

DSC_0161

A mitificação do capitalismo começa por uma visão idílica, mitificada, dos “anos de ouro do capitalismo” apregoando o seu “extraordinário sucesso” e a estagnação e fracasso do socialismo. Por um lado, fecham os olhos às devastações e todas as espécies de horrores cometidos pelo imperialismo, pelo neocolonialismo e pelas ditaduras, para impor o capitalismo.

Por outro, a realidade socialista é totalmente deturpada, num acervo de mentiras e omissões. Apenas como exemplo, entre 1950 e 1972 a produção industrial dos países socialistas cresceu 8,4 vezes a dos países capitalistas desenvolvidos, 3,1. Em 1940 era na URSS 5,8 vezes a de 1928. [1]

O sistema capitalista é apresentado como tendo permitido a ascensão de classes sociais, produzido mais riqueza, melhoria do nível de vida e direitos. O que esquecem é que tudo isto foi obtido – onde foi – não pelo capitalismo, mas contra o capitalismo, pelo proletariado organizado sindical e politicamente. Porém, o que de positivo e progressista se obteve está, em termos capitalistas, sempre a ser posto em causa, como evidenciam a austeridade, o neoliberalismo, o imperialismo, já não falando dos diversos modelos de fascismo: a ditadura terrorista do grande capital, com ou sem braços esticados.

Mas onde ficaram então os tais “anos de ouro”, aliás para muito poucos. Na realidade, “nos países do Sul o capitalismo são “massas de seres humanos sem voz, sem nada, o povo das favelas a perder de vista, campesinato miserável sofrendo para se alimentar, a brutalidade das condições de trabalho, a humilhação, a desumanidade. No Norte, tão rico, são espectros errantes que olhamos, mas não vemos, sem teto, sem direitos, são os “novos pobres”, desapossados, ofendidos, desumanizados.” [2]

Os “anos de ouro”, deveram-se às cedências da oligarquia em consequência das lutas dos trabalhadores e da admiração dos povos pela URSS e demais países socialistas face aos seus êxitos e à aquisição de amplos direitos económicos e sociais.

Não são pois de admirar as objurgatórias dos escribas afetos ao capital sobre o que inventam ter sido o “jugo soviético”. Contudo nada os sensibiliza o jugo (este sim bem real) da UE, da NATO, do FMI, não esquecendo a CIA e colaterais sobre os povos [3]

Há contudo que reconhecer que o capitalismo soube incutir no comum das pessoas a sedução pelo consumismo. Os EUA tornaram-se assim, para muitos, objeto de admiração acrítica, não entendendo que o que os atrai nos EUA é também um dos maiores defeitos do seu sistema: com 5% da população mundial consome 25% dos recursos mundiais…

O mito do consumismo tornou-se fonte de realização individualista, uma das bases do carácter alienatório do capitalismo, que Marx descreveu e Eric Fromm desenvolveu neste aspeto em “Ser e Ter”.

A propaganda e o enaltecimento da riqueza e do modo de vida dos ricos, determina modos de pensar acríticos, deixando na sombra mediática as causas da corrupção, do luxo escandaloso, das desigualdades obscenas. Simultaneamente, o sindicalismo de classe é caluniado como reduto de privilegiados e elemento obsoleto e egoísta à custa dos outros trabalhadores – que o sistema deixa sem direitos ou no desemprego.

2 – Mitos e realidades

Um dos mitos é o do êxito hedonista e individualista. O capitalismo diz: o êxito, é uma conquista individual, estás num mundo competitivo, mas tu vais conseguir… se seguires as regras. Ora as “regras” são as da semiescravatura da “flexibilidade laboral” – precariedade – da austeridade, da globalização capitalista, que coloca o proletariado dividido e isolado, competindo entre si, e em que o seu projeto de vida se limita à sobrevivência a curto prazo, porque doutra forma ou noutro país se obtêm lucros mais elevados.

Ao mesmo tempo que sem corar afirmam que “não é possível conservar o emprego a todo o custo”, apoiam políticas para defender os interesses da finança “custe o que custar”. Mas isto é apenas um dos resultados das “reformas estruturais”, de facto impossíveis de impor antes do fim da URSS.

A lógica já enunciada pelos seus defensores com o argumento da competitividade e da “justiça social” (!) é de que não se justifica que trabalhadores europeus tão qualificados como trabalhadores das Filipinas, Bangladesh ou Índia ganhem mais que estes. Claro que nem lhes passa pelo crânio que devam ser estes a ganhar mais.

O “comércio livre” e seus tratados são propagandeados como permitindo aos países pobres sair da pobreza e proporcionar aos consumidores acesso a bens mais baratos. A defesa dos interesses nacionais e populares é então caluniada como “protecionismo”. Com objetivos sedutores no papel, seja com argumentos tecnológicos, seja pela “competitividade”, as transnacionais (TN) obtêm o poder de destruir a vida das pessoas, mas são intocáveis e faz-se apelo à vinda do seu capital como um indiscutível bem, ignorando as consequências económicas e sociais e as exigências impostas.

Ora as TN sempre foram um perigo para os povos. Em seu benefício foram e são desencadeadas guerras, povos são atirados para o caos social e tragédias humanas. Não deixa de ser curioso que os estrénuos adeptos do “comércio livre”, ignorem o efetivo jugo das TN sobre os povos, ao abrigo de uma mítica “economia de mercado”.

Como habitualmente a defesa dos interesses dos mais ricos vem sempre mascarada com bons sentimentos para com os mais pobres. Na Inglaterra do século XIX os defensores do comércio livre diziam que a pobreza era causada pelo protecionismo e direitos aduaneiros – nunca pelo sistema de exploração capitalista! Note-se que quando a França e a Alemanha, desenvolveram as suas indústrias passaram a defender o protecionismo! A exploração desenfreada, essa manteve-se…

O mito da eficiência capitalista, oposto ao desempenho económico e social do Estado, conduziu a massivas privatizações, fonte de corrupção e tráfico de influências em que o interesse público não foi defendido, como o Tribunal de Contas relatou.

As privatizações são uma tentativa de salvar o grande capital da crise e da baixa da taxa de lucro pela monopolização da economia e da precariedade social. Um estudo do Transnacional Institute [4] concluiu sobre as privatizações que não há qualquer prova que demonstre que as empresas privadas fornecem serviços de forma mais eficaz que as públicas; em contrapartida fizeram cair salários, degradar condições de trabalho, aumentar desigualdades. Na realidade, ao fomentar a criação de monopólios estão a subverter o próprio conceito de eficácia capitalista…

Registe-se que nos primeiros seis meses de 2016, em Portugal, um conjunto de oito empresas privatizadas teve 1,33 mil milhões de euros em lucros, quase metade do défice público no mesmo período (2,8 mil milhões de euros). [5]

3 – A mistificação

O totalitarismo neoliberal, o “pensamento único”, não permite que Ideias, textos, autores, por exemplo apresentados neste site ou nos sites aí citados, sejam discutidos, analisados, sequer mencionados, na comunicação social controlada. No passado, a Igreja justificou a ordem monárquica como imutável e de natureza divina. Agora, papel equivalente está atribuído aos media para que a população não conceba outro sistema, outra economia política.

Os media não se limitam a ser agentes de desinformação, tornaram-se agentes da conspiração imperialista contra a soberania, o progresso e a paz dos povos. A propaganda procura de todas as formas que a lógica dos oprimidos seja um mero reflexo da dos opressores. Gente arregimentada anda há anos a perorar contra o “despesismo” do Estado em funções sociais, sem as quais quase 50% dos portugueses estaria na pobreza, porém recusam na prática a fiscalidade progressiva e ignoram o que seja a soberania do Estado sobre a riqueza criada no país.

A intoxicação das consciências sobre os direitos sociais e o papel do Estado na economia prossegue. A direita e a propaganda ao seu serviço apresentam as ditas “reformas estruturais” como fatores de “crescimento económico e emprego”. Mas essas “reformas” não são mais que as condições para a oligarquia, assumindo uma arrogância sem limites, ficar livre do controlo democrático e prosseguir atos de vigarice e mesmo criminosos,

Os oligarcas são apresentados como beneméritos da sociedade, agentes do crescimento, único recurso contra a pobreza, quando os factos provam justamente o contrário: absorvem pelas estratégias monopolistas e domínio sobre o poder político o resultado do trabalho alheio, seja do proletariado seja das MPME, e a riqueza do Estado, em nome da confiança dos mercados – eufemismo atrás do qual se esconde a oligarquia.

Os 30 mais ricos detêm de património líquido, segundo a Forbes, cerca de 950 mil milhões de euros; o 1% mais rico dispõe de 50% da riqueza mundial. Como relata a OXFAM: “Têm tudo e querem mais”.

O resultado são sociedades disfuncionais onde os psicotrópicos se tornam escape. O sistema produz seres humanos na insegurança quanto ao futuro, na apatia ou no desespero, na ansiedade que leva à depressão e à insanidade. Seres abatidos em nome da competição a favor de uma minoria de ultra-ricos. Seres amputados da tal “liberdade de escolha”, que serve à propaganda para dominar vontades.

4 – A transformação necessária

Uma época de proezas tecnológicas coexiste com uma economia baseada num irracional facciosismo, com a barbárie de criminosas guerras de agressão, duras políticas anti-sociais de austeridade, tudo e todos subordinados a bandos de gananciosos e vigaristas financeiros.

As políticas vigentes opõem-se a qualquer ideia de progresso e desenvolvimento social, a finalidade é tornar os ultra-ricos mais ricos e os povos dominados pela hipocrisia. A concepção que vigora é que ao povo basta-lhe ter um trabalho, quaisquer que sejam as condições, e consumir aquilo a que a publicidade incita. Contudo, nem isto o capitalismo se mostra capaz de satisfazer.

Engels em 1844 denunciava as horrorosas condições de trabalho vigentes, incluindo de mulheres e crianças. Houve de facto leis para limitar estas situações, mas com o movimento operário e socialista incipiente era como se não existissem. Compreende-se que para a direita o ideal seja o fim da contratação coletiva e dos sindicatos de classe de que são naturais inimigos.

O neoliberalismo, colocou o Estado ao serviço do grande capital, estabeleceu a infame “concorrência fiscal” e livre circulação de capitais para o ónus dos défices recair sobre as massas populares. Transformar a sociedade tem que ver como o papel do Estado se altera. É em volta do poder e do papel do Estado que se desenrola o mais intenso da luta de classes: o confronto entre a oligarquia e a democracia.

O papel do Estado democrático na defesa dos interesses do país e do seu povo foi usurpado pela ficção da “soberania partilhada” e da “governação à distância” que exprimem o domínio das potências hegemónicas na UE e na NATO. Que soberania partilha a Alemanha com Portugal, com a Grécia, com a Espanha, até com a França? Que solidariedade europeia existe quando os países periféricos são tratados como os PIGS? Que entidades “independentes” – da vontade dos cidadãos – têm o direito de determinar, como no fascismo “o que é melhor para os portugueses”?

O mito das “ajudas” capitalistas, como os fundos estruturais da UE, já foi comparado ao “queijo na ratoeira”. Na ratoeira da ingerência, das privatizações e das sanções. Nesta ratoeira a política de direita tem sido promovida, defendida e branqueada, traduzindo-se em pobreza, desindustrialização, desmantelamento da agricultura e pescas, desigualdades crescentes e estagnação

Instaurou-se um sistema que tenta resolver o acréscimo de contradições e demolidoras crises a que deu origem, aprofundando os erros e se mantém pela propaganda, pela chantagem e ameaças.

Um sistema incapaz de corrigir os erros e resolver os problemas que cria tem de ser substituído. As necessidades dos povos devem sobrepor-se aos tratados, sem o que estes se tornam “pactos de agressão”.

Neste sentido, o princípio básico de uma política democrática deveria ser: transformar o necessário para a maioria, no possível. Mas este possível, tem como condição necessária a maioria assumir a sua consciência de classe, uma consciência política e social capaz de fazer frente tanto à ideologia reacionária da propaganda oligárquica como às mistificações da social-democracia.

[1] Acerca do planeamento democrático do desenvolvimento, Lenine, Keynes e Hayek
[2] La maladie dégénérative de l’économie, le “néoclassicisme , Remy Herrera, p.9, Ed. Delga
[3] National Endowment for Democracy, a janela legal da CIA
[4] Making Public in a Privatized World: The Struggle for Essential Services
[5] Lucros de empresas privatizadas pagavam metade do défice público

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Nos Bastidores da Indústria Porno na Hungria ou As Virtudes de Capitalismo Contra a Tristeza do Comunismo (2001) PAULO MOURA in publico.pt

Nos bastidores da indústria porno

“Budapeste é hoje o centro mundial da indústria do vídeo pornográfico. Por toda a capital húngara, multiplicam-se os estúdios, as agências de modelos, os centros de produção porno. Que as raparigas sejam bonitas e desprovidas de preconceitos e de dinheiro ajuda a explicar o fenómeno. Mas não chega. É preciso ter em conta as transformações rápidas e traumatizantes das sociedades do Leste, que, em poucos anos, saíram do comunismo para o capitalismo selvagem, regimes com uma característica comum: o desprezo pelo ser humano. A pornografia é, certamente, consequência dessas perturbações, mas também o espelho metafórico da sociedade de personagens sem alma que é a nossa: pornográfica. Nos principais papéis: Kovi, o pornógrafo que procura um lugar para as suas histórias, Alex, que fabrica histórias para os seus lugares, e Michelle Wild, que tem na cabeça todas as histórias, mas já não há no mundo lugar para elas.”Não diga aos seus leitores que Budapeste é a cidade da pornografia.” Está fora de questão o orgulho que Magdalena tem no seu marido, o rei da pornografia húngara, o grande Kovi. Mas percebe-se que há também um gume a feri-la por dentro e a rasgar-lhe um sulco de cinza à volta dos olhos. “Budapeste tem tantas coisas fascinantes… Não é só pornografia.” Um gume a cavar-lhe um fosso em torno dos sonhos, da juventude azedada num círculo grotesco, da vida encerrada numa pantomima. Não está em causa a honra de ser esposa e assistente executiva e relações públicas de Kovi, o senhor incontestado do vídeo pornográfico da Hungria, provavelmente do mundo…Budapeste é uma paixão. De todas as capitais europeias do Leste, nenhuma é tão encantadora. A elegância das mulheres no Café Gerbeaud, a animação das conversas nas esplanadas da Praça Vorosmarty, a inspiração dos músicos no passeio de Rakpart, ao longo do Danúbio, fazem-nos sentir no centro da Europa. De uma Europa eufórica e vaidosa que há muito não existe nas cidades do Ocidente. Quem diria que estas eram, há pouco mais de dez anos, as ruas tristes de uma capital comunista! Nenhuma outra cidade europeia se modernizou tão rapidamente, em nenhuma se respira esta liberdade, esta disponibilidade para o que é novo”.

Barrigas de Aluguer – É tudo uma Questão de Valores

É tudo uma questão de valores: se uma mulher pode alugar o seu corpo para ganhar dinheiro com sexo, por que não poderá alugar o seu corpo para a gestação de uma criança por dinheiro? Bem sei que a prostituição costuma ser proibida e moralmente reprovada. Mas se podemos comprar um cão, por que não podemos comprar uma mulher? É tudo uma questão de valores e o culturalismo, uma versão do liberalismo, já nos ensinou que é tudo relativo. Parece que Kant, afinal, não está de acordo… 

“Dez famosos que adotaram a barriga de aluguel para ter filhos

Veja fotos de artistas que aumentaram a família através da técnica

Por Isadora Barros

 

 

 

Seja por infertilidade, escolha pessoal ou até mesmo como opção para os casais homossexuais, a barriga de aluguel é uma prática adotada por muitos famosos para realizar o sonho de ter filhos. Recentemente, o famoso apresentador do The Tonight Show no GNT, Jimmy Fallon, mostrou em seu programa fotos da filha que nasceu por meio da barriga de aluguel. O apresentador e a esposa também são pais de mais uma menina, que foi gerada pelo mesmo procedimento.

 

 

Atrizes como Sarah Jessica Parker, Nicole Kidman e Elizabeth Banks também optaram pela prática após tentativas frustradas de engravidar.No caso de Nicole e Sarah, ambas já eram mães pela maneira convencional, mas enfrentaram problemas de fertilidade quando decidiram ter mais filhos.

 

 

 

Sarah Jessica Parker e Ricky Martin: ambos utilizaram a barriga de aluguel para ter filhos (Foto: The Grosby Group/ Getty Images)Sarah Jessica Parker e Ricky Martin: ambos utilizaram a barriga de aluguel para ter filhos (Foto: The Grosby Group/ Getty Images)

 

A barriga de aluguel também possibilita que o homem tenha o poder de decidir a hora de ser pai. Antes mesmo de assumir a homossexualidade, Ricky Martin teve gêmeos por meio de uma mãe de aluguel, e o mesmo procedimento ajudou o casal Elton John e David Furnish a realizar o sonho da paternidade. O cantor britânico aproximou-se tanto da mãe de aluguel ao ter seu primeiro filho que a escolheu novamente para gerar o segundo”.