O Dialético Ilyenkov

O Dialético Ilyenkov

Ter atenção a que as espaços se encontra um português por assim dizer estranho.

LavraPalavra

Por Alexei Tsvetkov, via ОТКРЫТАЯ ЛЕВАЯ, traduzido por Oleg e Anna Savitskaia

Quando começou o conflito militar entre a China e o Vietnã, ele estava em prantos ao lado do receptor de radio e recusava-se a falar com quem quer que fosse. Sartre poderia ter escrito um livro e Goddard feito um filme sobre uma pessoa assim, mas eles estavam longe demais. A editora AST (projeto “Anedonia”, editor Ilya Danishevsky) lançou um novo livro do publicitário esquerdista Alexei Tsvetkov, que é uma coletânea de artigos e memórias “Marxismo como estilo”. Abaixo, segue um trecho deste livro.   


Anos 40: Dialética de Artilharia

Filho do famoso escritor soviético que tinha amizade com Nicolai Zabolótzki 1, Evald Ilyenkov terminou a guerra em Berlim como oficial de artilharia e, assim que se viu com uma hora de tempo livre, foi prestar homenagem a Hegel em seu túmulo. No front, foi condecorado…

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A Aparência Continua a Tomar Conta da Realidade – As Brigadas anarquistas da OTAN – Thierry Meyssan

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Apresentado no Ocidente como a concretização de uma simpática utopia, o novíssimo «Rojava» é na realidade um Estado colonial, desejado e montado com violência por Washington. Desta vez trata-se de expulsar as populações do Norte da Síria e de as substituir por gente que não é natural de lá. Para realizar esta limpeza étnica, o Pentágono e a CIA mobilizaram combatentes nos círculos da extrema-esquerda europeia. Thierry Meyssan revela este projecto insano, em curso desde há um ano e meio.

REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 12 DE SETEMBRO DE 2017 JPEG – 36.1 kb

Em Fevereiro de 2016, o «Czar anti-terrorista» da Casa Branca, Brett McGurk, foi enviado pelo Presidente Obama para supervisionar a batalha de Aïn al-Arab (Kobane). Na ocasião, ele foi condecorado pelo YPG, cuja casa-mãe —o PKK turco— é no entanto considerado por Washington como «terrorista». «A guerra, é a paz. A liberdade, é a escravatura. A ignorância, é a força». George Orwell, 1984. Nos anos de 1980-90, a sociedade curda era extremamente feudal e patriarcal. Ela era mantida num grande sub-desenvolvimento, o que levou os curdos a revoltar-se contra as ditaduras militares que se sucederam em Ancara [1]. O Partido dos trabalhadores do Curdistão (PKK) era uma organização marxista-leninista, apoiada pela União Soviética, lutando contra as ditaduras dos generais kemalistas, membros da OTAN. Ele libertou as mulheres e juntou-se aos combates progressistas. Com a ajuda de Hafez el-Assad, instalou um campo de treino militar na planície libanesa de Bekaa, sob a protecção da Força de Paz síria, ao lado do campo da FPLP palestina. Durante este período, o PKK não achava qualificativos suficientemente duros contra «o imperialismo americano». Aquando da dissolução da URSS, o PKK dispunha de mais de 10. 000 soldados a tempo inteiro e de mais de 75. 000 reservistas. Esta guerra de libertação destruiu mais de 3. 000 aldeias e provocou mais de 2 milhões de deslocados. Apesar deste imenso sacrifício, ela foi um fracasso. Detido no Quénia, em 1999, durante uma operação conjunta dos serviços secretos turco, norte-americano e israelita, Abdullah Öcalan foi preso na ilha de İmralı, no Mar de Mármara. O PKK afundou-se, dividido entre o seu chefe preso, favorável a uma negociação de paz, e o seus lugar-tenentes, para quem a guerra se tornara um modo de vida. Ainda ocorreram alguns atentados, sem que se saiba verdadeiramente quais os que foram provocados por combatentes, que se recusavam a desarmar, ou por uma facção da gendarmaria, o JITEM, que recusava igualmente o cessar-fogo. No início da «Primavera Árabe», Abdullah Öcalan reconstruiu o PKK a partir da sua cela, em torno de uma nova ideologia. No seguimento de negociações secretas com a OTAN, na prisão de İmrali, abandonou o marxismo-leninismo em favor do «municipalismo libertário». Ele que sempre lutara contra a Turquia afim de construir seu próprio Estado, o Curdistão, considerava agora que todo o Estado é, em si mesmo, um instrumento de opressão [2]. Os militantes do PKK que tinham sido forçados a fugir da Turquia, durante a guerra civil, encontraram refúgio no norte da Síria [3]. Em nome dos seus, Öcalan comprometera-se por escrito a jamais reivindicar território sírio. Em 2011, no início da guerra ocidental contra a Síria, os curdos formaram milícias para defender o país que os tinha acolhido e que os havia naturalizado. No entanto, a 31 de Outubro de 2014, um dos dois co-presidentes do YPG, o ramo sírio do PKK, Salih Muslim, participou numa reunião secreta no palácio do Eliseu com o Presidente francês François Hollande e o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdoğan. Ele viu ser-lhe prometido o posto de chefe de Estado, se concordasse em se envolver na recriação do Curdistão… mas, na Síria. De imediato, a Coligação (Coalizão-br) Internacional, que os Estados Unidos acabam de criar pretensamente contra o Daesh (E. I.), apoiou o YPG, fornecendo-lhe dinheiro, formação, armas e um enquadramento. Esquecidas portanto as imprecações contra Washington, tornado agora um tão excelente aliado. A organização curda começou a expulsar os habitantes das regiões às quais tinha deitado o olhar de cobiça. Uma vez que não tinha havido até aí nenhum combate do YPG contra o Daesh (EI), os Estados Unidos encenaram um terrível confronto em Ain al-Arab, rebaptizada para a ocasião com o nome kurmandji de Kobane. A imprensa internacional foi convidada a cobrir o acontecimento sem correr perigo. Esta cidade está localizada na fronteira sírio-turca e os jornalistas puderam seguir os combates com binóculos a partir da Turquia. Ignora-se aquilo que verdadeiramente se passou em Ain al-Arab, uma vez que a imprensa não foi autorizada a lá entrar. No entanto dispõe-se de imagens filmadas por tele-objectiva e parecendo confirmar de longe os comunicados relatando a selvajaria dos combates. Seja como for, o Ocidente unanimemente concluiu que os curdos eram os aliados de que eles precisavam contra o Daesh(EI) e a Síria. JPEG – 58.4 kb «Nem Deus, nem Estado!», venham defender o Estado de «Rojava» e lutar «contra todas as forças da reacção», ao lado do Império americanos A imprensa ocidental assegura que metade dos soldados curdos são mulheres, como estatutariamente metade das instâncias dirigentes do PKK / YPG. Ora, sobre o terreno a sua presença é raríssima. Os jornalistas afirmam igualmente que elas aterrorizam os jiadistas, para os quais ser morto por uma mulher seria uma maldição interditando o acesso ao paraíso. Curiosamente, a mesma imprensa ignora que o Exército Árabe Sírio inclui também batalhões femininos, que os jiadistas atacam com a mesma raiva que dispensam aos seus homólogos do sexo masculino. Apesar das aparências, o YPG não é tão numeroso como afirma. Muitos curdos sírios consideram os Estados Unidos como um potência inimiga e a Síria como a sua nova pátria. Eles recusam a seguir as fantasias de Salih Muslim. Assim, o Pentágono adicionou aos «seus« curdos, não só alguns mercenários árabes e assírios, mas sobretudo militantes da extrema-esquerda europeia Da mesma forma que a CIA alistou brigadas de dezenas de milhares de jovens muçulmanos ocidentais para fazer deles islamistas, do mesmo modo, ela recrutou anarquistas europeus para formar Brigadas Internacionais, dentro do modelo das que se bateram em 1936, em Barcelona, contra os fascistas. Encontra-se assim, como tropas complementares do YPG/OTAN, o Batalhão Antifascista Internacionalista (Europa Central), a Brigada Bob Crow (Ingleses e Irlandeses), a Brigada Henri Krasucki (Franceses), as Forças Internacionais e Revolucionárias da Guerrilha do Povo (Americanos), a União Revolucionária para a solidariedade internacional (Gregos), a União do Partido marxista-leninista (Espanhóis) e todos os grupúsculos turcos pro-EU (DK, DKP, MLSPB-DC, PDKÖ, SI, TDP, TKEP/L , TKPML), citando apenas os mais salientes [4]. Vinde lutar contra o Capital, com as Forças especiais dos Estados Unidos em «Rojava» ! A batalha de Ain al-Arab, suposta de opondo jovens Sírios favoráveis ao Califado a jovens Curdos, custou sobretudo a vida, de uma parte e de outra, a jovens Europeus em busca de um mundo melhor. Os países europeus inquietam-se com o possível retorno de jovens jiadistas a suas casas, mas não do de jovens anarquistas, afinal também perigosos. Provavelmente porque é muito mais fácil manipular estes últimos e de os reciclar nas próximas aventuras imperialistas. Em Junho de 2015, o Partido Democrático dos Povos (HDP), a nova expressão política do PKK, recebeu um abundante apoio financeiro e enquadramento da CIA, contra o AKP de Recep Tayyip Erdoğan. Subitamente, ele atingiu o mínimo dos 10% de votos necessários para entrar na Grande Assembleia Nacional e conseguiu 80 deputados. A 17 de Março de 2016, o YPG proclamou a autonomia de «Rojava», quer dizer da língua de terra ligando a região do Curdistão Iraquiano ao mar Mediterrâneo, a todo o comprimento da fronteira sírio-turca, mas unicamente do lado sírio. Entretanto «Rojava» incluiria ainda, parcialmente, a zona de Idlib actualmente ocupada pela Alcaida. Sendo este Estado proclamado por gente que daí não é natural em detrimento dos autóctones, trata-se, pois, de um projecto colonial, comparável a Israel, auto-proclamado na Palestina por judeus que aí haviam comprado terras. A denominação «Rojava» foi escolhida para distinguir este território do «Curdistão» que, como tal, se localiza na Turquia, onde foi proclamado em 1920 pela conferência de Sèvres [5]. Numa altura em que o emirado da Alcaida em Idlib e o califado do Daesh(EI) em Rakka vão encolhendo progressivamente, a OTAN prossegue o seu plano de divisão da República Árabe Síria e ambiciona criar o «Rojava» de Kameshli. A imprensa ocidental observa deslumbrada esta «Rojava», adornado com todas as virtudes da moda: pacifista, igualitária, feminista, ecologista, favorável à construção da identidade de género, etc. [6]. Pouco importa que o YPG seja um exército. Pouco importa que ele lute contra os históricos habitantes do Norte da Síria, os árabes e os assírios, uma vez que no papel formou com eles as Forças Democráticas. Na Síria, as Brigadas anarquistas europeias combatem sob o comando norte-americano. Os programas do YPG sírio e do HDP turco correspondem à estratégia militar dos EUA. Desde 2001, o Pentágono prevê, a médio prazo, «a remodelagem do Médio-Oriente Alargado», quer dizer a divisão dos grandes Estados em pequenos Estados homogéneos, incapazes de lhe resistir. A mais longo prazo, prevê lançá-los uns contra os outros até fazer regredir a região ao caos original. Não foi «Rojava» proclamada como Estado independente porque, segundo o “novo” Öcalan, todo o Estado-Nação seria um mal em si mesmo. De acordo com a OTAN, é apenas um Estado autónomo que deverá se confederar com outros Estados autónomos como os que irão suceder ao Estado-Nação Sírio, uma vez que tenha sido derrubado. Segundo o teórico de referência do «municipalismo», o Norte-americano Murray Bookchin, para funcionar de maneira democrática, as comunidades libertárias devem ser homogéneas. É por isso que o «pacifista» YPG procede actualmente à limpeza étnica de «Rojava». QED [7] . Thierry Meyssan Tradução Alva <:ver_imprimer:> Facebook Twitter Delicious Seenthis Digg RSS Muito comprometidos com a veracidade das nossas informações, tinhamos previsto ilustrar este artigo com um vídeo realizado por um grupo de anarquistas alemães que se juntaram às forças da OTAN e do YPG em Rojava. Nós postamos esta prova na nossa conta do YouTube, domingo, 10 de Setembro, à noite. O YouTube, que não tem, manifestamente, as mesmas exigências que nós quanto ao serviço da verdade, censurou, de imediato, esta prova como sendo «contrária à sua deontologia» (sic). [1] Blood and belief : the PKK and the Kurdish fight for independence («Sangue e Crença : o PKK e a luta Curda pela independência»- ndT), Aliza Marcus, New York University Press, 2007. [2] The Political Thought of Abdullah Öcalan: Kurdistan, Women’s Revolution and Democratic Confederalism («O Pensamento Político de Abdullah Öcalan : Curdistão, Revolução Feminina e Confederalismo Democrático»- ndT), Abdullah Öcalan, Pluto Press, 2017. [3] The Kurds in Syria: the forgotten people («Os Curdos na Síria : o povo esquecido»- ndT), Kerim Yildiz, Pluto Press, 2005. [4] “LGBT Brigades In Syria? Western Anarcho-Leftists Cutting Their Teeth With Western-Backed Kurdish YPG” («Brigadas LGBT na Síria ? Anarco-Esquerdistas Ocidentais Cerrando os Dentes Junto as YPG Curdas Apoiadas pelo Ocidente»- ndT), Brandon Turbeville, Activist Post, July 27, 2017. “Le Rojava, un califat d’extrême gauche ? Réseaux “antifascistes” et terrorisme : le laboratoire kurde”, Observatoire des extrêmes de gauche, 16 août 2017. [5] “Os projectos de Curdistão”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 5 de Setembro de 2016. [6] The PKK: Coming Down From the Mountains («O PKK : Descendo das Montanhas»- ndT), Paul White, Zed Books, 2015. Revolution in Rojava: Democratic Autonomy and Women’s Liberation in the Middle East («Revolução em Rojava : Autonomia Democrática e Libertação das Mulheres no Médio-Oriente»- ndT), Michael Knapp & Ercan Ayboga & Anja Flach, Pluto Press, 2016. [7] QED : Expressão latina, mais usada em matemática, que significa Como Queríamos Demonstrar. Nota do Tradutor.

EUA: Contradição entre o Grande Capital Norte-Americano e o Capitalismo Norte-Americano, ou o porquê da Eleição da Administração Trump – Uma contradição peculiar e novíssima – por José Valenzuela Feijóo

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Comecemos por uma pergunta: pode emergir uma contradição entre as grandes corporações transnacionais estado-unidenses e o capitalismo norte-americano?

O próprio enunciado poderia parecer absurdo: se se fala do capitalismo de tal ou qual país, será possível pensar que surja uma contradição entre este e suas empresas capitalistas? Acaso não se estará a falar do mesmo? Será que se pode falar de capitalismo nacional como algo distinto ou separado das empresas capitalistas que nele radicam? O tema merece alguma discussão mínima. Podemos abordá-lo em termos: i) da dinâmica e modos que assume o investimento no estrangeiro; ii) das origens sectoriais e regionais dos lucros.

O investimento no estrangeiro 

O investimento no estrangeiro, ou exportação de capital, constitui uma característica antiga das grandes potências capitalistas. E quando o sistema avança para a sua fase monopolista, tal característica acentua-se:   “o que caracterizava o velho capitalismo, no qual dominava plenamente a livre competição, era a exportação de mercadorias. O que caracteriza o capitalismo moderno, no qual impera o monopólio, e a exportação de capital “. [1]

Neste momento, podem-se distinguir diversas etapas. Num primeiro momento, a direcção das exportações de capital vai do centro para a periferia e concentra-se na produção e exportação de matérias-primas. Estas tornam-se baratas e ajudam a baixar a composição do valor do capital e, por esta via, elevar a taxa de lucro. Além disso, o grosso da indústria continuava localizado no pólo desenvolvido.

Num segundo momento, pelo menos na América Latina, emerge algum desenvolvimento industrial impulsionado pelo Estado e capitalistas nacionais. O que muito contrariava os teóricos neoclássicos, os que continuavam a defender a “racionalidade” da tradicional divisão internacional do trabalho. Em termos quase “curiosos”, em pouco tempo chegou ali o capital transnacional, apoderando-se dos segmentos mais estratégicos. Junto a esse movimento há outro que se deve sublinhar: o investimento estrangeiro também se move entre os países do centro: vai dos Estados Unidos para a Europa e vice-versa, do Japão para a Europa, etc. Neste caso, não são os baixos salários o factor que os impulsiona e sim a dimensão dos mercados para bens industriais. Os lucros que este movimento gera favorecem mais os Estados Unidos: na Europa, por exemplo, expande-se o american way of life e a cultura gringa tende a impor-se. Esta fase coincide com outra: a do padrão de acumulação com regulação keynesiana que imperou nos EUA e Europa desde fins dos anos quarenta até, aproximadamente, meados ou fins dos setenta. Também se deve destacar: nesta fase observa-se um crescimento muito forte das grandes companhias transnacionais.

Desde fins dos anos setenta até agora, o que impera é o padrão neoliberal. Se pensarmos nos EUA, verificamos: a) piora drasticamente a distribuição do rendimento: sob a taxa de mais-valia; b) cai o coeficiente de investimento e reduz-se significativamente o ritmo de crescimento do PIB; c) geram-se problemas do lado do emprego produtivo; d) o mercado interno torna-se pouco atraente; e) emerge um défice crónico na Balança de Pagamentos, o qual é financiado através do expediente de emitir dólares que os estrangeiros adquirem e utilizam como meio de reserva.

No plano que mais nos interessa cristaliza-se um fenómeno chave: torna-se possível uma minuciosa fragmentação dos processos produtivos. Portanto, esta fragmentação possível dá lugar a que diversas partes do processo produtivo se possam localizar em muito diversos pontos do globo terráqueo. O que passa a depender dos níveis do salário, das políticas tributárias e cambiais e das possíveis infraestruturas (portos, caminhos, energia eléctrica, etc) que possam oferecer os diversos países e regiões. Tudo isso recorda não pouco as condições que se verificavam durante o modelo primário-exportador em vigor na América Latina durante o século XIX (últimos dois terços) e no primeiro terço do século XX.

Nas condições actuais, o investimento que se efectua fora, em países como por exemplo o México, provoca um alto ritmo de crescimento das exportações mexicana e, por sua vez, gera efeitos de arrastamento que são praticamente nulos. As exportações crescem a bom ritmo (as importações ainda mais), mas o PIB permanece quase estagnado em termos per capita. Ou seja, os efeitos de arrastamento destes investimentos sobre a economia nacional interna do país recipiente são quase nulos. Mas aqui interessa-nos o impacto na economia interna dos Estados Unidos.

No caso estado-unidense destaca-se o forte crescimento do investimento que suas grandes empresas aplicam no estrangeiro. Ao mesmo tempo, o debilitamento do investimento que se aplica no território estado-unidense: investe-se muito fora e muito pouco dentro do país. Em 1982 o investimento directo dos EUA acumulado no estrangeiro chegava a 207,8 mil milhões. Em 2016 chegou a 5332,2 mil milhões. Multiplicou-se 25,7 vezes, crescendo a uma taxa média anual de 10%. Entre 1982 e 1990 cresce a 9,5%. Entre 1990 e 2007 a 12,1% e entre 2007 e 2016 (período que abrange a grande crise de 2007-2009) cresce a 6,6%. A expansão é alta, com crescimento a ritmos anuais muito elevados. Também se observa que no período 2007-2016 a expansão reduz-se bastante, quase à metade do período anterior. Neste, pode-se supor que, devido à crise, os “factores de atracção” se enfraquecem fortemente. O que certamente está ligado à recessão que afecta não só os EUA como também a Europa e o Japão. Os dados básicos mostram-se no Quadro I.

Quadro I: EUA, Investimento directo no estrangeiro 

Ano Valor acumulado   (US$ mil milhões) Índice
1982 207.8 100
1990 430,5 207
2000 1 316,2 633
2007 2 994,0 1 441
2016 5 332,2 2 566

Fonte: D.T. Jennings y S. Stutzman, “Direct Investment Position for 2016”, em Survey of Current Business, July 2017.
Valores a custos históricos.

O aumento do investimento no estrangeiro pode ser melhor avaliado se o compararmos com o comportamento do investimento no país. Isto é mostrado no quadro seguinte.

Quadro II: Investimento nacional e no estrangeiro (índices) 

Rubrica 2000 2014 Taxa média anual de crescimento
Investimento fixo não residencial 100,0 130,4 1,9 %
Investimento directo no estrangeiro 100,0 373,0 9,9 %

Fonte: Para investimento fora ver fonte do quadro I.
Para Investimento Fixo não residencial, NBER, “Economic Report of the President, 2016”.
A série é a preços constantes.

A evidência é contundente. Cresce muitíssimo mais o investimento no estrangeiro do que no país. De facto, o investimento interno mostra sinais claros de estancamento.

Convém especificar e notar os factos mais decisivos.

Primeiro: cresce muito o investimento das CMN dos EUA no estrangeiro. E enfraquece-se no território nacional.

Segundo: no exterior, gera-se uma rede ou cadeia de produção que impressiona pela sua fragmentação e extensão geográfica. Produzem-se diversas partes do produto final em regiões muito diversas, em cada uma das quais é acrescentado certo montante de valor agregado.

Terceiro: numa alta percentagem, o produto final acaba por ser vendido aos próprios Estados Unidos.

Quarto: no fim deste círculo, os Estados Unidos começa a transformar-se num grande comprador (importador) de produtos finais e, ao mesmo tempo, vai perdendo sua capacidade de produção industrial – com a consequente e forte perda de ocupações industriais. Em alguns estudos estima-se que entre 2001 e 2011 a perda de empregos nos EUA provocada pelo seu défice com a China chegou aos 2,7 milhões. [2] Um cálculo recente abrange os anos 2001 a 2015 e estima a perda de empregos em 3,4 milhões. [3] Quanto ao NAFTA [North American Free Trade Agreement], nos seus primeiros 20 anos de funcionamento a perda em relação ao México e Canadá é estimada em 850 mil empregos. [4]

Quinto: como contrapartida, emerge um forte défice na balança comercial dos EUA. Com isto, o problema vital da realização do excedente agrava-se ainda mais.

Para concluir esta enumeração, recordemos uma expressão clássica: “o que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos”. Alguns criticavam-na pois a classe operária gringa tinha pouco a ver com tais benefícios. Pelo menos, beneficiava-se numa proporção bastante menor. Mas agora, a situação parece estar a mudar num sentido bastante mais radical: o que é bom para as grandes corporações multinacionais estado-unidenses já deixou de ser bom para o capitalismo dos EUA. 


[1] Lenin, “El imperialismo, fase superior del capitalismo”, en Obras Escogidas, Tomo I, pág.741. Edit. Progreso, Moscú, 1978.
[2] Ver R. E. Scott, “The China toll: growing U.S. trade deficit with China cost more than 2.7 million jobs between 2001 and 2011, with job losses in every state”; Economic Policy Institute; Briefing Paper, n° 345.
[3] R. E. Scott, “Renegotiation NAFTA is putting lipstick on a pig”; en Economic Policy Institute, 21 de Agosto, 2017 (página electrónica).
[4] R. E. Scott, ibídem.

[*] Economista, chileno, professor universitário no México. 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Pour un socialisme du bien vivre – Rafael CORREA

Le Grand Soi

Conférence faite en français à Marseille, par l’ancien président de l’Equateur

Pour un socialisme du bien vivre

Vendredi 25 août à Marseille, les AmFis d’été de la France insoumise accueillaient un invité exceptionnel en la personne de Rafael Correa, ex-président équatorien (2007-2017).

Voici l’intégralité de la conférence qu’il a prononcée, en français, sur “le socialisme du bien-vivre”. Il est également revenu sur son expérience à la présidence de l’Équateur et a analysé l’évolution politique de l’Amérique latine.
Son intervention s’est achevée dans un tonnerre d’applaudissements et sous les cris de “Correa amigo, el pueblo esta contigo” (’’Correa, notre ami, le peuple est avec toi’’).

INTRODUCTION

Après avoir vécu non seulement une crise économique, sociale et démocratique, fruit du fondamentalisme néolibéral, mais aussi une crise de leaders et d’idées, une grande partie de l´Amérique Latine a réussi à s´éloigner du joug des technocrates obséquieux et de l´orthodoxie aveugle qui nous a mené à la ruine. Nous avons eu l´audace de penser à nouveau par nous-mêmes, à repenser notre propre notion de « l´économique et de la politique ». C´est ainsi qu´a surgi le Socialisme du Bien Vivre.

Le socialisme du Bien Vivre se nourrit de la conjugaison réflexive de plusieurs socialismes : le classique, le scientifique, mais aussi le socialisme agraire d´Emiliano Zapata, le socialisme andin du péruvien José Carlos Mariátegui, la Doctrine Sociale de l´Eglise, de la Théologie de la Libération, ainsi que de la longue histoire marquée par les luttes émancipatrices de nos peuples.

Le socialisme du Bien Vivre ne se réduit pas à des modèles, mais se base plutôt sur des principes. Nous rejetons les recettes toutes faites et les dogmes. La pire des erreurs, surtout si la gauche est au gouvernement est d’agir en fonction de ses fixations mentales, de ses expectatives idéologiques et non pas en fonction de la réalité.

Nous partageons avec le socialisme traditionnel le besoin de l´action collective, de l’importance du rôle de l´État, de la défense de ce qui est public face au simplisme individualiste ; de la recherche permanente et fondamentale de la justice dans toutes ses dimensions, unique manière d´atteindre la vraie liberté ; de la suprématie de l´être humain sur le capital ; et de l´importance de générer des valeurs d’usage, c’est-à-dire, des biens publics nationaux et globaux.

Le socialisme du Bien Vivre est l´héritier de toutes les meilleures manifestations du socialisme traditionnel, mais s’y confronte aussi avec courage et esprit critique, sans crainte de pensée, les dogmes que l´Histoire s’est elle-même chargée d´enterrer.

L’ACTION COLLECTIVE ET LE RÔLE DE L’ÉTAT

Une des erreurs commises par la gauche traditionnelle a été celle de nier l’existence du marché. Les marchés sont une réalité économique. Mais il est sans doute bien différent de parler de sociétés AVEC un marché, que de sociétés DE marché, où les vies, les personnes et la propre société ne sont qu’une marchandise en plus.

La société ne peut pas exister en fonction des nécessités mercantiles, c’est le marché qui doit exister en fonction des nécessités sociales. Le marché est un magnifique serviteur, mais un très mauvais maître. C’est donc pour cela que sont indispensables l’action collective et un rôle adéquat de l’État pour gouverner le marché et le faire porter les fruits socialement désirés.

Voici ce que la droite traduit comme une limitation de la liberté. Pour eux, la liberté équivaut à la non intervention, alors que, pour nous, la liberté est la non domination. C’est- à- dire que nous cherchons à doter les individus de capacités et, en tant que société, à assumer le devoir de réguler les pouvoirs qui peuvent nous dominer.

Nous ne pouvons pas permettre qu’on nous vole le principe de liberté. Il n’est pas en contradiction avec la justice. De surcroît, dans des sociétés aussi inégales que les latino-américaines, c’est seulement à travers de la justice que nous arriverons à une vraie liberté.

Il est évident que tout est une question politique. La gauche doit revendiquer la politique. On nous présente la politique comme un monde nécessairement sombre, corrompu et méchant. Tout cela est une stratégie pour maintenir le statu quo et empêcher quelconque changement dans les relations de pouvoir. La satanisation du pouvoir politique en Amérique Latine est une stratégie pour immobiliser tout processus de changement, pour nous faire croire que nous n’avons pas besoin d’hommes politiques, mais seulement de managers.

Le développement est en essence, une question politique. C’est ensuite que viennent les questions techniques. Le problème fondamental réside dans qui détient le pouvoir dans une société : les élites ou les grandes majorités ? Le capital ou les êtres humains ? Le marché ou la société ?

Tout au long de son histoire, l’Amérique Latine a été dominée par des élites qui ont exclu les grandes majorités des bénéfices du progrès. Leur attitude rentière a même fait obstacle à un progrès majeur pour elles-mêmes. Aujourd’hui, à l’échelle mondiale, nous sommes dominés par les intérêts du grand capital, ce que j’appelle « L´empire du capital », particulièrement du capital financier.

C´est justement là que réside l’essence même de la Révolution Citoyenne : dans le changement des relations de pouvoir en faveur des grandes majorités. La transformation de l’État bourgeois dominé et au service d’une minorité, dans un État véritablement populaire, au service du bien commun et de l’intérêt général.


DÉCENNIE GAGNÉE

Grâce à ce changement dans les relations de pouvoir, nous avons réussi à atteindre en Équateur ce que nous appelons la « décennie gagnée », c’est à dire un pays totalement différent de celui que nous avons reçu en 2006.

Nous avons doublé la taille de l’économie. Malgré deux années extrêmement difficiles et la contrainte de ne pas avoir de monnaie nationale, nous avons atteint un taux de croissance supérieur à la moyenne de la région latino-américaine. Nous sommes passés du statut de pays de rente basse à un pays de rente moyenne. De même, nous sommes passés d’un développement humain moyen à un développement humain élevé. Selon des études internationales nous sommes le pays qui a su le mieux profiter du boom pétrolier.

D’après la Commission Économique pour l’Amérique Latine, des Nations Unies (CEPAL), nous nous trouvons aujourd’hui parmi les trois pays les moins inéquitables de l´Amérique du Sud, alors que 10 ans auparavant nous nous trouvions parmi les pays les plus inéquitables. Nous avons aussi réussi à réduire de 16,5 points de pourcentage la pauvreté multidimensionnelle – c´est-à-dire la définition la plus complète de la pauvreté – ce qui équivaut à 1,8 millions d’Équatoriens qui sont sortis de la pauvreté. Nous pouvons nous vanter d´avoir attaqué les causes structurelles de cette pauvreté et non pas de l´avoir maquillée. La pauvreté s´est notamment réduite grâce à la croissance économique mais surtout grâce à la redistribution des revenus. Lors de la décennie précédente, avec le néolibéralisme, la croissance économique a réussi à avoir un effet total de réduction de la pauvreté. Par contre, une plus grande concentration de la richesse a eu tendance à l’augmenter.

Le développement social a fait de grands pas en avant avec un système éducatif qui, d´après l´UNESCO est celui qui progresse le plus en Amérique Latine. En ce qui concerne l´infrastructure productive, nous sommes considérés comme le pays le plus avancé en voirie de la région, alors qu’auparavant nous étions parmi les pires. L’Équateur a réussi à atteindre la souveraineté énergétique. Aujourd’hui nous exportons de l’énergie, alors qu’avant nous en importions. De manière générale, nous avons une compétitivité systémique largement supérieure qu’il y a dix ans.

Nous avons aussi vécu une « décennie gagnée » en stabilité politique, en ce qui concerne l’institutionnalisation et l’efficacité de l´État et la solidité de notre démocratie. Avant notre gouvernement, nous avons connu 7 présidents dans l’espace de 10 ans, et aucun des 3 présidents élus n’a réussi à finir son mandat.

Le 24 mai 2017, lorsque j’ai laissé la Présidence de la République de l’Équateur, pour la première fois en vingt ans, un président élu passait le pouvoir à un autre président légitimement élu.

LA TEMPÊTE PARFAITE

Lors des deux dernières années nous avons souffert ce que j’appelle la « Tempête parfaite » : le crash des exportations et une simultanée appréciation du dollar, monnaie d’utilisation nationale, combinaison qui détruit l’économie. Les dépréciations de la monnaie dans nos pays voisins ont atteint jusqu’à les 80% comme fut le cas de la Colombie, mais il nous a été impossible de répondre monétairement puisque nous n’avons pas de monnaie nationale.

Fin 2016, notre total d’exportations fut équivalent à 64% de la valeur correspondante en 2014, ce qui signifie une réduction d’à peu près 10 milliards de dollars, plus de 10% du PIB.

En ce qui concerne le niveau fiscal nous avons perdu près de 12,5% du PIB de revenus nets car nous avons été menés, pour la première fois dans notre histoire, à transférer des ressources fiscales pour que les entreprises pétrolières publiques ne fassent pas faillite. Nous avons aussi dû subir des verdicts légaux en faveur d´entreprises transnationales de pétrole, qui nous ont obligés à payer une sanction supérieure à 1% de notre PIB en quelques mois. Finalement nous avons fait face à la plus grande tragédie du pays depuis ces soixante-dix dernières années avec le tremblement de terre de 7,8 sur l’échelle de Richter, qui a secoué nos côtes le 16 avril 2016 et qui a coûté la vie de centaines de nos compatriotes ; réduisant les chiffres de croissance de 0,7% et produisant ainsi des pertes de plus de 3% du PIB. Ce séisme a eu plus de 4000 répliques, quelques-unes d’entre elles de plus de 6 sur l’échelle de Richter, c’est-à-dire comparables avec le tremblement de terre qui a détruit en août de l’année dernière la ville italienne d´Amatrice.

Jamais dans l´histoire de mon pays, nous n´avions cumulé autant de chocs externes négatifs en si peu de temps.

Peu avant le tremblement de terre, le Fond Monétaire International prévoyait un décroissement de 4,5%. Finalement nous avons réussi à terminer l´année 2016 avec 1,5% de décroissance. Le premier trimestre de 2017, l´économie de l´Équateur a crû de 2,6%, ce qui signifie que nous avons surmonté la récession en un temps record et avec des coûts minimes.

Lénine disait que la politique est de l´économie concentrée. Il est vrai que la politique dépend fortement de l´économie. Cependant, nous avons tellement fait ces dix dernières années que nous avons quand même réussi à gagner les élections dans un contexte de récession.

Le poids des mesures que nous avons dû prendre pour protéger le secteur externe et pour financer la reconstruction des zones dévastées par le tremblement de terre, sont tombées sur les plus riches. Lors des deux dernières années, malgré la décroissance économique, il n’y a pas eu d’augmentation des inégalités ni de la pauvreté, ce qui est inédit en Amérique Latine.

La droite et l´opposition à notre gouvernement ont argumenté que le succès du modèle équatorien est dû au boom des commodités, ce fameux boom qui aujourd’hui n´est plus une réalité.

Il est clair qu´il est plus facile de gouverner pendant les époques d´expansion que de récession, mais malgré cela, le modèle socialiste a eu plus de succès dans les deux cas. Le système de protection sociale mis en place lors de la dernière décennie, comme par exemple la santé gratuite, l´éducation gratuite, l´Université gratuite, et l´allocation chômage, ont défendu les droits des plus vulnérables pendant ces dures années.

RESTITUTION DU CONSERVATISME

Pendant ce temps-là, que se passait- il au niveau régional ?

Une fois passée la longue et triste nuit néolibérale des années quatre-vingt-dix, qui a plongé dans la faillite plusieurs nations dont l´Équateur, et à partir du moment où Hugo Chavez a gagné les élections au Venezuela en 1998, les gouvernements de droite et soumis aux pouvoirs de toujours, ont commencé à tomber comme des châteaux de cartes, laissant place, tout au long de notre Amérique, aux gouvernements populaires du socialisme du Bien Vivre.

Lors de son apogée en 2009, des 10 pays qui composaient l´Amérique du sud, 8 d´entre eux étaient gouvernés par la gauche, en plus de El Salvador, avec l´arrivée du Front Farabundo Martí, le sandinisme au Nicaragua, Manuel Zelaya en Honduras et Alvaro Colom en Guatemala.

Dans des pays comme El Salvador, le Guatemala, ou le Paraguay avec Fernando Lugo, ce fut la première fois dans leur histoire que la gauche arrivait au pouvoir, dans ce dernier cas mettant fin à plusieurs siècles de bipartisme.

En mai 2008 nait l´UNASUR, Union des Nations Sud-Américaines, et, en février 2010 se crée la CELAC, Communauté des États Latino-américains et des Caraïbes, avec 33 membres. Des 20 pays latins qui composaient la CELAC, 14 d´entre eux étaient gouvernés par la gauche, c´est à dire 70 %.

La première partie du 21ème siècle fait sans doute partie des « années gagnées ». Les progrès économiques, sociaux et politiques ont été historiques et ont surpris le monde entier. Et tout ceci dans un environnement de souveraineté, de dignité, d´autonomie, et de présence dans la région mais aussi dans le monde entier.

Il est évident que cette situation a joui d´une conjoncture mondiale favorable en ce qui concerne les prix des matières premières, base des exportations sud-américaines. La grande différence est que cette richesse a été réinvestie pour le Bien Vivre de nos peuples.

L´Amérique Latine n’a pas vécu une époque de changements, mais plutôt un véritable changement d’époque, qui a aussi bouleversé substantiellement l´équilibre géopolitique de la région. C’est pourquoi, il était indispensable pour les pouvoirs factuels et les pays hégémoniques, de mettre fin à ces processus de changement.

En 2002, le gouvernement d’Hugo Chavez a déjà dû supporter une tentative de coup d´État. Depuis 2008, la droite a intensifié ses tentatives anti-démocratiques d´en finir avec les gouvernements progressistes, comme en Bolivie en septembre 2008, au Honduras en 2009, en Équateur en 2010 et au Paraguay en 2012. Toutes ces atteintes à la démocratie ont été contre des gouvernements de gauche, et deux ont abouti, au Honduras et au Paraguay.

Peu à peu, les réactions de droite se sont consolidées, avec une stratégie et collaboration internationale, avec la complicité des médias, et surtout en tirant profit des circonstances économiques adverses à partir de la deuxième moitié de 2014.

Il ne s´agit plus seulement d´une tentative de restitution du conservatisme, comme je les ai appelées deux ans auparavant, par rapport aux coalitions de la droite jamais vues et qui jouissaient d´un soutien international, avec des ressources illimitées, bénéficiant de financement externe, etc., ce qui a pu être constaté dans les élections locales à Quito. Mais au moins, dans ce cas-ci, la voie démocratique a été utilisée. Aujourd’hui la réaction s’est approfondie et a perdu toutes limites et scrupules. Nous sommes face à un nouveau « Plan Condor ». Quarante ans auparavant, sa cible était la jeunesse qui croyait en un monde meilleur et s´opposait à la brutalité des dictatures militaires financées par le pays du Nord. Aujourd’hui, ses cibles sont les gouvernements progressistes de la région.

C´est pour cela que nous souffrons aujourd’hui du harcèlement et du boycott économique de notre chère Venezuela, du coup d´État parlementaire au Brésil, et de la judiciarisation de la politique comme nous le prouvent les cas de Dilma Roussef, Lula Da Silva et Cristina Fernandez de Kichner, et, plus récemment, même de l´Equateur.

Les tentatives de destruction de l’UNASUR et de neutralisation de la CELAC, tentant de faire revivre la moribonde Organisation de États Américains, son évidentes, et souvent, effrontées. Ne parlons même pas de ce qui se passe actuellement pour le Mercosur. Même l´échec sonnant de l´ALCA au début du siècle tente d´être surmonté par la nouvelle Alliance du Pacifique.

En Amérique du Sud, actuellement, il ne reste que quatre gouvernements qui peuvent se qualifier comme progressistes. Je ne peux même plus compter parmi eux l´Équateur, à cause de tout ce qui se passe en ce moment dans ma Patrie.

Les difficultés économiques des pays comme le Venezuela ou le Brésil sont présentées comme des exemples du supposé « échec » du socialisme, alors que l’Uruguay, gouverné par la gauche, est le pays le plus développé au Sud du Rio Bravo, ou alors même que la Bolivie jouit des meilleurs indicateurs macro-économiques de toute la planète.

La droite veut revenir à tout prix et elle a la soif de vengeance, après dix ans de défaites successives.

Nous sommes peut-être les victimes de notre propre succès. Selon la CEPAL, pendant ces dix dernières années, presque 94 millions de personnes sont sorties de la pauvreté et font partie maintenant de la classe moyenne régionale. Ceci peut être sans aucun doute attribué aux politiques des gouvernements de gauche.

Au Brésil, 37,5 millions de personnes sont sorties de la pauvreté entre 2003 et 2013, et font aujourd’hui partie de la classe moyenne. Néanmoins, ces millions de personnes ne se sont pas mobilisées lorsqu´un parlement accusé de corruption a destitué la Présidente légitimement élue, Dilma Roussef.

Nous sommes aujourd’hui face à des personnes qui ont surmonté la pauvreté et qui maintenant, malgré l´amélioration de leurs conditions de vie, demandent encore plus, et se sentent pauvres, sans prendre comme référence ce qu’ils ont, et encore moins ce qu’ils avaient, mais plutôt ce à quoi ils aspirent. Nous appelons ce phénomène « prospérité objective et pauvreté subjective ». Ces personnes se laissent ainsi facilement emporter par les chants de sirène d´une droite qui, avec la complicité des médias, offre à tout le monde, un style de vie à la new-yorkaise.

ATTAQUES

La nouvelle droite accuse les gouvernements progressistes d’être « idéologiques » et de manquer de technique lors de la gestion du développement national. Soit ils dissimulent soit ils ne comprennent pas que le développement est fondamentalement un problème politique, où l´orientation de la politique publique est nettement idéologique et, dans notre cas, cherche la priorité du public, c´est- à- dire, des grandes majorités.

Il est flagrant de voir comment le marketing et le discours bien ficelé de la nouvelle droite cherchent des indéfinitions politiques, ses représentants n´apparaissent pas comme des leaders politiques, mais plutôt comme des PDG qui ont réussi dans le monde de l´entreprise.

Mais ce sont les médias qui assument aujourd’hui le rôle des principaux partis d´opposition. Maintenant, se sont eux les vrais représentants du pouvoir politique entrepreneurial et conservateur.

La relation qui lie les capitaux des médias au secteur financier et des affaires est scandaleuse. Lorsque je suis arrivé au gouvernement, parmi les 7 chaînes nationales de télévision, 5 étaient sous la propriété du secteur banquier. Il n’existait même pas de télévision publique.

Nos démocraties doivent s’appeler des démocraties médiatisées, parce que les médias sont un élément plus important du processus politique, que les partis politiques et les systèmes électoraux. En effet, ils ont substitué à l’État de droit l’État d’opinion. Peu importe quel ait été le programme présenté pendant la campagne électorale et ce que le peuple, le souverain de toute démocratie, ait décidé dans les urnes. Ce qui compte réellement c’est ce qu’approuvent ou désapprouvent dans leurs titres quotidiens les médias.

Bien que cela soit un problème planétaire, compte tenu des monopoles médiatiques détenus par une poignée de familles, le problème est encore plus sérieux en Amérique Latine. Les médias montrent d´importantes lacunes éthiques et professionnelles, et une insolente participation en politique.

Le débat devrait poser la question si une société peut être réellement libre lorsque la communication, et particulièrement l´information, est fournie par des entreprises privées, à but lucratif.

C´est un pouvoir sans aucun contre-pouvoir, mais personne n´ose parler de cela, par crainte d´être stigmatisé comme un ennemi de la liberté de presse, bien que, depuis que la presse est apparue, la liberté de presse n´est rien d`autre que la volonté du propriétaire de l’imprimerie.

On accuse aussi nos gouvernements d´être « populistes », un concept assez flou qui est souvent associée avec la démagogie, l´irresponsabilité et l´absence de technique, et qui sert finalement à définir tout ce qui s´éloigne de la logique du marché et des canons des démocraties libérales occidentales.

On confond souvent ce qui est populaire avec le populisme. Dans le cas de mon gouvernement, il a été très populaire mais il fut aussi un des gouvernements les plus techniques de l´histoire de mon pays.

La double morale internationale est aussi impressionnante : si Angela Merkel cherche sa réélection en Allemagne, cela est qualifié comme une démocratie mûre et avec une grande capacité de leadership. Par contre, si un dirigeant politique latino-américain fait la même chose, ceci est qualifié de dictatorial et d´autoritaire.

Finalement nous pouvons dire que la soi-disant « lutte contre la corruption » est devenue un outil efficace pour détruire les processus politiques progressistes et populaires de notre Amérique. Le cas le plus emblématique est celui du Brésil, où une opération politique très bien ficelée a abouti à la destitution de la présidente Dilma Roussef après quoi, il a été démontré qu´elle n´était pas du tout coupable de ce dont on l´accusait. En ce moment, en Équateur, le même scénario du Brésil est en marche pour écarter le Vice-Président de la République du pouvoir.

Et bien sûr, on dit toujours que la corruption est de la faute de l´État. On parle maintenant aussi d´une confrontation entre la société civile et l´État, la première qualifiée de bonne et le second de mauvais, alors que l´État n´est autre chose que la représentation institutionnalisée de la société.

Qui peut s’opposer à une vraie lutte contre la corruption ? Ce fut justement une de nos principales luttes pendant les dix dernières années, et nous avons mis fin à une corruption institutionnalisée qui existait auparavant. Mais la soi-disant lutte anti-corruption dirigée par la droite et par les médias est tout à fait fausse et est utilisée comme un instrument d´attaques politiques, à l’image de ce qu’a été l’utilisation de la lutte contre le trafic de drogues dans les années 90, ou de la lutte contre le communisme. Pour parler d´une vraie lutte contre la corruption il suffirait par exemple d´interdire les paradis fiscaux, où est finalement concentrée toute la corruption que nous avons dû affronter.

On nous parle d´un manque de contrôle, d´une certaine acceptation des systèmes de corruption. Mais je me demande : quel type de contrôle permet de détecter un pot de vin payé sur un compte secret dans un paradis fiscal ?

En Équateur, les contrôles sont si stricts qu´il est obligatoire de déclarer l´origine des virements de plus de 10 000 dollars. Par contre, dans les paradis fiscaux, il est possible de déposer des millions, sans que personne ne contrôle rien du tout.

La réalité est donc bien différente. On peut citer aussi le cas d´Odebrecht, une entreprise de construction du Brésil qui a mis en place toute une structure de corruption dans 12 pays. On constate donc que la corruption, en grande partie, vient aussi du secteur privé. Dans des pays comme l´Allemagne, jusqu´à il n´y a pas si longtemps, les entreprises pouvaient même déduire de leurs impôts les pots de vin versés dans nos pays !

Il existe donc encore une énorme hypocrisie dans le monde à propos de la lutte contre la corruption.

Sur ce, il est important de signaler que l´Équateur est le premier pays du monde qui a approuvé au travers d´un referendum, une loi qui empêche aux fonctionnaires d´effectuer des opérations de n´importe quel type dans des paradis fiscaux. Mais bien que l´utilisation de ces endroits pour cacher de l´argent illégalement accumulé soit maintenant interdite, ils continuent à exister.

CONCLUSIONS

Chers compagnons :

Ce sont des temps difficiles pour l´Amérique Latine, mais pas terribles. Nous ne sommes plus la gauche du 3% de voix. Nous sommes aujourd’hui une gauche avec une vocation à gouverner et qui a fait preuve d´importants succès.

Néanmoins, il est clair qu´il existe un retour du conservatisme, d´une droite nationale et internationale qui a vaincu son étourdissement de plus de dix ans de défaites politiques. Aujourd’hui cette droite s’est construit un nouveau discours, une nouvelle articulation, possède des ressources illimitées, elle détient le monopole des médias et profite des inévitables problèmes liés au pouvoir, comme le changement de cycle économique et des cas isolés de corruption.

Que peut-on faire face à tout cela ? Il ne nous reste qu´un seul chemin : je cite le grand Simón Bolívar, alors qu´il se retirait du Pérou soi-disant vaincu et victime de l´ingratitude.

Que peut-on faire face à tout cela ? Vaincre !

Hasta la victoria siempre !

Rafael CORREA
Marseille, 25 août 2017.

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https://www.legrandsoir.info/pour-un-socialisme-du-bien-vivre.html

   

Macron – O Fim da Soberania e da Identidade da França – Thierry Meyssan

Prononçant un discours fondateur devant les plus hauts diplomates français, le président Macron a révélé sa conception du monde et la manière dont il entend utiliser les outils dont il dispose. Selon lui, il n’y a plus de souveraineté populaire, ni en France, ni en Europe, donc pas de démocraties nationales ou supra-nationale. Il n’y a plus non plus d’Intérêt collectif, de République, mais un catalogue hétéroclite de choses et d’idées composant des biens communs. Décrivant leur nouveau travail aux ambassadeurs, il les a informés qu’ils ne devraient plus défendre les valeurs de leur pays, mais trouver des opportunités d’agir au nom du Léviathan européen. Entrant dans le détail de certains conflits, il a décrit un programme de colonisation économique du Levant et de l’Afrique.

 | DAMAS (SYRIE) | 5 SEPTEMBRE 2017 

Participant à la traditionnelle semaine des ambassadeurs, le président Macron a prononcé son premier discours général de politique étrangère depuis son arrivée au palais de l’Élysée [1]. Toutes les citations entre guillemets de cet article en sont extraites. Le président n’a pas dressé de paysage des relations internationales actuelles, ni expliqué le rôle qu’il conçoit pour la France dans le monde, mais la manière dont il entend utiliser cet outil.

Selon lui, la France n’a pas été capable de s’adapter aux changements du monde depuis 1989, la chute du Mur de Berlin, la dissolution de l’Union soviétique et le triomphe de la globalisation états-unienne. Pour reconstruire le pays, il serait absurde de vouloir revenir à l’ancien concept de souveraineté nationale. Au contraire, il faut avancer en s’emparant des leviers disponibles. C’est pourquoi, aujourd’hui : « Notre souveraineté, c’est l’Europe ».

Certes, l’Union européenne est un monstre, « un Léviathan » [2]. Elle n’a pas de légitimité populaire, mais devient légitime lorsqu’elle protège ses ressortissants. Dans son format actuel, elle est dominée par le couple franco-allemand. Lui, Emmanuel Macron, et la chancelière Angela Merkel peuvent donc, ensemble, la gouverner. Ainsi a-t-il pu se rendre en Pologne, en sa qualité de président français, et, avec l’accord de sa partenaire allemande qui ne pouvait se permettre d’agresser la Pologne au regard de l’Histoire, y parler en tant que représentant implicite de l’Union, y insulter le Premier ministre, lui rappeler qu’elle n’est pas souveraine et la faire rentrer dans le rang européen.

D’ores et déjà, avec la chancelière, il a décidé d’agir dans quatre domaines :
- la protection des travailleurs ;
- la réforme du droit d’asile et la coopération européenne en matière migratoire ;
- la définition d’une politique commerciale et d’instruments de contrôle des investissements stratégiques ;
- le développement de l’Europe de la Défense.

Ces objectifs déterminent évidemment les politiques nationales de chacun des États membres, y compris la France. Par exemple, les ordonnances que son gouvernement vient de prendre sur la réforme du Code du Travail posent les limites minimales de la protection des travailleurs conformément aux instructions arrêtées depuis longtemps déjà par les fonctionnaires de Bruxelles. La coopération européenne en matière migratoire fixera les seuils d’hospitalité permettant de faire fonctionner l’industrie allemande [3], tandis que la réforme du droit d’asile fixera la capacité d’accueil de la France au sein de l’espace Schengen. L’Europe de la Défense permettra d’unir les armées de l’Union et de les intégrer collectivement aux ambitions de l’Otan.

Pour faire avancer plus rapidement l’Union européenne, la France et l’Allemagne organiseront des coopérations renforcées sur différents thèmes, en choisissant leurs partenaires à la carte. On conservera alors le principe de décision à l’unanimité, mais uniquement entre États présélectionnés comme étant déjà d’accord entre eux.

La cohésion de cet ensemble sera maintenue autour de quatre valeurs communes :
- « la démocratie élective et représentative,
- le respect de la personne humaine,
- la tolérance religieuse et la liberté d’expression,
- et la croyance au progrès ».
« La démocratie élective et représentative » ne s’appliquera qu’au niveau local (communautés de communes et régions administratives, les communes et les départements étant appelés à disparaître) puisqu’il n’y a plus de souveraineté nationale.
« Le respect de la personne humaine, la tolérance religieuse et la liberté » devront être compris au sens de la Convention de sauvegarde des droits de l’Homme et des libertés fondamentales, et non plus à celui de la Déclaration de 1789 pourtant placée en préambule de la Constitution.
« La croyance au progrès » permettra de mobiliser les ressortissants européens dans une période où chacun voit des pays aisés, au Moyen-Orient élargi, soudain rasés de la carte et renvoyés à l’âge de pierre.

La méthode Macron

La France devra utiliser l’outil européen pour s’adapter au « monde multipolaire et instable ». Étant entendu qu’il n’est pas question de rétablir l’alliance franco-russe que le président Sadi Carnot et l’empereur Alexandre III conclurent car l’Union européenne est le volet civil de l’Alliance militaire atlantique, il ne sert à rien de fonder la diplomatie française sur l’Histoire ou des valeurs.

Il convient au contraire de jouer le rôle de « contrepoids » afin de maintenir « les liens avec les grandes puissances dont les intérêts stratégiques divergent ». Comprenez bien, le président ne parle pas des intérêts qui divergent entre d’un côté les États-Unis et de l’autre la Russie et la Chine, mais de maintenir les liens que ces deux grandes puissances doivent entretenir avec les États-Unis.

« Pour cela il nous faut (…) nous inscrire dans la tradition des alliances existantes et, de manière opportuniste, construire des alliances de circonstances qui nous permettent d’être plus efficaces ». Le rôle des diplomates n’est donc plus de défendre à long terme les valeurs de la France, mais de flairer à court terme les opportunités, les bons coups à faire.

« La stabilité du monde »

Ce cadre de travail européen et cette méthode étant posés, la fonction de la diplomatie française sera à la fois d’assurer la sécurité des Français en participant à « la stabilité du monde », et de gagner de l’influence en défendant « les biens communs universels ».

Puisque depuis la chute du Mur de Berlin et la fin de la souveraineté nationale, il n’y a plus d’ennemi conventionnel, la France n’a plus besoin d’armée pour défendre son territoire. Par contre, elle doit faire face à un ennemi non-conventionnel, le « terrorisme islamiste », qui exige d’elle à la fois une police omniprésente et une armée de projection capable d’intervenir dans les foyers de terrorisme à l’étranger : la Syrie et l’Irak d’un côté, la Libye et le Sahel de l’autre. C’est évidemment ce changement d’objectif, et non pas une question budgétaire, qui a conduit le président Macron à limoger le chef d’état-major des armées. Il reste à réformer la police.

La France continuera à protéger ses ressortissants musulmans tout en maintenant dans son discours un lien entre l’idéologie politique islamiste et la religion musulmane. Elle pourra de la sorte continuer à surveiller la pratique du culte musulman, l’encadrer, et de facto influer ses fidèles.

La lutte contre le terrorisme, c’est aussi l’asséchement de son financement, que la France poursuit au travers de nombreuses institutions internationales ; étant entendu que, du fait « des crises régionales et des divisions, des divisions en Afrique, et des divisions du monde musulman », certains États participent secrètement à ce financement. Or, premièrement le terrorisme n’étant pas des hommes mais une méthode de combat, et secondement les actions terroristes étant considérablement mieux financées depuis que l’on prétend l’interdire, il est évident que ce dispositif a été mis en place par Washington non pas contre les Frères musulmans, mais contre l’Iran. Bien que cela n’ait apparemment aucun rapport avec le financement du terrorisme, le président Macron aborde alors la question de l’antagonisme saoudo-iranien, pour prendre le parti de l’Arabie saoudite et condamner l’Iran.

Depuis les attaques de Daesh contre « nos intérêts, nos vies, notre peuple », la paix en Irak et en Syrie constitue « une priorité vitale pour la France ». D’où le changement de méthode en cours depuis le mois de mai : certes, Paris « avait [été] mis à l’écart » des négociations d’Astana, mais il fait aujourd’hui « avancer concrètement la situation » en discutant, un à un, avec les participants des réunions Astana. Il les a convaincus d’adopter l’objectif fixé de longue date par le président Obama : l’interdiction des armes chimiques et l’accès humanitaire aux zones de conflits. Enfin, la France a créé un « groupe international de contact » qui se réunira à l’occasion de l’Assemblée générale de l’Onu autour de Jean-Yves Le Drian. Le retour de la Syrie à l’état de Droit « devra s’accompagner de la justice pour les crimes commis, notamment par les dirigeants de ce pays ».

Le président Macron opère ainsi un retour en arrière par rapport à ses déclarations précédentes. il ne s’agit plus comme il l’avait laissé entendre lors d’une interview au JDD, d’accepter la République arabe syrienne et de l’épauler contre Daesh, mais au contraire de poursuivre le double jeu antérieur : utiliser le prétexte humanitaire pour continuer à approvisionner les jihadistes en armes contre Damas. L’annonce du jugement des dirigeants syriens équivaut à celle de la défaite de la République arabe syrienne, puisque jamais, absolument jamais, un État n’a jugé pour crime de guerre des généraux victorieux. Le président Macron ne précise pas quel tribunal devra juger ces dirigeants, mais sa formulation renvoie au plan du directeur des Affaires politiques de l’Onu, Jeffrey Feltman, qui prévoyait dès 2012 (c’est-à-dire avant la guerre généralisée) la « condamnation » de 120 dirigeants syriens ; un plan qui avait été rédigé sous la direction d’un fonctionnaire de Madame Merkel, Volker Perthes [4].

Concernant la Libye et le Sahel, le président Macron a rappelé son initiative de La-Celle-Saint-Cloud, au cours de laquelle il a rapproché le « Premier ministre libyen » Fayez Sarraj et le « chef de l’armée nationale libyenne » Khalifa Haftar ; sommet où il avait assuré les deux hommes du soutien de l’Union européenne à la conditions qu’ils passent par pertes et profits la mystérieuse disparition de 100 milliards de dollars du Trésor national libyen [5].

La première conséquence du renversement de la Jamahiriya arabe libyenne fut la déstabilisation du Mali, pays dont elle subventionnait très largement l’économie [6]. Il s’est alors divisé en deux : d’un côté les sédentaires bantous, de l’autre les nomades touaregs. L’intervention militaire française a prit acte de ces faits et a stoppé leurs conséquences immédiates sur les civils. Le G5-Sahel a été créé par la France pour stopper les conséquences de la guerre contre la Libye et prévenir l’affrontement entre noirs et arabes que seul Mouamar Kadhafi était parvenu à contenir. L’alliance pour le développement du Sahel vise, quant à elle, à remplacer —avec de bien plus faibles moyens— le programme d’aide au développement que la Libye avait développé dans cette région. L’ensemble de ces mesures assurera la stabilité de cette partie de l’Afrique jusqu’à ce que, dans une dizaine d’années, le Pentagone mette en œuvre son plan d’extension du chaos au continent noir [7].

Le président Macron évoque la déclaration commune qu’il vient de faire adopter par des partenaires d’Afrique et d’Europe instituant des bureaux d’immigration européens sur le continent africain. Il s’agit de trier au départ les migrants qui seront acceptés par l’Union et d’en finir avec les parcours de l’exode. « Les routes de la nécessité doivent devenir des chemins de la liberté » ; une formule qui résume la pensée présidentielle : l’Afrique, c’est la nécessité, l’Europe, c’est la liberté.

Pour Emmanuel Macron, « rétablir la sécurité » en Afrique passe par les trois D : « Défense, Développement et Diplomatie », c’est-à-dire la présence de l’armée de projection française, les investissements français et l’administration française ; le programme classique de la colonisation économique.

La défense des biens communs

Loin de négliger l’atout que représentent la francophonie et le tourisme, le président Macron y a consacré de longs développements. À ce sujet, il a impulsé l’idée de profiter du système juridique français pour étendre l’influence du pays. Ce faisant, il reprend à son compte la « doctrine Korbel », selon laquelle la manière dont un traité est rédigé étend l’influence du pays qui en a conçu les concepts ; doctrine appliquée par sa fille, Madeleine Albright, puis par sa fille adoptive, Condoleezza Rice, pour transcrire en droit anglo-saxon les traités internationaux.

Le premier bien commun, c’est la planète.

Ce discours a été prononcé durant la « semaine des ambassadeurs » au cours de laquelle le président est venu expliquer à son personnel que, désormais la fonction première de son administration était la diplomatie économique. Lorsqu’il était ministre des Affaires étrangères, Laurent Fabius avait eu l’idée de mobiliser le réseau diplomatique français pour développer les exportations. Il avait pour cela créé Business France, un établissement public à la tête duquel il avait placé Muriel Pénicaud. Celle-ci utilisa l’argent public qui lui était confié pour lancer la campagne électorale d’Emmanuel Macron à l’étranger, ce qui lui vaut des démêlés actuels avec la Justice. Elle est aujourd’hui ministre du Travail et a rédigé les ordonnances fixant la « protection des travailleurs ». Laurent Fabius quant à lui, est devenu président du Conseil constitutionnel. C’est à ce titre —et en violation du rôle que lui attribue la Constitution— qu’il a rédigé un Pacte pour l’environnement que le président Macron présentera aux Nations Unies.

Le deuxième bien commun, c’est la paix.

À travers « l’Europe de la Défense », le président Macron entend « donner un nouveau souffle » à l’Otan. L’Alliance vise en effet à la promotion de « la paix » comme on le voit en Afghanistan, en Irak, en Libye, en Syrie et en Ukraine.

Le troisième bien commun, ce sont la Justice et les libertés

Le président Macron, qui avait préalablement évoqué les valeurs communes de l’Union européenne que sont « le respect de la personne humaine, la tolérance religieuse et la liberté d’expression », assure désormais que « la place des femmes, les libertés de la presse, le respect des droits civils et politiques » sont des valeurs universelles. Il n’a malheureusement pas précisé la distinction qu’il opère entre celles qui sont européennes et celles qui sont universelles. Bien qu’il se pique de philosophie depuis sa rencontre avec Paul Ricoeur, il semble ne pas avoir réfléchi à la philosophie politique et confond dans son discours le Droit humanitaire avec les Droits de l’homme, et à ce propos leur signification anglo-saxonne (protection de l’individu face aux abus de l’État) et leur signification française (responsabilités des hommes, des citoyens et de la Nation).

Le quatrième bien commun, c’est la culture.

Le président Macron avait déclaré durant sa campagne électorale qu’il n’y a pas de culture française, mais de la culture en France. Identiquement, il ne conçoit pas la culture en général comme un développement de l’esprit, mais comme un ensemble de biens marchands. C’est pourquoi, il poursuivra l’œuvre de son prédécesseur pour la protection des biens culturels, et pas des gens, sur les théâtres de guerre.

Conclusion

Il faudra beaucoup de temps pour tirer toutes leçons de la vision du monde du président Macron.

Le point le plus important reste que, selon lui, le temps de la souveraineté populaire est passé aussi bien pour les Français que pour les Européens en général. L’idéal démocratique peut se poursuivre au niveau local, mais est vide de sens au niveau national.

Secondairement, sa conception du Bien commun (res publica), auquel tous les régimes politiques —qu’ils soient monarchique, impérial ou républicain— furent attachés, semble également d’un autre temps. Dans leur optique, il s’agissait de servir —ou de prétendre servir— un intérêt collectif. Certes, Emmanuel Macron évoque la Justice et les libertés, mais c’est pour immédiatement placer ces nobles idéaux au même niveau que des objets, comme la Terre et les produits culturels marchands, et un déshonneur, la vassalité à l’Otan. Il semble donc que la République aussi soit morte.

À l’issue de cet exposé, l’auditoire a chaleureusement applaudi. Ni la presse nationale, ni les leaders d’opposition n’ont émis d’objection.

Leo Strauss e Thomas P. M. Barnett: Teoria do Caos e Nova Estratégia de Domínio do Mundo pelos EUA – Thierry Meyssan

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O projecto militar dos Estados Unidos pelo mundo Thierry Meyssan Enquanto todos os peritos concordam em considerar que os acontecimentos na Venezuela seguem o mesmo modelo que os da Síria, alguns contestaram o artigo de Thierry Meyssan sublinhando o ponto da sua interpretação de divergências atribuída aos Presidentes Maduro e Assad. O nosso autor responde-lhes. Não se trata aqui de uma querela de especialistas, mas, sim de um debate de fundo sobre a viragem histórica a que assistimos depois do 11-de-Setembro de 2001 e que condiciona a vida particular de todos. REDE VOLTAIRE | DAMASCO (SÍRIA) | 22 DE AGOSTO DE 2017 Este artigo dá sequência a : – “Divergências no seio do campo anti-imperialista”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2017. Na primeira parte deste artigo, eu sublinhava que actualmente o Presidente Bachar al-Assad é a única personalidade que se adaptou à nova «grande estratégia norte-americana»; todas as outras continuam a pensar como se os conflitos em curso prosseguissem os que conhecemos desde o fim da Segunda Guerra mundial. Elas persistem em interpretar os eventos como tentativas dos Estados Unidos se apoderarem dos recursos naturais, por si próprios, organizando para isso derrubes de governos. Como irei desenvolver, penso que elas se enganam e que o seu erro é suscetível de precipitar a humanidade no inferno. O pensamento estratégico dos EU No últimos 70 anos, a obsessão dos estrategas norte-americanos não terá sido a defender o seu povo, mas a de manter a sua superioridade militar sobre o resto do mundo. Durante a década que vai da dissolução da URSS aos atentados do 11 de Setembro de 2001, eles procuraram maneiras de intimidar aqueles que lhes resistiam. Harlan K. Ullman desenvolveu a ideia de aterrorizar as populações assestando-lhes uma formidável pancada na cabeça (Shock and Awe, o choque e o estupor) [1]. Num conceito ideal, foi a utilização da bomba atómica contra os Japoneses, na prática, o bombardeamento de Bagdade por uma chuva de misseis de cruzeiro. Os Straussianos (quer dizer os discípulos do filósofo Leo Strauss) sonhavam realizar e vencer várias guerras ao mesmo tempo (Full-spectrum dominance, a dominação em todos os azimutes). Que foram, pois, as guerras do Afeganistão e do Iraque, conduzidas sob um comando único [2]. O Almirante Arthur K. Cebrowski preconizava a reorganização dos exércitos de maneira a tratar e partilhar uma pletora de dados simultaneamente. Assim, robôs poderiam um dia indicar instantaneamente as melhores tácticas [3]. Como vamos ver, as profundas reformas que ele iniciou não tardaram a produzir frutos venenosos. O pensamento neo-imperialista dos EU Estas ideias e estas fantasias levaram, primeiro, o Presidente Bush e a Marinha (Navy) a organizar o mais vasto sistema internacional de rapto e tortura, que fez 80. 000 vítimas. Depois, o Presidente Obama pôs em acção um sistema de assassínio, principalmente por drones mas também por comandos, que opera em 80 países e dispõe de um orçamento anual de 14 mil milhões(bilhões-br) de dólares [4]. A partir do 11-de-Setembro, o assistente do Almirante Cebrowski, Thomas P. M. Barnett, deu inúmeras conferências no Pentágono e nas academias militares para anunciar qual seria o novo mapa do mundo segundo o Pentágono [5]. Este projecto tornou-se possível graças às reformas estruturais dos exércitos dos EU; reformas das quais resulta esta nova visão do mundo. Isso parecia tão delirante que os observadores estrangeiros consideraram-na, precipitadamente, como mais uma retórica para suscitar o medo dos povos a dominar. Barnett afirmava que para manter a sua hegemonia sobre o mundo, os Estados Unidos deviam «participar no fogo», quer dizer dividi-lo em duas partes. De um lado, Estados “estáveis” (os membros do G8 e seus aliados), do outro o resto do mundo, considerado como um simples reservatório de recursos naturais. Ao contrário dos seus predecessores, ele não considerava mais o acesso a estes recursos como vital para Washington, antes significava que eles só seriam acessíveis aos Estados “estáveis” desde que passando pelos serviços dos Exércitos norte-americanos. Por conseguinte, convinha destruir sistematicamente todas as estruturas de estado nesse reservatório de recursos, de tal modo que alguém jamais se pudesse opor, um dia, à vontade de Washington, nem tratar directamente com Estados “estáveis”. Aquando do seu discurso sobre o estado da União, em Janeiro de 1980, o Presidente Carter enunciou a sua doutrina : Washington considerava o aprovisionamento da sua economia em petróleo do Golfo como uma questão de segurança nacional [6]. No seguimento, o Pentágono dotou-se de um CentCom para controlar esta região. Mas, actualmente, Washington retira menos petróleo do Iraque e da Líbia do que aquele que lá explorava antes destas guerras ; e borrifa-se quanto a isso ! Destruir as estruturas de Estado é atirar para o caos, um conceito copiado de Leo Strauss, mas ao qual Barnett dá um novo sentido. Para o filósofo judeu, o povo judeu não podia continuar a confiar nas democracias após o fracasso da República de Weimar e da Shoá. Para ele, a única maneira de se proteger de um novo nazismo é o de instaurar, ele mesmo, a sua própria ditadura mundial —para o Bem, claro—. Seria, então, preciso destruir certos Estados resistentes, atirá-los para o caos e reconstrui-los segundo novas leis [7]. Era isto o que dizia Condoleezza Rice durante os primeiros dias da guerra de 2006 contra o Líbano, quando Israel parecia ainda vencedor : «Não vejo o interesse da diplomacia se for para regressar ao status quo ante entre Israel e o Líbano. Penso que isso seria um erro. O que vemos aqui, de uma certa maneira, é o início, as contrações da nascença de um novo Médio-Oriente e, seja o que for que façamos, devemos estar certos que empurramos no sentido de um novo Médio-Oriente e que não retornamos ao velho». Pelo contrário, para Barnett, não basta empurrar para o caos apenas os povos resistentes, também todos aqueles que não atingiram um certo nível de vida; e, assim que eles estiverem reduzidos ao caos, será preciso mantê-los nele. A influência dos Straussianos entretanto diminuiu no Pentágono desde a morte de Andrew Marshall, o qual tinha teorizado o «pivô para a Ásia» [8]. Uma das grandes rupturas entre o pensamento de Barnett e o dos seus predecessores, é o de que a guerra não deve ser travada contra Estados em particular por motivos políticos, mas, antes contra regiões do mundo porque não estão integradas no sistema económico global. Claro, iremos começar por tal ou tal país, mas, depois promoveremos o contágio até destruir tudo, como se vê no Médio-Oriente Alargado. Hoje em dia, a guerra continua lá com o emprego de meios blindados tanto na Tunísia, como na Líbia, no Egipto (Sinai), na Palestina, no Líbano (Ain al-Hilweh e Ras Baalbeck), na Síria, no Iraque, na Arábia Saudita (Qatif), no Barein, no Iémene, na Turquia (Diyarbakır) e no Afeganistão. É por isso que a estratégia neo-imperialista de Barnett terá forçosamente de se apoiar em elementos da retórica de Bernard Lewis e de Samuel Huntington, a da «Guerra das Civilizações» [9]. Como é impossível justificar a nossa indiferença face à sorte dos povos do reservatório de recursos naturais, poderemos sempre persuadir-nos que as nossas civilizações são incompatíveis. Segundo este mapa, extraído de um Powerpoint de Thomas P. M. Barnett durante uma conferência no Pentágono em 2003, todos os Estados da zona rosada devem ser destruídos. Este projecto nada tem a ver nem com a luta de classes, no plano nacional, nem com a exploração dos recursos naturais. Depois do Médio-Oriente Alargado, os estrategas dos EU preparam-se para reduzir a ruínas o Noroeste da América Latina. A aplicação do neo-imperialismo dos EU É exactamente esta a política que foi implementada desde o 11-de-Setembro. Nenhuma das guerras que foram lançadas terminou ainda. Desde há 16 anos, as condições de vida dos Afegãos são a cada dia que passa mais terríveis e perigosas. A reconstrução do seu Estado, que se anunciava ser planificado (planejado-br) sobre o modelo do da Alemanha e do Japão após a Segunda Guerra Mundial, não ocorreu. A presença de tropas da OTAN não melhorou a vida dos Afegãos, pelo contrário, ela deteriorou-se. Forçoso é constatar que ela é hoje em dia a causa do problema. Apesar dos discursos cor-de-rosa sobre a ajuda internacional, essas tropas apenas lá estão para aprofundar e manter o caos. Sempre que as tropas da OTAN intervieram, jamais os motivos oficiais para a guerra se revelaram verdadeiros, nem contra o Afeganistão (as responsabilidades dos Talibãs nos ataques do 11-de-Setembro), nem no Iraque (o apoio do Presidente Hussein aos terroristas do 11-de-Setembro e a preparação de armas de destruição maciça para atacar os Estados Unidos), nem na Líbia (o bombardeio pelo exército do seu próprio povo) nem na Síria (a ditadura do Presidente Assad e da seita dos Alauítas). Jamais, também, o derrube de um governo acabou com essas guerras. Todas continuam, sem interrupção, quaisquer que sejam os responsáveis no poder. As «Primaveras Árabes», mesmo quando se inspiram numa ideia do MI6, em linha directa vinda da «revolta árabe de 1916» e das façanhas de Lawrence da Arábia, foram inscritas na mesma estratégia dos EUA. A Tunísia tornou-se ingovernável. O Egipto foi, felizmente, tomado em mãos pelo seu exército e tenta agora respirar à tona da água. A Líbia tornou-se um campo de batalha, não desde a resolução do Conselho de Segurança apelando à protecção da sua população, mas depois do assassinato de Muammar Kaddafi e da vitória da OTAN. A Síria é um caso excepcional, uma vez que o Estado nunca passou para as mãos dos Irmãos Muçulmanos e eles não conseguiram instalar o caos no país. Mas, inúmeros grupos jiadistas, originários da Irmandade, controlaram —e controlam ainda— partes do território onde instauraram o caos. Nem o Califado do Daesh, nem Idlib sob a Alcaida, são Estados onde o Islão se possa mostrar, mas zonas de terror sem escolas ou hospitais. É provável que graças ao seu povo, ao seu exército e aos seus aliados russos, libaneses e iranianos, a Síria consiga escapar a este destino traçado para ela por Washington, mas o Médio-Oriente Alargado continuará a arder até que os seus Povos percebam os planos dos seus inimigos. Vemos já que o mesmo processo de destruição começa no Noroeste da América Latina. Os média (mídia-br) ocidentais referem-se, com desdém, a motins na Venezuela, mas a guerra que começa não se limitará a esse país, ela irá estender-se a toda a região, muito embora as condições económicas e políticas dos Estados que a compõem sejam muito diferentes. Os limites do neo-imperialismo dos EU Os estrategas dos EU gostam de comparar o seu poder ao do Império Romano. Mas este trazia segurança e opulência aos povos que conquistava e integrava. Ele construia monumentos e racionalizava as suas sociedades. Ao contrário, o neo-imperialismo norte-americano não pretende trazer seja o que for nem aos povos dos Estados “estáveis”, nem aos do reservatório de recursos naturais. Ele prevê extorquir os primeiros e planeia destruir os laços sociais que mantêm colados os segundos. Acima de tudo, ele não quer exterminar estes últimos antes precisa que eles sofram, para que o caos em que padeçam impeça os Estados “estáveis” de a eles ir buscar os recursos naturais sem a proteção dos exércitos Norte-americanos. Até aqui, o projecto imperialista considerava que «não se faz omeletes sem quebrar os ovos». Ele admitia cometer massacres “colaterais” para estender o seu domínio. De agora em diante, ele planeia massacres generalizados para impor definitivamente a sua autoridade. O neo-imperialismo norte-americano assume que os outros Estados do G8 e seus aliados aceitam deixar os Exércitos dos E.U «proteger» os seus interesses no estrangeiro. Se isso não coloca nenhum problema com a União Europeia, que está castrada há já muito tempo, isso ainda deverá ser debatido com o Reino Unido e será impossível com a Rússia e a China. Lembrando a sua «relação especial» com Washington, Londres já reclamou vir a ser associada ao projecto dos E.U para governar o mundo. Foi este o significado da viagem de Theresa May aos Estados Unidos em Janeiro de 2017, mas ela não recebeu resposta [10]. É, por outro lado, impensável que os exércitos dos E.U garantam a segurança das «Rotas da Seda», tal como hoje o fazem com os seus homólogos britânicos quanto às rotas marítimas e aéreas. Da mesma forma, é impensável fazer dobrar o joelho da Rússia, quando acaba, também, de ser excluída do G8 por causa de seu envolvimento na Síria e na Crimeia. Thierry Meyssan Tradução Alva <:ver_imprimer:> Facebook Twitter Delicious Seenthis Digg RSS [1] Shock and awe: achieving rapid dominance («Choque e Estupor : atingindo uma rápida supremacia»- ndT), Harlan K. Ullman & al., ACT Center for Advanced Concepts and Technology, 1996. [2] Full Spectrum Dominance. U.S. Power in Iraq and Beyond(«Domínio em todos os Azimutes. Poder dos E.U. no Iraque e Além»- ndT), Rahul Mahajan, Seven Stories Press, 2003. [3] Network Centric Warfare : Developing and Leveraging Information Superiority ,(Rede de Guerra Concêntrica : Desenvolvendo e Alavancando Superioridade na Informação»- ndT), David S. Alberts, John J. Garstka & Frederick P. Stein, CCRP, 1999. [4] Predator empire : drone warfare and full spectrum dominance («Império Predador : guerra de drones e domínio em todos os azimutes»- ndT), , Ian G. R. Shaw, University of Minnesota Press, 2016. [5] The Pentagon’s New Map («O Novo Mapa do Pentágono»- ndT), Thomas P. M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004. [6] “State of the Union Address 1980” («Discurso sobre o estado da União de 1980»- ndT), Jimmy Carter, Voltaire Network, 23 January 1980. [7] Alguns especialistas sobre o pensamento político de Leo Strauss interpretam-no de maneira completamente diferente. Quanto a mim, eu não me interesso sobre o que pensava o filósofo mas, antes, sobr o que defendem aqueles que, bem ou mal, se reclamam do seu pensamento no Pentágono. Political Ideas of Leo Strauss, Shadia B. Drury, Palgrave Macmillan, 1988. Leo Strauss and the Politics of American Empire, Anne Norton, Yale University Press, 2005. Leo Strauss and the conservative movement in America : a critical appraisal, Paul Edward Gottfried, Cambridge University Press, 2011. Straussophobia: Defending Leo Strauss and Straussians Against Shadia Drury and Other Accusers, Peter Minowitz, Lexington Books, 2016. [8] The Last Warrior: Andrew Marshall and the Shaping of Modern American Defense Strategy («O Último Guerreiro : A. Marshall e a Concepção da Moderna Estratégia de Defesa Americana»-ndT), Chapter 9, Andrew F. Krepinevich & Barry D. Watts, Basic Books, 2015. [9] « The Clash of Civilizations ? » & « The West Unique, Not Universal », Foreign Affairs, 1993 & 1996 ; The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order («O Choque de Civilizações e o Renovar da Ordem Mundial»-ndT), Samuel Huntington, Simon & Schuster, 1996. [10] “Theresa May addresses US Republican leaders” («Theresa May discursa para os líderes dos Republicanos dos E.U.A«- ndT), Theresa May, Voltaire Network, 27 January 2017.