Neocolonialismo Agora – Neil Clark

 

 

O império ataca de novo
– Agora com neocolonialismo mais destrutivo e mais desonesto

por Neil Clark [*]

Neste mês há alguns aniversários significativos da luta contra o colonialismo do velho estilo. A questão é que este colonialismo não desapareceu depois de os países em desenvolvimento se terem tornado independentes das grandes potências europeias.

Aquele colonialismo foi substituído por uma nova versão que provou ser mais destrutiva e incomensuravelmente mais desonesta do que a que existia antes. Pelo menos o Império Britânico, que no seu máximo cobria quase um quarto da superfície terrestre do globo, dava-se a conhecer como um Império. Atualmente o mais sombrio Império Global do Capital-Financeiro Monopolista não o faz.

Países inteiros tais como Jugoslávia, Líbia e Iraque são destruídos por não se conformarem com as regras que o império impõe, enquanto os que continuam a desafiar as elites neoconservadoras/neoliberais, como a Venezuela, estão sob permanente assédio.

Adicionando o insulto à injúria esta nova onda de colonização, levada a cabo para beneficiar os mais ricos dos países mais ricos do mundo, é feita em nome da “democracia” e “garantia dos direitos humanos” com o apoio entusiástico de muitos autoproclamados “progressistas”. A hipocrisia do imperialismo atual é realmente de nos deixar sem respiração: critica severamente Maduro como sendo um “ditador”, mas saúda os governantes não eleitos da Arábia Saudita assim como lhes vende mortífero armamento pesado.

Maduro que institui a Assembleia Constituinte em conformidade com a Constituição é um vilão, os sauditas açoitam e prendem ativistas pró-democracia…mas são apenas negócios, como de costume.
John Wight (@JohnWight1) August 3, 2017

Nos anos 40 e 50 do século passado, tudo parecia muito diferente. O colonialismo parecia estar em retirada. Há setenta e cinco anos, em 8 de agosto de 1942, Mahatma Gandhi iniciou o Movimento “Quit India” em Bombaím.

Há setenta anos em 14/15 de agosto de 1947, a Índia e o Paquistão tornaram-se independentes do Reino Unido. Há sessenta anos (31 de agosto de 1957) a Federação Malaia (agora Malásia) tornou-se também independente do Reino Unido.

Estas são datas importantes que certamente precisam ser celebradas, porém, a convicção dos progressistas de que a descolonização representaria uma genuína libertação dos países colonizados provou ser extraordinariamente otimista. A Índia e a Malásia podem ter progredido, mas para outras nações os “Ventos de Mudança” foram apenas ar quente. “Independência” significou somente obter os adornos exteriores da soberania nacional: uma bandeira, ser membro da ONU e uma equipa de futebol. O poder económico continuou residindo noutras partes, nos bancos e salas das administrações nas nações mais ricas.

No seu texto clássico de 1965 , “Neocolonialismo, o último estádio do imperialismo”, o grande Kwame Nkrumah, então Presidente do Gana e firme defensor do Pan-africanismo, explicou como o neocolonialismo tinha substituído o velho estilo colonialista. “No passado, era possível converter um país ao qual um regime neocolonial tinha sido imposto num território colonial – o Egito no século XIX é um exemplo. Este processo já não é atualmente realizável” – escreveu.

Para obter o dinheiro necessário a realizar funções sociais nas metrópoles só podia ser dada uma independência formal às colónias, isto significava que o controlo não fosse também entregue.

Os EUA usaram a sua posição como a nação credora número um depois da 2ª Guerra Mundial para acelerar este processo “formal” de descolonização, mas apenas para que eles se pudessem mover para os países anteriormente dominados pela Grã-Bretanha, França, Holanda. Nkrumah cita o exemplo do Vietname do Sul em que o “velho” poder colonial era a França, mas o poder neocolonial eram os EUA.

De facto, os EUA podem considerar-se os pioneiros do neocolonialismo. Enquanto o “velho estilo” imperial dominava o resto do mundo, os EUA usavam técnicas neocoloniais para assegurarem que os países da América Latina subordinavam as suas economias aos interesses dos grandes negócios dos EUA. A elite financeira e do grande capital dos EUA toma atualmente como alvo o governo de esquerda de Maduro na Venezuela para a “mudança de regime” tal como em 1913 o embaixador no México, Henry Lane Wilson conspirava com o general Huerta contra a orientação esquerda de Madero.

Isto foi um padrão que se repetiu inúmeras vezes nos 100 anos seguintes. As técnicas de Washington aperfeiçoadas na América Latina apoiando golpes de Estado contra governos eleitos democraticamente que queriam ter controlo sobre as suas economias, financiando a oposição a estes governos e eliminando os líderes políticos que lutavam por genuína independência dos seus países. O que vimos evidenciado na Guatemala em 1954, Brasil em 1964, Chile em 1973, foi usado em todo o mundo.

“A promoção da democracia” foi sempre o código para os EUA darem suporte à subversão de governos que não se vergavam o suficiente.
https://t.co/2Dg6lERMYm – Max Blumenthal (@MaxBlumenthal) August 1,2017

A lista de governos derrubados direta ou indiretamente pelos EUA e seus aliados mais chegados, para alcançarem o controlo económico é demasiado longa para incluir num simples texto, mas aqui vão alguns exemplos.

1 – Indonésia 1965/66 

A sangrenta onda de assassínios em massa apoiada pelos EUA e perpetrada pelas forças militares que derrubaram Sukarno, o primeiro Presidente “pós-colonial”, e às suas ideias de independência, sendo substituído pelo ditador pró-ocidental General Suharto .

“A embaixada dos EUA em Jakarta forneceu a Suharto uma “zap-list” com os nomes dos membros dos Partido Comunista da Indonésia e riscou os nomes quando foram mortos ou capturados, escreve John Pilger que analisou o golpe em 2001 no filme “Os novos dominadores do mundo” ( The New Rulers of the World ).

O negócio foi que a Indonésia sob Suharto ofereceria o que Richard Nxon chamou “a maior provisão de recursos naturais, o maior prémio do sudoeste asiático.”

Em novembro de 1967 este maior prémio foi entregue numa memorável conferência de três dias patrocinada pela Time-Life Corporation em Genebra. Chefiada por David Rockefeller, todos os gigantes transnacionais estavam representados: as maiores companhias petrolíferas, General Motors, Imperial Chemical Industries, British American Tobacco, Siemens, US Steel e muitas outras. Na mesa sentavam-se os economistas de Suharto, treinados nos EUA que concordaram com a conquista do seu país, sector a sector, como escreveu Pilger .

O custo em vidas humanas da neocolonial “mudança de regime” foi enorme: entre 500 mil e 3 milhões de pessoas mortas . Em 2016 um painel de juízes internacionais manteve que os EUA (bem como o RU e a Austrália) tinham sido cúmplices do genocídio .

2 – Irão, 1953 

O derrube do nacionalista democraticamente eleito Mohammad Mossadegh e a sua substituição pelo aquiescente Xá foi outra operação conjunta dos EUA/RU. O “crime” de Mossadegh foi querer nacionalizar a indústria petrolífera do seu país e utilizar os rendimentos da mesma para lutar contra a pobreza e as doenças. Portanto os neocolonialistas decidiram que tinha de se ir embora.

Uma campanha de desestabilização – semelhante à que é promovida contra a Venezuela – foi posta em marcha. “Os objetivos da propaganda da CIA e do SIS consistiam em conduzir uma campanha crescentemente intensificada através da imprensa, panfletos e o clero de Teerão, concebida para enfraquecer o governo de Mossadeq de todas as formas possíveis” admitiu Donald N. Wilber, um dos principais elementos do chamado plano TPAJAX.

Em 3013, documentos desclassificados revelaram que: “O golpe militar para derrubar Mossadegh e a seu governo de Frente Nacional foi levado a cabo sob a direção da CIA, como um ato de política externa dos EUA, concebido e aprovado aos mais altos níveis do governo”.

Vale a pena relembrar tudo quando ouvimos políticos dos países neocolonialistas fingirem-se ultrajados com a não provada “interferência Russa” nos seus processos políticos.

Qual é o principal interesse dos EUA na Venezuela? Se a história reservada do Departamento de Estado dos EUA é um guia: petróleo.
https://t.co/xCRNDT1oMFpic.twitter.com/8Z1e0IsKND – WikiLeaks (@wikileaks) August 2, 2017

3. Jugoslavia, 1999/2000 

“Balcanização” é um dos mais importantes instrumentos do neocolonialismo e pode ser encontrado onde quer que este seja praticado”, escreveu Kwame Nkrumah.

O líder socialista da República Federativa da Jugoslávia, Slobodan Milosevic foi demonizado em 1990 pelas elites ocidentais não porque quisesse partir o seu país em pedaços, mas porque queria que se mantivesse unido.

Tendo sobrevivido a 78 dias da campanha da NATO de bombardeamentos “humanitários” contra o seu país, em 1999, Slobo viu a operação de “mudança de regime” para o derrubar intensificar-se. Milhões de dólares choveram ilegalmente no seu país dos EUA para grupos da oposição e ativistas antigovernamentais, tais como a organização Otpor! Milosevic foi destituído por uma “Revolução Bulldozer” em outubro de 2000 e a secretária de Estado Madeline Albright, que quatro anos antes tinha dito que a morte de meio milhão de crianças iraquianas devido às sanções tinha sido um preço que valera a pena pagar, comemorou o feito.

George Kenney, em tempos responsável do Departamento de Estado, revelou a razão pela qual tudo tinha acontecido. “No período pós-Guerra Fria não havia lugar para que um grande país independente focado no socialismo resistisse à globalização” 

Em 2012 o New York Times relatou como importantes membros da Administração dos EUA que tinham participado no desmantelamento da Jugoslávia tinham voltado aos Balcâs como empresários para apresentarem propostas para a privatização de ativos.

Por que é tão difícil para alguns compreenderam em 2017 o que era óbvio em 1982? Solidarity. pic.twitter.com/EuU9aVAnho – Club des Cordeliers (@cordeliers) July 31, 2017

Agora os neocolonialistas neoconservadores agentes das mudanças de regime moveram-se para a República Bolivariana da Venezuela. Como Milosevic e muitos outros antes dele que se puseram no caminho dos “Novos Senhores do Mundo”, o democraticamente eleito Nicolas Maduro é etiquetado como “ditador”.

Tal como no caso de Milosevic, os autoproclamados “progressistas” são a vanguarda da campanha das elites para demonizar a Venezuela e a sua liderança, exigindo que figuras públicas do Ocidente que têm expressado apoio ao Chavismo emitam denúncias.

Todos estes críticos de “esquerda” da Venezuela descartam a interferência dos EUA e descrevem os resultados da guerra económica como “fracasso do governo”. — Crypto Cuttlefish (@cuttlefish_btc) August 5, 2017

Nas violentas críticas ao governo da Venezuela que os media despejam actualmente não há qualquer menção à campanha externa que prossegue sem abrandar com vistas à desestabilização do país e à sabotagem da economia. Nem aos milhões de dólares que os EUA tem despejado nos cofres da oposição e de ativistas antigovernamentais. Imagine-se se o governo Venezuelano estivesse a financiar os que efetuam protestos antigovernamentais nos EUA. Mas quando os neocolonialistas o fazem noutros países, está bem.

Kwame Nkrumah qualificou o neocolonialismo como a pior forma de imperialismo e tinha razão. “Para aqueles que o praticam, significa poder sem responsabilidade e para os que o sofrem significa responsabilidade sem poder.”

E o que aconteceu a Nkrumah? – ouço-vos perguntar. Apenas alguns meses após a publicação deste livro o pai da moderna Gana foi deposto por um golpe de Estado. O “Conselho Nacional de Libertação” que o eliminou rapidamente reestruturou a economia do Gana , sob a supervisão do FMI e do Banco Mundial, em benefício do capital do ocidente.

Durante anos o ocidente negou o envolvimento, mas mais tarde John Stockwell, um agente da CIA na África revelou : “a estação da CIA no Gana desempenhou um papel principal no derrube de Kwame Nkrumah em 1966”.

A Venezuela tem imenso petróleo, um governo socialista e é um forte apoiante da Síria. Nem posso imaginar por que razão os neocons estão tão interessados numa “mudança de regime”… Neil Clark (@NeilClark66) August 4, 2017

Atualmente os neocolonialistas querem que apoiemos a sua cruzada “progressista” por “democracia” e “direitos humanos” na Venezuela tão rica em petróleo. Se Kwame Nkrumah ainda estivesse entre nós, ele estaria a incitar-nos a ver o quadro na sua totalidade.

Ver também:

Srebrenica – the Memoirs of a Portuguese General I

General Carlos Martins Branco is one of the most fascinating (and until quite recently also inaccessible) actors in the Srebrenica controversy. From his Zagreb vantage point as deputy head of the U.N. Protection Force (UNPROFOR) between 1994 and 1996, during the latter phase of the 1990s Yugoslav conflict as it unfolded in Croatia and Bosnian and Herzegovina, this Portuguese officer had privileged access to significant information. Confidential reports about the goings on in the field were crossing his desk. With first-hand information and further enlightened by discrete conversations with colleagues from various intelligence structures, Martins Branco was positioned ideally to learn facts which many officials would have preferred to cover up, and the media frequently ignored.
With a typically Latin emotional flair, refusing to remain silent as the «Srebrenica genocide narrative» was taking shape in the second half of the 1990s, Martins Branco published in 1998 an article provocatively entitled «Was Srebrenica a Hoax? Eyewitness Account of a Former UN Military Observer in Bosnia» In that early plunge into the toxic Srebrenica debate, Martins Branco ventured a number of critical questions concerning the notorious events in July 1995:
«One may agree or disagree with my political analysis, but one really ought to read the account of how Srebrenica fell, who are the victims whose bodies have been found so far, and why the author believes that the Serbs wanted to conquer Srebrenica and make the Bosnian Muslims flee, rather than having any intentions of butchering them. The comparison Srebrenica vs. Krajina, as well as the related media reaction by the ‘free press’ in the West, is also rather instructive».
Shortly after that expression of skepticism about the nature of the disputed events in Srebrenica, Martins Branco practically disappeared from view. Not physically, of course. He spent several years in Florence teaching at the European University Institute and preparing his doctoral dissertation. After that, in 2007 and 2008 he was attached by his government to NATO forces in Afghanistan in the capacity of media spokesperson for the Commander. From 2008 until recently, when he retired, General Martins Branco served as deputy director of the National Defense Institute of the Portuguese armed forces.
This impressive background, to which we may add the duty of head of the Intelligence Affairs Section of EUROFOR for Bosnia, Albania, and Kosovo from 1996 to 1999, bespeaks an elite and highly trained staff officer, with first-class intelligence capabilities and powers of observation.
Intrigued by Martins Branco’s out-of-the-box analysis of Srebrenica events, shortly after the founding of our NGO «Srebrenica Historical Project» we attempted to establish communication with him to see if he would share with us some of his exceptional information and insights. Our efforts were fruitless and correspondence with the general over the years came down mostly to an exchange of non-committal courtesies. Defense teams at the ICTY in the Hague, which endeavored to obtain him as a witness on their clients’ behalf, had no better luck. However, not very long ago General Martins Branco wrote to us seeking answers to some questions concerning Srebrenica. He mentioned that in November 2016 his memoirs were published in Portugal. That volume, which he kindly made available to us, encompassed the period of his service in the Balkans. It was entitled «A Guerra nos Balcãs, jihadismo, geopolítica e desinformação» [War in the Balkans, Jihadism, Geopolitics, and Disinformation], published by Edições Colibri in Lisbon.
As already seen numerous times with high-level officials, in this case as well open expression of intimate views and public disclosure of facts regarded of a delicate nature had to wait for retirement. In General Martins  Branco’s case, the wait was worthwhile. These fascinating recollections from the Balkan war theater consist of the insights of a Portuguese officer attached to UN forces into such episodes as the merciless expulsion, accompanied by mass killing, of the Serbian population of Krajina by Croatian forces. These outrages were orchestrated with the discrete backing of the NATO alliance, for which the author indirectly happened to be working at the time. Events surrounding Srebrenica in July 0f 1995 encompass another portion of his recollections. For the moment, we will focus on the latter and Martins Branco’s perception of the background and impact of the Srebrenica situation.
Already in his introduction to the chapters of his memoirs that deal with Srebrenica, Martins Branco questions the coherence of the prevalent view that it constituted genocide:
«General Ratko Mladic had made it known that he was leaving open a corridor for withdrawal toward Tuzla. With Mladic’s approval, about 6.000 persons took advantage of that opportunity. In a report by the Dutch Foreign Ministry it is noted that, according to UN sources, by August 4 a total of 35.632 displaced persons had made it to Tuzla, of whom between 800 and 1.000 were members of Bosnia and Herzegovina armed forces. Out of that total, 17.500 had been evacuated by bus». (Page 195)
The Portuguese general then continues:
«Srebrenica was portrayed – and continues to be – as a premeditated massacre of innocent Muslim civilians. As a genocide! But was it really so? A more careful and informed assessment of those events leads me to doubt it». (Page 196)
Martins Branco goes on to raise some pointed questions, and he does so purely in the capacity of a professional soldier:
«There are various estimates of the relative strength of forces involved in the Srebrenica battle. On the Serbian side, at most 3.000 fighters could have taken part. The number of armored vehicles is more difficult to determine, as stated at the beginning of this chapter. According to field reports, however, not more than six such vehicles were in motion at any given time. Though we lack reliable information about troop strength on the Muslim side, it is entirely probable that they numbered a minimum of 4.000 armed men, counting together Army of Bosnia and Herzegovina soldiers and members of the paramilitaries. According to some sources, they numbered up to 6.000. But for the purposes of this analysis, we will consider the 4.000 figure as credible». (Page 196)
The general then goes on:
«The topographical features of the terrain around Srebrenica, and Eastern Bosnia as a whole, are extremely rugged and hilly.  Crags, thickly forested areas, and deep ravines impede the movement of military vehicles while facilitating infantry operations. In relation to ground features, which beyond any doubt favor defenders, the numerical relationship of forces on the opposing sides suggests that Bosnian army troops had at their disposal more than sufficient manpower to put up a defense. They, however, failed to do that. Taking into account the numerical ratio of attackers to defenders, as we were taught at the military academy, for the attack to have any chance of success the number of attackers would have to exceed that of the defenders by a factor of at least three. In the case at hand, that ratio was more than advantageous to the defenders (4.000 defenders versus 3.000 attackers). In addition, the defenders had the additional benefit of knowing the landscape». (Page 196)
Martins Branco than asks one of the key Srebrenica questions:
«Given that military advantage favored the defense, why did the Bosnian army fail to put up any resistance to Serbian forces? Why did the command of the 28th Division of the Bosnian army – acting apparently contrary to its interest – fail to establish a defense line, as at other times it knew well how to do, as for instance during the April 1993 crisis? Why did Muslim forces in the enclave fail to act to regain control over their heavy weapons, which had been deposited in a local warehouse under UN’s lock and key? Was it no more than an oversight?» (Page 197)
As a supplement to these well-formulated questions, we may note that already on July 6, as the Serbian attack was commencing, the Dutch battalion command in Srebrenica let it be known to the 28th Division that it was free to retrieve its warehoused heavy armaments, if it so wished. That fact was revealed in the Dutch battalion «Debriefing», which came out in October of 1995. However, Muslim forces in Srebrenica inexplicably ignored this invitation, thus reinforcing the impression that – for political or other reasons – they lacked the purpose of militarily resisting the Serbian attack.
Which leads the author to the following reflections:
«Twenty years later, we still lack satisfactory answers to questions that seem crucial, assuming that we are seeking to find out what exactly happened. The passivity and absence of a military reaction on the part of Muslim forces in the enclave is in stark contrast to their offensive behavior during the preceding two years, which was manifested in the form of systematic slaughter of Serbian civilians in the villages surrounding Srebrenica». (Page 197)
The author then discloses an intriguing detail that was previously unknown even to this reviewer:
«Ramiz Becirevic [in command of the 28th Division in Naser Oric’s absence] initially issued an order for the heavy weapons to be collected. However, he cancelled it shortly thereafter, explaining that he had received a countermanding order. Who was the source of that order, and for what reason was it given? For the record, let it be noted that in the morning of July 6, as the Serbian attack was starting, acting on his own responsibility, the Dutchbat commander informed the leadership of the Bosnian army that the Serbs had ‘trespassed’ the enclave’s boundaries and that the UN would not be object should they come to retrieve their heavy weaponry that had been deposited in a local warehouse». (Page 197)
 Pressing further his point about the enigmatic dissipation within the Srebrenica enclave of the will to resist, Martins Branco points out that Naser Oric, «the charismaticleader who very likely would have acted differently», was withdrawn from the enclave in April of 1995, never to return. He therefore goes on to ask some common sense questions:
«Was [Oric’s] return prevented by the Second Corps of the Bosnian army, of which 28th Division was part? What could have been the reasons for that? We still lack convincing answers to these questions». (Page 198)
«On the other hand», the Portuguese author continues with his detailed analysis of the suspicious train of events, «officials of the local SDA, the Party of Democratic Action that was in charge in Sarajevo, not only refused, citing strange reasons, to assist UN forces in evacuating Srebrenica, which is to say their own population and refugees from the surrounding villages who had taken shelter in the town, but they went even further by preventing them from fleeing in the direction of Potocari. Instead, they submitted to the commander of B Company [of the Dutchbat] a long list of demands, the fullment of which was insisted upon as the condition for their cooperation. The nature of these demands suggested the existence of a carefully elaborated advance plan which, however, did not mesh with the conditions that actually prevailed on the ground at that particular moment. At that point, there were only two issues which were of significance to the municipal president: one, the demand to the Military Observers on July 10 to disseminate to the outside world a report alleging the use of chemical weapons by Serbian forces, although that was not true; secondly, to publicly accuse the international media of spreading misinformation that Muslim forces were offering armed resistance, with an additional demand to the UN to also issue an official denial to that effect. According to him, Bosnian soldiers neither used heavy weapons, nor were they prepared to ever do so. At the same time, he complained about the lack of foodstuffs and the dismal humanitarian situation. The outline of an official narrative was becoming perceptible and it consisted of two messages: the absence of any military resistance and lack of food». (Page 198)
To put it in plain English, this elite NATO officer with excellent powers of observation and acumen for critical analysis «smelled a rat,» and he did so right from the beginning of the game. He does not say it outright in his memoirs, but it is strongly suggested that these doubts about the authenticity of the official Srebrenica narrative were proliferating in his mind in real time, as field reports accumulated on his desk in Zagreb.
Martins Branco then pops the logical question or, rather, he points his finger at one of the key incoherencies of the official account of Srebrenica events:
«A question mark could also be put over the complete absence of a military response of any kind by the Second Corps of the Bosnian army, whose zone of responsibility encompassed northeastern Bosnia, including Tuzla (where its headquarters was located), as well as Doboj, Bijeljina, Srebrenica, Zepa, and Zvornik. Bosnian army intelligence agencies, whose ear was constantly fixed on Serbian signal communications, were perfectly aware of the impending offensive operation. In spite of not at all being in the dark concerning the Serbs’ intention to attack, the Second Corps of the Bosnian army did not make the slightest move to weaken the Serbs’ pressure upon the enclave. It was a known fact that the Drina Corps, the Serbian army unit in whose zone of responsibility Srebrenica was located, was exhausted and that the attack on Srebrenica was made feasible only by scraping together forces withdrawn from other segments of the front, which naturally left in its wake many vulnerable points. Why didn’t the Second Corps undertake an attack along the entire front line with the Drina Corps, not merely in order to relieve the pressure on Srebrenica but also to exploit the Serbian forces’ temporary vulnerabilities in order to seize territory in areas that were left unprotected? Following the passage of twenty years, we still do not have the answer to this more than coherent and reasonable question». (Pages 198-199)
These are just some of the more important reasons leading a professional soldier to be skeptical of the general framework of the accepted Srebrenica narrative. As we will see in the next installment of this review, his more detailed analysis raises even more troubling questions.

Eric Hobsbawm: Ler com Urgência e para quem Não quiser ser Enganado

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Eric Hobsbawm em quatro volumes: A Era das Revoluções (1789- 1848), A Era do Capital (1848-1875), A Era do Império (1875-1914) e A Era dos Extremos (1914-1991).

Por uma abordagem objetiva, aberta e contraditória da Revolução Russa

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Apelo-petição em vésperas do 100º aniversário da Revolução de Outubro

– Nem óculos “Brancos” sobre Outubro de 1917 nem a repetição de “Livros Negros” anticomunistas!

por Annie Lacroix-Riz, Georges Gastaud e Jean Salem

Na abordagem do 100º aniversário do 7 de novembro de 1917, tudo se passa como se se tratasse – sobretudo para certos meios político-mediáticos, caucionados por certos universitários – de apresentar uma versão grosseiramente maniqueísta, tingida de encarniçamento anticomunisto, anti-bolchevique e anti-soviético.
Não apenas Outubro não teria sido senão um “golpe” bolchevique interrompendo um amável curso democrático iniciado pela revolução russa de fevereiro. Não apenas os bolcheviques não teriam tido nenhum papel importante em fevereiro de 1917, não apenas o imenso levantamento proletário e camponês que a preparou, marcou e deu seguimento em 7 de novembro de 1917, não teria tido um caráter autenticamente democrático, popular e socialista, não apenas as suas consequências se teriam revelado unicamente catastróficas para a Rússia e para a humanidade, mas todo este processo se teria desenrolado – bem como a ulterior construção da URSS – num contexto puramente russo e quimicamente puro, praticamente livre de furiosas intervenções imperialistas, da defesa sangrenta e exacerbada dos privilégios pelas classes privilegiadas, do esmagamento brutal da revolução operária na Alemanha, seguido da ascensão do fascismo, nazismo, franquismo e dos militarismos, do Japão imperial à Europa Ocidental (Hungria, Itália, Espanha…)

Os signatários do presente texto ficam horrorizados ao ver profissionais do campo da História misturarem-se no ar viciado deste nosso tempo anticomunista, “pós-moderno” e anti-progressista, abordando, sem excessivos escrúpulos metodológicos, o tema hiperbolicamente qualificado de Outubro russo.

Os mesmos que evocam com comiseração a demasiado “ingénua” historiografia dos tempos recentes e que denunciam os “preconceitos” da conjuntura política que se seguiu a Estalinegrado, o 8 de maio de 1945 e o surgimento de um poderoso partido comunista em França, não se interrogam um segundo sequer sobre a atual configuração política na qual eles desenvolvem a sua reflexão “histórica” qualificada de crítica: ofensiva neoliberal; anexação para a esfera euro-atlântica dos antigos países socialistas; domínio de Berlim sobre a “construção europeia”; subida do Front National e viragem para a direita da sociedade francesa; destruição das conquistas sociais do Conselho Nacional da Resistência ligadas à ação dos ministros comunistas em 1945-47; ressurgimento dos impérios capitalistas disputando a hegemonia mundial, arremetida europeia, leia-se global, de diversas variedades de extremismo de direita e fundamentalismo religioso; degradação da relação de forças entre Trabalho e Capital e a nível mundial; diabolização da Federação Russa, que a NATO pressiona nas suas fronteiras de Vilnius a Kiev; multiplicação de guerras neocoloniais travestidas de “direito de ingerência humanitária” (África, Médio Oriente); criminalização das atividades comunistas em antigos países socialistas (Polônia, República Checa, Bulgária,…); negacionismo histórico caracterizado pelas autoridades japonesas sobre os genocídios cometidos na Coreia e na China; investida de grupos neonazis que proliferam na esteira dos poderes fascizantes, apoiados pela UE e a NATO (Ucrânia Hungria, as antigas repúblicas soviéticas do Báltico)…

Esta tentativa pseudo-histórica de “varrer” Outubro de 1917 da memória coletiva tem objetivamente lugar numa paisagem historiográfica dominada pela reação:

Acrescida complacência com a colonização francesa (por ex. os “aspectos positivos da colonização” (sic) que círculos sarkosistas pretendem inscrever nos programas escolares),
Difamação da Revolução francesa, nomeadamente a sua fase jacobina e de Robespierre,
Tendência para reabilitar Vichy e depreciar a resistência patriótica (particularmente negando o papel proeminente que desempenharam os comunistas),
Relatos desonestos da História nacional que tanto desvalorizam séculos de construção do estado-nação em benefício da historiografia euro-politicamente correta, como pretendem ressuscitar um “romance nacional” expurgado dos confrontos de classes e da contribuição dos comunistas para a Frente Popular, a Resistência, as reformas progressistas da Libertação, a recusa das guerras coloniais, a defesa da liberdade, da paz, da soberania nacional, da igualdade entre homens e mulheres e do progresso social,
Odiosa amálgama entre o Terceiro Reich e a pátria de Estalinegrado, perpetrada nos programas e manuais escolares, sob o nome de “ascensão do totalitarismo”,
Em suma, tudo se passa como se determinados círculos que monopolizam a edição, os media e boa parte da Universidade, estivessem menos preocupados em esclarecer sob um ângulo dialético, dinâmico, e eventualmente contraditório, os Dez Dias que abalaram o mundo do que retrospectivamente dar uma lição aos povos, especialmente à juventude, para os afastar para sempre das lutas da classe operária e revolucionárias…

Como se fosse possível um simples “putsch” bolchevique ter podido mobilizar milhões de proletários e camponeses, varrer os exércitos brancos apoiados por dezoito corpos expedicionários estrangeiros, suscitar um extraordinário florescimento cultural, levantar o entusiasmo do movimento operário e dos povos dominados, derrotar a “invencível” Wehrmacht e, durante mais de sete décadas, pôr no cerne do problema geopolítico global a contradição socialismo/capitalismo, a descolonização e a igualdade entre homens e mulheres.

Difamando a seu bel prazer Outubro de 1917, suas causas, seu progresso e suas sequelas, procura-se também dar tons cor de rosa ou branquear ao máximo o terrível resultado da restauração global do capitalismo que sob o nome de “globalização liberal” resultou na liquidação da experiência multifacetada da Revolução bolchevique.

No entanto, os inquéritos de opinião atestam que feita sucessivamente a experiência de dois de sistemas sociais antagónicos, os povos do antigo campo socialista e mais fortemente ainda os da ex-URSS, continuam a honrar Lenine e todos os que permitiram a construção de uma sociedade alternativa em termos de ganhos sociais, paz civil, direito ao trabalho, acesso a cuidados de saúde e educação, respeito pelas minorias, desenvolvimento das culturas nacionais e das línguas, desenvolvimento científico, etc.

Não deverão os verdadeiros democratas escutar a palavra dos povos ao invés de esmagá-los sob o termo pejorativo de “Ostalgia”? Será assim tão constrangedor que povos que sucessivamente testaram os dois sistemas sociais, e que não esqueceram por essa razão os bloqueios do “socialismo real” nos anos 70/80, afirmem apesar disso, depois de ter experimentado a restauração capitalista, a “Integração europeia” supranacional e neoliberal, a desestabilização sangrenta de países inteiros (Jugoslávia, Ucrânia…), a ascensão de extremistas de direita, a pressão militar exercida pela NATO nas fronteiras da Rússia, que o socialismo era sem dúvida melhor, incluindo os seus defeitos, que a explosão de máfias e das desigualdade que lhe sucederam sob a altamente discutível designação de “democracia liberal”?

É por isto que os signatários deste texto, ainda que não tenham necessariamente todos os mesmos pontos de vista sobre a história russo-soviética, fazem ponto de honra em dizer com força que a Revolução de Outubro de 1917 deve deixar de ser lida apenas com o óculos “brancos”, “termidorianos”, contrarrevolucionários, ou mesmo claramente fascizantes daquelas e daqueles que em lugar de estudarem o movimento comunista, as lutas das classes dominadas e as revoluções populares – incluindo frequentemente a Revolução francesa e a Comuna de Paris – as combatem sem sequer ter a honestidade intelectual de evidenciar a sua orientação partidária.

Não se trata para nós de exigir uma hagiografia da Revolução russa, mas de permitir às gerações jovens abordar o estudo do passado dialeticamente, avaliar a sua complexidade a partir das dinâmicas das classes e das relações de forças internacionais da época, tendo em conta todos os seus aspectos; e acima de tudo, realizar este estudo sem palas anticomunistas nos olhos, sem preconceitos antissoviéticos e, finalmente, sem posições políticas contrarrevolucionárias.

Contra aqueles que tentam já apropriar-se da próxima comemoração de Outubro de 1917 na base de evidentes preconceitos antibolcheviques, reabramos o debate contraditório, voltemos aos factos e proceda-se à sua recontextualização. Numa palavra, evite-se fazer do 100º aniversário de Outubro uma forma de vingança póstuma para os “Brancos” e todos aqueles que, na nossa época, sonham com um mundo definitivamente adquirido para o capitalismo, a integração euro-atlântica, a regressão social, as guerras imperialistas e a fascisação política.
Primeiros signatários:
Marie-Claude Berge , professeur d’histoire; Gwenaël Bidault , syndicaliste CGT (Sécurité sociale, 22) ; Jean-Pierre Bilski , professeur d’histoire (34) ; Pierre Boismenu , psychanalyste et philosophe : Danièle Bleitrach , sociologue (13) ; Christiane Combe , professeur de SVT retraité (19) ; Jean-Pierre Combe , ingénieur polytechnicien (19) ; René Coucke , psychanalyste (59) ; Jean-François Dejours , professeur de philosophie, syndicaliste (59) ; Jean-Marc del Percio , docteur en sciences politiques, ancien chargé d’enseignement à l’IEP de Lyon ; Aurélien Djament , mathématicien au CNRS, syndicaliste (44) ; Bruno Drweski , maître de Conférences HDR, Membre de l’ARAC ; Henriette Dubois , « Nelly » dans la Résistance, ancien agent de liaison des FTP de la zone Sud, chevalier de la Légion d’honneur ; Marianne Dunlop , professeur agrégé de russe ; Jean-Michel Faure , professeur émérite de sociologie, titulaire d’un doctorat 3ème cycle à l’EHSS sur l’Agriculture Russe ; Vincent Flament , militant de la solidarité internationale, 59 ; Joëlle Fontaine , professeur d’histoire retraitée ; Benoît Foucambert , professeur d’histoire, syndicaliste (81) ; Marc-Olivier Gavois , professeur d’histoire ; Jean-Christophe Grellety , professeur de philosophie (33) ; Jean-Pierre Guelfucci , militant syndical, fils de Résistant ; Gilda Guibert , professeur agrégé d’histoire (78) ; Jean-Pierre Hemmen , directeur de la revue théorique Etincelles, fils de Jean Hemmen, Fusillé de la Résistance, ancien militant de l’Internationale communiste et des Brigades internationales d’Espagne (80) ; Gisèle Jamet , professeur d’histoire ; Edmond Janssen , éditeur (75) ; Jean-Pierre Kahane , mathématicien ; François Kaldor , avocat honoraire ; Fadi Kassem , diplômé de Sciences po. Paris, professeur agrégé d’histoire (78) ; Jacques Kmieciak , journaliste (62) ; Léon Landini, ancien officier FTP-MOI, grand Mutilé de Guerre, Officier de la Légion d’honneur, Médaille de la Résistance, décoré par l’Union soviétique (92) ; Guy Laval , psychiatre (75) ; Ivan Lavallée , universitaire et chercheur en informatique ; Yves Letourneur , poète, philosophe ; Thérèse Lévené , enseignante-chercheure en sciences de l’éducation, université de Lille 1, vice-présidente du CNU 70, syndiquée au Snesup ; Olivier Long , universitaire et peintre ; Antoine Manessis , fils de Résistants, historien ; Annette Mateu-Casado , anc. documentaliste, fille de combattants antifascistes espagnols ; Aymeric Monville , éditeur de livres de philosophie et d’histoire (92) ; Dominique Mutel , agrégé d’anglais (62) ; Jean-Michel Pascal , ingénieur d’études (75) ; Anna Persichini, syndicaliste CGT (Métallurgie – 06) ; Guy Poussy , conseiller honoraire du Val-de-Marne ; Pierre Pranchère , ancien maquisard FTPF de Corrèze (dite la « Petite Russie »), ancien député ; Christophe Pouzat , neurobiologiste (94), Benoît Quennedey , historien (75) ; Marie-Noël Rio, écrivain (Allemagne) ; Hervé Sczepaniak , professeur de lettres ; Jean-Pierre Sienkiewicz, agrégé de physique, syndicaliste (24) ; Stéphane Sirot , historien du syndicalisme (59) ; Romain Telliez , historien. Université de Paris-Sorbonne ; André Tosel , professeur émérite de philosophie à l’Université de Nice ; Yves Vargas , philosophe, fils de Résistant ; Maxime Vivas , écrivain et journaliste.

Associam-se a este apelo-petição internacional:
Barbara Flamand , écrivain, Bruxelles; Domenico Losurdo , philosophe et historien, professeur émérite à l’Université d’Urbino (Italie) ; Anita Prestes , professeur à l’Université Fédérale de Rio de Janeiro; Miguel Urbano Rodrigues , anc. député portugais au Conseil de l’Europe, anc. militant antifasciste et anticolonialiste, historien du mouvement communiste.

Para assinar clique aqui .

O original encontra-se em http://www.initiative-communiste.fr/…

Este documento encontra-se em http://resistir.info/ .

Famine and Socialism — STALIN’S MOUSTACHE

One of the great myths concerning socialist collectivisation of agriculture is that it produced ‘man-made’ famines, since it is supposedly less ‘efficient’. This story is perpetrated by friend and foe alike. Example 1: The famine of 1932-33 in the Soviet Union, which is supposed to have been ‘man-made’. Let me set the context. During the […]

via Famine and Socialism — STALIN’S MOUSTACHE

The “Holodomor” and the Film “Bitter Harvest” are Fascist Lies

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http://www.counterpunch.orghttp://www.counterpunch.org

Posted By Grover Furr On March 3, 2017 @ 12:18 am In articles 2015 | Comments Disabled
(Author’s note: In this article I rely heavily on the evidence cited in the research of Mark Tauger of West Virginia University. Tauger has spent his professional life studying Russian and Soviet famines and agriculture. He is a world authority on these subjects, and is cordially disliked by Ukrainian nationalists and anticommunists generally because his research explodes their falsehoods. )

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Judeus: os bodes expiatórios

 

The Ukrainian nationalist film “Bitter Harvest” propagates lies invented by Ukrainian nationalists. In his review Louis Proyect propagates these lies.

Proyect cites Jeff Coplon’s 1988 Village Voice article “In Search of a Soviet Holocaust: A 55-Year-Old Famine Feeds the Right.” In it Coplon shows that the leading “mainstream” anticommunist Western experts on Soviet history rejected any notion of a deliberate famine aimed at Ukrainians. They still reject it. Proyect fails to mention this fact.

There was a very serious famine in the USSR, including (but not limited to) the Ukrainian SSR, in 1932-33. But there has never been any evidence of a “Holodomor” or “deliberate famine,” and there is none today.

The “Holodomor” fiction was invented in by Ukrainian Nazi collaborators who found havens in Western Europe, Canada, and the USA after the war. An early account is Yurij Chumatskij, Why Is One Holocaust Worth More Than Others? published in Australia in 1986 by “Veterans of the Ukrainian Insurgent Army” this work is an extended attack on “Jews” for being too pro-communist.

Proyect’s review perpetuates the following falsehoods about the Soviet collectivization of agriculture and the famine of 1932-33:

* That in the main the peasants resisted collectivization because it was a “second serfdom.”

* That the famine was caused by forced collectivization. In reality the famine had environmental causes.

* That “Stalin” – the Soviet leadership – deliberately created the famine.

* That it was aimed at destroying Ukrainian nationalism.

* That “Stalin” (the Soviet government) “stopped the policy of “Ukrainization,” the promotion of a policy to encourage Ukrainian language and culture.

None of these claims are true. None are supported by evidence. They are simply asserted by Ukrainian nationalist sources for the purpose of ideological justification of their alliance with the Nazis and participation in the Jewish Holocaust, the genocide of Ukrainian Poles (the Volhynian massacres of 1943-44) and the murder of Jews, communists, and many Ukrainian peasants after the war.

Their ultimate purpose is to equate communism with Nazism (communism is outlawed in today’s “democratic Ukraine”); the USSR with Nazi Germany; and Stalin with Hitler.

Collectivization of Agriculture – The Reality

Russia and Ukraine had suffered serious famines every few years for more than a millennium. A famine accompanied the 1917 revolution, growing more serious in 1918-1920. Another serious famine, misnamed the “Volga famine,” struck from 1920-21. There were famines in 1924 and again in 1928-29, this last especially severe in the Ukrainian SSR. All these famines had environmental causes. The medieval strip-farming method of peasant agriculture made efficient agriculture impossible and famines inevitable.

Soviet leaders, Stalin among them, decided that the only solution was to reorganize agriculture on the basis of large factory-type farms like some in the American Midwest, which were deliberately adopted as models. When sovkhozy or “Soviet farms” appeared to work well the Soviet leadership made the decision to collectivize agriculture.

Contrary to anticommunist propaganda, most peasants accepted collectivization. Resistance was modest; acts of outright rebellion rare. By 1932 Soviet agriculture, including in the Ukrainian SSR, was largely collectivized.

In 1932 Soviet agriculture was hit with a combination of environmental catastrophes: drought in some areas; too much rain in others; attacks of rust and smut (fungal diseases); and infestations of insects and mice. Weeding was neglected as peasants grew weaker, further reducing production.

The reaction of the Soviet government changed as the scope of the crop failure became clearer during the Fall and Winter of 1932. Believing at first that mismanagement and sabotage were leading causes of a poor harvest, the government removed many Party and collective farm leaders (there is no evidence that any were “executed” like Mykola in the film.) In early February 1933 the Soviet government began to provide massive grain aid to famine areas.

The Soviet government also organized raids on peasant farms to confiscate excess grain in order to feed the cities, which did not produce their own food. Also, to curb profiteering; in a famine grain could be resold for inflated prices. Under famine conditions a free market in grain could not be permitted unless the poor were to be left to starve, as had been the practice under the Tsars.

The Soviet government organized political departments (politotdely) to help peasants in agricultural work. Tauger concludes: “The fact that the 1933 harvest was so much larger than those of 1931-1932 means that the politotdely around the country similarly helped farms work better.” (Modernization, 100)

The good harvest of 1933 was brought in by a considerably smaller population, since many had died during the famine, others were sick or weakened, and still others had fled to other regions or to the cities. This reflects the fact that the famine was caused not by collectivization, government interference, or peasant resistance but by environmental causes no longer present in 1933.

Collectivization of agriculture was a true reform, a breakthrough in revolutionizing Soviet agriculture. There were still years of poor harvests — the climate of the USSR did not change. But, thanks to collectivization, there was only one more devastating famine in the USSR, that of 1946-1947. The most recent student of this famine, Stephen Wheatcroft, concludes that this famine was caused by environmental conditions and by the disruptions of the war.

Proyect’s False Claims

Proyect uncritically repeats the self-serving Ukrainian fascist version of history without qualification.

* There was no “Stalinist killing machine.”

* Committed Party officials were not “purged and executed.”

* “Millions of Ukrainians” were not “forced into state farms and collectives.” Tauger concludes that most peasants accepted the collective farms and worked well in them.

* Proyect accepts the Ukrainian nationalist claim of “3-5 million premature deaths.” This is false.

Some Ukrainian nationalists cite figures of 7-10 million, in order to equal or surpass the six million of the Jewish Holocaust (cf. Chumatskij’s title “Why Is One Holocaust Worth More Than Others?”). The term “Holodomor” itself (“holod” = “hunger”, “mor” from Polish “mord” = “murder,” Ukrainian “morduvati” = “to murder) was deliberately coined to sound similar to “Holocaust.”

The latest scholarly study of famine deaths is 2.6 million (Jacques Vallin, France Meslé, Serguei Adamets, and Serhii Pirozhkov, “A New Estimate of Ukrainian Population Losses during the Crises of the 1930s and 1940s,” Population Studies 56, 3 (2002): 249–64).

* Jeff Coplon is not a “Canadian trade unionist” but a New-York based journalist and writer, The late Douglas Tottle’s book Fraud, Famine and Fascism, a reasonable response to Robert Conquest’s fraudulent Harvest of Sorrow, was written (as was Conquest’s book) before the flood of primary sources from former Soviet archives released since the end of the USSR in 1991 and so is seriously out of date.

* Walter Duranty’s statement about “omelets” and “eggs” was not said “in defense of Stalin” as Proyect claims but in criticism of Soviet government policy:

But — to put it brutally — you can’t make an omelette without breaking eggs, and the Bolshevist leaders are just as indifferent to the casualties that may be involved in their drive toward socialization as any General during the World War who ordered a costly attack in order to show his superiors that he and his division possessed the proper soldierly spirit. In fact, the Bolsheviki are more indifferent because they are animated by fanatical conviction. (The New York Times March 31, 1933)

Evidently Proyect simply copied this canard from some Ukrainian nationalist source. Garbage In, Garbage Out.

* Andrea Graziosi, whom Proyect quotes, is not a scholar of Soviet agriculture or the 1932-33 famine but an ideological anticommunist who assents to any and all anti-Soviet falsehoods. The article Proyect quotes is from Harvard Ukrainian Studies, a journal devoid of objective research, financed and edited by Ukrainian nationalists.

* Proyect refers to “two secret decrees” of December 1932 by the Soviet Politburo that he has clearly not read. These stopped “Ukrainization” outside the Ukrainian SSR. Within the Ukrainian SSR “Ukrainization” continued unabated. It did not “come to an end” as Proyect claims.

* Proyect cites no evidence of a Soviet “policy of physically destroying the Ukrainian nation, especially its intelligentsia” because there was no such policy.

A Triumph of Socialism

The Soviet collectivization of agriculture is one of the greatest feats of social reform of the 20th century, if not the greatest of all, ranking with the “Green Revolution,” “miracle rice,” and the water-control undertakings in China and the USA. If Nobel Prizes were awarded for communist achievements, Soviet collectivization would be a top contender.

The historical truth about the Soviet Union is unpalatable not only to Nazi collaborators but to anticommunists of all stripes. Many who consider themselves to be on the Left, such as Social-Democrats and Trotskyists, repeat the lies of the overt fascists and the openly pro-capitalist writers. Objective scholars of Soviet history like Tauger, determined to tell the truth even when that truth is unpopular, are far too rare and often drowned out by the chorus of anticommunist falsifiers.

Sources: Mark Tauger’s research, especially “Modernization in Soviet Agriculture” (2006); “Stalin, Soviet Agriculture, and Collectivization” (2006); and “Soviet Peasants and Collectivization, 1930-39: Resistance and Adaptation.” (2005), all available on the Internet. More of Tauger’s articles are available at this page: https://www.newcoldwar.org/archive-of-writings-of-professor-mark-tauger-on-the-famine-scourges-of-the-early-years-of-the-soviet-union/

See also Chapter I of my book Blood Lies; The Evidence that Every Accusation against Joseph Stalin and the Soviet Union in Timothy Snyder’s Bloodlands Is False (New York: Red Star Press, 2013), at http://msuweb.montclair.edu/~furrg/research/furr_bloodliesch1.pdf

On the 1946-47 famine see Stephen G. Wheatcroft, “The Soviet Famine of 1946–1947, the Weather and Human Agency in Historical Perspective.” Europe-Asia Studies, 64:6, 987-1005.

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Distorção de História

Article printed from http://www.counterpunch.org: http://www.counterpunch.org

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