Jesus Tem Dois Pais

 
Tenho saudades de quando havia os Parodiantes de Lisboa, embora prefira o Jarry e outros surrealistas. Agora ou o humor é javardo, à maneira dos herdeiros do Hermann José, ou censurado socialmente. Não é que o humor do cartaz seja inteligente: é até um pouco infantil. É como quem diz: Jesus é um dos elementos da Santíssima Trindade e os outros dois são os seus pais, e masculinos! Mas só a regressão cultural e civilizacional da elite “intelectual” do Ocidente (cuja hipocrisia levou às manifestações pseudo anti-censura a propósito do pasquim fuleiro Charlie) é que permite esta reacção assanhada contra a última graçola do partido infanto-juvenil português (BE).

Marisa Matias Mentiu – As Tentações Belicosas do Bloco de Esquerda ou Os Direitos à Liberdade de Expressão e Manifestação Valem o Sacrifício de Milhões de Seres Humanos

 

MARISA MATIAS MENTIU 
Sempre pela chamada Primavera Árabe: antes a Líbia, agora a defesa dos terroristas na Síria. Típico da extrema-esquerda, sempre com desprezo pelas nacionalidades e pela independência dos povos, historicamente aliados do capitalismo e sobretudo dos EUA.

 

 

 

Marisa Matias, candidata às eleições presidenciais, mentiu no debate televisivo do dia 6 com Edgar Silva. Afirmou ela, reiteradamente, que votara contra a resolução do Parlamento Europeu que abriu caminho à intervenção militar contra a Líbia. Isto é factualmente uma inverdade. A candidata do Bloco de Esquerda nem sequer se absteve, ela votou nominalmente a favor da agressão militar que martirizou a Líbia.

 

Para verificar basta consultar Resolução RC-B7-0169/2011, de 10/03/2011, § 10 em www.europarl.europa.eu/… . O resultado da votação está na página 6, aqui: www.europarl.europa.eu/… .

 

 

 

Bloco de Esquerda e Extrema Esquerda

Lili trotskista

(Não entender este artigo como uma vingança retardada sobre a política ambígua, embora muito bem mascarada, dos dirigentes do BE e do seu passado anti-comunista. Nem me passa pela cabeça invectivar o seu apoio à constituição de um governo do PS, legitimado pela maioria parlamentar, da qual faz parte o PCP. O papel do BE teve também aspectos positivos, em especial na mudança de costumes e valores discriminatórios. É de lembrar todavia que o papel do PCP nesse processo não foi menor, ainda que por vezes mais discreto e cauteloso, para não melindrar os preconceitos de parte da sua base de apoio, pois a luta de classes, onde o BE se mete mal, é a essência do PCP. Republico-o apenas para relembrar a natureza desse grupo político que é o BE e que, para quem esteve desatento no passado, tem dado sinais, nestes últimos dias, de não ser tão diferente de partidos tão tonitruantes (cão que ladra não morde) quanto o Podemos em Espanha e o Syriza na Grécia, que apenas querem um capitalismo de «rosto humano» e que, por isso, ficaram rapidamente rendidos à pressão do capital e dos seus representantes institucionais na UE e no FMI.)

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O Bloco de Esquerda é constituído maioritariamente por jovens técnicos que trabalham por conta própria, jovens assalariados contratados a prazo, sem valores de classe por serem filhos da ambígua pequena-burguesia e por terem de lutar isoladamente pelo seu emprego em regime de instabilidade, de competição permanente e sem existência e sentido de pertença ou de dependência recíproca e projecto comum, professores preconceituosos e pseudo-intelectuais zangados com ministras e estudantes sem vivência real das contradições fundamentais.
Na verdade, são estas condições objectivas que determinam, em grande parte, que a maioria dos jovens e dos menos jovens votem à direita ou em partidos de direita com desfalecidas tonalidades de esquerda, embora todos esses partidos possuam um projecto de classe mais ou menos definido em prol do capital, tendo todavia que lhe juntar um certo grau de mobilidade social, a possibilidade de entrada a novos agentes da iniciativa privada e de funções sociais para que a sociedade capitalista se renove com uma camada jovem de empresários, para que não caia no caos e, sobretudo, na revolução.
No Bloco de Esquerda militam pessoas com boas intenções. Contudo, têm mais de revolta pessoal do que sólida consciência social, não têm experiência de lutas colectivas nos locais de trabalho, nos sindicatos, na organização política coordenada e na rua em defesa dos interesses, não deles, mas dos assalariados em geral e, em particular, dos operários. A situação objectiva destes é a única que pode ser de oposição consistente ao capital. Só com eles se pode combater pela supressão final da propriedade privada dos meios de produção. Mas os dos Bloco de Esquerda são incapazes, por todas as razões invocadas, de se empenhar numa luta a médio e a longo prazo dentro de uma organização política anticapitalista na qual possam apresentar as suas ideias mas a cujo colectivo devem submetê-las.
São impacientes e individualistas, põem sempre o eu acima do nós, a vontade individual acima da vontade colectiva. Qualquer discordância em objectivos de curto prazo é motivo para debandada ou para a fragmentação.
É um partido de revoltados e não de classe. É um partido de pessoas que, à menor oportunidade de se juntarem à burguesia pelo enriquecimento através da exploração de assalariados, passam politicamente para o lado do capital. Na verdade, a sua formação e a sua situação social produzem essa expectativa e essa possibilidade.

f8961-trotskismo e Quanto aos seus dirigentes e intelectuais, ou suposto serem-no, o seu processo de vida burguês aliado ao seu carácter independente de pendor individualista e à sua inegável inteligência forma neles um conhecimento crítico próximo de ideias marxistas, mescladas ecleticamente com psicanálise, estruturalismo, humanismo e pós-estruturalismo pelo qual querem ser admirados e reconhecidos. Mas esse conhecimento é mais crítico do que revolucionário e a sua inclinação contestatária nunca vai ao ponto de quererem honestamente mudar radicalmente o mundo. A sua crítica é autodestrutiva, vai até à conclusão de que qualquer mudança revolucionária leva a resultados bem piores do que aqueles aos quais o sistema capitalista nos trouxe até agora. O trotskismo – corrente da extrema-esquerda modelar neste atitude – apresenta-se a si mesmo, e à sociedade, em especial aos jovens rebeldes, como a contra-prova e o contra-argumento do comunismo: é um belo ideal mas, vejam só, conduziu apenas a desastres; o que devemos fazer é apenas aperfeiçoar esta realidade capitalista em que vivemos, empenhando-nos em causas sectoriais e não sistémicas.
É por isso que a referência de um partido político marxista terá que ser sempre a classe operária. É ela que determina a forma geral e estratégica da luta política comunista e não os interesses particulares deste ou daquele grupo social, a ter em conta subordinadamente, mesmo que aliado da classe operária. Uma sociedade sem uma classe operária forte e objectivamente oposta à burguesia, na medida em que é um referencial para as reivindicações laborais e para um projecto político socialista nunca poderá sustentar um movimento comunista capaz de criar um sistema socialista sólido e com futuro. O produzir em conjunto os meios de vida e o não possuir propriedade privada pela qual os proprietários produzem e reproduzem a sua existência seu ser é uma antecipação básica da forma de existência comunista. Pela sua oposição aos interesses objectivos da burguesia, só eles podem materializar, concretizar a força de transformação radical do estado de coisas. Só eles se opõem económica e socialmente à burguesia proprietária, objectivamente interessada na manutenção do seu mundo, com uma ou outra reforma necessária para o conservar, e subjectivamente condicionada pelos valores do individualismo e da competição. Caso contrário, sem essa classe operária, esse partido deixa de ser marxista e social-democratiza-se. Ou então, como sucede com o Bloco de Esquerda, torna-se num instrumento de formação de quadros políticos em vias de ingressarem em partidos sociais-democratas ou de andarem por aí, cada vez mais sectários, a adejar a sua vaidade intelectual, o seu individualismo burguês, ou, ainda, a servirem como válvula de escape do mal-estar que assola de vez em quando parte da juventude inquieta e impaciente pelo bocado do seu bolo.

É evidente que, sendo a ideologia dominante a ideologia da classe dominante, propagandeada pelos meios de comunicação e pelas escolas e universidades, disseminada pelas próprias condições burguesas de vida, uma vez também que muitos dos trabalhadores assalariados, entre os quais operários, são proprietários, ainda que, não possam subsistir dos seus bens, dado que não chegam nem são feitos para isso, pois consistem na maioria em meros bens de uso, visto igualmente que os salários de muitos bastam não só para o consumo básico mas lhes sobram para o lazer e aquisição de utensílios de divertimento, cuja tecnologia, ajudada pela publicidade, deslumbra – muitos dos próprios explorados pelo capitalismo se sentem bem com ele, não arriscam a sua existência pessoal e familiar e ficam, de ciclo em ciclo político, de promessas em promessas, de crise em crise económica, na expectativa de ascender socialmente. Mas não há nada a fazer para um comunista senão manter as suas convicções e lutar pelos interesses objectivos comuns, universais, de classe operária em particular e dos trabalhadores assalariados em geral, fazendo reflectir tais interesses objectivos na sua consciência e nos valores do grupo.

Quanto àqueles que dizem que a classe operária está a desaparecer, responde-se o seguinte. É verdade que a maioria das pessoas não são operárias, nem nunca aconteceu que o fossem. Mas é verdade também que estão na base da produção de riqueza, do fundamento da vida social e humana. É verdade também que houve deslocalização, mas a transformação revolucionária é mundial e não apenas nacional. E é verdade que, além da classe operária, dos trabalhadores fabris, da indústria de transformação e de produção em geral, há uma grande quantidade de trabalhadores de serviços, nas instituições, educação, investigação, engenharia, nas artes, saúde, na distribuição e no comércio. Junto com os trabalhadores por conta própria, que vivem dos seus expedientes criativos, constituem a esmagadora maioria dos cidadãos no activo. Todos estão em oposição objectiva aos mecanismos e interesses do capital, à apropriação privada e não social da mais-valia realizada por eles, ainda que a sua consciência os possas colocar politicamente do lado dos beneficiários do sistema, na medida em que recebem destes a parte que lhes cabe na redistribuição do capital, em espacial na forma do salário ou do pagamento em troca de encomendas.

A complexidade desta dialéctica económico-social é tanta que não é expectável um revolução a médio prazo. Mas não é motivo para desistir da meta, por mais longínqua que se perspective. Pois é a meta que define as linha gerais do caminho.

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Quando, há uns meses, alguns economistas do PC e de outras áreas políticas pediram um debate sobre o Euro, Louçã veio para a comunicação social clamar contra a hipótese de saída do Euro. O Louçã, como todos os dirigentes e militantes do BE são meninos e meninas bonitas que se sentem bem neste regime. Apenas querem brincar à rebeldia e dar nas vistas como inteligências supremas. Portanto, não se preocupem, essas sumidades conseguem elevar-se ao nível dos vossos conhecimentos, simpatizantes e militantes do P.S. Agora, não sei se os conhecimentos são bons. P.S. A Ana Drago, como já a outra beldade (é pena que a beleza não seja política), está aqui está no P.S.

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O BE é uma manta de retalhos feita de restos trotskistas, maoistas, sociais-democratas, idealistas políticos, todos unidos pelo ódio ao Partido Comunista.

Louçã, por exemplo, é, ou era, um trotskista. Conheci trotskistas e eles diziam-me que preferiam os Estados Unidos à União Soviética. O seu economicismo (o futuro do socialismo está nos EUA, a sociedade mais desenvolvida, e não vale a pena qualquer solidariedade com a URSS, malgrado os seus defeitos, que identificavam com o totalitarismo, muito parecido com o Império do Mal) mal colado a um voluntarismo falso é sobejamente conhecido.

Uma vez, durante uma greve na Universidade de Lisboa – ouvi da sua boca -, a sua principal preocupação era isolar os comunistas.
Gostos não se discutem, os defeitos da União soviética não são para ocultar. Mas há muito tempo que percebi de que lado eles sempre estiveram.

Primavera de Praga – Ludo Martens: A Revolução de Veludo de 1968 em Praga, Trotskistas Aliados do Capitalismo e Pseudo-Comunistas Cansados do Socialismo

Cito uma passagem interessante do livro de Ludo Martens A URSS e a Contra-Revolução de Veludo, onde critica tanto os dirigentes comunistas, que deixaram infiltrar o seu partido por burocratas e oportunistas, e os promotores da Primavera, igualmente oportunistas mas mais ambiciosos e impacientes do que os outros. Exemplifica-se com a capitulação alegre da Checoslováquia ao capitalismo como se foi capaz de matar um regime social com futuro, apesar de todos os seus defeitos presentes, para além daqueles a que foram forçados pela pressão capitalista, ao qual se poderia chamar verdadeiramente de pátria. Exemplifica-se também a estratégia trotskista de destruir qualquer luta pela construção de uma sociedade socialista.
“No Ocidente, forças que iam da extrema-direita ao trotskismo, passando pela social-democracia, saudaram «o povo que tomou nas mãos o seu destino» e aclamaram «a revolução de veludo».
Para os marxistas era evidente que esse povo, completamente desorientado pela chuva de propaganda de direita e pela capitulação vergonhosa de todos os que se mascaravam de comunistas, marchava de olhos fechados na esteira das bandeiras da Restauração e do Antigo Regime. Ninguém dirá que os dirigentes da contra-revolução checa não tinham anunciado o que aí vinha. Já em 15 de Outubro de 1988, todas as grandes figuras da Carta 77 e de outros grupos de oposição – Rudolf BattekJiri DienstbierVaclav HavelJaroslav SabataLudvik Vaculik e uma centena de outros — haviam assinado um Manifesto do Movimento pela Liberdade cívica.
Eis as teses essenciais.
«O pluralismo económico é impossível sem pluralismo político. Só uma transformação do sistema político pode abrir o caminho a uma reforma económica verdadeiramente radical que libertaria as empresas do jugo da burocracia centralizada.» «Somos pelo pluralismo de diversas formas de propriedade e de decisão.»
E, após haver assinalado as formas autogestionárias e cooperativas, o Manifesto afirma:
«O pleno restabelecimento da empresa privada é inelutável nos domínios do comércio, do artesanato, das pequenas e médias empresas». «A economia checoslovaca deverá integrar-se, de maneira natural, na economia mundial, baseada na divisão internacional do trabalho(43)
A reacção do trotskista Petr Uhl a este Manifesto da contra-revolução de veludo foi muito significativa: enquanto se declarava solidário com as intenções fundamentais, julgou oportuno não assinar um texto tão comprometedor. Uhl reafirmou o seu acordo com os signatários, por «uma discussão de todos os problemas políticos no respeito do pluralismo».(44) O pluralismo de Uhlengloba, portanto, toda a gama das forças pró-capitalistas e pró-imperialistas. Trata-se, disse Uhl,
«de unir todos os adversários do centralismo burocrático e do stalinismo», a fim de «nos libertarmos do isolamento dogmático e da hegemonia burocrática»,
em suma, libertar- se do que ele chama o «socialismo real».
Entretanto, o Manifesto é tão francamente de direita que não deixa praticamente lugar aos pequenos truques de demagogia que constituem o contributo específico de Petr Uhl para a contra-revolução. É assim que é obrigado a constatar:
«Trata-se de uma plataforma liberal-democrata próxima do Partido Liberal alemão e dos liberais ingleses.» «A pretensão do Movimento para a Liberdade Cívica de coordenar todas as actividades políticas democráticas independentes tem um carácter totalitário.»
Mas esta acutilante análise não impede o trotskista de continuar a fazer olhos bonitos aos seus amigos do pluralismo anticomunista.
Ele lembra que muitos dos signatários têm
«um passado socialista no melhor sentido da palavra» e saúda no Manifesto «a reivindicação da autogestão nas grandes empresas»,
que não ultrapassa o quadro do accionariado operário da senhora Thatcher.(45)
Assim, a direita checa proclama alto e bom som a sua vontade de restauração, mas passeia com ostentação um pequeno apêndice cor-de-rosa que oferece à admiração de uma certa «esquerda». Um punhado de trotskistas, sem a menor preponderância sobre as massas, esforçar-se-á para manter a ficção de que a direita, massiva e agressiva, age segundo a linha da «revolução política antiburocrática» de Trótski!”

André Glucksmann (na sua morte), do Anticomunismo «de Esquerda» (sic) – ou da Extrema-Esquerda Anticomunista – ao Exterminismo Reaganiano (Georges Gastaud)

Diário.info

13.Nov.15 :: Colaboradores

No coro de elogios publicado nos media nacionais sobre o pensamento do falecido «nouveau philosophe» Glucksmann não há uma nota discordante. Apenas a sua evocação pelo “socialista” Francisco Assis ajudou a compreender porquê. Trata-se de mais um ex.maoista cuja trajectória para a direita é sustentada num anticomunismo fanático. O de um filósofo que preferia uma hecatombe nuclear total à sociedade socialista.
« Nem rir, nem chorar, nem detestar nem maldizer, mas compreender ». Na ocasião do falecimento de André Glucksmann (A.G.), compreender-se-á que o melhor para um filósofo marxista e comunista seja aplicar a célebre máxima racionalista de Spinoza…
1. Do « colarinho à mao » ao atlantismo flamejante : ruptura e/ou continuidades!
Dizer que A.Glucksman foi um « grande defensor da humanidade escarnecida», como faz em uníssono a lacrimosa imprensa “pluralista”, seria exagerar muito. De início assistente do muito direitista Raymond Aron, a «caneta» filosófica do Figaro, A.Glucksman. tornou-se depois de Maio de 1968 um dos chefes da Gauche Prolétarienne, a muito violenta GP que se especializava em injuriar, e até em molestar os militantes do PCF, de la CGT e da Union des Etudiants Communistes (UEC). No início dos anos 1970, os estudantes comunistas, tal como os sindicalizados não comunistas da UNEF (como era o meu caso na altura) eram invariavelmente tratados de « revisas-colaboracionistas » pela « G.P.»; no entanto, à época, e apesar de alguns primeiros desvios, o PCF militava pelo socialismo, combatia a Europa capitalista… e pronunciava-se a favor da ditadura do proletariado! É verdade que – crime imperdoável aos olhos dos dirigentes da « G.P.»! –, os comunistas franceses não consideravam a URSS como incuravelmente « social-imperialista » e estavam longe de erigir Moscovo em inimigo principal des povos, como não tardou a fazer a maioria dos grupos «maoistas» ao apelo da direcção chinesa (que não demorou a aproximar-se espectacularmente de… Nixon !). Verdade igualmente que os comunistas franceses nunca incensaram a « Grande Revolução Cultural Proletária » que se abatia então sobre o PCC e sobre a intelectualidade chinesa… sem entretanto desenraizar a corrente « pragmática » que veio depois a triunfar em Pequim. Reconheçamos todavia que as imprecações «anti-revisionistas » d’A.G. não carecem de algum picante retrospectivo se constatarmos a vibrante evolução anticomunista do nosso futuro « novo filósofo » apaparicado pelos media giscardo-mitterrandistas: não construiu este senhor a sua fortuna politico-literária (para não falar senão nela…) sobre o anátema anti-leninista (La Cuisinière et le mangeur d’homme), sobre o antimarxismo primário e a condenação do racionalismo (Les maîtres-penseurs), sobre uma guerreira execração da URSS (La Force du vertige), sem falar do lógico alinhamento final a Sarkozy, à NATO e aos belicistas du campo neoconservador e seus satélites anti-palestinos e russófobos… No fim de contas, os Bernard Henry-Levy (BHL), A.G. e outros «novos filósofos» não terão falhado uma única cruzada ocidental contra o socialismo existente (nomeadamente o apoio à Polónia «operária » de Walesa e de João Paulo II…), contra os movimentes de libertação popular (A.G. colocou nos píncaros os « Combatentes da Liberdade» afegãos, ou seja os talibans…), contra o direito dos povos a dispor de si mesmos (apelos recorrentes à intervenção imperialista na Líbia ou na Síria, com os resultados devastadores hoje à vista…).
Concedamos entretanto que A.G. terá sabido empreender a sua grande viragem da autoproclamada extrema-esquerda ao atlantismo exacerbado aparentando constantemente uma sinceridade fulminante (que é sem dúvida preferível, para conservar a auto-estima, à postura choramingas do arrependido…). Na verdade, A.G. não terá tido ao longo da vida – tal como outras vedetas soixante-huitardes «que passaram do colarinho à mao para o Rotary Club » [2] – senão uma única continuidade real: o seu fervoroso ódio contra o PCF de Duclos e Marchais, contra a CGT de classe de Krazucki, contra a União das Republicas Socialistas Soviéticas, numa palavra, a sua guerra de morte contra a classe operária organizada, esse « proletariado » que os nossos ex.- « maos spontex » mitificavam tanto que ele assumia a posture (nobre mas inofensiva) do revoltado, mas a quem interditavam que se organizasse solidamente em partido, que estabelecesse o seu poder de classe e o consolidasse tomando certas medidas potencialmente desagradáveis aos frequentadores do Fouquet’ s…
2. A viragem hegemónica da « nova filosofia » : do « bloco histórico antifascista de Estalinegrado au bloco histórico anti-antifascista de Bitburg.
No fundo, esta gente – que acabou por comprometer o velho Sartre no seu empreendimento « antitotalitário » [3], na realidade vulgarmente anticomunista – terão sido muito úteis à grande burguesia francesa e à oligarquia capitalista mundial. À saída de um período muito ameaçador para a ordem capitalista mundial [4]. Ao invés de tantos jovens maoistas, operários e estudantes, que procuravam sinceramente os caminhos da revolução no momento em que o PCF começava subterraneamente a derivar [5], os chefes de fila do maoísmo francês terão sabido de forma notável tirar partido dos tremendos equívocos do Maio de 68: porque esse movimento altamente contraditório viu ao mesmo tempo a maior greve operária da historia [6] e o emergir de uma corrente dita liberal-libertária (os antepassados lilis dos bobos) que dissimulava o seu anticomunismo, mesclado de antipatriotismo e anti-republicanismo primários, por detrás da retorica ultra-revolucionária do esquerdismo, de forma a atacar sempre « pela esquerda» os « crápulas estalinistas » do PCF (Cohn-Bendit dixit) : o sociólogo Michel Clouscard analisou admiravelmente a emergência do liberal-libertarismo anticomunista e euro-atlântico no seu já clássico estudo do Capitalisme de la séduction. Substituindo ao antifascismo oriundo de 36 e do CNR um « anti totalitarismo » confusionista que fazia tábua rasa de qualquer análise de classe dos fenómenos políticos, BHL, A.G. e seus epígonos tipo Bernard Kouchner terão desempenhado um papel nacional e mundialmente reaccionário : com as suas engenhocas intelectuais fulminantes (amálgamas, condensados históricos ineptos, caricatura furiosa da história soviética, tom profético destinado a intimidar os eventuais objectores), A.G. e seus pares terão facilitado que tomasse forma, no terreno ideológico, o novo bloco histórico mundial contra-revolucionário no qual vivemos, ou melhor, no qual ainda sufocamos: um bloco no qual o socialismo fazia figura de Império do mal (e o sanguinário imperialismo atlântico de baluarte do Bem), no qual o direito dos povos a dispor de si mesmos cedia lugar ao « direito » do imperialismo de se ingerir nos assuntos dos Estados pequenos e médios (o humanitarismo atlântico à moda « ONG » tomando o lugar da «missão civilizadora da França ») e onde, para acabar, a ultradireita reaganiana e sarkozysta, esse primeiro escalão « liberal-autoritário » do foguetão neofascista, dispunha de um lugar estratégico: BHL convencendo Sarkozy a invadir a Líbia, BHL e A.G. santificando o desmantelamento imperialista da Jugoslávia por Kohl e Clinton, e todo esse pequeno mundo acolhendo com um silencio de chumbo o totalitarismo Anticomunista que, depois 1989/91, se traduziu num euro-macarthismo devastador (Hungria, Países bálticos, etc.), sem falar do apoio da UE/NATO à equipa pró-nazi e belicosamente russófoba entretanto no poder em Kiev. Em resumo, por detrás desse « anti-totalitarismo » de fachada que se acomodava sem problemas ao bombardeamento ieltsiniano do Parlamento russo (Outubro 93) e ao totalitarismo patronal rampante da euro-mundialização « liberal » (liberal-fascizante seria mais exacto!), estes ideólogos do anti Iluminismo que foram os « novos filósofos» terão desempenhado um papel ideológico destacado: terão efectivamente contribuído para a viragem contra-revolucionária do bloco histórico de Estalinegrado [7] no sentido daquilo que em 1984 eu tinha designado como o bloco histórico de Bitburg: Bitburg é com efeito o nome de um cemitério militar alemão onde repousam corpos de membros das Waffen-SS e onde Reagan, Thatcher, Kohl et Mitterrand, fotografados de mãos dadas, vieram manifestar o seu apoio à implantação dos euromísseis EUA na RFA, na Holanda e na Sicília, com o objectivo declarado de colocar Leningrado a 5 minutos de tiro dos polígonos da NATO. Assim nasceu, num clima de ajuste de contas contra a derrota dos EUA no Vietnam, de reabilitação de imperialismo alemão, de nova cruzada anti-soviética e de encarniçada intervenção EUA contra as insurreições centro-americanas de Salvador e Nicarágua (na base do l’Irangate), este novo bloco «anti-antifascista» ocidental que de facto criminalizava o comunismo ao mesmo tempo que, a pouco e pouco, reciclava… a extrema-direita fascizante, esse aluno distinto da turma anticomunista hoje na ofensiva por toda a Europa.
3. A.G., ou o exterminismo capitalista tornado filosofia
É extraordinário constatar que a nota biográfica que a Wikipédia consagra a A.G. omite inteiramente o aspecto mais central e no fim de contas, o mais interessante, da sua «obra»: sobretudo para o pior mais também um pouco para o melhor (assim caminha a dialéctica histórica !), A.G. terá sido um dos teóricos mais consequentes – como sucede frequentemente com os fanáticos – daquilo que desde 1984 apelidamos de exterminismo capitalista. Efectivamente desenvolvemos então a ideia, por vezes caricaturada e mais frequentemente contornada, que o exterminismo é o estádio supremo da sociedade capitalista, entendendo por tal que, tendo-se o capitalismo tornado desde há muito « reaccionário em toda a linha » (economicamente, socialmente, culturalmente, politicamente e, acrescentamos desde então, «ambientalmente» …), a sua manutenção tornou-se tendencialmente incompatível com a sobrevivência e o desenvolvimento da espécie humana enquanto tal. Na nossa época pós-soviética, este exterminismo capitalista assumiu provisoriamente formas mais subtis e «apresentáveis» do que as que manifestava em 1984: com efeito, a contra-revolução capitalista – fonte profunda da actual mundialização yankee e da « construção » germano-europeia – tendo conseguido provisoriamente eliminar o campo socialista mundial, as formas do exterminismo foram de algum modo flexibilizadas, diversificadas e disseminadas: hoje, é de algum modo em lume brando que o capitalismo imperialista submete a humanidade e o planeta azul à tortura mortal do lucro a todo o custo e das suas sequelas monstruosas, caos politico desde a Africa até ao Próximo-Oriente, fascização rampante da Europa, desastres ambientais sucessivos, etc. Nos anos 80, no momento em que a « nova filosofia » glucksmanniana conheceu o seu apogeu mediático, Reagan dominava os EUA e os seus partidários apostavam na ambiguidade do slogan E.R.A. (Elect Reagan again era interpretado também, na direita « republicana », Eliminate Russians Atomically) ; a reacção alemã enfim descomplexada clamava «lieber tot, als rot» (antes mortos que vermelhos !). Reagan e Bush Sénior lançavam o seu projecto de « guerra des estrelas » (IDS) destinado a interceptar os misseis soviéticos em caso de primeiro ataque nuclear «debilitante » dos EUA contra a URSS. Pouco tempo antes, o estratega estado-unidense Brzezinski – que se gabou depois da sua astucia – atraía o Exército vermelho a uma armadilha no Afeganistão. Quanto a Glucksmann, teorizou o indizível empreendimento exterminista como apenas um filósofo o pode fazer. Em La Force du vertige (Grasset, 1984), A.G. explicava com efeito que o Ocidente devia assumir em nome dos seus «valores» a « segunda morte de humanidade », ou seja a perda de sentido absoluta qui resultaria para cada um da ideia, não apenas da sua morte pessoal, mas do «desaparecimento da humanidade no seu conjunto». E tudo isto não se passava no Céu das Ideias mas em 1984, em plena « crise des euromísseis », num momento em que o risco de guerra nuclear mundial crescia a toda a velocidade. Para A.G., que chamava a isso «dissuasão», a « segunda morte de humanidade » era preferível ao «risco» da « Sibéria planetária »[8], ou seja da extensão do comunismo a toda a humanidade (entenda-se: da propagação das revoluções populares africanas, centro-americanas, afegã, etc. ao conjunto dos países do Sul). Quando os EUA se referiam oficialmente à doutrina do first use (utilização em primeiro lugar pelos EUA da arma atómica contra a URSS) e mesmo à do first strike (desencadeamento da terceira guerra mundial anti-soviética por um ataque nuclear massivo e «desarmante» contra a URSS) e do « linkage » (ameaçar Moscovo com uma guerra nuclear para o impedir de apoiar as revoluções populares), Glucksmann desempenhou um papel de primeiro plano na resposta atlântico-exterminista aos pacifistas oeste-europeus e americanos; porque, sem de nenhum modo apoiar Moscovo, os referidos pacifistas observavam que a utilização de 15% dos stocks fuséo-nucleares mundiais no decurso de uma guerra Este-Oeste teria necessariamente de conduzir ao « inverno nuclear » (estamos longe do aquecimento climático actual!), quer dizer à intercepção da radiação solar pela massa disseminada das poeiras radioactivas; portanto à interrupção da fotossíntese, logo à possível extinção das formas superiores de vida sobre o planeta Terra. Traduzindo em linguagem de leigo os vaticínios guerreiros dos belicosos profetas «evangelistas» yankees que, incitados por Reagan, anunciavam o « Harmaghedon » (a batalha final em que Deus derrota os infiéis – descodificado, os comunistas – e onde os « bons » se juntam ao «Reino»), Glucksmann executou o «o trabalho sujo » filosófico de que a justificação do exterminismo imperialista necessitava. Escreveu nomeadamente esta atrocidade filosófica sem qualquer precedente: « prefiro sucumbir com o filho que amo (subentendido, numa guerra nuclear, G.G.) a imaginá-lo encaminhado para uma qualquer Sibéria planetária ».
4. Duas respostas ao exterminismo reagano-glucksmanniano : Gorbatchev ou Castro.
Se este fanatismo anticomunista maximalista – que obtinha um sucesso de massas entre os pequeno-burgueses de “esquerda” : A.G. tinha efectivamente centenas de milhares de leitores e fazia mesmo escola no PS[9] – não culminou na guerra mundial nuclear, não foi porque o imperialismo dos EUA fizesse “bluff” [10], mas porque a direcção gorbatchéviana da URSS, intimidada e sobretudo contemporizadora e desleal, optou pela capitulação ideológica e diplomática em toda a linha. Em lugar de responder com firmeza, como fazia então Fidel Castro «socialismo o muerte, patria o morir !» e de como ele apelar, não a esperar o apocalipse nuclear mas ao desenvolvimento da luta de classe revolucionária, em lugar de prosseguir a via brevemente explorada por Yuri Andropov para construir uma ampla frente anti-exterminista mundial (a « frente mundial da razão »), Gorbatchev aceitou a problemática exterminista contentando-se com inverter o exterminismo EUA em social-pacifismo de tipo muniquense: o «antes morto que vermelho» exterminista dos Ocidentais tornou-se «antes não vermelhos do que mortos!», o que, traduzido no «novo pensamento» gorbatchéviano se tornava em : « preferir os valores universais da humanidade aos interesses de classe do proletariado ». Descodificado, tratava-se de renunciar ao socialismo para salvaguardar a paz, tal como Nixon convidava na mesma altura no seu livro sinistramente intitulado O mito da paz. No final, a Rússia pós-soviética actual, que os USA « perseguem » militarmente desde a Asia central à Síria passando pela Ucrânia e os países bálticos, terá repudiado o socialismo e as suas conquistas sociais sem de nenhuma forma ter ganho a paz. Como os « Muniquenses » Chamberlain e Daladier que, nas palavras de Churchill, escolheram a desonra para obter a paz e não tiveram senão a guerra como recompensa da sua fraqueza, Gorbatchev simplesmente substituiu a «guerra fria» por uma paz… cada vez mais quente. Uma « paz » que, hoje, poderia rapidamente transformar-se em confronto directo nos campos de batalha da Síria ou do Donbass uma vez que, se o Tratado de Varsóvia e a Federação soviética desapareceram, a NATO alargou-se até às fronteires da Rússia e a «União transatlântica», duplicada pela « União transpacifico » em gestação, visam claramente isolar e cercar economicamente os «BRICS», na primeira linha dos quais a China largamente descolorida e a Rússia totalmente descomunisada… E se para acabar, o exterminismo reagano-glucksmanniano, esta continuação da guerra de classe por outros meios (e acrescentaria eu, esta preparação da contra-revolução pela chantagem do extermínio), tivesse apenas mudado de forma encarnando na mortífera mundialização neoliberal, nas suas guerras imperialistas incessantes, na sua fascização politica rampante, na sua corrida ao lucro máximo, na sua mercantilização galopante do humano e da natureza, que, como dizia Marx, « esgota a Terra e o trabalhador » No fim de contas, não é mais do que uma forma de destruir a humanidade e de destruir a humanidade do homem…
5. Em que sentido, contrariamente a BHL, Glucksmann foi um « filósofo »
É neste sentido entretanto, repitamo-lo, que o triste A.G. é, muito mais do que BHL, esse histrião do conceito que ninguém tomou nunca a sério nos meios filosóficos, um filósofo à la triste figure. Sem valer moralmente e politicamente mais do que o seu comparsa, Glucksmann foi um filósofo no sentido em que o é toda a pessoa que procura pensar até às últimas consequências, de forma radical e coerente, uma hipótese teórica, e mais ainda, uma concepção do mundo e da existência. Impelindo até às suas mais negras consequências o falso humanismo, o falso universalismo e as pseudo-simetrias « antitotalitárias » da burguesia imperialista, A.G. foi e continua a ser um atractor negativo do sentido. Podemos mesmo apoiar-nos no seu pensamento, verdadeiro repelente trágico de qualquer progressismo, para conceber na sua coerência o alcance anti-exterminista radical de um comunismo de terceira geração [11] que assumiria ao mesmo tempo – porque os dois compromissos se condicionam mutuamente – a transformação da humanidade e a sua conservação (defesa anti-imperialista da paz mundial, defesa anticapitalista do ambiente, etc.); com efeito a defesa da sobrevivência humana passa pela sua transformação revolucionária e, simetricamente, a revolução socialista e anti-imperialista deve preocupar-se, mais do que nunca, não apenas em mudar a vida, mas em salvá-la. E esta dimensão tão universalista do comunismo não convida seguramente a menos combate de classe, masa mais compromisso revolucionário; porque, ainda que desagrade a Gorbatchev… e a Glucksmann, ambos de acordo em opor metafisicamente estas noções, seria mais do que nunca uma ilusão «exaustivamente» mortal opor « os interesses de classe do proletariado» aos « valores universais da humanidade » na primeira fila dos quais figura o direito à vida e ao desenvolvimento solidário de cada um. Mais do que nunca, à cubana, « patria ou morte, socialismo ou morte, venceremos ! »…
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[1] Filosofo, última obra publicada Marxisme et universalisme, Delga, 2015.
[2] Pensamos em Cohn-Bendit, em S. July, o patrão de Libération; cf. também, um escalão acima A. Finkielkraut, ex-mao tornado pensador titular dos « nouveaux réacs », ou D. Kessler, que apela doravante em nome do patronato ao « desmantelamento do programa do CNR »
[3] Recordemos que os grandes defensores franceses dos direitos dos ricos burgueses de Saigão apoiaram depois durante dez anos os Khmers Vermelhos: invariavelmente, a França de Giscard e depois a de Mitterrand votavam a favor de que estes carrascos – inimigos jurados do vizinho Vietnam! – conservassem o lugar usurpado (o do Reino khmer) na ONU sob a tutela do palhaço Norodom Sihanouk.
[4] Vitória do povo vietnamita, Revolução portuguesa dos Cravos, vitórias populares em Africa e na América central, colapso de diversas ditaduras fascistas, extensão das forças anticapitalistas em Portugal, em França, em Espanha, na Grécia… não esqueçamos nunca que os anos 70 ainda tão próximos foram muito delicados para o bloco euro-atlântico…
[5] Seria injusto assimilar à GP os marxistas-leninistas oriundos do PCF que, no final dos anos 60, julgaram necessário romper com o seu partido para preservar uma linha revolucionária que segundo eles Mao encarnava face aos herdeiros soviéticos de Khrouchtchev. Mas combater-se-ão as tendências revisionistas direitistas de uns exaltando o sectarismo esquerdista de outros… sobretudo quando, para concluir, a direcção chinesa acaba por se aliar aos EUA para combater Moscovo ou por apoiar Pol Pot para pôr em dificuldade o Vietnam considerado demasiado pró-soviético ?
[6] …que teria sido impossível sem a implantação da grande CGT de classe de Benoît Frachon e sem as intensas lutas anticoloniais dos anos 50 e 60, conduzidas, no essencial, pelos militantes do PCF, da CGT e do sindicato UNEF.
[7] Geopoliticamente falando, a derrota histórica d’Hitler perante o odioso Exército vermelho de Staline tinha marginalizado os fascistas, pelo menos na Europa, e tinha desencarcerado politicamente os comunistas. Em resumo, o antifascismo dominava então o anticomunismo do qual Hitler era a ponta de lança antes de 1945.
[8] Supondo que a extensão do comunismo constitua um risco para o mundo do trabalha, a história ulterior – a contra-revolução na URSS ! – provou que a conversa de Reagan sobre a «ameaça comunista» consistia, de facto, tanto em engano como em auto-intoxicação !
[9] À época, os planos de programação militar gigantes programados por Mitterrand e pelo seu ministro da defesa de então, que era já Le Drian, pesavam como nunca no orçamento da França «socialista»…
[10] A revista Actualidades soviéticas demonstrava então que as « manobras » da NATO assumiam uma tal amplitude que cada vez menos se conseguia distingui-las de uma preparação directa do desencadeamento de hostilidades.
[11] Se a primeira geração é a que vai de Babeuf à Comuna e a segunda a que cobre todo o movimente histórico decorrente da Revolução de Outubro.

Left Anticommunism: the unkindest cut By Michael Parenti

Part opportunism, part careerism, part willful denial (or ignorance) of true capitalist and imperial dynamics, and part attachment to the comforts of being within the respectable fold of “permissible” criticism, Left Anticommunism continues to take a huge toll on the American left. In this comprehensive and incisive essay, Michael Parenti explores the reasons why the Left anti-communist stance must be seen for what it is: a de facto collaboration with the forces defending the corporate status quo. [This selection is from Parenti’s book Blackshirts and Reds: Rational Fascism and the Overthrow of Communism (City Lights, 1997).

LEFT ANTICOMMUNISM
By Michael Parenti 
Despite a lifetime of “shaming” the system, NOAM CHOMSKY, America’s foremost “engagé” intellectual, remains an unrepentant left anticommunist. 

“In the United States, for over a hundred years, the ruling interests tirelessly propagated anticommunism among the populace, until it became more like a religious orthodoxy than a political analysis. During the Cold War, the anticommunist ideological framework could transform any data about existing communist societies into hostile evidence. If the Soviets refused to negotiate a point, they were intransigent and belligerent; if they appeared willing to make concessions, this was but a skillful ploy to put us off our guard. By opposing arms limitations, they would have demonstrated their aggressive intent; but when in fact they supported most armament treaties, it was because they were mendacious and manipulative. If the churches in the USSR were empty, this demonstrated that religion was suppressed; but if the churches were full, this meant the people were rejecting the regime’s atheistic ideology. If the workers went on strike (as happened on infrequent occasions), this was evidence of their alienation from the collectivist system; if they didn’t go on strike, this was because they were intimidated and lacked freedom. A scarcity of consumer goods demonstrated the failure of the economic system; an improvement in consumer supplies meant only that the leaders were attempting to placate a restive population and so maintain a firmer hold over them. If communists in the United States played an important role struggling for the rights of workers, the poor, African-Americans, women, and others, this was only their guileful way of gathering support among disfranchised groups and gaining power for themselves. How one gained power by fighting for the rights of powerless groups was never explained. What we are dealing with is a nonfalsifiable orthodoxy, so assiduously marketed by the ruling interests that it affected people across the entire political spectrum.
Many on the U.S. Left have exhibited a Soviet bashing and Red baiting that matches anything on the Right in its enmity and crudity. Listen to Noam Chomsky holding forth about “left intellectuals” who try to “rise to power on the backs of mass popular movements” and “then beat the people into submission. . . . You start off as basically a Leninist who is going to be part of the Red bureaucracy. You see later that power doesn’t lie that way, and you very quickly become an ideologist of the right. . . . We’re seeing it right now in the [former] Soviet Union. The same guys who were communist thugs two years back, are now running banks and [are] enthusiastic free marketeers and praising Americans” (Z Magazine, 10/95).
Chomsky’s imagery is heavily indebted to the same U.S. corporate political culture he so frequently criticizes on other issues. In his mind, the revolution was betrayed by a coterie of “communist thugs” who merely hunger for power rather than wanting the power to end hunger. In fact, the communists did not “very quickly” switch to the Right but struggled in the face of a momentous onslaught to keep Soviet socialism alive for more than seventy years. To be sure, in the Soviet Union’s waning days some, like Boris Yeltsin, crossed over to capitalist ranks, but others continued to resist free-market incursions at great cost to themselves, many meeting their deaths during Yeltsin’s violent repression of the Russian parliament in 1993.
Some leftists and others fall back on the old stereotype of power-hungry Reds who pursue power for power’s sake without regard for actual social goals. If true, one wonders why, in country after country, these Reds side with the poor and powerless often at great risk and sacrifice to themselves, rather than reaping the rewards that come with serving the well-placed.
For decades, many left-leaning writers and speakers in the United States have felt obliged to establish their credibility by indulging in anticommunist and anti-Soviet genuflection, seemingly unable to give a talk or write an article or book review on whatever political subject without injecting some anti-Red sideswipe. The intent was, and still is, to distance themselves from the Marxist-Leninist Left.
Adam Hochschild: Keeping his distance from the “Stalinist Left” and recommending same posture to fellow progressives.
Adam Hochschild, a liberal writer and publisher, warned those on the Left who might be lackadaisical about condemning existing communist societies that they “weaken their credibility” (Guardian, 5/23/84). In other words, to be credible opponents of the cold war, we first had to join in the Cold-War condemnations of communist societies. Ronald Radosh urged that the peace movement purge itself of communists so that it not be accused of being communist (Guardian, 3/16/83). If I understand Radosh: To save ourselves from anticommunist witchhunts, we should ourselves become witchhunters. Purging the Left of communists became a longstanding practice, having injurious effects on various progressive causes. For instance, in 1949 some twelve unions were ousted from the CIO because they had Reds in their leadership. The purge reduced CIO membership by some 1.7 million and seriously weakened its recruitment drives and political clout. In the late 1940s, to avoid being “smeared” as Reds, Americans for Democratic Action (ADA), a supposedly progressive group, became one of the most vocally anticommunist organizations.
The strategy did not work. ADA and others on the Left were still attacked for being communist or soft on communism by those on the Right. Then and now, many on the Left have failed to realize that those who fight for social change on behalf of the less privileged elements of society will be Red-baited by conservative elites whether they are communists or not. For ruling interests, it makes little difference whether their wealth and power is challenged by “communist subversives” or “loyal American liberals.” All are lumped together as more or less equally abhorrent.
Even when attacking the Right, the left critics cannot pass up an opportunity to flash their anticommunist credentials. So Mark Green writes in a criticism of President Ronald Reagan that “when presented with a situation that challenges his conservative catechism, like an unyielding Marxist-Leninist, [Reagan] will change not his mind but the facts.” While professing a dedication to fighting dogmatism “both of the Right and Left,” individuals who perform such de rigueur genuflections reinforce the anticommunist dogma. Red-baiting leftists contributed their share to the climate of hostility that has given U.S. leaders such a free hand in waging hot and cold wars against communist countries and which even today makes a progressive or even liberal agenda difficult to promote.
Orwell-reactionary-quote-one-does-not-establish-a-dictatorship-in-order-to-safeguard-a-revolution-one-makes-a-revolution-in-george-orwell-139740A prototypic Red-basher who pretended to be on the Left was George Orwell. In the middle of World War II, as the Soviet Union was fighting for its life against the Nazi invaders at Stalingrad, Orwell announced that a “willingness to criticize Russia and Stalin is the test of intellectual honesty. It is the only thing that from a literary intellectual’s point of view is really dangerous” (Monthly Review, 5/83). Safely ensconced within a virulently anticommunist society, Orwell (with Orwellian doublethink) characterized the condemnation of communism as a lonely courageous act of defiance. Today, his ideological progeny are still at it, offering themselves as intrepid left critics of the Left, waging a valiant struggle against imaginary Marxist-Leninist-Stalinist hordes”.

Left Turn :: Virage à Gauche: Left Anticommunism: the unkindest cut By Michael P…

Left Turn :: Virage à Gauche: Left Anticommunism: the unkindest cut By Michael P…: link: http://www.greanvillepost.com/2015/05/23/left-anticommunism-the-unkindest-cut/ Part opportunism, part careerism, part willful den…