Neocolonialismo Agora – Neil Clark

 

 

O império ataca de novo
– Agora com neocolonialismo mais destrutivo e mais desonesto

por Neil Clark [*]

Neste mês há alguns aniversários significativos da luta contra o colonialismo do velho estilo. A questão é que este colonialismo não desapareceu depois de os países em desenvolvimento se terem tornado independentes das grandes potências europeias.

Aquele colonialismo foi substituído por uma nova versão que provou ser mais destrutiva e incomensuravelmente mais desonesta do que a que existia antes. Pelo menos o Império Britânico, que no seu máximo cobria quase um quarto da superfície terrestre do globo, dava-se a conhecer como um Império. Atualmente o mais sombrio Império Global do Capital-Financeiro Monopolista não o faz.

Países inteiros tais como Jugoslávia, Líbia e Iraque são destruídos por não se conformarem com as regras que o império impõe, enquanto os que continuam a desafiar as elites neoconservadoras/neoliberais, como a Venezuela, estão sob permanente assédio.

Adicionando o insulto à injúria esta nova onda de colonização, levada a cabo para beneficiar os mais ricos dos países mais ricos do mundo, é feita em nome da “democracia” e “garantia dos direitos humanos” com o apoio entusiástico de muitos autoproclamados “progressistas”. A hipocrisia do imperialismo atual é realmente de nos deixar sem respiração: critica severamente Maduro como sendo um “ditador”, mas saúda os governantes não eleitos da Arábia Saudita assim como lhes vende mortífero armamento pesado.

Maduro que institui a Assembleia Constituinte em conformidade com a Constituição é um vilão, os sauditas açoitam e prendem ativistas pró-democracia…mas são apenas negócios, como de costume.
John Wight (@JohnWight1) August 3, 2017

Nos anos 40 e 50 do século passado, tudo parecia muito diferente. O colonialismo parecia estar em retirada. Há setenta e cinco anos, em 8 de agosto de 1942, Mahatma Gandhi iniciou o Movimento “Quit India” em Bombaím.

Há setenta anos em 14/15 de agosto de 1947, a Índia e o Paquistão tornaram-se independentes do Reino Unido. Há sessenta anos (31 de agosto de 1957) a Federação Malaia (agora Malásia) tornou-se também independente do Reino Unido.

Estas são datas importantes que certamente precisam ser celebradas, porém, a convicção dos progressistas de que a descolonização representaria uma genuína libertação dos países colonizados provou ser extraordinariamente otimista. A Índia e a Malásia podem ter progredido, mas para outras nações os “Ventos de Mudança” foram apenas ar quente. “Independência” significou somente obter os adornos exteriores da soberania nacional: uma bandeira, ser membro da ONU e uma equipa de futebol. O poder económico continuou residindo noutras partes, nos bancos e salas das administrações nas nações mais ricas.

No seu texto clássico de 1965 , “Neocolonialismo, o último estádio do imperialismo”, o grande Kwame Nkrumah, então Presidente do Gana e firme defensor do Pan-africanismo, explicou como o neocolonialismo tinha substituído o velho estilo colonialista. “No passado, era possível converter um país ao qual um regime neocolonial tinha sido imposto num território colonial – o Egito no século XIX é um exemplo. Este processo já não é atualmente realizável” – escreveu.

Para obter o dinheiro necessário a realizar funções sociais nas metrópoles só podia ser dada uma independência formal às colónias, isto significava que o controlo não fosse também entregue.

Os EUA usaram a sua posição como a nação credora número um depois da 2ª Guerra Mundial para acelerar este processo “formal” de descolonização, mas apenas para que eles se pudessem mover para os países anteriormente dominados pela Grã-Bretanha, França, Holanda. Nkrumah cita o exemplo do Vietname do Sul em que o “velho” poder colonial era a França, mas o poder neocolonial eram os EUA.

De facto, os EUA podem considerar-se os pioneiros do neocolonialismo. Enquanto o “velho estilo” imperial dominava o resto do mundo, os EUA usavam técnicas neocoloniais para assegurarem que os países da América Latina subordinavam as suas economias aos interesses dos grandes negócios dos EUA. A elite financeira e do grande capital dos EUA toma atualmente como alvo o governo de esquerda de Maduro na Venezuela para a “mudança de regime” tal como em 1913 o embaixador no México, Henry Lane Wilson conspirava com o general Huerta contra a orientação esquerda de Madero.

Isto foi um padrão que se repetiu inúmeras vezes nos 100 anos seguintes. As técnicas de Washington aperfeiçoadas na América Latina apoiando golpes de Estado contra governos eleitos democraticamente que queriam ter controlo sobre as suas economias, financiando a oposição a estes governos e eliminando os líderes políticos que lutavam por genuína independência dos seus países. O que vimos evidenciado na Guatemala em 1954, Brasil em 1964, Chile em 1973, foi usado em todo o mundo.

“A promoção da democracia” foi sempre o código para os EUA darem suporte à subversão de governos que não se vergavam o suficiente.
https://t.co/2Dg6lERMYm – Max Blumenthal (@MaxBlumenthal) August 1,2017

A lista de governos derrubados direta ou indiretamente pelos EUA e seus aliados mais chegados, para alcançarem o controlo económico é demasiado longa para incluir num simples texto, mas aqui vão alguns exemplos.

1 – Indonésia 1965/66 

A sangrenta onda de assassínios em massa apoiada pelos EUA e perpetrada pelas forças militares que derrubaram Sukarno, o primeiro Presidente “pós-colonial”, e às suas ideias de independência, sendo substituído pelo ditador pró-ocidental General Suharto .

“A embaixada dos EUA em Jakarta forneceu a Suharto uma “zap-list” com os nomes dos membros dos Partido Comunista da Indonésia e riscou os nomes quando foram mortos ou capturados, escreve John Pilger que analisou o golpe em 2001 no filme “Os novos dominadores do mundo” ( The New Rulers of the World ).

O negócio foi que a Indonésia sob Suharto ofereceria o que Richard Nxon chamou “a maior provisão de recursos naturais, o maior prémio do sudoeste asiático.”

Em novembro de 1967 este maior prémio foi entregue numa memorável conferência de três dias patrocinada pela Time-Life Corporation em Genebra. Chefiada por David Rockefeller, todos os gigantes transnacionais estavam representados: as maiores companhias petrolíferas, General Motors, Imperial Chemical Industries, British American Tobacco, Siemens, US Steel e muitas outras. Na mesa sentavam-se os economistas de Suharto, treinados nos EUA que concordaram com a conquista do seu país, sector a sector, como escreveu Pilger .

O custo em vidas humanas da neocolonial “mudança de regime” foi enorme: entre 500 mil e 3 milhões de pessoas mortas . Em 2016 um painel de juízes internacionais manteve que os EUA (bem como o RU e a Austrália) tinham sido cúmplices do genocídio .

2 – Irão, 1953 

O derrube do nacionalista democraticamente eleito Mohammad Mossadegh e a sua substituição pelo aquiescente Xá foi outra operação conjunta dos EUA/RU. O “crime” de Mossadegh foi querer nacionalizar a indústria petrolífera do seu país e utilizar os rendimentos da mesma para lutar contra a pobreza e as doenças. Portanto os neocolonialistas decidiram que tinha de se ir embora.

Uma campanha de desestabilização – semelhante à que é promovida contra a Venezuela – foi posta em marcha. “Os objetivos da propaganda da CIA e do SIS consistiam em conduzir uma campanha crescentemente intensificada através da imprensa, panfletos e o clero de Teerão, concebida para enfraquecer o governo de Mossadeq de todas as formas possíveis” admitiu Donald N. Wilber, um dos principais elementos do chamado plano TPAJAX.

Em 3013, documentos desclassificados revelaram que: “O golpe militar para derrubar Mossadegh e a seu governo de Frente Nacional foi levado a cabo sob a direção da CIA, como um ato de política externa dos EUA, concebido e aprovado aos mais altos níveis do governo”.

Vale a pena relembrar tudo quando ouvimos políticos dos países neocolonialistas fingirem-se ultrajados com a não provada “interferência Russa” nos seus processos políticos.

Qual é o principal interesse dos EUA na Venezuela? Se a história reservada do Departamento de Estado dos EUA é um guia: petróleo.
https://t.co/xCRNDT1oMFpic.twitter.com/8Z1e0IsKND – WikiLeaks (@wikileaks) August 2, 2017

3. Jugoslavia, 1999/2000 

“Balcanização” é um dos mais importantes instrumentos do neocolonialismo e pode ser encontrado onde quer que este seja praticado”, escreveu Kwame Nkrumah.

O líder socialista da República Federativa da Jugoslávia, Slobodan Milosevic foi demonizado em 1990 pelas elites ocidentais não porque quisesse partir o seu país em pedaços, mas porque queria que se mantivesse unido.

Tendo sobrevivido a 78 dias da campanha da NATO de bombardeamentos “humanitários” contra o seu país, em 1999, Slobo viu a operação de “mudança de regime” para o derrubar intensificar-se. Milhões de dólares choveram ilegalmente no seu país dos EUA para grupos da oposição e ativistas antigovernamentais, tais como a organização Otpor! Milosevic foi destituído por uma “Revolução Bulldozer” em outubro de 2000 e a secretária de Estado Madeline Albright, que quatro anos antes tinha dito que a morte de meio milhão de crianças iraquianas devido às sanções tinha sido um preço que valera a pena pagar, comemorou o feito.

George Kenney, em tempos responsável do Departamento de Estado, revelou a razão pela qual tudo tinha acontecido. “No período pós-Guerra Fria não havia lugar para que um grande país independente focado no socialismo resistisse à globalização” 

Em 2012 o New York Times relatou como importantes membros da Administração dos EUA que tinham participado no desmantelamento da Jugoslávia tinham voltado aos Balcâs como empresários para apresentarem propostas para a privatização de ativos.

Por que é tão difícil para alguns compreenderam em 2017 o que era óbvio em 1982? Solidarity. pic.twitter.com/EuU9aVAnho – Club des Cordeliers (@cordeliers) July 31, 2017

Agora os neocolonialistas neoconservadores agentes das mudanças de regime moveram-se para a República Bolivariana da Venezuela. Como Milosevic e muitos outros antes dele que se puseram no caminho dos “Novos Senhores do Mundo”, o democraticamente eleito Nicolas Maduro é etiquetado como “ditador”.

Tal como no caso de Milosevic, os autoproclamados “progressistas” são a vanguarda da campanha das elites para demonizar a Venezuela e a sua liderança, exigindo que figuras públicas do Ocidente que têm expressado apoio ao Chavismo emitam denúncias.

Todos estes críticos de “esquerda” da Venezuela descartam a interferência dos EUA e descrevem os resultados da guerra económica como “fracasso do governo”. — Crypto Cuttlefish (@cuttlefish_btc) August 5, 2017

Nas violentas críticas ao governo da Venezuela que os media despejam actualmente não há qualquer menção à campanha externa que prossegue sem abrandar com vistas à desestabilização do país e à sabotagem da economia. Nem aos milhões de dólares que os EUA tem despejado nos cofres da oposição e de ativistas antigovernamentais. Imagine-se se o governo Venezuelano estivesse a financiar os que efetuam protestos antigovernamentais nos EUA. Mas quando os neocolonialistas o fazem noutros países, está bem.

Kwame Nkrumah qualificou o neocolonialismo como a pior forma de imperialismo e tinha razão. “Para aqueles que o praticam, significa poder sem responsabilidade e para os que o sofrem significa responsabilidade sem poder.”

E o que aconteceu a Nkrumah? – ouço-vos perguntar. Apenas alguns meses após a publicação deste livro o pai da moderna Gana foi deposto por um golpe de Estado. O “Conselho Nacional de Libertação” que o eliminou rapidamente reestruturou a economia do Gana , sob a supervisão do FMI e do Banco Mundial, em benefício do capital do ocidente.

Durante anos o ocidente negou o envolvimento, mas mais tarde John Stockwell, um agente da CIA na África revelou : “a estação da CIA no Gana desempenhou um papel principal no derrube de Kwame Nkrumah em 1966”.

A Venezuela tem imenso petróleo, um governo socialista e é um forte apoiante da Síria. Nem posso imaginar por que razão os neocons estão tão interessados numa “mudança de regime”… Neil Clark (@NeilClark66) August 4, 2017

Atualmente os neocolonialistas querem que apoiemos a sua cruzada “progressista” por “democracia” e “direitos humanos” na Venezuela tão rica em petróleo. Se Kwame Nkrumah ainda estivesse entre nós, ele estaria a incitar-nos a ver o quadro na sua totalidade.

Ver também:

Fascisme, néolibéralisme, démantèlement des Etats et guerres sans fin: Où est en fait le fascisme? Milos Kovic

L’agression contre les pays voisins, des guerres sans fin, le démantèlement des Etats, des modifications des frontières par la violence ? Est-ce que cela vous rappelle Donald Trump et Nigel Farage ou plutôt leurs opposants politiques, les clans de Clinton et Bush, ou ceux de Tony Blair et de David Cameron ?

Dans les pays occidentaux, de plus en plus souvent, le public entend les mots «fascisme» et «fasciste». Ces mots sont réservés à Donald Trump, Geert Wilders, Marine le Pen et d’autres « populistes de la droite ». En outre, l’utilisation de ces mots forts est justifiée par le fait que ces hommes politiques se réfèrent à des valeurs nationales, parce qu’ils demandent à ce que les immigrations de masse soient arrêtées dans leur pays, et aussi à cause des débordements xénophobes de leurs partisans.

Cependant, le fascisme est un terme dont le sens ne peut être déterminé d’une manière rapide et facile. Après tout, il en va de même pour toutes les idéologies politiques. Il n’y a pas de définition généralement acceptée du libéralisme, du socialisme et du conservatisme. Il est bien connu que le terme «fascisme» cache des mouvements très divers, comme les fascistes italiens, les nazis allemands ou les Ustashas croates. Tout cela, cependant, ne devrait pas nous troubler et nous empêcher de comprendre cet important phénomène historique.

C’est l’expérience historique qui pourrait nous aider dans cette tâche, plus que toute simplification politique ou bien une explication théorique. Il y a une caractéristique clé du fascisme qui est, intentionnellement ou non, trop souvent oubliée dans le tumulte général contre Donald Trump ou Marine le Pen. Néanmoins, on se souvient encore des fascistes pour leurs agressions contre d’autres pays souverains, les guerres sans fin, les démantèlements des Etats et les modifications des frontières par la violence. Louis XIV et Napoléon ont également commis des actes d’agression contre leurs voisins, ils ont mené des guerres continues, ils ont démantelé des pays et modifié des frontières. L’agression d’Hitler, cependant, a été suivie par la destruction massive des populations entières, comme les Juifs, les Tsiganes et les Serbes. On se souvient du fascisme en tant que tel surtout en Europe centrale, orientale et du Sud-Est.

L’agression contre les pays voisins, des guerres sans fin, le démantèlement des Etats, des modifications des frontières par la violence ? Est-ce que cela vous rappelle Donald Trump et Nigel Farage ou plutôt leurs opposants politiques, les clans de Clinton et Bush, ou ceux de Tony Blair et de David Cameron ? Devrions-nous vous rappeler les destructions de la Yougoslavie, de l’Afghanistan, de l’Irak, de la Libye, de la Syrie, de l’encerclement de la Russie, de la Chine, de l’Iran? Trump, au contraire, selon les déclarations publiées, préconise une diplomatie traditionnelle d’intérêts et des négociations entre les Etats souverains, comme celles largement connues depuis la Paix de Westphalie en 1648, ce qui est contraire aux croisades infinies au nom des «valeurs» assidûment menées par leurs adversaires libéraux.

Les destructions massives ethniquement motivées des populations entières? Ces gens ont réussi à ce qui semblait être un idéal inaccessible pour Hitler et Pavelic: ils ont tué et expulsé la population serbe de la Croatie et des parties de la Bosnie-Herzégovine, du Kosovo et de Metohia. Tout cela, bien sûr, a été mené par leurs collaborateurs locaux, comme c’est le cas avec les chrétiens en Irak ou en Syrie. Nous ne devons pas oublier l’hystérie antiserbe dans les médias qui a permis des crimes impunis et massifs contre les Serbes. Cette opération n’est comparable qu’avec ce que l’Europe nazie a fait aux Juifs.

Mark Mazower, professeur à l’Université de Columbia à New York, a déclaré dans son livre L’empire d’Hitler qu’Hitler et les nazis étaient inspirés par l’expérience coloniale des États libéraux, du Royaume-Uni et des États-Unis pour les crimes qu’ils commettaient en Europe de l’Est. Ils ont simplement fait aux Européens ce que les colonisateurs libéraux ont fait en Afrique et en Asie. Hitler admirait la clairvoyance et le manque de pitié des Britanniques en Inde, ainsi que la brutalité raciste américaine contre les Noirs et les Indiens. Il a déclaré ouvertement que les pays slaves, en particulier la Russie, seraient dans l’avenir, l’Inde de l’Europe allemande unie. Pendant la colonisation germanique des territoires slaves en Europe de l’Est, Hitler s’est inspiré de l’expérience des États-Unis. Des enclaves de «personnes racialement et civilement supérieures» dans la mer indienne, se sont progressivement liées, ont fusionné et pillé les terres des indigènes.

Selon Mazower, les tentatives de l’empire libéral visant à forcer les pays colonisés à adopter leur modernisation et leurs modèles culturels ne sont qu’un autre côté du racisme antique indestructible. Hitler, ainsi que Goebbels ont appelé à l’unification de l’Europe autour de l’Allemagne, afin de protéger et de défendre ses valeurs raciales et culturelles. Ce faisant, ils ont ouvertement affirmé que le but principal de l’union de l’Europe était la protection contre la Russie et la marche vers la Russie. La rhétorique de la défense contre l’Union Soviétique a été utile dans le processus d’après-guerre d’unir l’Europe, où, comme le prouve Mazower, les anciens partisans d’Hitler ont assidûment travaillé comme des hauts fonctionnaires. La menace de la Russie a été une partie importante de la campagne des partisans de l’UE lors du référendum Brexit en Grande-Bretagne, ainsi que de la campagne de soutien d’Hillary Clinton lors des élections présidentielles aux États-Unis.

Certaines personnes diront que, après tout, les libéraux de l’OTAN ne conquerront pas le monde au nom de la race, mais au nom des droits de l’homme. Cependant, les bombes ont été lancées sur la Republika Srpska, la Serbie, l’Irak, la Libye et la Syrie, avec le rock & roll américain et britannique, et non avec les marches militaires allemandes. C’est en effet une belle consolation pour des millions de victimes.

Milos Kovic

Source : Le quotidien serbe POLITIKA à Belgrade

Traduction du serbe : Svetlana Maksovic

Somos Todos Americanos (Menos Donald Trump) – Sobre um novo Livro de Regis Debray – por Bernard GENSANE (em francês)

 

Régis Debray. “Civilisation. Comment nous sommes devenus américains”

Bernard GENSANE

Un livre érudit, avec de délicieuses pointes d’humour, qui poursuit une réflexion de Simone Weill de 1943 selon laquelle une américanisation de l’Europe ferait perdre son passé à l’humanité, et une interrogation de Paul Valéry, de 1939 : « Je me demande si l’Europe ne finira pas par une démence ou un ramollissement ».

On aurait pu attendre des guillemets à « américains » dans le sous-titre car, Debray le sait mieux que personne, les Chiliens ou les Cubains sont aussi des Américains. On se fiche que la partie soit prise pour le tout comme dans Make America great again.

Mais ne boudons pas notre plaisir devant cette brillante démonstration selon laquelle si une « culture construit des lieux », une civilisation « construit des routes » avec un gros bâton (celui de la big stick policy), une flotte, des armées, aujourd’hui des drones.

Depuis qu’il a raflé le Texas, l’empire américain n’a gagné en surface que quelques centaines de milliers de kilomètres carrés. Alaska y compris. Mais les 2 000 implantations militaires sur les cinq continents ne seraient rien sans les 35 000 McDo. Et vice versa.

Au milieu des années soixante, j’habitais Montdidier, petite sous-préfecture balzacienne de la Somme. Á l’époque, une ville de 5 000 habitants comptait encore bon nombre de magasins de toutes sortes. Le magasin d’habits, qui ne désemplissait jamais, avait pour enseigne “Aux surplus américains” Nous étions heureux de nous fournir pour pas cher dans une échoppe qui proclamait sans vergogne qu’elle nous vendait des rebuts, les franchisés profitant de notre naïveté pour nous refiler du trop-plein. La civilisation zunienne avait gagné chez Balzac : on ne savait pas d’où venaient ces frusques, dans quelles conditions elles avaient été stockées, ce qu’elles avaient coûté aux producteurs. Ces vêtements n’étaient même pas toujours ricains. C’était notre deuxième peau. Au XVIe siècle, le paysan d’Amboise, voisin de Léonard de Vinci, ne parlait pas un mot d’italien. Aujourd’hui, il écoute Beyoncé dans son tracteur climatisé.

Quand, demande Debray, l’Europe a-t-elle cessé de « faire civilisation » ? En 1919, au Congrès de Versailles. Les États-Unis n’ont pas alors pleinement conscience qu’ils vont devenir la première puissance mondiale. Mais le président exige que le traité soit également rédigé en anglais. Jusqu’alors, observe Debray, il y avait à l’ouest une civilisation européenne avec sa variante américaine. Dans les cinquante années suivantes, on aurait une civilisation américaine avec des variables d’ajustement européennes. Dans tous les domaines. Je n’entre pas dans les détails, mais même dans la natation, les catégories d’âge de nageurs qui dataient d’un siècle (poussins, minimes, cadets etc.) se sont alignées cette année sur les catégories zuniennes.

Plus graves que nos bassins chlorés, la République française, l’État français, les pouvoirs publics ont plié le cou devant les méthodes uniennes. En 2008, sous Sarkozy, nos ministères furent inspectés, mieux : évalués, par une entreprise privée zunienne. Comme si le corps des inspecteurs des Finances n’existait plus. L’État français fut dès lors appréhendé dans son fonctionnement à l’aune des méthodes du privé d’outre-Atlantique. Les hôpitaux (les universités, les commissariats de police etc.) furent mis en concurrence, les partis politiques devinrent des familles et cessèrent d’élaborer des programmes en se contentant de projets, on nous obligea à aimer le modèle des primaries et les candidats à la présidentielle nous proposèrent des offres.

Á Sciences-Po, « réformée » par un chairman of the board plus ricain que ricin qui mourut dans des circonstances hollywoodiennes jamais élucidées, 60% des cours sont dispensés en anglais. Et, précise Debray, le cours sur les politiques culturelles en France est dénommé « Cultural Policy and Management ».

Á bas les anciennes catégories marxisantes (bourgeoisie, classe, capitalisme) ! Ne dites plus « prolétaires » mais « milieux défavorisées » (d’ailleurs les prolétaires ne savent plus qu’ils sont prolétaires, c’est du moins ce que pensent les bobos) ; de votre langage, « bannissez » (sic) « clochards », « SDF » étant beaucoup plus indolore. Ne dites plus « santé gratuite pour tous » mais care, « avion présidentiel » mais « Sarko One ». Et, surtout, représentez-vous Bri-Bri d’amour en termes de First Lady. Envoyez vos enfants, en bons Ricains, délirer chez les voisins avec des masques d’Halloween alors que cette fête appartient au paganisme celte. Martelez comme il convient que l’équipe de France de foot est black-blanc-beur. Forcément, puisque la quête de l’égalité a été remplacée par le mirage de la diversité et que le sociétal a étouffé le social.

La thèse fondamentale de cet essai est que l’Amérique c’est de l’espace tandis que l’Europe c’est du temps. Aux États-Unis, on part sur la Route 66 en bon Easy Rider. On conquiert un territoire – au besoin avec un colt – alors qu’en Europe on labourait un terroir (on guerroyait un peu aussi, quand même). Mais tout a changé. Il n’y a plus chez nous que des « espaces » (salle d’attente, dégustation de vin, voies piétonnières, open spaces un peu partout, surtout quand ils sont agrémentés par des open bars). Je ne te demande pas qui tu es mais où tu es grâce à ma géolocalisation à un mètre cinquante près. Dans les espaces, explique Régis Debray, pas de peuple, mais une « population », c’est-à-dire une projection préfectorale ou municipale. Un peuple, c’est autre chose : une langue, des habitus, un passé, une gastronomie, du et des liens.

Á des populations hors-temps, on peut faire gober tout ce qu’on veut. Par exemple, que les États-Unis sont la nation qui a le plus contribué à la défaite de l’Allemagne alors que les Français de 1945 pensaient que c’était l’Union Soviétique. D’ailleurs si Poutine assista au 70ème anniversaire du Débarquement en Normandie, le Young Leader Hollande ne lui rendit pas la pareille à Moscou. On peut même faire croire à tous les publics, à toutes les populations de la Terre, que Rambo a gagné la guerre.

Lors du vote du Traité de Maastricht, on nous a seriné que nos enfants voyageraient, séjourneraient dans le continent et apprendraient quantités de langue européennes. Le russe et l’allemand sont cinq fois moins enseignés qu’il y a cinquante ans. Arte n’a aucune émission de débats entre intellectuels franco-allemands mais consacre dix minutes à un malaise de Mrs Clinton. Les fonctionnaires de Bruxelles communiquent dans la langue d’un pays qui ne fait plus partie de l’Union européenne. Des anciens pays de l’Europe de l’Est se sont dépêchés d’admettre sur leur sol des centres secrets de torture de la CIA. Il faut désormais endurer un président pour qui « Belgium » est une ville et qui pense avoir envoyé 59 missiles vers l’Irak alors que c’était vers la Syrie. Ça tombe où ça peut, où ça doit. L’important, c’est que ça « frappe » (plus de bombardements, des frappes), que ça terrorise, quel que soit le degré d’improvisation.

Debray nous rappelle qu’en affaires l’empire est féroce, voyou. BNP a accepté de payer une amende bidon, une rançon de 8,9 milliards de dollars (vous me direz : elle les avait) sans que nos gouvernants s’émeuvent, sans que notre médiacratie s’étonne. Quant à imaginer une réciprocité… Debray cite Pierre Lellouche, homme politique bien à droite, pas vraiment hostile à l’aigle impérial : « Un obscur accord fiscal franco-américain transformera notre ministère des Finances en supplétif de l’International revenue Service. Cet accord ne fait que traduire dans le droit français une loi américaine obligeant nos institutions financières à déclarer au fisc américain tous les comptes détenus par des citoyens ou entités amléricains en France dès lors que leur solde est supérieur à 50 000 dollars. Mais sans réciprocité : ce que le fisc français donnera à l’IRS, le Trésor américain ne le fera pas dans l’autre sens parce que la loi américaine ne le permet pas. »

Une des dernières réflexions de l’auteur porte sur la notion de laïcité que nous, tous seuls avec nos petites mains, avons réussi à américaniser. Je vous laisse découvrir comment.

Les moins jeunes d’entre nous s’en souviennent. Le Défi américain, publié en octobre 1967, fut l’un des plus énormes succès de librairie en France. Certes, il bénéficia du battage hebdomadaire de L’Express, beaucoup plus prescripteur qu’aujourd’hui. Son éditeur avait prévu un tirage de 15 000 exemplaires. Il s’en vendit 2 millions en France et 10 millions dans le monde.

Bernard Gensane

Paris : Gallimard, 2017.

Trump: Laicidade e Terrorismo no Mundo Islâmico

 

Um vento de laicismo sopra sobre o mundo muçulmano

O discurso de Donald Trump em Riade suscitou uma vaga de tomadas de posição contra o terrorismo e contra o islão político. O mundo árabe expressa a sua sede de laicidade no exacto momento em que esta é deformada na Europa e utilizada contra as religiões. Face a este sopro de liberdade, os Britânicos organizam o campo do islão político à volta do Catar, do Irão, da Turquia e dos Irmãos Muçulmanos.

 | DAMASCO (SÍRIA) | 13 DE JUNHO DE 2017 

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Sayyid Qutb (1906-1966), o pensador do islamismo político

Durante a colonização, e toda a Guerra Fria, as potências imperialistas utilizaram as religiões para abafar qualquer contestação ao seu domínio. Assim, a França, que adoptou em 1905 uma importante lei sobre o laicismo das sua instituições, decidiu de imediato não a aplicar nos territórios colonizados.

Sabe-se, hoje em dia, que as “Primaveras Árabes” eram uma iniciativa britânica destinada a colocar os Irmãos Muçulmanos no Poder e, assim, fortalecer a dominação anglo-saxónica sobre o «Médio-Oriente Alargado».

Desde há 16 anos, os Ocidentais acusam precisamente os muçulmanos de não limpar os seus países e tolerar aí os terroristas. No entanto, é agora evidente que estes terroristas são apoiados por esses mesmos Ocidentais com o fim de escravizar os muçulmanos por meio do «islão político». Londres, Washington e Paris só se inquietam com o terrorismo quando ele transborda para lá do «Médio-Oriente Alargado», e eles jamais criticam o «islão político», pelo menos no que toca aos sunitas.

Ao pronunciar o seu discurso em Riade, a 21 de Maio de 2017, o Presidente Trump significava pôr um termo ao terrorismo que consome a região e se estende agora ao Ocidente. As palavras que ele pronunciou tiveram o efeito de um electrochoque. A sua alocução foi interpretada como uma autorização para acabar com este sistema.

Aquilo que pareceu impensável durante os últimos séculos, de repente, cristalizou-se. Aceitando cessar todo e qualquer contacto com os Irmãos Muçulmanos, a Arábia Saudita atirou-se aqueles que prosseguem a colaboração com os Britânicos, e particularmente contra o Catar. Riade deu o sinal de uma tormenta que carrega com ela muitas frustrações. Por espírito de vingança beduíno, as relações diplomáticas foram interrompidas, e um bloqueio económico foi montado contra a população catariana; enquanto nos Emirados foi instituída uma sentença de 15 anos de prisão para todo aquele que mostre a mínima compaixão para com o povo do Catar, enxovalhado.

Um gigantesco deslocamento de forças e de alianças começou. Se esta tendência se mantiver, a região irá organizar-se em torno de uma nova clivagem. A questão da luta contra o imperialismo vai apagar-se para dar lugar à da luta contra o clericalismo.

Os Europeus viveram esta clivagem durante quatrocentos anos, do século XVI ao século XIX, mas não os Norte-Americanos porque o seu país foi fundado pela seita dos Puritanos que fugiam a esta clivagem. A luta contra o cristianismo político foi, antes de mais, um combate contra a pretensão do clero da Igreja Católica de dirigir os seus fiéis até mesmo dentro do quarto de dormir. Ela só terminou quando Paulo VI, o qual largou a tiara papal. Esta tríplice coroa era suposta simbolizar que o Papa estava acima de reis e de imperadores.

Tal como o Cristianismo original que não tinha sacerdotes (estes só apareceram no IIIº século), o Islão original e o Sunismo actual também não. Apenas o Xiismo se estruturou como o Catolicismo e a ortodoxia. De facto, hoje em dia o islão político é incarnado pelos Irmãos Muçulmanos e pelo governo do Xeque Rohani (o título de xeque indica que o Presidente Rohani é membro do clero xiita).

Actualmente uma aliança clerical está em vias de formação com a ajuda do Reino Unido. Poderia ser um bloco incluindo o Irão, o Catar, a Turquia, Idlib no Noroeste da Síria, e Gaza. Este conjunto iria tornar-se o protector dos Irmãos Muçulmanos e, por conseguinte, o defensor da utilização do terrorismo.

Em duas semanas a imprensa árabe, que até aqui considerava favoravelmente os Irmãos Muçulmanos como uma poderosa organização secreta e o jiadismo como uma motivação legítima, de repente virou. Por todo o lado, todos apresentam a sua denúncia contra a pretensão dos Irmãos Muçulmanos a reger a vida das pessoas, e a loucura cruel do jiadismo.

Esta maré de comentários, os séculos de frustrações que elas exprimem, a sua violência, tornam qualquer regresso atrás impossível; o que não significa que a aliança Irão-Catar-Turquia-Hamas chegue até ao fim do percurso. Esta vaga revolucionária ocorre em pleno mês do Ramadão. As reuniões entre amigos, e família, que deveriam ser celebrações consensuais transformam-se, por vezes, em contestação daquilo parecia ser até aí as bases do Islão.

No caso de a clivagem a favor ou contra o clericalismo prosseguir, iremos assistir a uma recomposição geral da paisagem política. Por exemplo, os Guardas da Revolução, que se formaram para lutar contra o imperialismo anglo-saxónico, acumularam ressentimento contra o clero iraniano.

Muitos lembram-se que durante a guerra imposta pelo Iraque, os mulás e aiatolas se desenrascavam para esconder os seus filhos enquanto os Guardiões morriam no campo de batalha. Mas, enfraquecidos durante o primeiro mandato de Rohani, é pouco provável que eles ousem levantar-se contra o poder civil-religioso. Pelo contrário o Hezbolla libanês é dirigido por Sayyed Hassan Nasrallah (aqui o título de Sayyed indica que ele é descendente directo do profeta Maomé), uma personalidade que promove a separação entre a esfera pública e a esfera privada. Muito embora desempenhando uma função religiosa e uma outra política, ele sempre se opôs a misturar as duas, aceitando sempre o princípio platónico de Velayat-e Faqih (quer dizer do governo por um sábio). É, portanto, pouco provável que o Hezbolla vá seguir o governo Rohani.

Enquanto isso, toda a região se agita : na Líbia, os Irmãos Muçulmanos deixaram Trípoli deixando uma milícia libertar(liberar-br) Saif al-Islam Kadhafi e o General Haftar alargar a sua influência. No Egipto, o General-Presidente al-Sissi encomendou aos seus homólogos do Golfo uma lista de terroristas. Na Palestina, a direcção política do Hamas refugiou-se no Irão. Na Síria, os jiadistas pararam de combater contra a República e aguardam ordens. No Iraque, o exército redobra os esforços contra os Irmãos Muçulmanos e a Ordem dos Naqchbandis. Na Arábia Saudita, a Liga Islâmica Mundial excluiu do seu Conselho de administração o pregador vedeta dos Irmãos e o propagandista das Primaveras Árabes, o Xeque Qaradawi. Enquanto a Turquia e o Paquistão iniciaram o envio de dezenas de milhar de soldados em direcção ao Catar; o qual já só consegue alimentar-se com a ajuda do Irão.

Um nova era parece levantar-se sobre a região.

Tradução
Alva

Oliver Stone, Sócrates e Putin – por John Wight e RT

 

Stone’s ‘Putin Interviews’ offend a US establishment drunk on its own exceptionalism

John Wight

 

John Wight has written for newspapers and websites across the world, including the Independent, Morning Star, Huffington Post, Counterpunch, London Progressive Journal, and Foreign Policy Journal. He is also a regular commentator on RT and BBC Radio. John is currently working on a book exploring the role of the West in the Arab Spring. You can follow him on Twitter @JohnWight1

Indeed, surely such an insight is absolutely necessary, what with Russia being the biggest country in Europe, a major nuclear power, and with the deepening tensions arising from Russia’s geostrategic differences and rivalry with Washington in recent years.

Yet for the Western liberal commentariat, condemnation rather than understanding is the order of the day, evidenced in the barrage of criticism with which Stone’s documentary series on the Russian leader has been received in the Western mainstream.

The interview the filmmaker did with liberal US talk show host Stephen Colbert on his project is a prime example.

 

 

Colbert’s line of questioning amounted to a regurgitation of the very caricature that Stone had set out to move beyond in over 20 hours of interviews on an abundance of topics with Putin – his upbringing, family history, career, thoughts on leadership, the challenges Russia faced during the dark days of the 1990s, his relations with various US presidents, NATO, and so on.

Yet for the likes of Mr. Colbert it’s much easier to go with the official narrative, contained in his first question of the interview: “What do you say to people who say that yours [Oliver Stone’s] is a fawning interview of a brutal dictator?” Not only the question, but also the casual and insouciant way in which it was delivered, confirmed the dumbing-down of news information, analysis and commentary that has been underway in the United States over decades.

The result is a culture so intellectually shallow it is frightening to behold, one in which ignorance is celebrated rather than scorned, in which national exceptionalism and arrogance is exalted rather than rejected. And woe betide anyone, such as Oliver Stone, who dares try to penetrate this fog of ignorance and sense of exceptionalism that has so corroded US cultural values.

Listening to Colbert’s studio audience laugh at Stone in response to his statement that Putin had been unfairly treated and abused by the US media, I was minded of the treatment meted out to the ancient Greek philosopher Socrates. Such a comparison is not as outlandish as some may think on first impressions.

Think about it: for daring to question the prevailing orthodoxy, received truths, and dominant ideas the philosopher was lampooned, ridiculed and ultimately condemned to death by the powers that be in Athens, considered at the time to be the home of democracy and liberty, just as Washington is – or to be more accurate claims that it is – in our time.

Interestingly, the clamor to condemn Socrates took place when tensions between Athens and its Greek city-state rival and adversary, Sparta, were still high just a few years after the end of the Peloponnesian War (431-404 BC).

As everybody knows, in times of war – whether cold or hot – a nation’s tolerance for dissent, for daring to swim against the cultural tide, evaporates, even though it is precisely at such times when dissent is most necessary. After all, in the case of the rising tensions that we have witnessed between Russia and the US recently, it is not people like Stephen Colbert who will be sent into combat should those tensions spill over into direct military conflict.

With this in mind, perhaps it would have been more to the talk show host’s benefit to have listened carefully to a man, in Oliver Stone, who has experienced combat, and who does have first-hand experience of a devastating war unleashed in the cause of the very national exceptionalism previously described.

As a filmmaker, Oliver Stone’s body of work, reaching all the way back to the 1980s, is a testament to his integrity both as an artist and as a human being. From ‘Salvador’ in 1986, an unflinching expose of covert US support for right-wing death squads in El Salvador, all the way up to his latest movie ‘Snowden’ in 2016, which tells the story of US intelligence whistleblower Edward Snowden, this is a filmmaker with a fierce passion for truth. As such, it is a fair bet that in generations to come his works will still command respect and serious analysis. Could we say the same about Stephen Colbert’s body of work?

To ask the question is to answer it.

Carthago delenda est’ – Carthage must be destroyed. These words of Cato the Elder, which the Roman statesman and orator is said to have repeated at the conclusion of every one of his speeches, is the sentiment behind the campaign of demonization against Vladimir Putin that is a feature of Western cultural life.

It has become so pervasive and obsessive you would think that it was the Russian leader who had the destruction of entire countries on his record and conscience – i.e. Afghanistan, Yugoslavia, Iraq and Libya – and that it was his foreign policy that had killed more people and sown more chaos than at any time since World War II.

Oliver Stone is to be commended for trying to wake America up to the damage it does and has done around the world over many decades. Those who would attack and laugh at him for doing so merely confirm the degeneration of a culture built on foundations not of wisdom, but of crass ignorance”.

The statements, views and opinions expressed in this column are solely those of the author and do not necessarily represent those of RT.

Venezuela, entre o chavismo (Socialismo do Século XXI, ou seja, Sem Estatização dos Meios de Produção) e a restauração colonial – por Jorge Beinstein

“A crise venezuelana aprofunda-se. O governo respondeu ao assédio da direita e dos EUA lançando a iniciativa da Assembleia Constituinte. A sua intenção foi produzir uma mudança radical de cenário, convertendo os seus atacantes da direita em assediados golpistas por uma provável avalanche popular mobilizada para um novo modelo institucional, fundada no poder comunal, expressão directa das maiorias populares. As redes sociais e um número crescente de autores referem-se à perspectiva de uma “guerra civil”.

A oposição de direita aparece girando em torno de dois pólos, um extremista, que alguns descrevem como “uribista” (de Uribe ex-presidente colombiano), imerso num raivoso neofascismo, que postula o derrube urgente do governo e a instalação de um regime de terror anti-chavista e outra mais moderada – que pressiona para a realização de um tipo de golpe suave ou até mesmo a antecipação das eleições presidenciais em que supõe sair vitoriosa. A perspectiva de um levantamento armado imediatamente assistido por uma intervenção externa, colombiana ou multinacional, pilotada por Washington, é vista cada vez mais por todos eles como altamente provável (e desejável embora ainda nem sempre confessado).

Por seu lado, o governo procura ganhar tempo, procura meter umas rasteiras à direita, como a de convocar a Assembleia Constituinte, pretende dividi-la estabelecendo pontes de negociação com a suposta oposição civilizada. O seu objectivo publicitado diariamente é a “paz”. Alguns supõem que é uma estratégia hábil que deveria reduzir o espaço social da direita empurrando os seus sectores “moderados” para negociação, e estabelecer áreas de convergência com o chavismo. Mas no chavismo aparecem vozes críticas, ressaltando que este pensamento de pacifismo a todo o transe anula as perspectivas revolucionárias bolivarianas, enterra as bandeiras do socialismo do século XXI e na realidade expressa a vontade da “boli-burguesía”, uma burguesia arrivista que se desenvolveu nos últimos anos à sombra dos negócios com o Estado e mais em geral com a direita chavista tentando estabelecer uma espécie de acordo conservador, pacto de unidade nacional onde navegariam triunfantes os expoentes da velha e da nova burguesia.

Carlos Morreo, por exemplo, estabelece a diferença entre o ” ;chavismo governamental” ; e “o chavismo amplo” [1] que outros identificam como o “povo chavista” animado pelas façanhas de seu líder histórico, transcendendo as jogadas tácticas deste ou daquele dirigente. Reinaldo Iturriza Lopez, que foi até há pouco ministro do Poder Popular para as Comunas e, mais recentemente, ministro da Cultura afirmou que “chavismo é, para dizer como John William Cooke, “o empreendimento maldito da política burguesa de um país”. Cooke referia-se, claro, ao peronismo, num texto de 1967, mas a sua frase aplica-se ao caso venezuelano.

O chavismo é, desde a sua criação, um fenómeno “maldito” para a burguesia, porque aquilo que lhe dá coesão não é sua capacidade de aglutinar o descontentamento, mas seu forte antagonismo contra o status quo. Antagonismo que adquiriu aspectos anti-capitalistas com o passar dos anos e no calor da luta como assumiram de viva voz tanto Chávez como as suas linhas de forças mais avançadas [2] .

Encontramo-nos então perante o inevitável confronto entre uma direita contra-revolucionária, firmada ideologicamente no capitalismo e no elitismo colonial e o povo chavista transbordando, com apenas a sua presença, os limites do sistema. Neste caso, paz é uma quimera porque são duas forças históricas avançando em sentidos opostos. Dia a dia a avalanche de acontecimentos, caos económico, incessante bombardeio mediático global sobre a Venezuela, dificultam olhar a realidade para além da desordem quotidiana. 

Petróleo e geopolítica 

A Venezuela tem a maior reserva mundial de petróleo (cerca de 300 mil milhões de barris de crude, de acordo com as estimativas mais recentes), quase um quinto do total mundial, superando a Arábia Saudita (cerca de 265 mil milhões de barris). Em 2003 quase 70% das exportações de petróleo venezuelano foram para os Estados Unidos mas em 2016 tinham caído para 20%, em alternativa 40% vai para a China e 20% para a Índia.

Esta orientação asiática (principalmente chinesa) da maior reserva de petróleo do mundo, longe da velha dependência do mercado imperial, constitui um casus belli de primeira ordem na estratégia dos Estados Unidos, a perda da Venezuela agora associada à China aparece como uma situação intolerável. Mais ainda quando as ilusões americanas sobre a sua produção de xisto betuminoso arrefeceram de acordo com a previsão oficial dada pela Energy Information Administration: no ano 2021 iria atingir-se o nível mais alto deste tipo de produção e a partir daí começaria a declinar. [3]

As reservas petrolíferas do império esgotam-se e também a paciência de Washington, o império está a perder a sua grande guerra asiática e com isso a sua ilusão de controlar a maior parte das reservas de gás e petróleo do planeta. Consequentemente, a reconquista da Venezuela passa a estar no primeiro nível de suas prioridades. Além disso, este projecto faz parte da estratégia de recolonização da América Latina, retaguarda histórica do império a que a derrota na Ásia atribui excepcional importância.

Mas a recolonização da Venezuela não é uma tarefa fácil, não se pode lá realizar um golpe suave, nas suas diversas formas, como aconteceu nas Honduras, Paraguai, Brasil ou Argentina, principalmente porque não só existe uma força militar convencional fortemente influenciada pelo chavismo, mas também milícias populares e todo o apoio de uma alta capacidade de mobilização de milhões de chavistas.

A intervenção das forças militares colombianas sempre foi uma alternativa, mas era difícil quando na retaguarda destas forças apareciam as FARC e seus milhares de guerrilheiros. Uma complexa estratégia de desarmamento dos rebeldes foi desenvolvida de maneira paciente e sistemática, pressionando os governos de Cuba, Venezuela e vários Estados progressistas da região que mediaram as negociações de paz, combinando ofertas atractivas, golpes baixos e um amplo espectro de acções directas e indirectas sobre as FARC, desenvolvendo uma Guerra de Quarta Geração de alto nível de sofisticação.

O resultado foi positivo para Washington, as FARC concordaram em desarmar e a retaguarda estratégica dos militares e paramilitares colombianos estava livre de perigos. Agora o que é considerado como o melhor aparelho militar da região tem as mãos livres para cumprir as ordens do seu amo imperial e colocá-las no pescoço bolivariano. [4]

Sem excluir a intervenção militar, por agora, os Estados Unidos desenvolvem uma estratégia de desgaste: sabotagem económica, guerra das ruas, ofensivas mediáticas, diplomacia de cerco, jogo de negociações e outras acções destinadas a isolar, degradar e dividir o inimigo chavista. Nos cálculos dos estrategas Imperiais é certamente o cenário do salto qualitativo passando do desgaste para uma insurreição político-militar fase convergente com a intervenção externa.

Esperanças e frustrações 

De acordo com dados do Banco Mundial, em 1960, 61% da população venezuelana era urbana, em 1980 chegou a 79% em 2000 passou para 88% e em 2015 quase para 90%. Uma crescente massa populacional passou a estar nas grandes cidades, principalmente em Caracas, não como resultado da industrialização, mas da reprodução alargada de parasitismo. Destruição social levada a cabo por uma burguesia importadora e financeira dona do Estado que desde 1976, com a nacionalização da produção de petróleo, se apropriava das divisas geradas pelas exportações (em mais de 90% resultado de vendas de petróleo bruto e seus derivados), herdando, remodelado, o velho sistema dominante baseado nas exportações de couro, cacau e café, garantindo a continuidade do subdesenvolvimento.

A economia de renda (petrolífera) bloqueou as possibilidades de desenvolvimento industrial e destruiu o tecido agrário, as vítimas do desastre passaram a engrossar as fileiras dos marginais. O modelo explodiu com o Caracazo (1989) [NR] e a vaga popular abriu o caminho da Revolução Bolivariana, Chavez era o seu líder. Este despertar das massas submersas moveu-se até à formulação de um horizonte pós-capitalista: o socialismo do século XXI. Mas o que aconteceu foi uma sucessão de obstáculos, dificuldades e deficiências que foram estabelecendo uma distância crescente entre os objectivos socialistas proclamados e a capacidade de reprodução, embora isto fosse degradado pelo país burguês que se pretendia superar.

A burguesia comercial-financeira foi pressionada, às vezes golpeada, maltratada, mas não eliminada. Não só não foi superado o capitalismo como o seu funcionamento se tornou caótico, não tendo sido substituído pela estatização socialista (que o ” ;socialismo do século XXI” ; chavista queria superar) nem pelo “socialismo, comunal” proposto produto da auto-organização das bases populares. No meio desta confusão, reproduziu-se a partir do Estado uma elite emergente parasitária com fachada de bolivariana e práticas corruptas: a boli-burguesía. O velho sistema decadente não só sobreviveu aos seus antigos crápulas mas gerou novos homens de negócios turvos.

Fica assim colocada a tragédia com final em aberto, os seus atores estão à vista. A velha burguesia parasitária arrastando um vasto conjunto social multiforme onde as camadas médias têm um papel essencial, não têm um programa definido, apenas a fúria anti-chavista os reúne. Frente a ela um vasto espaço chavista agrupando civis e militares, boli-burgueses e massas populares radicalizadas, conciliadores com a direita e revolucionários. Espaço heterogéneo, que oscila entre a rendição honrosa e o salto para o pós-capitalismo. Enquanto isso, o império vai medindo forças, ajustando os dispositivos de intervenção, sabe que mesmo afastando o governo chavista nada lhe assegura o controlo do país e em consequência o seu petróleo”.

Notas
[1] Carlos E. Morreo, “La constituyente es una decisión estratégica”, Aporrea, 06/05/2017, www.aporrea.org/actualidad/a245486.html
[2] Reinaldo Iturriza Lopez, “Chavismo y revolución¿que pasa en Venezuela”, Rebelión, 31/08/2016, www.rebelion.org/noticia.php?id=2161151
[3] US Energy Information Administration, AEO 2014, Early Release Overview.
[4] É muito esclarecedor o recente artigo de Tony Lopez Rodrigues destacado membro da diplomacia cubana: “El gobierno de Colombia ante la crisis interna venezolana”, 24.-04- 2017, PIA – Periodismo Internacional Alternativo – Nac&Pop, nacionalypopular.com/…

[NR] Revolta popular em Caracas duramente reprimida pelo governo do social-democrata Carlos Andrés Perez com uma matança de mais de 3000 cidadãos. 

Somos Todos Americanos ou o Tempo Substituído pelo Espaço Homogéneo

O polémico Regis Debray

 

É verdade, vamos ser cada vez mais turistas no nosso próprio país. Bom ou não? Sem raízes na terra, vamos e ficamos aonde o capital nos deixa e vamos para onde à sua procura ele nos leva. Por outro lado, como afirma Regis Debray, a nossa medida vai ser cada vez mais o espaço e cada vez menos o tempo. O tempo tem um nome: Europa. O espaço homogéneo tem um nome: América. O mundo está a ser engolido pela América.

E vamos sê-lo cada vez mais

(Motivado pela leitura de um artigo de O Público.)