Uma «ONG humanitária» (Capacetes Brancos, candidatos ao Prémio Nobel da Paz) priva de água 5,6 milhões de civis

6d1d62b87529c3fe62ae5d72764d002c_xl
REDE VOLTAIRE | 7 DE JANEIRO DE 2017

Os jiadistas que poluíram, em 24 de Dezembro de 2016, as fontes do Barada —o rio que alimenta de água os mais de 7 milhões de habitantes de Damasco e da sua região— e fizeram explodir as canalizações, publicaram uma declaração fixando as suas condições .

Actualmente 5,6 milhões de civis estão totalmente privados de água corrente desde há duas semanas. As autoridades conseguiram distribuir à população, uma a duas vezes em quinze dias, água em camiões-cisternas, à razão de 50 litros por família. Exceptuando os bidões que puderam encher para as suas necessidades sanitárias e de cozinha, os habitantes têm que comprar água mineral engarrafada para o seu consumo de água potável.

Segundo a «Declaração de Barada», os jiadistas só deixarâo os engenheiros limpar e reparar as fontes no Barada se o Exército Árabe Sírio e Hezbolla puserem termo aos combates (quer dizer se a República Árabe Síria capitular).

Numa carta dirigida ao Conselho de Segurança, a Síria denunciou a planificação desta operação pelas potências que apoiam e armam os jiadistas.

Entre os sete grupos jiadistas signatários do documento figuram os «Capacetes Brancos» («White Helmets»- ndT), ditos «Defesa civil síria». Esta «ONG humanitária» (sic) foi criada e é dirigida por um oficial do MI6, James Le Mesurier, promovido pela rainha Isabel, em 2016, ao grau de oficial Império Britânico. Esta organização encharca os média com imagens chocantes destinadas a provar «os crimes do regime», e sobre as quais foi muitas vezes demonstrado não serem mais que puras encenações propagandísticas.

A participação desta «ONG humanitária» nos combate foi provada. O Ministério russo da Defesa descreveu-a como próxima da Al-Qaida».

Os Capacetes Brancos são financiados pela Alemanha, pela Dinamarca, pelos EUA, pela França, pelo Japão, pelos Países Baixos e pelo Reino Unido.

A 19 de Outubro de 2016, o Presidente da República Francesa, François Hollande, o seu Ministro dos Negócios Estrangeiros, Jean-Marc Ayrault, e a Presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros da Assembleia Nacional, Elisabeth Guigou, receberam no Eliseu uma delegação dos Capacetes Brancos, incluindo o presidente do Comité «civil» de Alepo (sic), auto-proclamado «presidente da Câmara» («prefeito de Alepo»-br) (re-sic), Hagi Hasan Brita.

A França tinha apresentado, em vão, a candidatura dos Capacetes Brancos ao Prémio Nobel da Paz.

De acordo com o Direito Internacional, o facto de se privar civis de água é considerado como um crime de guerra.

Tradução
Alva

A Guerra na Síria Tem como Objectivo Cortar uma das Rotas da Seda (Ligação da China ao Ocidente): Thierry Meyssan

 

Síria : talvez a guerra limitada ?

Cada vez que o Exército Árabe Sírio bate os jiadistas, novos combatentes se infiltram, aos milhares, no país. Forçoso é constatar que esta guerra é alimentada do exterior, e que ela durará tanto, quanto, para aí se enviar combatentes para morer. Assim sendo, será preciso compreender as razões externas que a fazem prosseguir sem parar. Então e só então, se poderá elaborar uma estratégia que poupe vidas.

 

 | DAMASCO (SÍRIA) | 11 DE MAIO DE 2016 
A antiga «Rota da Seda» ligava o Irão à costa Síria, atravessando o Iraque e passando por Palmira. É geograficamente impossível abrir outras grandes vias de comunicação através do deserto. Por consequência, a cidade tornou-se o centro do jogo na guerra da Síria. Após ter sido ocupada durante um ano pelo Daesh(E.I.), ela foi libertada pelo Exército Árabe Sírio e acaba de acolher dois concertos, televisionados na Síria e na Rússia, para celebrar a vitória sobre o terrorismo.
Eis que há mais de cinco anos que a Síria está em guerra. Aqueles que apoiaram este conflito explicavam-no, à partida, pelo avançar das «primaveras árabes». Mas, hoje, mais ninguém mantêm este discurso. Simplesmente porque os governos saídos destas «primaveras» foram já derrubados. Longe de serem uma promoção democrática, estes acontecimentos eram apenas uma táctica de mudança de regimes laicos a favor dos Irmãos Muçulmanos.
Pretende-se agora que a «primavera» síria foi desviada por outras forças; que a «revolução» –-que nunca existiu— teria sido devorada por jiadistas bem reais.
Como o fez ressaltar o Presidente Vladimir Putin, em primeiro lugar o comportamento dos Ocidentais e dos países do Golfo é incoerente. É impossível, no campo de batalha, combater, ao mesmo tempo, tanto os jiadistas como a República e fingir tomar uma terceira posição. Ora, ninguém assumiu publicamente a sua escolha, de tal modo que a guerra prossegue.

 

A verdade é que esta guerra não tem nenhuma causa interna. É o fruto de um ambiente não regional, mas, antes global. Quando ela foi declarada pelo Congresso dos EUA, ao votar o Syrian Accountability Act (Lei de Responsabilização da Síria- ndT), em 2003, o objectivo de Dick Cheney era deitar a mão às gigantescas reservas de gaz do país. Sabe-se, hoje em dia, que o «pico petrolífero» do crude oil(petróleo bruto) não marca o fim do petróleo e que Washington vai, em breve, explorar outras formas de hidrocarbonetos no Golfo do México. O objectivo estratégico dos Estados Unidos mudou, portanto. Agora, é para travar o desenvolvimento económico e político da China e da Rússia, forçando-as a comerciar exclusivamente pelas rotas marítimas controladas pelos seus porta-aviões.
Desde a sua chegada ao poder, em 2012, o Presidente Xi Jinping anunciou a intenção do seu país de superar esta limitação e construir duas rotas comerciais continentais em direcção à União Europeia. A primeira, sobre o antigo traçado da Rota da Seda, a segunda via Rússia até à Alemanha. De imediato dois conflitos surgiram: primeiramente a guerra na Síria não teve, nunca, como objetivo mudar o regime, mas criar o caos, enquanto o mesmo caos se instalava, sem outra razão, na Ucrânia. Depois, a Bielorrússia aproximou-se da Turquia e dos Estados Unidos, estendendo ao Norte a divisão da Europa em duas. Assim, estes dois conflitos, sem fim, cortam as duas Rotas.
A boa nova, é que ninguém pode negociar uma vitória na Ucrânia contra uma derrota na Síria, uma vez que as duas guerras têm o mesmo objectivo. A má notícia, é que o caos continuará, em ambas as frentes, enquanto a China e a Rússia não conseguirem construir um outro eixo de comunicação.
Por consequência, não há nada a esperar de uma negociação com pessoas que são pagas para fazer durar o conflito. Mais valia fazer prova de pragmatismo, aceitar a ideia que estas guerras não são mais do que meios para Washington cortar as Rotas da Seda. Só nessa altura será possível desenovelar os muitos interesses em jogo, e estabilizar todas as áreas habitadas.
Tradução

 

 

 

Fonte

 

 

 

O Suicídio Europeu Face à Turquia – por Thierry Meyssan

 

 
A HISTÓRIA EM VIAS DE SE REPETIR

O suicídio Europeu face à Turquia

RESEAU VOLTAIRE. ORG
 
Ao assinar um acordo —diga-se de passagem, ilegal no Direito Internacional— com a Turquia para abrandar o afluxo de migrantes, os dirigentes da União Europeia envolveram-se um pouco mais num pacto com o diabo. Uma grande parte dos 3 mil milhões (bilhões-br) alocados a Ancara servirá para financiar o apoio aos jiadistas e, por conseguinte, a aumentar o número de migrantes que fogem à guerra. Acima de tudo, revogando, nos próximos meses, os vistos com a Turquia, os Europeus instituem a livre circulação entre os campos da Al-Qaida, na Turquia, e Bruxelas. Esmagando assim os povos iraquiano e sírio sob a opressão dos jiadistas, que eles financiam indirectamente, e abandonando o povo turco à ditadura do Presidente Erdoğan, preparam as bases de um vasto enfrentamento do qual virão a ser as vítimas.
 | DAMASCO (SÍRIA) | 22 DE MARÇO DE 2016 
+
JPEG - 40.6 kb
Aquando da conferência de imprensa de 18 Março de 2016, o presidente da União Europeia, Donald Tusk (um Polaco que defende os interesses da Alemanha), parecia tentar acalmar a fúria do presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker (um Luxemburguês que defende os interesses dos E.U.A.). Para enorme satisfação de um Primeiro-ministro Turco, tranquilamente irónico, Ahmet Davutoğlu.
© União europeia
«A democracia é como um tramway, subimos para ir aonde queremos e aí chegados descemos»
Recep Tayyip Erdoğan (1996)
O Conselho Europeu de 17 e 18 de Março de 2016 adoptou um plano visando resolver o problema colocado pelo afluxo maciço de migrantes provindo da Turquia [1]. Os 28 chefes de Estado e de governo submeteram-se a todas as exigências de Ancara.
Nós havíamos já analisado a maneira pela qual os Estados Unidos entendiam utilizar os acontecimentos do Próximo-Oriente para enfraquecer a União Europeia [2]. No início da actual crise dos «refugiados», fomos os primeiros a observar simultaneamente que este evento tinha sido deliberadamente provocado, e os problemas insolúveis que ele ia colocar [3]. Infelizmente, todas as nossas análises acabaram provadas, e as nossas posições foram, depois, amplamente adoptadas pelos nossos detractores de então.
Indo mais longe, interessa-nos avaliar a maneira como a Turquia tomou conta do jogo e a cegueira da União Europeia, que persiste em estar um passo atrás.

O jogo de Recep Tayyip Erdoğan

O presidente Erdoğan não é um homem político como os outros. E, não parece que os Europeus, nem os povos, nem os seus dirigentes, tenham tomado plena consciência disso.
• Primeiro, ele veio da Millî Görüş, um movimento islâmico pan-turquista ligado aos Irmãos Muçulmanos do Egipto e defensor do restabelecimento do Califado [4]. Segundo ele —como, aliás, segundo os seus aliados do Milliyetçi Hareket Partisi (MHP)— os Turcos são os descendentes dos Hunos de Átila, eles próprios filhos do lobo das estepes da Ásia Central, do qual herdariam a resistência e a crueza. Formam uma raça superior chamada a governar o mundo. A sua alma é o Islão.
O presidente Erdoğan é o único chefe de Estado do mundo a reivindicar-se de uma ideologia supremacista étnica, perfeitamente comparável ao arianismo nazista. É, igualmente, o único chefe de Estado no mundo a negar os crimes da sua história, nomeadamente os massacres de não-muçulmanos pelo Sultão Abdulhamid II (os massacres hamidianos de 1894-1895: pelo menos 80. 000 Cristãos mortos e 100.000 Cristãs incorporadas à força nos haréns), depois pelos Jovens Turcos (genocídio dos Arménios, dos Assírios, dos Caldeus, dos Siríacos, dos Gregos pônticos e dos Yazidis de 1915 a 1923: pelo menos 1,2 milhões de mortos); um genocídio que foi executado com a ajuda de oficiais alemães, entre os quais Rudolf Höss, futuro director do campo de Auschwitz [5].
 
 
Ao celebrar o 70º aniversário da libertação do pesadelo nazista, o presidente Vladimir Putin sublinhou que «as ideias de supremacia racial e de exclusivismo provocaram a guerra mais sangrenta da História» [6]. Depois, aquando de uma marcha —e sem nomear a Turquia—, ele apelou a todos os Russos para estarem prontos a renovar o sacrifício dos seus avós, se necessário, afim de salvar o princípio da própria igualdade entre os homens.
• Em segundo lugar, o presidente Erdogan, que apenas tem o apoio de um terço da sua população, governa sozinho o país pela força. É impossível saber com precisão o que pensa o povo turco, uma vez que a publicação de qualquer informação pondo em causa a legitimidade do presidente Erdoğan é agora considerada como uma violação da segurança do Estado, e conduz imediatamente à prisão. No entanto, se nos referirmos aos mais recentes estudos publicados, em outubro de 2015, menos de um terço do eleitorado o apoia. O que é nitidamente menos que os nazistas em 1933, que dispunham, então, de 43% dos votos. Esta foi a razão pela qual o presidente Erdoğan só pode ganhar as eleições legislativas após uma grosseira falsificação.
Entre outras:
- Os média (mídia-br) da oposição foram amordaçados: os grandes jornais quotidianos Hürriyet e Sabah assim como a televisão ATV foram atacadas por homens de mão do partido no poder; foram lançadas investigações visando jornalistas e órgãos de imprensa acusados de apoiar o «terrorismo» ou de ter feito comentários difamatórios contra o Presidente Erdoğan; “sites” web foram bloqueados; prestadores de serviços digitais suprimiram do seu cartaz os canais de televisão da oposição; três dos cinco canais de televisão nacionais, entre os quais a emissora pública, foram nos seus programas claramente partidários do partido no poder; outros canais de televisão nacional, o Bugün TV e Kanalturk, foram fechadas pela polícia.
- Um estado estrangeiro, a Arábia Saudita, derramou £ 7 mil milhões (bilhões-br) de «donativos» para «convencer» os eleitores a apoiar o presidente Erdoğan (ou seja cerca de 2 mil milhões de euros).
- 128 sedes políticas do Partido de esquerda (HDP) foram atacadas por sicários do partido do presidente Erdoğan. Inúmeros candidatos e suas equipes foram espancados. Mais de 300 lojas curdas foram saqueadas. Dezenas de candidatos HDP foram presos e colocados em prisão preventiva durante a campanha.
- Mais de 2. 000 opositores foram mortos durante a campanha eleitoral, quer pelos ataques, quer por causa da repressão governamental visando o PKK. Várias aldeias do sudeste do país foram parcialmente destruídas por tanques do exército.
Desde a sua «eleição», uma cortina de chumbo desceu sobre o país. Tornou-se impossível alguém poder informar-se sobre o estado da Turquia através da sua imprensa nacional. O principal diário da oposição, Zaman, foi colocado sob tutela e limita-se agora a louvar a grandeza do «sultão» Erdoğan. A guerra civil, que lavra já no Leste do país, estende-se, com atentados em Ancara e até Istambul, perante a total indiferença dos Europeus [7].
Erdoğan governa quase só, rodeado por um grupo restrito, no qual se inclui o Primeiro-ministro Ahmet Davutoglu. Ele declarou publicamente, durante a campanha eleitoral, que não respeitava mais a Constituição e que, agora, todos os poderes lhe estavam entregues.
A 14 de março de 2016, o presidente Erdogan declarou que face aos Curdos: «A democracia, a liberdade e o estado de direito não têm mais o menor valor». Ele anunciou sua intenção de alargar a definição legal de «terroristas» para incluir todos os que são «inimigos dos Turcos» —quer dizer os Turcos e não-Turcos que se opõem ao seu supremacismo—.
Por metade de mil milhões de euros, Recep Tayyip Erdoğan, fez construir para si próprio, o maior palácio jamais ocupado por um chefe de Estado na história mundial. O «palácio branco», em referência à cor do seu partido, o AKP. Ele estende-se por 200. 000 metros quadrados e compreende todo o tipo de serviços, entre os quais “bunkers” de segurança ultra-modernos ligados a satélites.
• Terceiro, o presidente Erdoğan utiliza os poderes que anti-constitucionalmente se atribuiu para transformar o Estado turco em padrinho do jiadismo internacional. Em Dezembro de 2015, a polícia e a Justiça turcas conseguiram estabelecer os laços pessoais de Erdoğan e do seu filho Bilal com Yasin al-Qadi, o banqueiro global da Al-Qaida. Ele despediu, pois, os policias e os magistrados que tinham ousado «pôr em causa os superiores interesses da Turquia» (sic), enquanto Yasin al-Qadi e o Estado colocavam um processo judicial ao quotidiano de esquerda BirGün por ter reproduzido o meu editorial, «Al-Qaida, eterna reserva da Otan».
Em Fevereiro último, a Federação da Rússia entregava um relatório de Inteligência ao Conselho de Segurança da ONU atestando o apoio do Estado turco ao jiadismo internacional, em violação de inúmeras resoluções [8]. Eu publiquei um estudo aprofundado sobre estas acusações, imediatamente censurado na Turquia [9].

A resposta da União Europeia

A União Europeia tinha enviado uma delegação para vigiar as eleições legislativas em novembro de 2015. Ela adiou longamente a publicação do seu relatório, depois resolveu-se a publicar sobre isso uma curta versão, adocicada.
Em pânico pelas respostas das suas populações reagindo duramente à entrada maciça de migrantes —e, para os Alemães, à abolição do salário mínimo que daí resultou—, os 28 Chefes de Estado e de Governo da União finalizaram com a Turquia um procedimento para que ela resolva os seus problemas. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, declarou, de imediato, que a solução escolhida viola o direito internacional, mas, mesmo supondo, a propósito, que as coisas possam ser melhoradas, nem é este o principal problema.
A União comprometeu-se a
- pagar 3 mil milhões de Euros anuais à Turquia para a ajudar a fazer face às suas obrigações, mas sem qualquer mecanismo de verificação da utilização destes fundos;
- pôr fim aos vistos exigidos aos Turcos para entrar na União [10] —o deve ser feito em alguns meses, ou até semanas— ;
- acelerar as negociações de adesão da Turquia à União —o que, pelo contrário, será muito mais demorado e aleatório—.
Por outras palavras, cegos pela recente derrota eleitoral de Angela Merkel [11], os dirigentes Europeus contentaram-se em encontrar uma solução provisória para abrandar o fluxo dos migrantes, sem procurar resolver a origem do problema e sem ter em conta a infiltração de jiadistas neste fluxo.
JPEG - 48 kb
Que fizemos?
© União europeia

O precedente de Munique 

Nos anos 30, as elites europeias e norte-americanas consideravam que a URSS, devido ao seu modelo, ameaçava os seus interesses de classe. Eles apoiavam pois, colectivamente, o projecto nazi de colonização da Europa Oriental e de destruição dos povos eslavos. Apesar dos repetidos apelos de Moscovo para a criação de uma vasta aliança contra o nazismo, os dirigentes europeus aceitaram todas as reivindicações do chanceler Hitler, incluindo a anexação das regiões povoadas pelos Sudetas. Foi o Acordo de Munique (1938), conduzindo a URSS a adoptar o salve-se quem puder e a concluir o Pacto germano-soviético—1939—(Molotov-Ribbentrop- ndT). Só muito tardiamente é que certos dirigentes europeus, depois norte-americanos, perceberam o erro e decidiram aliar-se com Moscovo contra os nazis.
Diante de nossos olhos repetem-se os mesmos erros. As elites europeias consideram a República da Síria como um inimigo, seja porque defendem o ponto de vista colonial de Israel, seja porque esperam recolonizar, eles mesmos, o Levante apropriar-se das suas gigantescas reservas de gás ainda inexplorado. Elas apoiaram, pois, a operação secreta norte-americana de «mudança do regime» e fingiram acreditar na fábula da «Primavera Árabe». Após cinco anos de guerra por procuração, constatando que o presidente Bashar el-Assad ainda está lá, embora tivessem mil vezes anunciado a sua demissão, os Europeus decidiram financiar pelo montante de 3 mil milhões de euros anuais o apoio turco anual aos jiadistas. O que, segundo a sua lógica, deveria permitir a sua vitória e, portanto pôr um fim às migrações. Eles não tardarão a perceber [12], mas já muito tarde, que ao abolirem os vistos para os cidadãos turcos, autorizaram a livre-circulação entre os campos da Al-Qaida na Turquia e Bruxelas [13].
A comparação com o final dos anos 30 é tanto mais parecida quando na altura do Acordo de Munique o Reich nazista já havia anexado a Áustria, sem provocar reação notável de outros Estados europeus. Ora, hoje em dia, a Turquia ocupa já o Nordeste de um Estado-Membro da União Europeia, Chipre, e uma faixa de alguns quilómetros de profundidade na Síria, que administra através de um walli (prefeito) nomeado para este efeito. Não apenas a U.E. aceita isso, como pela sua atitude, ela encoraja Ancara a prosseguir as suas anexações com total desprezo pelo Direito internacional. A lógica comum ao chanceler Hitler e ao presidente Erdoğan é baseada na unificação da «raça» e na purificação da população. O primeiro queria unir as populações de «raça alemã» e purificá-las de elementos «estrangeiros» (Judeus e Roma), o segundo quer unir as populações de «raça turca» e purificá-las de elementos «estrangeiros» (os Curdos e Cristãos).
Em 1938, acreditavam na boa fé do chanceler Hitler, hoje em dia na do presidente Erdoğan.
Tradução 

 

Soros-Obama-Merkel-Erdogan Win Control Of Europe (in Strategic Culture Online)

EDITOR’S CHOICE | 20.03.2016

Soros-Obama-Merkel-Erdogan Win Control Of Europe

Investigative historian Eric Zuesse is the author, most recently, of  They’re Not Even Close: The Democratic vs. Republican Economic Records, 1910-2010, and of  CHRIST’S VENTRILOQUISTS: The Event that Created Christianity.
On Friday, March 18th, a combined effort by George Soros, Barack Obama, Angela Merkel, and Tayyip Erdogan, arranged to get the EU to abandon previously sacrosanct fundamental human rights of refugees, and to transfer $6B+ to Turkey, in return for placing the refugee burden onto Turkey and getting Turkey to cooperate so as to assist the breakup of Syria, which will enable a gas-pipeline and an oil-pipeline to be built through Syria to enable Qatar’s gas and Saudi Arabia’s oil to be pipelined through Syria into the EU, so as to replace Russian oil and gas, which now fuel the EU.
Here, in my rush translations from the original German-language reports at German Economic News (Deutsche Wirtschafts Nachrichten) are the key reports and headlines: deutsche-wirtschafts-nachrichten.de
Turkey deal: Germany could take majority of refugees
[Translated by Eric Zuesse from] German Economic News  |  Published:18:03:16 02:56 Clock
The most important consequence of the EU summit is not in the official statement. A plan long discussed, now finalizing: Germany takes the majority of refugees from Turkey, and oil and gas pipelines will replace Russian oil and gas to Europe by Saudi oil and Qatari gas.
Europe’s energy supply should result in future Syria. (Graphic: oilprice.net)
Screen Shot 2016-03-18 at 10.40.37 PM
According to Luxembourg Prime Minister Xavier Bettel, the leaders of the European Union mutually agreed with Turkey to cut Russia out of the EU gas market, cut Qatar [a U.S. ally] in. They agreed in the early hours of Friday on a refugee-&-gas-pipeline package to be approved by the Turkish government.
This agreement will substantially correspond to the Pact of Angela Merkel with Turkish President Erdogan. But it apparently comprises only a small portion of the prepared between Germany, Turkey and the USA.
Gerald Knaus, director of the Soros-funded think tank “European Stability Initiative” (ESI), for many months now has been advising Chancellor Angela Merkel on the refugee crisis. His ESI submitted the plan in October.
The original plan consists of two parts: On the one hand, Germany should, during the coming year, “grant 500,000 Syrian refugees asylum, who are now in Turkey.” Other European countries may participate, but on a voluntary basis. At the same time Turkey will take from Greece “all new migrants.”
Knaus, himself Austrian, told the Viennese daily the press, that “in the background, a more radical idea has already been largely negotiated” which will “probably very soon be announced“: Knaus said that a “coalition of the willing” will take 900 Syrians per day — “no matter how many Syrians come to Greece.” This would be about 300,000 people per year — slightly less than in the original Soros plan.
The reason for Europe’s acquisition of hundreds of thousands of refugees is obvious: The proposed EU summit one-to-one solution would not be enough to relieve Turkey significantly. Moreover, it’s not lawful from the perspective of the Geneva Convention, as human rights organizations have complained since the start of the Soros proposal. The coalition of the willing currently consists of Germany, Portugal and Sweden. Austria has not yet agreed. Presumably Merkel will move some other countries also to participate. Thus, the plan could be presented as a European solution.
From an organizational standpoint, Knaus thinks that consideration in Turkey of the plan will succeed in an agreement being reached. Knaus holds this to be essential. He told the newspaper Die Welt: “The acceptance, by the public, of receiving the refugees is essential. Had we in Europe started earlier with a quota solution, we’d be farther along today. I think that also Sweden and Austria would have been on our side. Unfortunately, the process in the past year fell out of control. We had no idea who is coming into our country. This fueled fears. “
The Soros plan is apparently agreed with the US government. Angela Merkel supported in this way the geopolitical plans of the Americans, who have a special interest in developing their energy policies in the region. They are planning the Trans Adriatic Pipeline (TAP). Construction of TAP is pushed by the United States. This will run from the Turkish border via Greece, Albania and the Strait of Otranto to Italy. Thus, one of the main refugee routes to Europe, which is particularly overloaded after the closure of the Balkan route, will be cleared for pipelining gas into Europe.
Further destabilization of the TAP region is therefore not in the interests of the United States. They also want to ensure that Europe is supplied via a pipeline that’s under US control, not under Russian control. The US and Russia are fighting for the European energy market.
It is interesting in this context that a competing Russian pipeline through Syrian territory could also result. The surprising retreat of the Russians from Syria might suggest that there could be an agreement between Russia and the US: In this way, the geopolitical interests of both Great Powers could be safeguarded. The relationship between the pipeline projects and the war in Syria has the raw material site Oilprice.net analyzed in order that all parties want to solve the dependence of Saudi oil.
In this connection the role of the Americans is also in the media largely ignored regarding the visiting US diplomat Victoria Nuland in Idomeni. Nuland’s pithy sayings (such as “fuck the EU”) and her role in Ukraine, made her try to become known as a Goodwill Ambassador for Europe; she Thursday visited the refugee camps in the northern Greek Idomeni, reports Kathimerini .
The Turkish news portal Haberler reports what Nuland said in Idomeni: “It needs to be done for these people more. Athens has made a direct request to Washington. In this difficult situation, I’m here, for American-Greek solidarity. We will work together to solve the problem of distribution of refugees within the EU. In addition, we want to help ensure that the deal between the EU and Turkey is fair and transparent. It’s time to better accommodate the migrants. “
On 11 March, Nuland met with representatives of the Greek government in Athens to discuss the full range of bilateral and regional issues, including the request for assistance of Greece to the United States, in solving the migration problem, reported the US State Department.
This context could explain also why Angela Merkel has waited so long to go to the German public with a real plan for the refugee crisis — even though they have long been familiar with the Soros plan and he apparently also laid the basis with the Chancellor for Turkey jointly to launch the proposal at the EU summit: this was to help Merkel not to inflame sentiment in Germany before the state elections. Because the message that Germany could possibly be the only country to take a large number of refugees, would have a serious impact that has led even without this perspective to tectonic shifts in favor of the AFD [anti-immigrant party].
Knaus sees the axis Ankara-Berlin as crucial for geopolitical orientation against Russia. He said in an international interview that Germany made the mistake not to place undue reliance on the EU Commission: “Germany has early understood much. But it made the mistake of relying too much on the implementation by the Commission. Germany would have taken matters into its own hands earlier.”
Knaus sees the role of Germany as partners with Turkey and the USA. Here lies the common interest to host the refugees: “Germany does not expire like other states in an anti-Islam rhetoric. At the same time it sees Ankara, in a delicate geostrategic position between anti-Muslim governments in Europe and a strong Putin. A successful and connected in partnership by Berlin may be worth a lot for Turkey and its approach to Europe.”
This closes the circle for the TAP pipeline: The Americans want to snatch the European energy market away from Russia. In the absence of our own energy policy, Europeans are currently completely dependent on Russia. If both pipelines – quasi in a duopoly of the Americans and the Russians – are built, the energy policy space for the EU would increase significantly.
That led to the present situation, a murderous war that’s driven hundreds of thousands from Syria and Iraq. It had to be, from a geopolitical point of view of the parties — Russia, the US and the EU — regarded as collateral damage.
After all, the Soros plan would in fact lead to the result that the right of asylum would be respected so that immigration to Europe is not completely disordered. What guarantees that the EU gets Turkey to treat the refugees humanely, is completely unclear. It also is unclear whether the acceptance of refugees in Germany can be satisfactorily prepared. It also remains open whether the EU will have, as a result of the apparent cleavage of the project, neither the power to play as a political union, nor a role that goes beyond that of simply a large, attractive market.