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I

Neocolonialismo

Neocolonialismo e “crise dos imigrantes” Manlio Dinucci 04.Jul.18 Outros autores Com um notável poder de síntese, este texto diz o essencial sobre a “crise” sobre a qual as grandes potências capitalistas se dizem preocupar. Na verdade, são elas as responsáveis pelos enormes fluxos migratórios em causa. Com as suas políticas de exploração neocolonial de recursos alheios, com a destruição militar de países que de algum modo resistam à sua dominação, com a imposição da pobreza extrema e da dependência a gigantescas massas humanas. Dos EUA à Europa, a “crise dos emigrantes” suscita vivas polémicas internas e internacionais sobre as políticas a adoptar a propósito dos fluxos migratórios. Entretanto, em todo o lado estes são representados segundo um cliché que inverte a realidade: o dos “países ricos” obrigados a sofrer a crescente pressão migratória dos “países pobres”. Dissimula-se assim a casa de fundo: o sistema económico que no mundo permite a uma restrita minoria acumular a riqueza à custa de uma crescente maioria, empobrecendo-a e provocando desse modo a emigração forçada. No que diz respeito aos fluxos migratórios em direcção aos EUA, o caso do México é emblemático. A sua produção agrícola afundou-se quando, com o NAFTA (o acordo norte-americano de “livre” comércio), os EUA e o Canadá inundaram o mercado mexicano com produtos agrícolas a baixo preço graças às suas próprias subvenções públicas. Milhões de camponeses viram-se sem trabalho, vindo assim engrossar a reserva de mão-de-obra recrutada nas maquiladoras: milhares de instalações industriais ao longo da fronteira em território mexicano, possuídas ou controladas, na sua maioria, por sociedades dos EUA, em que os salários são muito baixos e os direitos sindicais inexistentes. Num país em que cerca de metade da população vive na pobreza, aumentou a massa dos que procuram entrar nos EUA. Daí o Muro ao longo da fronteira com o México, iniciado pelo presidente democrata Clinton quando a Nafta entrou em vigor em 1994, continuado pelo republicano Bush, reforçado pelo democrata Obama, o mesmo muro que o republicano Trump quereria agora completar em toda a extensão dos 3.000 Km de fronteira. No que diz respeito aos fluxos migratórios em direcção à Europa, o caso de África é emblemático. É riquíssima em matérias-primas: ouro, platina, diamantes, urânio, coltan, cobre, petróleo, gás natural, madeiras preciosas, cacau, café e muitas outras. Estes recursos, explorados pelo velho colonialismo europeu com métodos de tipo esclavagista, são hoje exploradas pelo neocolonialismo europeu apoiando-se em elites africanas no poder, uma mão-de-obra local de baixo custo e um controlo dos mercados internos e internacionais. Mais de cem empresas cotadas na Bolsa de Londres, britânicas e outras, exploram em 37 países da África subsariana recursos mineiros de um valor de mais de 1.000 milhares de milhões de dólares. A França controla o sistema monetário de 14 ex. colónias africanas através do Franco CFA (originalmente acrónimo de “Colónias Francesas de África, reciclado em “Comunidade Financeira Africana”): para conservar a paridade com o euro, esses 14 países africanos devem entregar ao Tesouro francês metade das suas reservas monetárias. O Estado líbio, que queria criar uma moeda africana autónoma, foi demolido pela guerra em 2011. Na Costa do Marfim (da área CFA), empresas francesas controlam o fundamental da comercialização do cacau, de que o país é o primeiro produtor mundial: para os pequenos cultivadores sobram a custo 5% do valor do produto final, ainda que a maioria viva na pobreza. São apenas alguns exemplos da exploração neocolonial do continente. A África, apresentada como dependente da ajuda externa, fornece ao exterior um pagamento bruto anual de cerca de 58 milhares de milhões de dólares. As consequências sociais são devastadoras. Na África subsariana, onde a população ultrapassa o milhar de milhões e se compõe de 60% de crianças e jovens com idades compreendidas entre os 0 e os 24 anos, cerca de dois terços dos habitantes vivem na pobreza e, entre eles, cerca de 40% – ou seja 400 milhões – vivem em condições de pobreza extrema. A “crise dos emigrantes” é na verdade a crise de um sistema económico e social insustentável. Fonte: http://www.marx21.it/index.php/internazionale/pace-e-guerra/29111-neocolonialismo-e-lcrisi-dei-migrantir-

II

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Os cobiçados metais raros: A peça que falta no puzzle coreano por Pepe Escobar [*] O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sabe a importância das terras raras e a Coreia do Norte confirmadamente descobriu um dos maiores depósitos do mundo a 150 km de Pyongyang. Será isto um factor por trás do recente degelo com os EUA? Afinal de contas o degelo pode não ser por causa de condomínios em praias norte-coreanas. Pode-se argumentar razoavelmente que o cerne do assunto na abraço da administração Trump a Kim Jong-un tem tudo a ver com um dos maiores depósitos de terras raras do mundo, localizado a apenas 150 km a nordeste de Pyongyang e cujo valor potencial ascende a milhares de milhões de dólares. Todos os equipamentos que impulsionam a tecnologia de uso diário do século XXI dependem as propriedades físicas e químicas de 17 elementos preciosos da tabela periódica, os quais são conhecidos como terras raras. Actualmente acredita-se que a China controle mais de 95% da produção global de metais extraídos de terras raras, com reservas estimadas da ordem das 55 milhões de toneladas. A Coreia do Norte, por sua vez, possui pelo menos 20 milhões de toneladas. Os elementos de terras raras não são apenas minerais e metais altamente estratégicos neste jogo de poder. Os mesmos depósitos são fontes de tungsténio, zircónio, titânio, hafnio (Hf), rénio (Re) e molibdênio (Mo). Todos eles são absolutamente críticos não só para uma miríade de aplicações militares como também para a energia nuclear. Acontece que a metalurgia das terras raras também é essencial para os sistemas de armas estado-unidenses, russos e chineses. O sistema THAAD precisa de elementos das terras raras, assim como os sistemas de defesa anti-míssil S-400 e S-500 da Rússia. Não é forçado considerar “A arte da negociação” aplicada às terras raras. Se os EUA não tentarem fazer um jogo sério com a República Democrática e Popular da Coreia (RDPC) acerca dos seus vastos recursos em terras raras, o vencedor, mais uma vez, pode ser Beijing. A Moscovo também – considerando a parceira estratégica russo-chinesa, agora explicitamente reconhecida de modo público. Todo o puzzle pode rodar em torno de quem oferece o melhor retorno sobre o investimento, não sobre o imobiliário mas sobre estes metais cobiçados, com a liderança de Pyongyang podendo potencialmente arrecadar uma imensa fortuna. Será que Beijing será capaz de se contrapor a um possível acordo americano? Isto pode ter sido um tópico chave da discussão durante a terceira reunião há poucas semanas entre Kim Jong-un e o presidente Xi Jinping, exactamente quando todo o xadrez geopolítico estava indeciso. Metais cobiçados O investigador Marc Sills, num documento intitulado “Strategic Materials Crises and Great Power Conflicts”, afirma: “O conflito sobre minerais estratégicos é inevitável. Os dramas provavelmente desdobrar-se-ão nas minas ou próximo delas, ou ao longo das linhas de transporte que os materiais devem viajar e, especialmente, nos pontos de estrangulamento estratégicos que actualmente os militares dos EUA geralmente tratam de controlar. Mais uma vez, a equação do poder está escrito para incluir tanto o controle da posse como a negação da posse a outros”. Isto se aplica, por exemplo, ao puzzle na Ucrânia. A Rússia precisa muito do titânio, zircónio e háfnio da Ucrânia para o seu complexo industrial-militar. No começo deste ano investigadores japoneses descobriram um depósito de 16 milhões de toneladas de elementos com terras raras (menos do que as reservas norte-coreanas) debaixo do leito marítimo no Pacífico Ocidental. Mas é improvável que isto mude a proeminência da China – e potencialmente da RDPC. A chave em todo o processo das terras raras é conceber uma cadeia de produção lucrativa, como fez a China. E isso leva um longo tempo. Documentos pormenorizado como “China’s Rare Earth Elements Industry”, de Cindy Hurst (2010), publicados pelo Institute for the Analysis of Global Security (IAGS) ou “Rare Earth in Selected US Defense Applications’, by James Hedrick, apresentados em 2004 no 40º Fórum sobre Geologia de Minerais Industriais, mapeiam de modo convincente todas as conexões. Sills enfatiza como minerais e metais, contudo, parece atrair a atenção apenas de publicações de comércio mineral: “E isso pareceria explicar em parte porque a disputa pelas terras raras na Coreia não recebeu atenção. O metais não parecem suficientemente atractivos. Mas as armas são”. Os metais são certamente atraentes para o secretário de Estado Mike Pompeo. É bastante revelador recordar como Pompeo, então director da CIA, disse a um Comité do Senado , em Maio de 2017, como o controle estrangeiro de terras raras era “uma preocupação muito real”. Avançando rapidamente, um ano mais tarde, quando Pompeo assumiu o comando do Departamento de Estado, enfatizou uma nova “pretensão” na política externa dos EUA. E avançando outra vez para apenas poucas semanas atrás, temos a pretensão de Pompeo aplicada às reuniões com Kim Jong-un. Além de uma reviravolta estilo Netflix, uma narrativa bastante possível é Pompeo a impressionar Kim com a beleza de um doce negócio de elementos de terras raras patrocinado pelos EUA. Mas a China e a Rússia devem ficar de fora. Se não… Não é difícil visualizar Xi a entender as implicações. A RDPC pode estar a ponto de ser integrada numa vasta cadeia de abastecimento através de uma Estrada da Seda Ferroviária, com a parceria estratégica Rússia-China a investir simultaneamente em linhas ferroviárias, pipelines e portos em paralelo com zonas económicas especiais coreanas norte-sul, estilo chinês, a tornar-se realidade. Um CEO da Gazprom, Vitaly Markelov, revelou: “O lado sul coreano pediu à Gazprom” para recomeçar um projecto chave – um gasoduto através da Coreia do Norte, um cordão umbilical entre a Coreia do Sul e o território euro-asiático. Desde as discussões chave de Setembro de 2017 na Cimeira do Extremo Oriente, em Vladivostok, o roteiro está estabelecido para a Coreia do Sul, a China e a Rússia anexarem a RDPC à integração euro-asiática, desenvolvendo sua agricultura, energia hidroeléctrica e – crucialmente – a riqueza mineral. Por mais que a administração Trump esteja atrasada no jogo, seria impensável que Washington abandonasse uma parte desta acção (o metal). 20/Junho/2018 [*] Jornalista O original encontra-se em http://www.atimes.com/article/sexy-metal-the-missing-element-in-the-korean-puzzle/ Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

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