O Suicídio da Europa

É evidente que a Europa, como era, não tanto com os seus males, tão terríveis quanto os dos outros continentes, mas com os seus bens, de humanismo e alta cultura, está perdida. 

A Europa pode ter muitos defeitos mas foi ela que produziu os maiores génios e sábios das ciências, da filosofia e das artes. E de tal maneira que aos outros só lhes resta fazer versões mais ou menos bem conseguidas. Cruéis, opressores e imperialistas? Também, mas é preciso lembrar que as civilizações pré-colombianas (Incas, Aztecas, etc.), os impérios africanos pré-coloniais, os árabes, os mongóis, os japoneses e outros, não lhes ficaram nada atrás nessas práticas. Recuso-me, por exemplo, a condenar a civilização da Grécia Antiga invocando o esclavagismo. Para além destas e de outras formas de relação social, que é preciso contextualizar, compreender e explicar historicamente, ficaram, espero que para sempre, como fruto da História da Europa, as maiores criações humanas. O negacionismo europeu de extrema-direita equipara-se ao negacionismo oportunista e vingativo do resto do mundo. 

O humanismo transformou-se em direito-humanismo instrumental, a alta cultura, e a própria cultura popular, europeias, tanto por efeito de calculismo ideológico quanto por efeito de uma política cultural que cedeu ao comércio, são inteiramente desconhecidas dos jovens e de muitos menos jovens. O sentimento de culpa, que os mongóis não têm, que os descendentes dos escravistas e genocidas africanos não têm, têm de sobra os europeus. 

E o que é mais trágico é a ignorância dos europeus comuns face à manipulação deste sentimento de culpa pelas elites económicas, financeiras e intelectuais europeias e americanas pró-globalistas, as quais põem à frente de tudo, em especial dos Estados-Nação, empecilhos, como sagrada, a liberdade económica. Tudo o que não luta por si merece morrer.

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