Ficção e Histórias

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Há livros, muitos livros, que servem para imaginarem por nós ou para nós meditarmos um pouco – sobre a vida, o amor, os sucessos, os fracassos, a hierarquia dos valores, os dez mandamentos, a honestidade a falta dela, a cobiça e a falta dela, os males do mundo e o excesso deles e as partidas maldosas do mundo e o excesso delas.

Não gosto desses livros. O que prefiro são os livros que transformam o mundo, os valores no mundo, os sentimentos e as percepções no mundo. Já basta de o contemplar, de moralizar sobre valores desprezados e de idealizar sobre a perfídia da matéria, sobre o bom que é ter livre-arbítrio e sobre o mal de haver maldade no livre-arbítrio. Ora, o bom não é pensar, suspirar, imaginar histórias para imaginarmos, suspirarmos, pensarmos. Uma coisa boa é uma coisa que fica e nos acompanha toda a vida como um marco que a transformou e, porque só a transformamos se o mundo se transforma e nos leva consigo, um livro deve ser um impulso, um imperativo, não um remoer nas ideias e nos factos que já são, um analisá-los, descrevê-los e expressá-los mas uma revolução nas ideias concretas acerca da realidade concreta, um estabelecimento do novo, uma percepção nova, um viver novo e um pensar novo, uma maneira nova, qualquer que seja, que não pode deixar tudo na mesma – os valores e os actos -, sobretudo nós, que o lemos.

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Livros bons são, por exemplo, no seu tempo e agora, se os soubermos ler bem, se formos capazes de nos transfigurar com eles, sem nos tornarmos seu espelho, a Ilíada, a Odisseia, O Decameron, A Origem da Desigualdade entre os Homens, A Fenomenologia do Espírito,  O Pai Goriot, A Cartucha de Parma, o Germinal, Viagens Na Minha Terra, A Cidade e as Serras, A Ideologia Alemã, O Capital, Iluminações, As Folhas de Erva, Poemas de Alberto Caeiro, Ulisses, Galileu Galilei, Photomaton e Vox e outros que tais.

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