Mértola – Vila Histórica Magnífica Rodeada de uma Paisagem Rude Estonteante

Mértola. Simples mas bela, como outras povoações portuguesas. A relação com o rio é de cortar a respiração. Carregada de História fundamental. Só não entendo por que chamam de mesquita à Igreja junto ao castelo. É que grande parte das igrejas de Portugal foram, à semelhança desta, construídas sobre uma mesquita, depois desta ter sido edificada sobre um templo romano, sempre por esta ordem. Notam-se nela algumas influências arquitectónicas nos elementos decorativos – mas as influências são inevitáveis e normais na circulação e substituição de culturas.
De resto, à parte dos arruamentos típicos do Sul da Europa, que não são propriamente uma reprodução do Norte de África, poucos vestígios, além de utensílios retirados à terra, há da ocupação árabe. O que se destaca é a Ordem de Santiago, cuja sede foi lá, responsável máxima pela expulsão militar dos árabes, administração, economia e arte de grande parte do Sul de Portugal.
Apesar de tudo, desta mistura de publicidade com propaganda ideológica (de autopunição), Cláudio Torres e os seus colegas, junto com a Câmara Municipal, fizeram um trabalho excelente, valorizando a localidade com museus temáticos e recuperação de edifícios históricos – dinamizando a economia local. A paisagem envolvente é estonteante de beleza rude, quase selvagem – cada vez mais rara na Europa, e no resto do mundo. Nos arredores o olhar ora se eleva para as serras, ora, mais longe, se perde no infinito de uma planície coberta de tons suaves. Há lagos, ou albufeiras largas, de um azul vivo a banhar os ocres do solo, a contrastar docemente com o verde seco das oliveiras e a namorar com o azul claro do céu. A gastronomia é opípara – embora não faça jus a uma região de caça – e o pão alentejano foi o melhor que já comi.
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