Ucrânia – Mais um País Livre e Democrático (Manlio Dinucci) e o Amor Anda lá à Solta com Toda a Liberdade

 

 

Democracia da NATO na Ucrânia e a arte da guerra

Manlio Dinucci
11.Out.15 :: Outros autores
Após o golpe da “Praça Maidan” a Ucrânia é um estado reduzido à categoria de protectorado, governado a partir dos EUA e dos seus lacaios regionais, onde os bandos neonazis são integrados na Guarda Nacional e o Partido Comunista é ilegalizado. Para a NATO, a Ucrânia de Poroshenko está a caminho de ser “um estado soberano e independente, firmemente empenhado na democracia e no direito”. 
 
“Histórica” visita do secretário-geral da NATO, Stoltenberg, à Ucrânia em 21-22 de Setembro, em que participa (pela primeira vez na história das relações bilaterais) no Conselho Nacional de Segurança, assina um acordo para a abertura de uma embaixada da NATO em Kiev, e realiza duas conferências de imprensa conjuntamente com o presidente Poroshenko.
É um passo decisivo para a integração da Ucrânia na Aliança. Tendo começado em 1991, quando acabava de se tornar um estado independente após a desintegração da URSS, a Ucrânia entrou primeiro no “Conselho de Cooperação Norte atlântica” e depois em 1994 na “Parceria para a Paz”. Em 1999 – enquanto a NATO estava a demolir a Jugoslávia com a guerra e a incorporar ex-países do Pacto de Varsóvia (Polónia, República Checa e Hungria) – foi inaugurado em Kiev o “Gabinete de Ligação da NATO” e foi formado um batalhão polaco-ucraniano para as operações de “Manutenção de Paz” no Kosovo. Em 2002 o presidente Kuchma, da Ucrânia, declarava a disponibilidade do país para a entrada na NATO. Em 2005, nas águas da “revolução laranja” organizada e financiada por Washington, ou seja o governo dos EUA através de uma especializada Organização Não Governamental financiada pelo oligarca Poroshenko, o presidente de então, Yushenko, foi convidado para a cimeira da NATO em Bruxelas.
Entretanto, em 2010, o então recentemente eleito presidente Yanukovich anunciava que a adesão da Ucrânia à NATO não fazia parte da sua agenda. A NATO foi entretanto tecendo as suas redes no interior das forças armadas ucranianas, e treinando grupos de neonazis (como pode ser comprovado por documentação fotográfica mostrando militantes da Uno-Unso sendo treinados por instrutores da NATO na Estónia, em 2006. Os neonazis foram usados como forças de ataque no golpe de estado da “Praça Maidan” que veio a derrubar Yanukovich em Fevereiro de 2014, enquanto o secretário-geral da OTAN ordenava às forças armadas da Ucrânia que se “mantivessem neutras”, sem reagir. Poroshenko toma logo depois posse da presidência e a NATO declara que sob a sua direcção a Ucrânia se está a tornar “um estado soberano e independente, firmemente empenhado na democracia e no direito”.
Quanto à soberania e independência da Ucrânia, fica demonstrada pelas designações de cidadãos estrangeiros escolhidos por Washington e Bruxelas para cargos ministeriais na Ucrânia: o ministério das finanças foi dado a Natalie Jaresko, cidadã norte-americana que trabalhou no Departamento de Estado dos Estados Unidos; o ministério do comércio e do desenvolvimento económico foi dado a Abromavicius, da Lituânia, que trabalhou, por sua vez, para grupos bancários europeus; o ministério da saúde foi dado ao ex-ministro georgiano Kvitashvili. O ex-presidente da Geórgia, Saakashvili, o homem da confiança de Washington, foi denominado governador da região ucraniana de Odessa. Para completar o quadro, Kiev confiou sua própria Receita Federal a uma empresa particular britânica.
Quanto à Ucrânia estar impregnada pela democracia e a justiça, demonstra-o o facto de os batalhões neonazis responsáveis pelas atrocidades cometidas contra civis de etnia russa na Ucrânia do leste terem sido enquadrados na Guarda Nacional, treinada por instrutores americanos e britânicos. Essa sua impregnação é também demonstrada pela proibição do grupo parlamentar do partido comunista ucraniano, assim como a de toda a ideologia comunista, num clima de perseguições similar ao do advento do fascismo na Itália dos anos 20. Depois tem-se que, para evitar testemunhos incómodos para si, Kiev se decidiu, em 17 de Setembro, a impedir a entrada no país a dezenas de jornalistas estrangeiros, entre os quais, na altura, três da BBC, decisão que foi definida como determinada por “uma ameaça à segurança nacional”.
A Ucrânia de Poroshenko, o oligarca enriquecido com o saque da propriedade estatal, a quem o Primeiro-ministro Renzi da Itália elogia a “sábia direcção”, contribuirá até mesmo para a nossa própria “segurança nacional” quando participar como parceiro nos exercícios militares da NATO denominados “Trident Juncture” – 2015 [TJ 15] que se desenrolam em Itália.
*Manlio Dinucci, Democrazia NATO in Ucraina. Fonte: Mondialisation.ca 22 de Setembro de 2015; Copyright Manlio Dinucci / Ilmanifesto.info
Traduzido por Anna Malm – Correspondente de Pátria Latina na Europa, artigospoliticos.wordpress.com
 
Mas nem tudo é mau na Ucrânia. O amor anda à solta.
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