Pierre-Emile Blairon: Passadores de Clandestinos

PASSADORES E CLANDESTINOS – A MÁFIA POLÍTICA ESTÁ NO PODER – BLAIRON – III

Human trafficking.
Human trafficking.
Pierre-Emile Blairon*, Passeur de clandestins: la mafia est au pouvoir
Revista Metamag, 8 de Setembro de 2015
 
“O filósofo René Guénon, referindo-se às antigas civilizações que tinham estado sujeitas a este processo, sabia que o Reino da quantidade – o do dinheiro – ia caracterizar o declínio do Ocidente. Nas altas (?) esferas do poder, há muito tempo que deixaram de se preocuparem com a instrução, a cultura, e ainda menos com a espiritualidade; os nossos governantes preparavam o terreno, um deserto, para o Daech, que só tinha que acabar o trabalho decapitando os homens e as estátuas (como o tinham feito os revolucionários de 1789 na França) para procurarem seguidamente reduzir a Europa a um vasto campo de ruínas. “Do passado, façamos tábua rasa ”, é a única divisa dos bárbaros de todos os tempos e de todos os países. Nos primeiros episódios da invasão migratória, essencialmente muçulmana, que nos está a submergir, algumas pessoas que tinham mantido um certo bom senso comentavam com incredulidade e estupefacção a inércia dos nossos governantes: “tornaram-se loucos, a sua ingenuidade é incomensurável, isto é uma cegueira.
Nada de tudo isto; os nossos líderes estão perfeitamente conscientes do que se trama, são mesmo eles quem estão aos alavancas desses resultados; “os teóricos da conspiração”, como lhes chamam aqueles que são acusados de fomentar um complot à escala mundial (quando se quer abater o seu cão…), relêem Aldous Huxley que, no prefácio de O Admirável Mundo Novo, tocava o sinal de alarme: “Um Estado totalitário realmente ˝eficiente˝ seria aquele em que o todo poderoso Comité executivo dos chefes políticos e do seu exército de directores teriam a mão pesada sobre uma população de escravos que seria inútil forçar, porque estes últimos teriam amor pela sua situação de escravos. Fazer com que a amem – tal é a tarefa atribuída nos Estados totalitários de hoje, dos ministérios da propaganda, dos editores chefes de jornais e dos professores”.
Os pragmáticos, os que acreditam apenas naquilo que vêem, têm o recurso ao admirável livro Le Camp des Saints de Jean Raspail que tinha antecipado, em 1973, que os clandestinos desembarcariam por barco e às centenas de milhares sobre o solo francês. Mas não serve de nada estar a jogar ao papel de Cassandra e provar que se tinha razão, quando o povo está já de forma anestesiado que recusa ver qual o molho com que vai ser comido; e, mais ainda, ajuda o cozinheiro na sua preparação. É o Grande Suicídio que vai a par com a Grande Substituição. 

 

Emil Cioran dava a sua versão pessimista, mas lúcida, do mundo que detestava já em 1960: “Que maldição atingiu o Ocidente de modo a que no fim da sua trajectória de desenvolvimento só produza estes homens de negócios, estes merceeiros, estes golpistas, cegos a tudo e de sorrisos atrofiados que se encontram por toda a parte, na Itália assim como a França, na Inglaterra assim como na Alemanha? É a esta parasitagem que teria de conduzir uma civilização tão delicada, tão complexa?”. As afirmações de Cioran ilustram efectivamente o famoso desenho de Konk que representa o monumento aos mortos numa pequena aldeia; como tradicional dedicatória a preceder a lista dos nossos heróicos antepassados: Mortos pela França, o desenhador barrou as palavras: pela França para as substituir por: por nada.
Quanto a mim, penso que os nossos governantes europeus acumularam e acumulam no seu comportamento todas os infâmias que foram tão bem descritas pelos nossos escritores. Na França, todos os nossos Presidentes, sem excepção, desde Giscard e o seu agrupamento familiar, passando por Mitterrand, “o Padrinho” florentino, Chirac, peão inculto e cómico de forças de que não compreendia nenhuma das suas intenções, Sarkozy, o vendedor do templo cínico e também o homem que sobretudo gesticula e que, efectivamente, tinha percebido bem qual é o seu próprio interesse até François Hollande, que se esconde por detrás do seu ar de atrasado mental, não tiveram nenhum escrúpulo de conscientemente estarem a destruir a nossa nação, todos estes vigaristas contribuíram com a sua pedra para a lapidação da nossa Marianne.
Mas acrescentarei que estes manipuladores, que matariam o pai e a mãe por um pouco mais de poder e de dinheiro, eles mesmos manipulados por gentes mais por fortes e mais abjectas que eles: os padrinhos de uma máfia mundial e mundialista que acrescentaram o tráfego de seres humanos a uma panóplia que estendem metodicamente como um cirurgião que abre o seu estojo de bisturis: drogas, tráfego de órgãos, assassinatos, genocídios, guerras fomentadas por alguns dólares a mais, poluições organizadas, destruição das florestas e destruição de terras aráveis, destruição do campesinato, tudo isto a ser feito com a ajuda de riquíssimos especuladores que os financiam, de grandes banqueiros que os branqueiam, de comerciantes de armas que as fornecem, dos serviços especiais e de sociedades secretas que os protegem, sindicatos, meios de comunicação social, “artistas” e ONG, idiotas úteis que os servem. Estes padrinhos inculcaram nos “nossos” politiqueiros obsequiosos e cúpidos os rudimentos de uma moral de ladrões: corrupção, mentira, ausência de escrúpulos, brutalidade, cinismo, crueldade; os nossas políticos compreenderam assim muito finamente a lição que acrescentam contra os seus próprios concidadãos de que nada podem fazer a não ser que isso possa servir os seus próprios interesses pessoais; os ingénuos, são os que acreditam que estes políticos conservaram ainda o mínimo de honestidade ou de interessa pela Coisa Pública.
Estes mesmos Franceses e Europeus que se comovem sobre o destino “dos migrantes” ignoram com que meticulosidade e com que desenvoltura de meios estes clandestinos são conduzidos e colocados em barcos (ver os mapas geográficos dos tráfegos de migrantes difundidos pelo Movimento para a reemigração) para servir os grandes objectivos dos poderosos – malfeitores, industriais, banqueiros, políticos… – reunidos doravante numa mesma máfia: destruir as estruturas tradicionais das nossas nações europeias com a ajuda dos monstros que criaram para este objetivo (Daech – reveja‑se “o Senhor dos anéis) e arrancar as mais pequenas raízes que poderiam constituir uma referência tangível e um meio de impedir que se prepare o advento de uma sociedade de escravos completamente à sua disposição e à escala mundial…”
*Pierre-Emile Blairon est l’auteur de «La Roue et le sablier: Bagages pour franchir le gué», aux éditions Hyperborée.

 

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