Moral e Inovação – ou a Ingenuidade: Um Diálogo.


 
 
Eu: “Um dos grandes problemas desse “liberalismo económico-político” é o sistema financeiro, e quanto a esse há propostas pragmáticas para o reformar para bem de todos” (Nuno Alves). Mas a supremacia do capital financeiro sobre a indústria é uma característica essencial do capitalismo! Nenhuma empresa de dimensão com necessidade de concorrer com as outras do ramo tem capitais próprios para isso; precisa de recorrer à banca e à Bolsa de valores, tornando-se dependente do capital abstracto e autónomo. Criar um sistema de controlo eficaz e duradouro para evitar os problemas graves que daí decorrem é já passar para um outro sistema. 
 
A supremacia do capital financeiro está muitas vezes associada à corrupção, se calhar seria mais fácil lidar com esta primeiro. No entanto aparecem muitas empresas de um ou dois carolas, apenas com capitais próprios, que destronam gigantes e que se tornam elas próprias gigantes (prontos a serem destronados no futuro!). Como explica isto? É simples: inovação! É isso que leva o mundo e as empresas para a frente. Sabe como se pode minimizar a corrupção e maximizar a inovação (no futuro pelo menos)? Simples. Educação!!
 
Eu: Muita gente não entende o que significa capitalismo. Não é só uma questão de corrupção: o capitalismo não é o domínio da propriedade privada dos meios de produção (isso é assim, até certo ponto, desde o início da civilização) mas do capital, sobretudo na sua forma financeira. Inovação? Certo: é o pão-para-a-boca das empresas no capitalismo. Mas entenda-se que ela é impulsionada pela concorrência e atrai investimento ou capital. Educação? É a concorrência que educa! Os valores são os do capital. A corrupção mete-se na consciência e nos actos por uma mera questão de lei de sobrevivência ou de concorrência, tal como a água se mete por qualquer fenda por causa da lei da gravidade. Não é nem a inovação nem a moral que são a fonte da ordem social.
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