Ídolos Pop: de Madonna ao Presente – Prostitutas?


Se fazer do próprio corpo uma mercadoria, mesmo que esta seja uma imagem, que se vende junto com a música, então não será que as estrelas pop, que são os ídolos dos adolescentes actuais, são prostitutas? Madonna é a mãe delas: Miley Cirus, Rihanna, Beyoncé, Gaga, Aguillera, Spears e as outras que andam por aí. É a prostituição sublimada.
Bem bonitas elas são, decerto, e sensuais, mas não é isso que está em questão, pois o problema é elas se tornarem objecto, fechadas na sua autopromoção enquanto imagem corporal autocarregada de valores associados ao narcisismo, convertendo-se em ídolos modernos, em objectos adorados, em centro de interesse. Em vez de criarem formas e conteúdos de enriquecimento e conhecimento do mundo, fazem de si mesmas e da sua pseudo-arte, que confundem, um fim em si mesmo, uma fantasia vivida pelos outros como se fosse uma realidade original, que vale por si.
O que elas oferecem? Elas mesmas. De maneira sublimada, claro. E o que são elas? Mulheres hiper-sexuais que fazem da sua imagem um meio de negócio, que promovem, coerentemente com a sua prática, um certo liberalismo de costumes, liberalismo este que abstrai o desejo dos afectos, do respeito por si e da responsabilidade para com o outro, objectualizando o si mesmo e o outro.
Mas elas também são instrumentos de interesses económicos e políticos poderosos. Este seu papel é, através do mecanismo idolátrico, ocultado das massas. Este papel desdobra-se numa estratégia comercial e no da alienação enquanto despersonalização na massa, reflexo ou espelho narcisista por imitação motivada no prestígio da sua própria sedução como alternativa feliz à realidade prosaica e regrada e que é oferecida, amplificada e legitimada pelos meios de comunicação. O seu papel é também o de contribuir para o alheamento dos assuntos reais da sociedade e da vida dos outros. 
No entanto, elas pertencem ao mundo real, o que se nota pelo facto de serem referenciadas às massas, incapacitadas de pensar, como modelos morais e padrões superiores de conduta, massas que as procuram timidamente imitar, e de serem contrapostas a políticas e éticas que não os subscrevem. 
Ao contrário dos artistas e sujeitos, que deveriam ser, não representam, não visam o mundo para lá do que constroem à volta de si mesmas. Essas “artistas” não são a expressão de ideias e de valores que as transcendem mas pretendem ser um mundo, que é à parte, a alternativa feliz. Até estrelas pop do passado, como Annie Lennox e Sinead, das quais , pelo seu comercialismo, também não saiu nada de muito interessante, lhes chamaram, directa ou indirectamente, prostitutas. 

A primeira escreveu no facebook: “Parece óbvio que algumas gravadoras estão optando por vender pornografia acompanhada de música”, escreveu, “É deprimente ver que esses artistas fazem de tudo para chegar a esse nível tão baixo. Essas atitudes são justificadas pelos milhões de dólares e visualizações no YouTube que você recebe por se comportar como chulo ou prostituta ao mesmo tempo”. Annie ainda completou dizendo que os vídeos com apelos sexuais deveriam ser restringidos ao público adulto.


 
 
o site Jezebel pegou no exemplo de Miley para explorar, pelo prisma do shock value, o fenómeno das estrelas Pop actuais que mostram o corpo:Isto é tudo pelo schock value [valor do choque]. Não há afirmações a serem feitas acerca do poder feminino, não é um comentário sobre a cultura ou a arte, não levanta questões acerca de como vivemos hoje. A atenção pela atenção é despropositada. Quando estás no comando e tens milhões a ouvir, tens de ter algo a dizer (…)O problema destas estrelas pop semi-nuas é que falham, mesmo que tenham sucesso, porque são artistas que se tornam a elas próprias em objectos (…) Os objectos são descartáveis (…) E apesar de haver valor no valor do choque – poder de provocar – a verdade é que os pivôs dos noticiários nocturnos poderão sentir alguma consternação, e apesar de as pessoas franzirem a sobrancelha, ninguém está realmente surpreendido.
Temos agora duas versões da javardice cultural a empestar a juventude: a cultura que nasce nos anos noventa dos bandos traficantes de droga e das prisões de Los Angeles, dos encapuzados, das tatuagens e das calças descaídas, e  conhecida por hip-hop, e a cultura das prostitutas musicais, em que se inspiram as meninas das escolas secundárias, de nádegas ao léu, num espectáculo permanente de oferta de si mesmas, e que são as suas referências éticas.
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