Natal Revolucionário

 
Desejo um bom Natal a todos os que se identificam com o espírito revolucionário de Jesus Cristo e com a sua brigada vermelha: os doze apóstolos e o Pai Natal. 
Acrescento ainda o seguinte, como justificação: Para o cristianismo Jesus não é apenas um profeta mas, heresia para os muçulmanos e para os judeus, para os quais a diferença entre Deus e o homem é incomensurável e o domínio daquele sobre este absolutista, a unidade entre Deus e o homem. Daí o carácter potencialmente revolucionário do cristianismo, o que não sucede com mais nenhuma religião. Todas as outras grandes religiões são conformistas, o cristianismo é subversivo na sua origem. 
O budismo, que cativa tanta gente pelo seu exotismo, ilude também pelo pacifismo que proclama e pela renúncia aos bens deste mundo – que, de resto, nenhum adepto ocidental, e muito menos oriental, à excepção dos monges, leva a sério. O budismo surgiu em parte como reacção ao elitismo e sistema de castas hindu. Mas a sua ideia de igualdade entre os homens deixa-se apagar pelo conformismo que prega. A sua síntese de uma espécie de metempsicose e do valor absoluto do nada, a sua crença de que os homens são o resultado do que fizeram nas vidas passadas, fazendo recair a causa do seu infortúnio nas suas próprias escolhas e negando toda a importância ao ser do homem, à sua realização material e espiritual, a sua apologia paradoxal e patética da auto-negação dos indivíduos – torna-a uma religião da renúncia. O homem nem sequer está acima dos outros seres vivos.
É certo que também uma das facetas essenciais do cristianismo é a aversão aos bens deste mundo e a aceitação dos sofrimentos como uma fatalidade do mal criado pelo próprio homem. É certo também que esta religião, matriz cultural do Ocidente, se tornou bem cedo uma religião do Estado com o imperador romano Constantino. 
Todavia, o cristianismo faz Deus tornar-se homem e eleva, com isso, o homem em geral, do mais humilde ao imperador, a uma dignidade incomensurável, acima de todos esses bens materiais que despreza, acima da toda a autoridade mundana. Não é difícil de compreender que o cristianismo vive uma contradição insanável e explosiva que pode ser usada seja pelos grandes seja pelos explorados quando se revoltam. No é por acaso que só no Ocidente surgiram utopias igualitárias e ideologias revolucionárias que têm por fim a liberdade e a igualdade do homem. Só no Ocidente o homem ganhou o estatuto de valor incomensurável, absoluto.
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