Alegoria da Caverna de Platão – as Confusões da Comunicação Social e os Desentendimentos da Ciência

JPEG - 18.8 koSur cette photographie, diffusée en mai 2013 pour attester de sa rencontre avec l’état-major de l’Armée syrienne libre, on voit le sénateur McCain discuter avec un individu aux multiples identités : il est recherché par le département d’État des États-Unis sous le nom d’Abu Du’a, par les Nations unies sous le nom d’Ibrahim el-Baghdadi, et appartient à l’état-major de l’ASL sous le nom d’Abou Youssef.

A alegoria da caverna
Um célebre texto de Platão, conhecido por Alegoria da Caverna, dá-nos uma ideia não só do que é a atitude filosófica como também de alguns problemas que ocupam a reflexão dos filósofos.
 “Depois disto – prossegui eu – imagina a nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo o comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e os prisioneiros há um caminho ascendente, ao longo do qual se construiu um pequeno muro, no género dos tapumes que os homens dos “robertos” colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles.
– Estou a ver – disse ele.
– Visiona também ao longo deste muro, homens que transportam toda a espécie de objectos, que o ultrapassam: estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira, de toda a espécie de lavor; como é natural, dos que os transportam, uns falam, outros seguem calados.
– Estranho quadro e estranhos prisioneiros são esses de que tu falas – observou ele.
– Semelhantes a nós – continuei. – Em primeiro lugar, pensas que, nestas condições, eles tenham visto, de si mesmo e dos outros, algo mais que as sombras projectadas pelo fogo na parede oposta da caverna?
– Como não – respondeu ele – se são forçados a manter a cabeça imóvel toda a vida?
– E os objectos transportados? Não se passa o mesmo com eles?
– Sem dúvida.
– Então, se eles fossem capazes de conversar uns com os outros, não te parece que eles julgariam estar a nomear objectos reais, quando designavam o que viam?
– É forçoso.
– E se a prisão tivesse também um eco na parede do fundo? Quando algum dos transeuntes falasse, não te parece que eles não julgariam outra coisa, senão que era a voz da sombra que passava?
– Por Zeus, que sim!
– De qualquer modo – afirmei – pessoas nessas condições não pensavam que a realidade fosse senão a sombra dos objectos.
– É absolutamente forçoso – disse ele.
– Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objectos cujas sombras via outrora. O que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objectos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um desses objectos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não te parece que se veria em dificuldades e suporia que os objectos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam?
– Muito mais – afirmou.
– Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam?
– Seria assim – disse ele.
– E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e íngreme, e não o deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que se doesse e agastasse, por ser assim arrastado, e, depois de chegar à luz, com os olhos deslumbrados, nem sequer pudesse ver nada daquilo que agora dizemos serem os verdadeiros objectos?
– Não poderia, de facto, pelo menos de repente.
– Precisava de se habituar, julgo eu, se quisesse ver o mundo superior. Em primeiro lugar, olharia mais facilmente para as sombras, depois disso, para as imagens dos homens e dos outros objectos, reflectidas na água, e, por último, para os próprios objectos. A partir de então, seria capaz de contemplar o que há no céu, e o próprio céu, durante a noite, olhando para a luz das estrelas e da Lua, mais facilmente do que se fosse o Sol e o seu brilho de dia.
– Pois não!
– Finalmente, julgo eu, seria capaz de olhar para o Sol e de o contemplar, não já a sua imagem na água ou em qualquer sítio, mas a ele mesmo, no seu lugar.
– Necessariamente.
– Depois já compreenderia, acerca do Sol, que é ele que causa as estações e os anos e que tudo dirige no mundo visível, e que é o responsável por tudo aquilo de que eles viam um arremedo.
– É evidente que depois chegaria a essas conclusões.
– E então? Quando ele se lembrasse da sua primitiva habitação, e do saber que lá possuía, dos seus companheiros de prisão desse tempo, não crês que se regozijaria com a mudança e deploraria os outros?
– Com certeza.
– E as honras e elogios, se alguns tinham então entre si, ou prémios para o que distinguisse com mais agudeza os objectos que passavam e se lembrasse melhor quais os que costumavam passar em primeiro lugar e quais em último, ou os que seguiam juntos, e àquele que dentre eles fosse mais hábil em predizer o que ia acontecer – parece-te que teria saudades ou inveja das honrarias e poder que havia entre eles ou que experimentaria os mesmos sentimentos que em Homero, e seria seu intenso desejo “servir junto de um homem pobre, como servo da gleba”, e antes sofrer tudo do que regressar àquelas ilusões e viver daquele modo?
– Suponho que seria assim – respondeu – que ele sofreria tudo, de preferência a viver daquela maneira.
– Imagina ainda o seguinte – prossegui eu. – Se um homem nessas condições descesse de novo para o seu antigo posto, não teria os olhos cheios de trevas, ao regressar subitamente da luz do Sol?
– Com certeza.
– E se lhe fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os que tinham estado sempre prisioneiros, no período em que ainda estava ofuscado, antes de adaptar a vista – e o tempo de se habituar não seria pouco – acaso não causaria o riso e não diriam dele que, por ter subido ao mundo superior, estragara a vista e que não valia a pena tentar a ascensão? E a quem tentasse soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam?
– Matariam, sem dúvida – confirmou ele.
– Meu caro Gláucon, este quadro – prossegui eu – deve agora aplicar-se a tudo quanto dissemos anteriormente, comparando o mundo visível através dos olhos à caverna da prisão e a luz da fogueira que lá existia à força do Sol. Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a tomares como a ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirás a minha expectativa, já que é teu desejo conhecê-la. O Deus sabe se ela é verdadeira. Pois, segundo entendo, no limite do cognoscível é que se avista, a custo, a ideia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto há de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para se ser sensato na vida particular e pública.”
Platão, A República, Livro VII, 514a-517d (Adaptado)


UMA LIÇÃO DA ALEGORIA DA CAVERNA: Ficamos na ignorância não só por causa do hábito mas também por causa do interesse que certos grupos de pessoas podem ter em nos manipular – na época de Sócrates e de Platão, os sofistas. Daí que a luta contra a ignorância se faça em dois sentidos: contra a nossa preguiça e relutância em aprender e contra aqueles que incentivam a nossa passividade e conformismo. Esse esforço de libertação exige a colaboração com aqueles que se encontram nas nossas circunstâncias de vida e a consciência de que o progresso da liberdade exige a tarefa permanente de distinguir, dentro do possível, a falsidade da verdade e, para isso, é precisa uma atitude crítica e autocrítica e um método de conhecimento que nos permita distinguir  o que há de subjectivo e de objectivo no nosso suposto conhecimento das coisas. É obrigatório ainda estar atento ao facto de que aparecem para cada acontecimento interpretações contrárias (não podem ser ambas verdadeiras) que reflectem interesses culturais, sociais, políticos e até económicos que são antagónicos. O papel da Filosofia aqui consiste em investigar como é possível passar da ignorância ao conhecimento. Os casos que iremos apresentar a seguir exemplificam a existência de visões opostas para cada acontecimento ou situação.


AQUECIMENTO GLOBAL: DUAS VISÕES

“Acerca da impostura global

por Jorge Figueiredo
Rumo ao arrefecimento global?.
Comecemos pelos factos que consideramos estabelecidos:

1) O dióxido de carbono não é um gás tóxico e nem tão pouco poluente. As suas emissões são o resultado inevitável e necessário de toda e qualquer combustão de compostos de carbono (como refinados de petróleo, carvões, gás natural, etc). Trata-se além disso de um gás indispensável à vida na Terra pois ao respirar todos os seres vivos inspiram uma mistura de oxigénio e CO2, expirando este último.

2) Não está provado que as emissões de CO2 de origem antropogénica (isto é, produzidas pelo homem, o que exclui todas as demais emissões naturais desse gás) tenham qualquer efeito significativo para um aquecimento global. Muitos cientistas consideram absolutamente desprezível a contribuição humana para as emissões globais de CO2 que se verificam no planeta.

3) Os dados empíricos demonstram que desde 1998 não está a haver o tão famoso aquecimento global previsto pelos modelos informáticos utilizados pelo Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC) da ONU. Por isso, de forma oportunista, eles mudaram a expressão “aquecimento global” – que já não correspondia à verdade factual – para a expressão mais ambígua de “alterações climáticas” (que sempre existiram ao longo de toda a história do planeta Terra).

4) Os modelos informáticos são por si mesmo falíveis. A teoria da modelação diz-nos que os modelos para serem úteis devem ser relativamente simples, com um número de variáveis limitado. Tentar aplicar a modelação ao clima é um esforço ínvio pois nesse caso o número de variáveis (e de suposições que têm de ser feitas) é gigantesco. Em climatologia pouco de útil pode ser obtido a partir da modelação informática, por mais poderosos que sejam os computadores (embora não se passe o mesmo com a meteorologia).

5) O caso torna-se ainda pior se um método mau como a modelação informática tiver como base uma teoria caduca. É precisamente isto o que se passa com os modelos climatológicos utilizados pelo IPCC, concebidos no princípio do século XX (antes portanto da existência de satélites meteorológicos). A moderna teoria climatológica foi estabelecida pelo grande cientista francês Marcel Leroux (1938-2008), da Université Jean Moulin, em Lyon. O parecer do professor Marcel Leroux acerca desse suposto aquecimento global está resumido no seu artigo “Uma impostura científica” .

6) O IPCC não é uma organização de cientistas e sim de burocratas, geralmente bem pagos, nomeados pelos governos. É mentira que o IPCC disponha de três mil cientistas especializados em climatologia, como tem sido tantas vezes apregoado. E é igualmente mentira a afirmação de que haveria “consenso científico” quanto ao dogma aquecimentista.

7) Se estivesse a haver algum aquecimento global no planeta Terra isso não seria mau para a humanidade. Numerosas regiões do mundo poderiam passar a ter agriculturas produtivas. A Gronelândia, por exemplo – a “Terra Verde” como a chamaram os vikings – dispunha de agricultura na época do Período Quente Medieval. Pode-se mesmo afirmar que o berço da civilização ocidental foi numa terra extremamente quente: a Mesopotâmia (actual Iraque), entre o Tigre e o Eufrates. Civilizações como a egípcia e a azteca floresceram em climas quentes.”

Este é o boletim meteorológico de… 2050. Porque “estamos a ficar sem tempo”

10/9/2014, 23:07
O Organização Meteorológica Mundial criou um boletim meteorológico do futuro, a antecipar 2050. “Estamos a ficar sem tempo”, alerta o secretário-geral da organização.
AFP/Getty Images
“O aquecimento global está a ganhar a batalha contra as políticas de redução de emissão de gases, avisa a Organização Meteorológica Mundial (OMM), que sugere a urgência de um acordo a nível global para travar este fenómeno. E parece que há motivos para isso: entre 2012 e 2013, a taxa de acumulação de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera registou o crescimento mais rápido num ano desde 1984, conta a BBC. Para se fazer ouvir, a OMM publicou um vídeo onde simula um programa de meteorologia em 2050.
 
“O boletim mostra que, bem longe de estar a descer, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera subiu, de facto, no último ano na taxa mais rápida em quase 30 anos”, disse o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud, à BBC. O mesmo artigo explica ainda que a concentração de CO2 atual é de 142% relativamente aos níveis de 1750, ou seja, por altura do início da Revolução Industrial. Quanto à acumulação de metano, outro gás responsável pelo efeito estufa, os valores disparam para 253%.
Oksana Tarasona, o chefe da divisão de pesquisa atmosférica da organização, revelou que em 2013 não se registaram quaisquer impactos relevantes na biosfera. “Não sabemos se isso é uma coisa temporária ou permanente, e isso é preocupante”, informou, admitindo que poderá ser um indicador de que a biosfera atingiu o seu limite. Segundo dados da OMM referentes ao período entre 1990 e 2013, os duradouros gases como CO2, metano e óxido nitroso são responsáveis por 34% do agravamento do aquecimento global. Todavia, a temperatura global não caminhou lado a lado com a elevada concentração de CO2. Estará a estagnar?
“Sabemos que, sem dúvida, o nosso clima está a mudar devido às atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis”, afirmou Michel Jarraud, num comunicado publicado na página oficial da OMM. “Estamos a ficar sem tempo”, alertou.
 
CAPITALISMO: DUAS VISÕES


Bizrevolution:

“Eu sempre falo e gosto de repetir, CAPITALISMO significa CÉREBRO e não dinheiro. 
O CAPITALISMO não é a sociedade do dinheiro, é a sociedade do CÉREBRO. 
CAPITALISMO é a sociedade onde se você colocar o seu CÉREBRO para funcionar, e criar algo bacana para ajudar os outros, você MERECE ser recompensado por isso. 
CAPITALISMO é a Era da CRIAÇÃO, PRODUÇÃO, INVENÇÃO, QUEBRA DE PARADIGMAS, LIBERDADE. 
Através do CAPITALISMO você pode ter a sua própria empresa e liderar o seu próprio destino. 
Através do CAPITALISMO você pode ser o que quiser. 
O CAPITALISMO é o ÚNICO regime social onde o INDIVÍDUO é dono do seu futuro. 
Em todos os outros regimes, socialismo, comunismo, imperialismo e sei lá mais o quê, o INDIVÍDUO tem que se ajoelhar e baixar a cabeça para reis, rainhas, padres, grandes corporações e outros bichos. 
Agora, infelizmente, o lado zé mané dos seres humanos tomou conta de uma parte do capitalismo e o transformou em um negócio onde a ESPECULAÇÃO e os MERCADOS FINANCEIROS se aproveitam das criações das pessoas para ganhar muito dinheiro sem fazer porra nenhuma.
Mas a coisa toda ainda vai mudar.
A idéia do INDIVÍDUO escolher o que vai fazer da vida é MUITO PODEROSA. 
Eu acredito que essa é a idéia mais PODEROSA da história do ser humano. Quando essa idéia toca as pessoas seja lá onde estiverem, o cara muda para sempre.
Quando o cara descobre que não precisa seguir os padrões pré-estabelecidos pela sociedade, o cara QUEBRA TUDO e começa a EXIGIR mudanças para si e para todos a sua volta. 
Foi assim recentemente na Primavera Árabe, na China, Índia, União Soviética, e espero que um dia atinja de verdade o coração de todos os brasileiros. 
O CAPITALISMO é a grande FORÇA do BEM que pode mudar o mundo para melhor. 
Com o CAPITALISMO você tem diversas opções para viver a sua vida. 
Vendo de longe, você tem a impressão errada de que no capitalismo todas as pessoas são individualistas e não pensam nos outros. 
VOCÊ ESTÁ ERRADO!!
No capitalismo as pessoas estão focadas em aperfeiçoar os seus produtos para ajudar as pessoas a resolver os seus problemas. No capitalismo TODOS os trabalhos estão ligados e beneficiam outras pessoas. 
No CAPITALISMO não importa se a origem do seu sangue é vermelha ou azul, se você colocar o seu CÉREBRO para trabalhar você pode mudar de vida e status social. 
CAPITALISMO é o sistema que melhor combina com DEMOCRACIA. No CAPITALISMO todo mundo vota para escolher os seus representantes. Ninguém é eleito porque tem sangue azul, ou porque faz parte de um partido.  
O CAPITALISMO é a sociedade que mais tem a ver com DNA do ser humano. 
O nosso DNA é sobre ambição, curiosidade, vontade de crescer, conquistar coisas, desejo de desafiar os deuses, avançar, vencer, criar, competir, SER O MELHOR. “





O imperativo de um rendimento garantido internacional

por Stephen J. Fortunato Jr. [*]
.O capitalismo do século XXI não é uma versão melhorada e inócua das suas manifestações no século XIX ou XX, nem nunca o será, apesar da fanfarronice diária dos praticantes e defensores do sistema de que a maré da prosperidade em breve elevaria todos os barcos. Os princípios animadores do capitalismo que regem a caça ao lucro continuam tão vácuos e iníquos como eram em 1848, especialmente no que se refere à exploração humana e à distribuição da riqueza. Tal como o super-capitalista Warren Buffett observou há pouco numa declaração demolidora: “O sistema de mercado não tem funcionado bem para as pessoas pobres” ( The New York Times, 27 de Junho de 2006).

Apesar dos avanços tecnológicos e dos novos acordos comerciais, o capitalismo, com a sua etiqueta higiénica da globalização, não está a dirigir-se para um glorioso futuro novo, está pelo contrário a regressar rapidamente ao passado. No seio do capitalismo – quer seja rotulado de globalismo, de imperialismo ou de livre iniciativa – não há nada de novo à face da terra.

Desde os seus primeiros dias, o capitalismo foi sempre global – para que é que serviam os navios velozes? E o capitalismo foi sempre olimpicamente indiferente ao sofrimento humano – o que é que significava (e significa) o tráfico de escravos, de ópio e de armas? Na segunda metade do século XIX e nos primeiros anos do século XX, os capitalistas aventuraram-se, a partir das suas principais bases industriais nos Estados Unidos, Europa e Japão, até à América Latina, à África, à China e a outras regiões da Ásia, dividindo territórios e brutalizando as populações indígenas com o apoio mortífero dos seus exércitos nacionais imperialistas. A luta dos estados capitalistas entre si não impediu que o sistema acabasse por subjugar e explorar as populações locais.

Os factos e dados compilados e reunidos num aglomerado de publicações de agências das Nações Unidas, de governos, de organizações não governamentais, de jornais da esquerda, e de órgãos financeiros capitalistas documentam todos eles a mesma realidade fundamental:   uma pequena minoria da população mundial desfruta de um nível de vida confortável e detém um quinhão desproporcionado de dinheiro e de bens enquanto que a maioria da humanidade vive na miséria, frequentemente assediada pela instabilidade política e pela violência. Uma simples observação das consequências económicas e culturais da produção e da distribuição capitalista revela que o sistema não dispõe de princípios ou mecanismos internos que detenham – ou pelo menos reduzam – o fluxo imparável da riqueza para as mãos de meia dúzia, enquanto deixa a maioria num tapete rolante sem-fim na tentativa de fugir aos empregos perigosos, às escolas degradadas e aos sistemas de saúde de terceira classe”. 





O ISIS (“ESTADO ISLÂMICO”): DUAS VISÕES


EUA declaram-se em guerra contra o Estado Islâmico

por Lusa, publicado por João Moço13 setembro 201428 comentários
EUA declaram-se em guerra contra o Estado Islâmico

“A Casa Branca declarou na sexta-feira que os EUA estão em “guerra” contra o Estado Islâmico (EI), uma atualização depois de uma flutuação semântica sobre a estratégia anunciada na quarta-feira pelo Presidente Barack Obama.

O secretário de Estado, John Kerry, que está em viagem no Médio Oriente para reunir uma coligação o mais ampla possível contra o EI, tinha sido reticente em utilizar o termo “guerra” para qualificar o alargamento da operação militar norte-americana contra o EI no Iraque e na Síria. 
Mas, na sexta-feira, o Pentágono e a Casa Branca deixaram poucas dúvidas sobre a sua forma de ver o conflito. 
“Os EUA estão em guerra contra o EI da mesma maneira que estávamos em guerra contra a Al-Qaeda e os seus aliados no mundo”, declarou o porta-voz da Presidência, Josh Earnest, durante o encontro diário com a imprensa. 
A mesma mensagem foi passada pelo porta-voz do Pentágono, contra-almirante John Kirby: “Estamos em guerra contra o EI da mesma maneira que estamos em guerra e continuamos a estar com a Al-Qaeda e os seus aliados”.
Na véspera, Kerry tinha preferido falar em “operação antiterrorista de grande envergadura”, durante uma entrevista à estação televisiva CBS”.

De Pol Pot ao ISIS: “Qualquer coisa que voe sobre tudo o que se mova”


por John Pilger
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“Ao transmitir ordens do presidente Richard Nixon para um bombardeamento “maciço” do Cambodja em 1969, Henry Kissinger disse: “Qualquer coisa que voe sobre tudo o que se mova”. Quando Barack Obama desencadeia sua sétima guerra contra o mundo muçulmano desde que recebeu o Prémio Nobel da Paz, a histeria orquestrada nos torna quase nostálgicos da honestidade assassina de Kissinger.

Como testemunha das consequências humanas da selvajaria aérea – incluindo a decapitação de vítimas, com suas partes a adornarem árvores e campos – não estou surpreendido pelo desprezo para com a memória e a história, mais uma vez. Um exemplo marcante é a ascensão ao poder de Pol Pot e seu Khmer Rouge, que tinha muito em comum com o actual Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS, na sigla em inglês). Eles, também, eram feudais implacáveis que começaram como uma pequena seita. Eles eram também o produto de um apocalipse de fabrico americano, desta vez na Ásia.

Segundo Pol Pot, seu movimento consistira em “pouco menos do que uma guerrilha de 5000 homens fracamente armado e incertos acerca da sua estratégia, táctica, lealdade e líderes”. Uma vez que os bombardeiros B52 de Nixon e Kissinger começaram a trabalhar como parte da “Operação Menu”, o demónio supremo do ocidente mal podia acreditar na sua sorte.

Os americanos despejaram o equivalente a cinco Hiroshimas no Cambodja rural durante o período 1969-73. Eles arrasaram aldeia após aldeia, retornando para bombardear o entulho e os cadáveres. As crateras deixaram monstruosos colares de carnificina, ainda visíveis a partir do ar. O terror foi inimaginável. Um antigo oficial Khmer Rouge descreveu como os sobreviventes “incapazes de pensar e dizer qualquer coisa perambulavam mudos por três ou quatro dias. Aterrorizados e meio louco, o povo estava pronto a acreditar no que lhes era contado… Foi isso que tornou tão fácil para o Khmer Rouge ganhar poder sobre o povo”.

Uma Comissão de Inquérito do Governo Finlandês estimou que 600 mil cambodjianos morreram na resultante guerra civil e descreveu o bombardeamento como a “primeira etapa numa década de genocídio”. O que Nixon e Kissinger começaram, Pol Pot, seu beneficiário, completou. Sob as suas bombas, o Khmer Rouge cresceu chegando a um formidável exército de 200 mil homens.

O ISIS tem passado e presente semelhante. De acordo com a maior parte das mensurações académicas, a invasão do Iraque por Bush e Blair levou à morte de umas 700 mil pessoas – num país que não tinha história de jihadismo. Os curdos fizeram acordos territoriais e políticos, os sunitas e xiítas tinham diferenças de classe e sectárias, mas estavam em paz, casamentos mistos eram comuns. Três anos antes da invasão, conduzi extensamente e sem medo através do Iraque. Pelo caminho encontrei pessoas orgulhosas, acima de tudo, de serem iraquianos, os herdeiros de uma civilização que para eles parecia presente.

Bush e Blair explodiram tudo isto. O Iraque é agora um ninho de jihadismo. A al-Qaeda – tal como os “jihadistas” de Pol Pot – agarrou a oportunidade proporcionada pela carnificina do Pavor e Choque e da guerra civil que se seguiu. A Síria “rebelde” apresentava ainda maiores recompensas, com a CIA e estados do Golfo a abastecerem de armas, logística e dinheiro que passavam rapidamente através da Turquia. A chegada de recrutas estrangeiros era inevitável. Um antigo embaixador britânico, Oliver Miles, escreveu recentemente: “O governo [Cameron] parecia estar a seguir o exemplo de Tony Blair, o qual ignorou o conselho constante do Foreign Office, do MI5 e do MI6 de que a nossa politica no Médio Oriente – e em particular nossas guerras no Médio Oriente – haviam sido o principal impulsionador no recrutamento de muçulmanos na Grã-Bretanha para o terrorismo aqui”.

O ISIS é o rebento daqueles em Washington e Londres que, ao destruir o Iraque tanto como estado como como sociedade, conspiraram para cometer um crime monstruoso contra a humanidade. Tal como Pol Pot e o Khmer Rouge, o ISIS são as mutações de um terrorismo de estado ocidental administrado por uma elite imperial venal que não recua diante das consequências de acções tomadas com grande distanciamento em termos de cultura. Sua culpabilidade não pode ser mencionada nas “nossas” sociedades”.

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