Portugal Tem Maus Professores? Basicamente Porque Os Seus Pais São Pobres

 
Segundo Alexandre Homem-Cristo, em observador.pt, que deve ter ingressado com notas alta na Universidade e deve ser rico ou, pelo menos, deve viver confortavelmente, temos para os cursos de professores:
1- Notas de ingresso baixas: excesso de oferta, há poucas pessoas que querem ser professores (regra da oferta e da procura) ou como pensará o articulista, porque são cursos para burros e põem- se as notas baixas para poderem entrar, pelo que é fácil entrar nos cursos e tornar-se professor?
2- Cursantes de estudos para professores maioritariamente pobres ou socioeconomicamente desfavorecidos – de gente pobre e desfavorecida nada vai sair de bom. 
 
Mas o que se dirá de muitas outras profissões de ingresso superior, cujas notas são, para só referir algumas, em 2014?:
 
Tecnologia de Ciências do Mar 106,0 
Faculdade de Ciências e Tecnologia Engenharia Informática 111,0 
Faculdade de Ciências e Tecnologia Engenharia Electrónica e Telecomunicações 118,8  
Faculdade de Economia Gestão de Empresas 102,8 
Matemática, Aveiro 109,2
Tecnologias e Sistemas de Informação 110,0

Química 108,5, Coimbra
Engenharia Electrotécnica e de Computadores 110,5, Coimbra
Curso de Ciências de Educação, Lisboa, em 2013, segundo o articulista: 109,0.
Em todos estes curso, e muitos mais, que não indiquei aqui, as diferenças são insignificantes.

Por curiosidade, a nota de ingresso mais baixa em Educação Básica, Aveiro, foi de 135,0.

 


 

 

Fica a questão da pobreza. Ora, dos pobres nunca se espera nada de jeito. O articulista, pela qualidade do artigo que escreveu, mostra, por isso, que não pertence a essa má raça. O jornalismo em geral, aliás, está muito à frente, como se comprova.

 

 

 
 
 
É um resumo do seu artigo Temos Maus Professores, de que cito, sem precisão de mais comentários, um estrato:
 
“Portugal tem maus professores. E não é por acaso: é fácil tornar-se professor. Por um lado, veja-se que, enquanto os cursos mais prestigiados mantêm notas de acesso ao ensino superior bastante elevadas, nos cursos de ciências da educação acontece o inverso. Na Universidade de Lisboa, por exemplo, o último aluno a ingressar no curso, em 2013, teve a classificação de 109,0. Ou seja, dito de forma clara: quem hoje vai para professor não são os bons alunos. Por outro lado, quem hoje frequenta os cursos da área da educação são, em média, os que têm níveis socioeconómicos mais baixos e que, por isso, obtêm mais bolsas de acção social. De acordo com os dados para o ano lectivo 2010/2011, 41% dos estudantes desta área de estudos obteve bolsa. Foi a percentagem mais elevada entre todas as áreas de estudos – ou seja, em nenhuma área há uma concentração tão grande de estudantes com baixo nível socioeconómico.
Assim, em termos gerais, quem quer ser professor são os piores alunos, os mais pobres e os menos cultos. Há excepções, e ainda bem. Nos cursos e, sobretudo, nas escolas, onde a regra, felizmente, ainda é a existência de muitos bons e dedicados professores. Mas o perfil médio dos actuais cursos de ensino é este: são alguns dos piores das gerações do presente que estão nas escolas a preparar as gerações do futuro.”
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