A Bola ou O Trabalho Eterno


 
No fascismo havia, se não me engano, futebol apenas ao domingo, com algumas excepções, nas incursões épicas pela bárbara Europa. Começava-se a falar dele ao Sábado e terminava-se Segunda-Feira (deixem-me escrever com maiúsculas). Descansava-se durante a semana. Durante a semana era o Salazar ou o Marcelo, não o de agora, que até aparece mais, e até mais do que a Maia vidente, além dos soldados rasos que, entre o Natal e o Ano Novo, diziam na televisão de lá longe na estepe africana: “um ano cheio de propriedades!”. 
Agora, não temos descanso. E o problema é que não mudam as regras do jogo nem a forma da bola. Esta é sempre redonda e, pegue-se por que lado for, é sempre pelo mesmo lado que se pega. A culpa não é da televisão: é da bola. Estar dentro da bola é isso mesmo o que alguns jornalistas, pelos intervalos do jogo que lhe são permitidos, chamam de totalitarismo.
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