Salazar e as Indulgências – A Santa Aliança no Fascismo

 
Deus, Pátria, Família: a trilogia da educação nacional do fascismo português. Trilogia, manipulada, distorcida e de que ainda agora sofremos as consequências. 
 
 
Um Deus que é a mistificação de uma alienação real, social e política, mas que não justifica necessariamente uma ditadura, embora esta fosse um bom instrumento material para o reforço dos sentimentos religiosos. 
 
 
 
Uma Pátria imperialista e ultra-tradicionalista, exaltando valores históricos manipulados, com uma perspectiva única, chauvinista. Ironicamente aberta à cultura chauvinista norte-americana. Na prática, ocultando ao povo todas as ideias, manifestações sociais, políticas e artísticas que pusessem em causa a verdadeira Pátria de então, a Pátria dos Industriais, dos Banqueiros, dos políticos do regime e dos militares de alta patente.
Pátria, palavra que ganhou uma má reputação mas que pode ser também a terra do poder do povo e do seu evolução económica e cultural numa linha de autonomia que ao mesmo tempo conserve e desenvolva o que de melhor tem a tradição identitária, a apropriação do que de melhor tem o estrangeiro para o progresso interior e o internacionalismo como colaboração pacífica e de ganho mútuo com os outros povos.  
 
 
Uma Família piedosa e paternal, onde os valores do Fascismo se formam, antecâmara e suporte de retaguarda de uma escola que ensina técnicos e educa para a obediência a uma estrutura política e a uma Igreja coligadas numa Santa Aliança de suporte organizativo, repressivo e ideológico das classes dominantes e, em particular, do grande capital. Família cuja importância foi sequestrada por uma teia capitalista-castreja-religiosa mas que não deixa de ser a nossa primeira casa, de desenvolvimento humano multifacetado, que, junto com a escola, se não for demasiado protectora a ponto de nos ocultar a luta e a livre aventura da realidade, nos prepara para a vida, para a acção e para os afectos.
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