O Bloco de Esquerda a Quebrar-se – Nada que não se Previsse

 

 
O Bloco de Esquerda é constituído maioritariamente por jovens técnicos que trabalham por conta própria, jovens assalariados contratados a prazo, sem valores de classe por serem filhos da ambígua pequena-burguesia e por terem de lutar isoladamente pelo seu emprego em regime de instabilidade, de competição permanente e sem existência e sentido de pertença ou de dependência recíproca e projecto comum, professores preconceituosos e pseudo-intelectuais zangados com ministras e estudantes sem vivência real das contradições fundamentais. 
Na verdade, são estas condições objectivas que determinam, em grande parte, que a maioria dos jovens e dos menos jovens votem à direita ou em partidos de direita com desfalecidas tonalidades de esquerda, embora todos esses partidos possuam um projecto de classe mais ou menos definido em prol do capital, tendo todavia que lhe juntar um certo grau de mobilidade social, a possibilidade de entrada a novos agentes da iniciativa privada e de funções sociais para que a sociedade capitalista se renove com uma camada jovem de empresários,  para que não caia no caos e, sobretudo, na revolução.
No Bloco de Esquerda militam pessoas com boas intenções. Contudo, têm mais de revolta pessoal do que sólida consciência social, não têm experiência de lutas colectivas nos locais de trabalho, nos sindicatos, na organização política coordenada e na rua em defesa dos interesses, não deles, mas dos assalariados em geral e, em particular, dos operários. A situação objectiva destes é a única que pode ser de oposição consistente ao capital. Só com eles se pode combater pela supressão final da propriedade privada dos meios de produção. Mas os dos Bloco de Esquerda são incapazes, por todas as razões invocadas, de se empenhar numa luta a médio e a longo prazo dentro de uma organização política anticapitalista na qual possam apresentar as suas ideias mas a cujo colectivo devem submetê-las. 
São impacientes e individualistas, põem sempre o eu acima do nós, a vontade individual acima da vontade colectiva. Qualquer discordância em objectivos de curto prazo é motivo para debandada ou para a fragmentação. 
É um partido de revoltados e não de classe. É um partido de pessoas que, à menor oportunidade de se juntarem à burguesia pelo enriquecimento através da exploração de assalariados, passam politicamente para o lado do capital. Na verdade, a sua formação e a sua situação social produzem essa expectativa e essa possibilidade. 
É por isso que a referência de um partido político marxista terá que ser sempre a classe operária.  É ela que determina a forma geral e estratégica da luta política comunista e não os interesses particulares deste ou daquele grupo social, a ter em conta subordinadamente, mesmo que aliado da classe operária. Uma sociedade sem uma classe operária forte e objectivamente oposta à burguesia nunca poderá criar um movimento comunista capaz de criar um sistema socialista sólido e com futuro.
Caso contrário, esse partido deixa de ser marxista e social-democratiza-se. Ou então, como sucede com o Bloco de Esquerda, torna-se num instrumento de formação de quadros políticos em vias de ingressarem em partidos sociais-democratas ou de andarem por aí, cada vez mais sectários, a adejar a sua vaidade intelectual e o seu individualismo burguês. 

 

Quando, há uns meses, alguns economistas do PC e de outras áreas políticas pediram um debate sobre o Euro, Louçã veio para a comunicação social clamar contra a hipótese de saída do Euro. O Louçã, como todos os dirigentes e militantes do BE são meninos e meninas bonitas que se sentem bem neste regime. Apenas querem brincar à rebeldia e dar nas vistas como inteligências supremas. Portanto, não se preocupem, essas sumidades conseguem elevar-se ao nível dos vossos conhecimentos, simpatizantes e militantes do P.S. Agora, não sei se os conhecimentos são bons. P.S. A Ana Drago, como já a outra beldade (é pena que a beleza não seja política), está aqui está no P.S.



O BE é uma manta de retalhos, trotskistas, maoistas, sociais-democratas, idealistas políticos, todos unidos pelo ódio ao Partido Comunista. 


Louçã, por exemplo, é um trotskista. Conheci trotskistas e eles diziam-me que preferiam os Estados Unidos à União Soviética. O seu economicismo (o futuro do socialismo está nos EUA, a sociedade mais desenvolvida, e não vale a pena qualquer solidariedade com a URSS, malgrado os seus defeitos, que identificavam com o totalitarismo, muito parecido com o Império do Mal) mal colado a um voluntarismo falso é sobejamente conhecido. 


Uma vez, durante uma greve na Universidade de Lisboa, a sua principal preocupação era isolar os comunistas. 
Gostos não se discutem, os defeitos da União soviética não são para ocultar. Mas há muito tempo que percebi de que lado eles sempre estiveram.

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