A Ordem Natural das Coisas – Henrique Raposo e os Comunistas


“A ordem natural das coisas” (Henrique Raposo) é a maneira como as coisas devem existir porque existem e se existem é porque é da natureza das coisas existirem assim ou deverem existir assim porque é assim que as coisas devem existir. 
Era desta maneira que Aristóteles (de resto muito acima do acéfalo Raposo, pelo qual já passou a teoria da evolução sem muito proveito – será que a existência de Raposo falsifica Darwin e repõe Aristóteles no ambiente jornalístico dominante na actualidade?), era assim, dizia, que Aristóteles pensava há mais de dois mil anos. 
Para infelicidade de Aristóteles, e de Raposo, o mundo dele só tinha que ser assim até ter deixado de ser assim, só era a ordem natural das coisas enquanto as coisas não deixaram de ser a ordem natural e terem desaparecido para sempre tais como eram. O esclavagismo morreu como sistema sócio-económico e, dessa maneira, Raposo já não pode ser o escravo dócil de algum senhor dono de uma mina de prata, para infelicidade de Raposo e nossa. 
Veio a Idade Média e os escravistas tornaram-se senhores feudais, senhores de servos, de terras, de reinos e das guerras. Também São Tomás de Aquino descobriu nisso a ordem natural das coisas e tão assim que via com algum incómodo o surgimento de uma classe poderosa e empreendedora apoiada pelos judeus usuários. Porém, pasme-se pelo que veio a seguir no cérebro do teórico principal da Igreja, o qual, suficientemente traidor à ordem natural das coisas, teve a ideia conciliadora de que a usura, como novidade na sua força, até pode entrar no sistema, para financiar a guerra, os reis e os papas. Claro, com a condição de não ser suficientemente forte para se transformar numa forma de acumulação tal que possa mudar por completo a ordem natural das coisas como Tomás, emissário de Deus, exigia que assim fosse.
Mas, é sempre a mesma coisa, o material nunca deixa de ter razão e aquela ordem natural das coisas foi deposta por uma nova ordem natural das coisas – aquela onde Raposo vive, da qual Raposo vive e tira os seus rendimentos a proclamar a eternidade da sua ordem natural das coisas com a qual vive mesmerizado. 
É por isso que Raposo acha um escândalo ontológico que a ordem natural das coisas possa ser insuficientemente ordenada ao ponto de permitir o facto anti-natural da existência no seu seio da peçonha dos comunistas, que deveriam ser banidos, talvez mediante uma alteração civilizada e burguesa do sistema eleitoral, talvez mediante uma campanha eficiente, e também humanitariamente burguesa, sobre a maldade inerente à condição comunista. Melhor ainda seria o seu extermínio higiénico, muito necessário ao bom funcionamento do estado natural das coisas no melhor dos mundos possíveis tal como Leibniz, o teria definido, embora Leibniz não tenha tido qualquer influência ideológica sobre o Reino dos Mil Anos de Hitler. 


Mas talvez os comunistas, à semelhança dos judeus usuários que derrubaram o feudalismo por dentro das contradições da ordem natural das coisas, contribuam também para que a nossa ordem natural das coisas passe a ser uma desordem das coisas antinaturais quando o seu tempo tiver passado, quando as Horas já não conseguirem guiar o Carro do Sol que ilumina a vida que sobreviveu à selecção natural e enche os bolsos de Raposo. É por isso que Henrique Raposo não quer que os comunistas façam parte da ordem natural das coisas de que ele tanto gosta.

O PCP é a nossa Le Pen

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 18:00 Quarta feira, 28 de maio de 2014

Num país que tem um dos partidos mais extremistas da Europa (PCP), é sempre engraçado assistir às súbitas indignações em relação à extrema-direita europeia. Sim senhora, a extrema-direita é perigosa, mas convém não esquecer que Portugal respira a peçonha da extrema-esquerda. O “extremismo” está no centro da nossa vida política. Portanto, se querem entrar no mercado da indignação, indignem-se com as posições diárias do PCP, porque a extrema-esquerda não faz parte da ordem natural das coisas, a extrema-esquerda não tem de fazer parte da mobília, a extrema-esquerda não é aquela tia velhinha que temos de respeitar mesmo quando passa o jantar a dizer palavrões. Se Le Pen é nacionalista, o PCP também é. 



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