Graffitis no Porto ou a Decadência do Gosto e da Estética Urbana


Lê-se em o público.pt de hoje, escrito por um ignorante de serviço, tão grosseiro como o presidente Rui Moreira, que nem tem capacidade para ter vergonha de não saber apresentar à cidade obras com o gosto que já teve a burguesia de antigamente (pois não é o garoto que esborratou aquilo que deveria ser preso mas o próprio Rui Moreira): “Camões já o escrevera. Mudam-se os tempos…. E os graffiters que trabalham no Porto podem dormir descansados, que nenhuma brigada da autarquia lhes vai apagar o trabalho. O executivo de Rui Moreira elevou o graffiti ao estatuto de Arte Urbana que outras cidades em Portugal, e no mundo, já lhe atribuíram, e está activamente a procurar espaços na cidade para serem alvo da intervenção destes artistas. Alguns dos melhores estão por estes dias no edifício Axa, nos Aliados, a pintar seis pisos para uma exposição indolor  organizada pela empresa municipal Porto Lazer, que é já um sinal dos novos tempos”.

Chamar a isto de arte… Um miúdo do básico faria melhor. E lá se estragou uma cabina que vale pela forma vestida de uma cor que a salientava. Já agora, também poderiam pintar a Torre dos Clérigos: dariam cor àquele vulto sombrio. E aqui em Lisboa poderiam pintar o Mosteiro dos Jerónimos: tão branco que ele é! Não é por nada mas prefiro a declaração inocente de pureza da brancura de uma modesta casa alentejana. 
E não me importo que me chamem careta, antiquado, preconceituoso. Há coisas que os borradores nunca compreenderão. Por exemplo, a leveza, a harmonia, a proporção, o respeito pela forma, pelo espaço, pela superfície, pela linha, a beleza da simplicidade.
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