Novas Cartas Portuguesas – As Três Marias e a Censura antes do 25 de Abril

Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa



“saberás que me escorre dos ossos às mãos esta frieza, água do choro de olhos que já não e um pão de horror, ázimo punho sobre a fala e digo nada, tudo foi dito quando não sabíamos — longe de mais, tempo de mais suspenso o bem modesto. Não era para sorriso isto e não sabíamos. Quem louvará os filhos que não tivemos, quem visitará a casa onde no umbral, perfeita  ficámos sempre, quem me dirá mulher de todo o teu alguém, violada por virgem de só isto, dobrada de náusea no portal do templo que não pedia nem tu, expulsos e à esmola do possível, tão pobres como os mais e a mão estendida e asperamente concedido o cheio, o golpe inteiro, ao só choro de meninos à porta do quarto de um apenas casal sereno, o de nós, que de maior de nós come as entranhas, lágrimas e o frio suor da mão tolhida, que ganho é pedir paz e só ter par?”

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