Pequeno Manifesto Fotográfico


Só me interessa a fotografia não manipulada, verista, sem efeitos cromáticos e de distorção, a menos que as manipulações sejam evidentes e não mistifiquem, não sejam susceptíveis de fazer passar a ilusão pela realidade, na qual também a nossa acção, com os valores e a produção, está presente. E, mesmo assim, não aprecio essas fantasias que nos afastam da verdade das coisas. 
A autenticidade, valor indissociável do belo, é a qualidade da representação que nos devolve, de maneira intensificada pela intenção do foco, os traços das coisas reais da maneira como as apreende a natureza da nossa fisiologia, o desenvolvimento cultural da nossa percepção e a práxis que a torna mais objectiva ao mesmo tempo que lhe confere sentidos cada vez mais humanos sem nos afastar da sua presença concreta. Natureza e Homem alimentam-se mutuamente e na representação plástica não podemos perder nem a verdade duma nem a verdade do outro nem a verdade da sua relação. Neste balanço o preço estético recebe o seu peso em ouro.
É por isso que estas fotografias – independentemente da qualidade, que não será muita, pelo seu amadorismo – vos podem parecer banais. Mas é a banalidade do real, das coisas tais como nós as vemos através dos nossos interesses subjectivos sem as desvirtuarmos e não tais como nós gostaríamos de as ver quando somos levados a julgar que a fantasia é melhor do que a realidade. 



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