NO Coração da Pedra (A Matéria Humana)

XLVIII
Uma água parada no coração da pedra
Não suportará muito a dureza do vento
Repare-se nos rostos das velas de um rio
Certas vezes breve
Outras alongado
Numa tempestade contida por si
Na remota presença de um esquife
No indolente verão mantido em frio
Vivenda de máquinas onde habita
O homem que dorme um sono de chita
Queixa-se de que muro de que choro
O tempo passa tranquilo na casa
Os peixes das profundas têm luzes
De um firmamento jamais ancorado
Mas as paredes não amparam sempre

O céu mantido por um deus sonhado
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