Rute Lima: Olivais, Lisboa – Promessa Eleitoral Cumprida: Deitar Abaixo as Grandes Árvores do Bairro

 
Rute Lima, presidente da Junta de Freguesia dos Olivais pelo Partido Socialista, inicia o seu mandato cumprindo a mais importante das suas promessas eleitorais. 
 
 
Aquando da sua campanha para a Junta dos Olivais, sondou os interesses e aos anseios da população (é assim que se costuma dizer). Muitos dos habitantes desta “cidade jardim”, desenhada pelo arquitecto Nuno Portas e outros, inspirada no ideal da cidade-jardim de Corbusier, estavam há bastante tempo incomodados com o facto de haver muitas árvores no bairro que o tempo tinha tornado desagradavelmente imponentes, frondosas, projectando sombras frescas no Verão, fazendo barreira à poeira dos ventos e à ventania que se levanta entre os espaços do edifícios, protegendo as habitações de curiosidades alheias, da passagem monótona e obsessiva dos automóveis, absorvendo também algumas toneladas de dióxido de carbono, mas lhes tiravam a vista para uma panorâmica desimpedida para as varandas e janelas dos prédios em frente e sabe-se lá o que mais. 
Vai daí, porque não aproveitar o trunfo proporcionado por esta reivindicação legítima, culta, sensível e avisada de cidadãos exigentes – e a promessa foi feita. Pinheiros na sua imponência que desafia a mesquinhez dos homens, árvores orgulhosas de copas densas e amplas, de um verde intenso, aborrecidamente perene, tiveram o merecido pela sua arrogância em tapar as vistas e foram abaixo como gigantes guilhotinados. Bétulas, freixos brancos de porte esguio e alto, rigorosos na sua elegância, apontando com as suas folhas de prata tremeluzente aos caprichos sazonais do Céu – jamais devíeis tapar a vista aos homens e por isso, tivestes de ser cortadas rentes.
Os Olivais, celebrados por quem é sensível à harmonia do Homem com a Natureza, apesar da fraca qualidade estética da maioria do seus edifícios, os Olivais, censurados por aqueles que acham que gasta demasiada água e por quem pensa que a vida de um bairro deve estar centrada sobretudo no comércio, não merecem os habitantes que têm. 
Muitas árvores também já tinham ido abaixo à volta do Centro Comercial, cujos espaços envolventes, outrora ruas desimpedidas de automóveis e que uniam, mais do que separavam, jardins, são agora um parque de estacionamento contínuo para gáudio de uma outra reivindicação  de cidadãos, satisfeita pela anterior junta,  igualmente dirigida pelo Partido Socialista. A gestão autárquica do Partido Socialista já não se limita a fazer fontes com esculturas do Cutileiro à entrada de todas as cidades nem apenas a ameaçar e deitar abaixo o negócio de quem se lhe opõe, numa espécie de ditadura local legitimada pela democracia do voto demagógico. Agora também se dedica a destruir a Natureza nas cidades.
Escrevera Lord Byron no Século XIX que os portugueses quando vêm uma árvore, deitam-na abaixo. Continuam assim. Mas agora, o populismo tornou-se sinónimo de democracia, a pedagogia e a resistência à ignorância tornaram-se sinónimos de prepotência. Uma gestão sábia e pedagógica, que tenha o bem e a justiça, a verdade e o conhecimento, o belo e o gosto como objectivos, faz perder eleitores e os políticos não estão preparados para ela. A cedência ao disparate dá votos – é o que mais importa. A barbárie é isto – um povo a quem é oferecida uma ideia eleitoralista de democracia. 
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