Tens Tudo Para Seres – Poema (Pedro Mota, A Matéria Humana)

XXXIII
tens tudo para seres
o teu corpo desflorou
em subtilezas de dedos fendidos no desejo puro da carne
és a respiração do sangue
nas fontes rebentadas da terra
ardes no lugar dos dias abertos
não te masturbas se o não queres
cais no corpo ferido do teu amante
não é preciso que a morte venha
para dar sentido a músculos repartidos por corpos atados
não são precisos espinhos para uma rosa vermelha
a dor não explica o que vale um parto
Se uma criança chora é por mais leite
Mas tu és grande em teu porte
Em teus passos largos passa diante
da pedagogia do sofrimento
não é essa podridão que te transporta
é o licor de um fruto cujo vício
é renascer de um vício maior
Não abdiques não sonhes encontra-te presente
afirma-te futuro agora


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