Do que é Feita a Dança – Poema (Pedro Mota, A Matéria Humana)

XXXVII
há corpos separados
do desejo
por uma superfície de contacto
Um horizonte de feridas
expõe um corpo fechado
Finge-se morto
o alvorecer de chamas
sem passaporte
Ó ave ó transporte
tens as penas queimadas
de a luz ser tanta
e tanto não seres
Por dentro de ti
rebenta em si
uma fonte fechada
A quem podes dizer
que não és de cal
em carne viva
Fica a esperança
de uma perdição
de dedos cegos
a água livre
de uma voz que sabe

do que é feita a dança
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