A Nudez do Nosso Eu

 
Por que nos vestimos? Para nos protegermos dos elementos? Para nos diferenciarmos pessoal e socialmente?
Então o que faz com que nos sintamos expostos até ao âmago quando nos encontramos desnudos perante os outros, e mesmo até diante do nosso olhar? Que motivo, nessa situação, nos leva a nos tornar muito mais conscientes dos que somos?
A persona é realmente uma máscara? O despir de todos os traços de individualização cultural identifica-se por paradoxo com a substância do nosso ser íntimo? Será da nossa semelhança que temos medo? De nos anularmos na indiferença?
Choca-nos a nossa própria matriz animal, o eliminar da escrita moral do corpo confortavelmente embrulhado nela?
Ou, pelo contrário, tememos que a escrita das nossas mentes não seja o que nos diferencia, que sejamos avaliados pela carne que nos escreve por fora as diferenças que as palavras ditas vestem de ficções amáveis, com etiquetas?
Mas aí está, de novo, no que supomos mais natural, o próprio corpo nu a compor-se de significantes.
Que fazer para nos sentirmos dignamente arranjados com a nossa nudez?
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