Usura de Frutos – Poema (Pedro Mota, A Matéria Humana)

 
XXIV
é um deslizar de geometrias
num mundo todo mudo
Uma maneira de dizer
pois és tu que não ouves o silêncio das vozes
os cantares de pedras pisadas
ao viés dos cânticos marítimos
e dos ventos de rudes respostas
Manténs-te alerta
suspiras um sopro vago
num monte de pedras
consegues distinguir a meda dos enganos
pelo dobrar dos lábios
e o crescer dos olhos
Ninguém te leva em palavras
querem-te arrastar em gestos
gastados
Os dias amodorrais são
os desconfiados planos
armados

de uma usura de frutos
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