A Nudez do Corpo – Poema (Pedro Mota, A Matéria Humana)

 
XLVI
A nudez do corpo é cru refazer
de uma raiz de inocência perdida
O erotismo é a exposição do sal
na penitente vergôntea do ser
O pudor é a mortalha da infância
Veste-se o corpo de sinais de frio
Dá figura um comércio de papéis
Respira-se entre os poros do metal
os rostos esfacelam-se com facas
pressentidas no latejar das veias
Tinha de haver o actor que não actua
que arrancou duma vez todas as caras
quando representou o acto dos actos
para despejar o peso do mundo
num acerbo lavrar universal


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