À atenção da Margarida (não sei quê) Pinto – Leonor Guerra

Do Blog L’obéissance est morte

 

A querida por certo não terá visto, porque de outra maneira tinha respondido a esta invectiva da Dora e já teria assimilado o que é preciso assimilar para deixar de se comportar como uma girafa frígida. Deixe a literatura fofa e dedique-se à engorda. Nem imagina como passará a ver – e a sentir – a vida de outra maneira.O Bruninho já lhe disse das boas a propósito da sua mais recente “Repulsa e Pena”, mas eu continuo na esperança que responda pelo menos à carta aberta que o Renato lhe endossou na altura em que o seu asco recaiu não sobre quem se manifestam contra a austeridade mas contra as gordinhas. Eu, mulher e gordinha, posso garantir-lhe que a minha vida – sobretudo a sexual – melhorou na proporção de cada quilo com que a vida me brindou. Guidinha, acabaram-se as dores menstruais, as enxaquecas, os orgasmos truncados por falta de lubrificação, a falta de jeito, a desconexão corporal e as nódoas negras geradas pela sobrefricção da pélvis na bacia desprotegida. Sim, que em tempos também eu fui magra, e acredite, nem que me paguem o peso em ouro abdico do lustro luxuriante da minha formosura. Agora a minha pele está cada vez mais macia e os orgasmos, olhe, nem lhe conto. Experimente, vai ver que gosta e que não mais volta a sentir “Repulsa e Pena”, nem mesmo, pasme, sobre si própria. Beijiiiiinhos.
 
O meu comentário:
 
Talvez apenas com um senão: a gordura faz mal à saúde. Mas o certo é que viver faz mal à saúde. E eu sei que prefiro as magras – sem desmerecimento para a qualidade sedutora da opulência da curvas magnificadas das gorduchinhas -, mas gostos são gostos.
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