J. S. Bach – Kantate “Herz und Mund und Tat und Leben”, BWV 147 (Ton Koopman)

 

Não há medo supersticioso em Bach mas transporte místico – há pura fé, a confiança simples no transcendente e na bondade última do Ser supremo. 

Como disse Batista-Bastos, o Homem é o único que recusa e se indigna com a morte porque é contraditória com a capacidade infinita, inesgotável, do seu pensamento na procura da verdade e do bem. 

Bach vai para lá dessa indignação. Quem não vê nele a mais serena e confiante sublimação, mas não apolínea, pois ela se mantém unida ao amor e à paixão, da vontade de eternidade? 

Não faltará apenas pormo-nos de pé sobre a Terra, deixarmos de ter a cabeça no Céu e irmos ainda mais além da realização do Eterno Retorno do Mesmo e entregarmo-nos ao sentido da História posto em movimento por nós próprios? 

A religião é o homem na sua mais incondicional paixão de amor que se sublima numa fantasia por causa da alienação da sua condição histórica.

 

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