É Pelo Corpo (Poema do Livro de Pedro Mota A Matéria Humana)

 

LVI
é pelo corpo que Adónis se enfreia
Sabe que o amor é excesso do corpo
quem tomou no ventre a última ceia
da dor ancorada à sombra do horto
o pudor é a fronteira do eu
Se o amador não tem passaporte
para a vertigem do gineceu
melhor estará na soidão da morte
que na cadeia do seu ego morto
eco em si cerrado que faleceu
carbonizado por curto-circuito
quem am’ ama em si o outro e incendeia
o outro em si em puro e carnal transporte
quer seu desejo matérica teia

 
 
Anúncios