Para uma Crítica do Neo-Positivismo – 2


1- O Formalismo Contemporâneo.

O conceptualismo nominal, que confunde a linguagem com o conhecimento, foi transfigurado, por volta do início do século XX, pelo “subjectivismo lógico-linguístico”, também chamado de positivismo, de empirismo lógico ou filosofia analítica. (Prescindimos aqui de entrar em detalhes acerca das subtilezas respeitantes a estas subcorrentes.)
Tal sucedeu sobretudo através de filósofos anglo-americanos (Bertrand Russell, 1872-1970, Frank Ramsey, 1903-1930) – acompanhados por pensadores germânicos (Moritz Schlick, 1882-1936, Rudolf Carnap, 1891-1970) – que usaram a “análise lógica da linguagem” para – continuando a tradição empirista – intentarem eliminar da filosofia tanto a problemática ontológica quanto as anfibologias linguísticas.
Mais precisamente, procuraram suprimir, por um lado, a questão do sujeito – opondo-se ao comprometimento racionalista cartesiano –, aspecto em que se assemelham aos estruturalistas, e, por outro, o conteúdo objectivo, externo, do conhecimento. Estes eram lugares privilegiados de reflexão desde os gregos e continuam a ser para algumas importantes correntes contemporâneas (neo-aristotelismo e marxismo, que por sua vez se opõem com vivacidade).
Os filósofos analíticos, grosso modo, reduziram a filosofia à análise lógica e semântica da linguagem. Reivindicaram o projecto de a depurar dos defeitos detectados enquanto se apresenta na fisionomia das línguas naturais, substituindo-as pela criação de uma linguagem artificial, que denotaria o mecanismo válido do raciocínio universal subjacente, dos postulados absolutos da razão confundidos com ela, com os seus termos elementares, princípios, functores ou operadores lógicos, regras protocolares, axiomas e teoremas, definidos de maneira implícita e inequívoca mediante o uso mecânico de símbolos, além dos sinais (letras constantes e variáveis) extra-lógicos, isto é, interpretáveis num modelo ou numa teoria factual.
O seu esforço meritório, embora reducionista, consistiu, mais precisamente, em substituir intuições, pseudo-evidências, passagens não demonstradas de raciocínios verbais e matemáticos, à “forma” “exacta” que a que se obrigam, isto é, a um número finito de princípios, regras e operações, cuja certeza deveria estipular-se pelo “uso”, ou por um “padrão de uso”, e não por um significado anterior a este – intuitivo, ou seja, constituído na experiência psicológica do sujeito ou transmitido a este pela cultura a que pertence, sem análise exaustiva dos seus elementos nem dedução a partir de um sistema de regras expressas –, de modo a não deixar espaço a dúvidas e ambiguidades.
Este esforço de formalização desenvolveu-se também no sentido de tornar possível oferecer uma resposta cabal às perguntas: “que argumentos são válidos” e “que deduções são aceitáveis” dentro de uma linguagem clarificada pelo automatismo lógico-formal. Estes são, aliás, os tópicos fundamentais da “logística” e do “neopositivismo”.
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