De Cortar à Faca- No Reino Escolar do Vale Tudo

 

 

 

No Jornal I, creio que de 16 de Fevereiro de 2011, lia-se um parágrafo dum artigo: «A competição entrou nas escolas. Os professores brigam para conseguirem subir na carreira. Colegas avaliam colegas a competir pela mesma vaga. Quem dá aulas de História avalia quem dá aulas de Filosofia. Licenciados em Inglês avaliam licenciados em Francês. Directores com formação em Matemática ou em Biologia obrigados a avaliar coordenadores de Geografia, de Português e quem mais tiver de ser. Avaliadores submersos em fichas de avaliação, relatórios de auto-avaliação, aulas assistidas, reuniões ou entrevistas com os que se candidatam às notas mais altas – Muito Bom e Excelente. Avaliados ressentidos e avaliadores atormentados.»

 

 

Hoje não estou com paciência para grandes comentários. Mas como este do jornal não disse tudo o que havia para dizer sobre isto, aqui vai só meia-dúzia de frases. A culpa é do sistema de avaliação? Não só. O sistema de avaliação cria condições necessárias para a competição desonesta e absurda entre colegas. Mas para que tal aconteça, isso não é suficiente. É preciso ainda que quem se mete nesta corrida seja desonesto, arrivista e com falta de todo o sentido da decência e da moral. Decência e moral que os docentes, hipocritamente, continuam a ensinar aos alunos, como quem não quer a coisa. Triste fim de carreira que vão ter os professores mais velhos e que perspectiva para os mais novos! Só não é pior porque na realidade as progressões estão congeladas, mas os profissionais posicionam-se para o que der e vier. O espectáculo de professores a passarem por cima uns dos outros pelo prémio simbólico de… humilharem os colegar por uma mísera e insignificante nota abanando a cauda de pavão depenado.
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