Soneto Dialéctico

LVII
as palavras erguem-se afirmativas
numa altivez de pontes e de velas
desfraldadas flâmulas de ostensivos
emblemas num firmamento de grifos
até a dúvida é um vento que cinzela
esculturas que a ânsia põe na janela
dum quarto fechado antes no silêncio
dos sentidos confundidos num rio
a verdade absoluta é relativa
ao devir tornado imprevisível
pelo acaso que o coincidir
das causas na abertura decisiva
do instante torna compreensível
A coruja acorda ao anoitecer
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