Renato Seabra Versus Carlos Castro – Quem Vale Mais? (Artigo Republicado)

 
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Soube que se formou um movimento para ajudar Renato Seabra a pagar as custas do seu julgamento. Nada contra: toda a gente tem direito a defender-se.

 

 

Contudo, uma estranha dúvida torna incómoda a tentação de o ajudar. Esse movimento pretende também limpar a sua imagem.

 

 

O rapaz é jovem, é bonito, tem um ar simpático. Talvez os jovens valham mais como seres humanos que os seniores, como agora se diz. Talvez, não sei. Mas matou, por qualquer motivo que seja, um homem.

 

 

Que os amigos o queiram defender, pela amizade que lhe têm, e se ainda a conseguem ter, porque nenhuma relação é incondicional, a não ser com os filhos e os pais, está muito bem. Para mim é um ser humano com toda a dignidade e julgamento imparcial, que, como tal, deve merecer. Mas trata-se de um homem que matou outro.

 

 

Insanidade momentânea? O que é isso? Pode provar-se, depois do facto, que não tinha a noção do que fazia? Perca provisória da noção das coisas, ou da noção da moral? Perder a noção provisória dos valores é desculpa? Invocação conveniente. Não é um criminoso? Que homem o fora antes de ter cometido um crime?

 

 

Foi cercado de indivíduos impuros (dirão alguns) por causa da sua ambição? Uma comentadora, Helena Barreto, no Blogue O Amor é Um Lugar Estranho (peço-lhe desculpa por lhe roubar as suas palavras), terá tocado no ponto ao escrever: «Fico estarrecida quando vejo que a principal preocupação de muitos é fazer passar a mensagem que o moço não é homossexual, como se isso fosse relevante perante o que ele próprio confessou.» Há, pois, como sempre, homens e homens.

 

 

Não será o assassinato sem premeditação, por definição, o caso de todos os criminosos que matam sem método? A ausência de método (próprio de assassinatos privados em série e de políticos genocidas) é talvez a única atenuante legítima, o que não quer dizer, como parece, afectiva e jurídica.

 

 

Não temos remédio. De tão parciais juízos é feita a humana ciência!
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