O Cardeal Patriarca e os Ateus

Por respeito ao comentador que escreveu esta pérola medieval, não lhe vou citar o nome, até porque poderia não gostar. Dom José Policarpo vai-se reformar; já se reformou.

Escreve-se também em certo blogue que até os ateus vão sentir a sua falta. Mas falta de quê? Dizem-me do seu bom senso no trato das questões sociais. Tanto bom senso há nas suas palavras certamente que deve ser por isso que não faço a mínima ideia do que ele alguma vez disse.
Distracção? Talvez. Desprezo? Nem pensar. É uma pessoa nobre mas com valores arcaicos e irracionais. Tal como os deste senhor que fala de Dom José como de um “bom pastor”. Pastores só de ovelhas e cabras.
Os verdadeiros homens, como já pensava Kant na filosofia das Luzes do século XVIII, sabem pensar pela sua própria cabeça e não pelo espírito de Deus, salvo seja, e é isso o espírito das Luzes.
Sapere aude!, ousa saber. E, todavia, parece que voltamos, na era da alta tecnologia, aos tempos do obscurantismo moral, antropológico e social, à penúmbra da Razão.
Soam-me actuais estas palavras de Kant escritas em 1784, vésperas da Revolução Francesa: «Mas agora ouço exclamar de todos os lados: não raciocines! Diz o oficial: não raciocines mas faz exercícios! Diz o funcionário de Finanças: não raciocines, paga! E o clérigo: não raciocines, acredita!»
Diz, pois, este comentador: «Um bom pastor não pode abandonar o seu rebanho numa altura em que cada vez há mais lobos maus e cerca-lo. Tratando-se de voz sonante como a de D. Jose Policarpo, não é à Igreja que faz falta, mas sim aos desprotegidos deste país cada vez são mais vítimas das injustiças sociais, por quem a Igreja muito pouco tem feito face ao seu poder e dever. D.Jose, faça ouvir a sua voz cada vez mais alto porque os cristãos estão consigo. Obrigado.»
Mas afinal quem é o chefe da Igreja em Portugal?
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