No Labutar do Corpo (Poema de Pedro Mota, A Matéria Humana)


XXVI
se o tacto não se vence
no labutar do corpo
que a tua mão circunda
és menos que uma alma
fechada no deserto
de um puro pensamento


A aspereza de um tronco
uma suave lâmina de gelo
o veludo de húmidos lábios
abertos
no código do firme membro


Que vens aqui fantasma fazer
se não podes começar o que nem sonhas
pois o sonho é uma dor
fria comprada à cobiça 
flor perdida pelo fruto
ânimo sangrando de outro
terra prenha de dedos

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