Kadhafi e Guerra Contra a Líbia ou a Questão dos Petro-Dólares – Lição de História

 

26 de Maio de 2011 
O comentário que publico citado pelo jornal O Sol não precisa de mais nada. No entanto, aproveito para informar que um antigo diplomata dos Estados UnidosPeter Dale Scott,  agora professor duma universidade da Califórnia, Berkeley, publicou um artigo no The Guardian em 04-05-2011,  no qual afirmava que tanto a guerra contra o Iraque como a guerra contra a Líbia (ou, como queiram, na concordância do princípio de ingerência sempre que estiver em causa a agressão física massiva de um governo contra o seu próprio povo) não tiveram motivos humanitários mas estritamente financeiros, encobertos por aqueles. 

 
 
 
 
 
 

Escreve o tal ex-diplomata que para o que dólar se mantenha como moeda franca e fiduciária mundial, como moeda de referência, é actualmente imprescindível que o comércio de matérias-primas energéticas seja feito em petro-dólares. Ora, ambas as guerras (a invasão do Iraque data de 2003) começaram com a substituição pelos governos iraquiano e líbio dessa moeda pelo euro (existente em moeda a partir de 2002) na transacção petrolífera. Fala-se ainda da importância para o Ocidente da influência crescente dos negócios da Líbia com a Rússia e a China.

«Queda de Kadafi proporcionaria o ‘desfalque perfeito’
26 de Maio, 2011
Os investimentos do fundo soberano líbio no Ocidente «oferecem a oportunidade de um desfalque perfeito» às instituições financeiras ocidentais, segundo especialistas em fluxos e branqueamento de capitais entrevistados pela Lusa.
Um especialista norte-americano ouvido pela Lusa declarou que «a consequência financeira directa da queda de Kadhafi seria o ‘desaparecimento’ de fundos que pertencem ao povo líbio e deviam ser devolvidos a Tripolipara a sua reconstrução».Para esta fonte, «é impossível saber se houve uma intencionalidade económica na operação contra Kadhafi. O que é inegável é que a sua queda daria imenso jeito aos bancos ocidentais. Seria o desfalque perfeito».Documentos revelados hoje pela Lusa e fontes entrevistadas em vários países, incluindo a Líbia, dão conta de investimentos da Autoridade Líbia de Investimento (LIA, o fundo soberano líbio) no banco francês Société Générale (SG) e nos bancos portugueses BCP e BES.O tipo de produtos financeiros em que os fundos líbios são aplicados torna «muito difícil, ou mesmo impossível» a identificação de tais fluxos, segundo um consultor internacional ouvido pela Lusa.«A complexidade dos produtos financeiros e o tipo de operações, com sucessivos níveis de despiste, fazem com que apenas quem faz a operação sabe da sua existência», acrescentou o mesmo especialista, com uma experiência de várias décadas de trabalho na aplicação de sanções internacionais e congelamento de bens.«Em relação aos produtos derivados, de grande complexidade, a situação é que nem sequer a fonte do investimento conhece exactamente o que foi feito do seu capital», afirmou à Lusa um operador financeiro com conhecimento directo das transacções da LIA.

A SG é considerada a líder mundial em estruturas derivadas «e faz até disso uma das suas bandeiras publicitárias», sublinhou um operador da praça parisiense.
«Podem andar atrás do dinheiro até à eternidade. Não apenas as autoridades internacionais mas também, evidentemente, o dono do dinheiro», resume o especialista na aplicação de sanções internacionais ouvido pela Lusa.
«Se o dono do dinheiro desaparecer, o dinheiro fica sem dono, por assim dizer, porque na origem esteve um investimento que politicamente foi feito em segredo», adiantou o mesmo consultor internacional.
«É essa a situação em que está (Muammar) Kadhafi», resumiu a mesma fonte.
Este e outros especialistas recordaram «o caso semelhante, mas de muito menor valor», dos fundos colocados pelo antigo ditador nigeriano Sani Abacha em bancos do Luxemburgo.
«Abacha morreu (em 1998) e o dinheiro continua no Luxemburgo. Não pode ser devolvido à Nigéria mas, claro, todos estes anos aproveita à carteira de activos desses bancos», frisou o especialista.
O regime de Muammar Kadhafi é alvo de sanções internacionais e de uma intervenção militar ocidental no seguimento de uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Neste contexto, acrescentam as fontes ouvidas pela Lusa, «Kadhafi deixou de estar em condições práticas e políticas para recuperar os fundos da LIA e fazer reverter o processo de investimentos no Ocidente».
Lusa/ SOL»
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