História Natural dos Filósofos – Aristóteles

Orbigny1
Image via Wikipedia
Um gato é um gato e não pode deixar de ser um gato. Um gato não pode ser um gato e não ser um gato. Os gatos não riem. Sei bem que há um gato que ri mas é um adepto do evolucionismo, e da Alice.
As melancias foram feitas para serem comidas em família. Os supermercados para fazerem ovos.
A família não tem só o chefe da casa, a mulher no quarto das traseiras a cozer meias enquanto espera que o marido venha de Tróia, e os filhos que a vigiam contra os pretendentes à sua saia e ao seu olival. Uma família tem animais e escravos.
Apesar da forma definir o que é a coisa que se vê, mesmo que um escravo tenha figura humana, neste caso é apenas uma aparência.
É que a forma de uma coisa é o fim para que se destina. Se não fosse para levar pancada do dono e fazer trabalhos manuais, o escravo não seria um escravo.
Por isso, agora a um escravo chama-se de estrangeiro ou imigrante. Os cidadãos tiram cursos superiores e vivem do subsídio de desemprego. A menos que façam amizades políticas ou trabalhem a recibos verdes.
Em contrapartida, um homem é feito para pensar, fazer política e a guerra. Tudo na justa-medida. É que as escolas foram feitas para se ter emprego e não para se criar trabalho.
Porque há justa-medida, existem os estrangeiros para os afazeres inferiores, ou seja, tudo o que meta mãos. E tudo o que é feito com mãos serve para os seres superiores lá meterem as suas, de unhas impolutas. É que a forma decide e a matéria faz.
Por isso, Aristóteles disse que o fim do barro está na cabeça do oleiro. É a sua causa final. Assim como o objectivo da existência de cada coisa é o sistema do mundo no qual ela faz sentido. Como tal, eu fui feito para ensinar a filosofia analítica do Desidério Murcho e do João Branquinho, porque estes filósofos também só têm sentido no mundo em que vivo, mesmo que não goste. Mas gostos não se discutem.
Aristóteles também foi o inventor das esferas cristalinas. Lá, nesse céu, nada muda e tudo roda em círculos perfeitos e incorruptos, na mais pura transparência, ao contrário de cá em baixo.
Desconhecia a Marinha Grande e os brindes de champanhe dos presidentes dos conselhos de administração.
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