Cuba – A Revolução Resistente em Busca de Soluções e Cinismo dos Coveiros Frustrados

Michele Suárez, jornalista do Diário de Cuba, respondeu a perguntas do Jornal i nos idos de 16 de Abril de 2011 sobre o que vai acontecer na nação socialista. Mas vale a pena recordar porque certas pessoas não mudam de ideias por mais que elas não coincidam com a realidade.
 
“O que será da revolução com estas mudanças?
A revolução não existe. É um termo retórico que designa um processo que acabou prematuramente em 1961, quando os triunfadores acabaram de desmontar a ditadura de Fulgencio Batista e começaram a edificar a deles. (…)
Parece-lhe que o governo cubano irá adoptar o modelo chinês?
Não. (..) Durante 50 anos o governo cubano utilizou o posto de trabalho e a pobreza induzida como mecanismo de repressão.”
Eis um exemplo de inversão na interpretação dos factos; o efeito torna-se causa.
O trabalho para todos não foi um ideal do socialismo que acabou por se converter num instrumento de repressão, quer pelo bloqueio norte-americano quer porque o sistema centralizado, que nunca teria existido em parte alguma se não fossem os adversários do socialismo, as resistências económicas, políticas e culturais à realização dos seus projectos igualitários, tanto na política quanto na economia e na cultura, defraudou as expectativas das pessoas.
O trabalho para todos foi um maquiavélico expediente para manter o povo sob o domínio dos dirigentes.
O resultado foi a pobreza generalizada, sintoma de que nenhum regime ultracentralizado, qualquer que seja o seu sentido político, é viável, mas a jornalista acredita que a pobreza do povo fora, pelo contrário, um instrumento previsto pelos barbudos da Sierra Maestra para manterem a população no seu domínio quando tomassem o poder.
Para ela, portanto, todas as ditaduras são iguais, não têm fins, não têm ideais, senão os do poder pelas vantagem trazidas pelo poder.
Mas por que Fidel e seus compadres não se juntaram ao capitalismo americano logo que tomaram o poder? Teria sido mais fácil para eles, tal era a vontade dos americanos de encontrarem um aliado mais sólido e um tanto menos corrupto do que Batista.
O cinismo em estado puro.
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