Mário Palma – Um Artista do Anonimato

 

O artista Mário Palma estreou há poucas semanas (num recato de mosteiro a contrastar com o sentido da sua obra em digressão) uma instalação – Matrix – na igreja do mosteiro da Flor da Rosa no Crato.
Não há imagens disponíveis. Uma espécie de anonimato define a obra, que se quer itinerante. Itinerário que, por enquanto, passa despercebido porque se pretende que a obra seja o modelo simbólico da existência social, e talvez mental, de cada um de nós no mundo hodierno.
É uma matriz gigante em alumínio que se instalou num espaço sagrado contrastando o sublime do espaço transfigurado pela pedra feita fé com a geometria pura de um “lattice” que ameaça, com a ausência de sentido, o sentido humano posto antes, no passado, na memória, pelos homens em todas as coisas e neles mesmos através destas.
A matriz geométrica, como um modelo ‘a priori’ do novo pensamento universal, impessoal e desprovido de toda a transcendência, vai sair da igreja e fazer uma digressão sem fim por tudo quanto o acaso e o possível encontrar um local para o acolher.
Ameaça? O novo mundo? Exagero de artista? Uma provocação à indiferença contemporânea a respeito do sentido da vida? Estejam atentos.
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