A Consagração do Gracejo Como Política e o Fim da Tolerância de Ponto

 

    • Esta notícia já tem barbas, de dois anos mas o facto encerra uma lição que não se pode esquecer. Por isso, vou republicá-la. 
    • Acabei de ouvir na televisão pública que o governo decidiu não dar este ano tolerância de ponto à Função Pública nos feriados do Natal e do Ano-Novo, que calham… ao Domingo. Mas não era precisa tanta propaganda, nem tanto ódio ao Pai Natal, por causa dos supostos quarenta e sete dos cento e sessenta mil milhões do PIB, apesar de sabermos do baixo nível cultural e intelectual da população, que nem fazer contas sabe. É que, de um lado, a Função Pública está encerrada… ao Sábado. Neste caso seria como chover no molhado. Sejamos honestos: às Segundas, seria como uma compensação pelo absurdo dos feriados serem aos Domingos. Porque se a Função Pública é dispendiosa, então gastará menos se folgar uns dias a mais.
    • Claro que já deram tolerância de ponto há uns anos atrás dia 26 de Dezembro e 2 de Janeiro, mas estou apenas fazer pouco das pessoas (é o que merecem) que reagem por reflexo condicionado a tudo o que seja médicos, professores, funcionários de repartições, polícias, etc., do público, e que por isso se mostraram logo agradados por não haver tolerância a 24 e a 31 sem darem pelo facto de que esses dias são sábados. E sem darem pelo facto de que, com medidas assim, não se irão apenas feriados como também dias de férias, reformas em tempo útil, o emprego pouco precário, o nosso dinheiro destinado à saúde, à educação e à produção nacional para pagar as dívidas aos Fundos de Investimento estrangeiros, com o que não haverá feriados que cheguem para as liquidar. Tolos: é por isso que engolem as patranhas dos senhores do mundo. 
    • Continuem assim e depois vejam se podem pagar médicos e cirurgias do privado, professores de colégios, jardineiros, empregados do lixo, polícias privados, etc. Manter-nos vivos indo ao médico tornar-se-á muito mais caro do que fazer-nos um funeral.
    • Li algures que o povo é curto de neurónios… A maior parte tem um e funciona como as luzes de natal. 
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  • Fiquem também com esta primeira estrofe do poema de Bertold Brecht, Canção da Insuficiência da Aspiração Humana, traduzido por Paulo Quintela: 
O homem vive da cabeça
E a cabeça é de repolho.
Ora tenta lá: da tua cabeça
Vive, quando muito um piolho.
Pois pra esta vida
Não é espertalhão bastante
Nem nota que a sabida
É mentira de farsante.
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