Os Feios Também São Belos Diz o Bloco de Esquerda – Um Artigo Cruel

 

Daniel Defoe 1719 castaway novel Robinson Crus...

“Falta descentralizar o desejo e a sexualidade ostensiva da beleza única e demonstrar que os feios, as gordas, os manetas, os rastas, as velhas, o lingrinhas, a bruta, o motoqueiro, as punks, os cegos, a surda, o ruivo, as ciganas, a avozinha, os japoneses são seres sexuais.” (Bruno Maia, médico, dirigente do Bloco de Esquerda).
 
Seria tão bom que fossemos animais, de uma espécie que não tivesse machos alfa. Seria mesmo bom que a beleza fosse um sentimento arbitrário, inexplicável, como tudo na vida. Que se quiséssemos não precisaríamos de comer, que pudéssemos voar se nos desse na real gana, que ninguém trabalhasse se o preferisse, que fizesse as coisas só porque sim e não as fizesse só porque não! Tudo à maneira dos membros da esquerda caviar é pós-moderna (ou à maneira do Banqueiro Anarquista do Fernando Pessoa), para quem ser de esquerda é o sonho do Robinson Crusoe ou é o de não haver padrões, ordem, fins, causas e razões, mas apenas ter a liberdade de se borrifar para tudo. Para a beleza também. Infelizmente, tudo, como a beleza, de um ponto-de-vista objectivo ou subjectivo, tem as suas razões, as suas causas, os seus padrões.
A gorda Vénus de Wilendorf, as Meninas de Picasso, a Mais Pequena Anâ do Mundo da Feira Popular de cá e a Coxinha dali nunca foram modelos comuns de beleza.
A primeira simbolizava a maternidade quando ter muitos filhos era uma questão de sobrevivência e a gordura, não sendo formosura, era sinal de fartura suficiente para suportar os partos e amamentar os recém-nascidos. As Meninas de três olhos e nariz torto arrepia todos os homens. Picasso não as pintou para que eles fossem para a cama com a sua pintura.
Quanto à Anã e à Coxinha, é pena que a beleza não esteja com elas, nem o próprio Bruno Maia, por mais esforço democrata que faça, estará solidário com os encantos delas.
Infelizmente para Bruno Maia, ou talvez felizmente para a sua progenitura (embora felizmente a pílula tenha separado a sexualidade da infâme reprodução), a beleza está associada ao padrão funcional da motricidade humana, às curvas e tamanhos da anatomia da procriação e, dentro dos limites dos factores anteriores, aos valores culturais que, por acaso, têm a ver com a organização social e com os efeitos das relações económicas na percepção dos indivíduos.
Como disse Winícius de Morais, “Mulheres, lamento mas a beleza é fundamental.”
Felizmente, há mais esquerda do que o Bloco.
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